Movimento dos Focolares

Síria, o drama que continua

Nov 27, 2015

Na Síria, as pessoas querem a paz e se perguntam quem, ao contrário, continua a querer a guerra e a fornecer armas no lugar de alimentos e remédios. O testemunho de quem se acha convivendo com a guerra e ainda tem esperança.

Foto: REUTERS/Murad Sezer

«Enquanto os tiros de morteiro estão caindo perto de nós, o medo e a preocupação nos acometem seja pela nossa vida seja pela de todos os que conhecemos, cristãos ou muçulmanos, sírios ou estrangeiros: nos une o pertencermos à humanidade e o sermos todos irmãos e irmãs. Nestas ruas de Damasco se vive e se morre juntos, sem nenhuma distinção. O balanço do bombardeamento é trágico: 9 mortos e 52 feridos. Ninguém fala disso. Por agora é Paris que está em cena. Mas estes são os números da guerra do outro lado do Mediterrâneo, são os números deste dia. Não quero mostrar cifras que tornem ainda mais apavorante aquilo que aqui, para todos, é um normal dia a dia. Assim que o estrondo termina, porque o barulho das bombas é ensurdecedor, pego o celular e chamo parentes e amigos: “Você está bem? Onde está? Não se mexa daí! Espere…”. Estas são as perguntas que se repetem após cada lançamento de bombas ou depois dos disparos no bairro. Recomendamo-nos uns aos outros ficarmos parados no lugar que, por enquanto, nos deu refúgio e salvação e ficamos lá porque não sabemos aonde ir. O escritório, a cozinha, o corredor, se tornam refúgios ou sepulturas dependendo se as bombas pouparam ou atingiram você. Dentro de mim as perguntas persistem, contínuas como um mantra: “Mas é normal viver com esta agitação? É normal que as pessoas devam viver sempre com medo? Por que a outra parte do mundo fica calada? Até quando deverá durar este absurdo? É possível que o poder, o dinheiro, os interesses possam levar a melhor sobre a vontade de paz dos povos e das pessoas simples?” Aleppo, no início de novembro ficou durante 15 dias sem víveres e as estradas de acesso estavam bloqueadas. As minas são outra herança desta guerra. Antes de reabrir cada rua ao trânsito, é preciso sempre “desminá-la”. Uma aldeia próxima a Homs se tornou alvo do Isis e existem cerca de três mil refugiados desabrigados. As pessoas querem que a guerra termine e se perguntam muito: “Quem consegue as armas para estas milícias cruéis? Porque não chega o alimento, mas chegam munições e materiais bélicos?”. Estes questionamentos nos dilaceram, enquanto que a oração se torna o bálsamo, a nossa rocha. A comunidade cristã procura viver na normalidade, se encontra nas celebrações, trabalha em muitos projetos de solidariedade, mas somos poucos. Implacavelmente se parte, se deixa uma terra amada porque não se veem perspectivas e tudo é muito caro, dos remédios aos alimentos. Mas até quem parte, deseja voltar: a vida está salva, mas não é a vida na Síria, não os mesmos relacionamentos, não os mesmos gostos, não a mesma cumplicidade. E, no entanto, não estamos divididos. Estamos espalhados, mas continuamos a viver todos juntos pela mesma paz». Fonte: Città Nuova Italiano

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