Movimento dos Focolares

Somos responsáveis uns pelos outros

Abr 17, 2013

Dia 18 de abril é a data do nascimento para o céu de Igino Giordani, Foco. O recordamos com uma página do livro “Il Fratello” (“O Irmão”), que descortina a sua paixão pela humanidade.

«É-nos oferecido um critério muito simples para julgar se estamos bem diante de Deus. Nós estamos bem com Deus se estamos bem com o homem. Amamos a Um, no céu, se amamos o outro na terra. Pode-se dizer que o irmão nos foi dado para que, por analogia, nos recorde Deus.

Eu não gostaria de ser caluniado, estar faminto, sem moradia, sem trabalho, sem alegrias… e assim, naquilo que depende de mim, devo agir para que também os outros sejam honrados, saciados, alojados, empregados e preenchidos de consolação. Desse modo estabelece-se uma espécie de igualdade, ou seja, da forma que trato o irmão Deus trata a mim; da forma como o irmão me trata, Deus o trata.

Poder-se-ia dizer que Deus é o primeiro a praticar o preceito fundamental do Evangelho: “ama o próximo como a ti mesmo”, e nos ama como Deus, isto é, infinitamente. De fato, leva esse amor até o ponto de querer que sejamos uma só coisa com ele, que participemos da sua natureza. Não foi por isso que ele se fez partícipe da nossa? Coloca-se no nosso nível para nos consentir conviver com ele.

O individualismo, ao fechar e inchar o próprio eu na casca do exclusivismo pessoal, sufoca a alma, e faltando a circulação o calor se extingue. O espírito sofre o frio, morre no gelo. É suficiente alguém que comece a amar o irmão para que, ao aquecer o espírito do outro, aqueça o próprio. Um alerta que habitualmente nos é feito é o de não andar com estes ou aqueles… Todavia Jesus falava precisamente com a samaritana, escandalizando os seus. E queria de fossem deixadas as 99 dóceis ovelhas para ir buscar a centésima, indócil.

Ao aproximar-me de um irmão eu assumo uma responsabilidade pelo destino eterno dele e, portanto, também pelo meu, dada a solidariedade que fundamenta os nossos relacionamentos. Quantas vezes o pecado do irmão, em menor ou maior medida, é também o nosso pecado, rompimento provocado pela nossa falta de amor.

Quantas vezes o criminoso é um indivíduo a quem faltou o amor, tanto que o Crucificado, acima dos juízes no tribunal, poderia repetir: “Quem não tem pecado atire a primeira pedra!”. Quantos irmãos perderam-se porque foram abandonados por nós!».

Igino Giordani, Il Fratello, III edição. Città Nuova, abril 2011

I edição: Figlie della Chiesa, 1954

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

Bolívia: encontro e amizade sem fronteiras

Bolívia: encontro e amizade sem fronteiras

Duas famílias de Vicenza (Itália) viveram uma experiência intensa e profundamente significativa na Bolívia, em contato direto com os projetos de apoio à distância promovidos por Ações Famílias Novas (AFN). Não uma simples visita, mas uma imersão na vida quotidiana de quem, dia a dia, transforma a solidariedade em oportunidade de resgate.

Vivendo o Evangelho: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

Vivendo o Evangelho: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21)

Jesus ressuscitado dá paz e alegria aos seus discípulos e confia-lhes a sua própria missão. O Espírito Santo os “recria” como uma nova humanidade, e esta vocação hoje não diz respeito apenas a cada um de nós, mas realiza-se plenamente quando somos uma “comunidade” e nos apoiamos uns para os outros. É assim que o Evangelho se torna vida e a missão um novo Pentecostes.

Líbano: ser centelhas de vida

Líbano: ser centelhas de vida

Depois da doação de 300 euros, feita por algumas crianças de Roma para o Instituto de Reabilitação áudio-fonética (IRAP), localizado em Aïn, na periferia de Biakout, ao norte de Beirute, elas receberam uma carta de agradecimento realmente tocante; lembrou-nos o verdadeiro valor da solidariedade e da responsabilidade que interpela cada um de nós: ser sementes de esperança e de paz na escuridão.