Movimento dos Focolares

Um longo caminho pelo Médio Oriente

Jul 5, 2017

Gianni Ricci, focolarino sacerdote, passou 23 anos no Médio Oriente, dando o seu contributo para a difusão da espiritualidade da unidade, em terras martirizadas por guerras e tensões.

Il lungo cammino...Viaja-se por diversos motivos: curiosidade, sede de conhecimento, espírito de aventura, encontrar respostas, conhecer-se a si próprio. Não foi o que aconteceu com Gianni Ricci, que, conjuntamente com Delfina Ducci, escreveu um livro: O longo caminho do “fazer-se um”, editado por Città Nuova. Muitos foram os quilómetros que ele percorreu. Poder-se-ia dizer que a sua vida foi uma “vida em viagem”, para contactar com as infinitas modulações da humanidade sofredora. Nascido em Ripalta Cremasca, no norte de Itália, numa família simples, mas digna, cresce na autenticidade dos valores cristãos. Aos vinte anos conhece o ideal da unidade de Chiara Lubich, que revoluciona o seu modelo de vida cristã, a tal ponto que ele percebe que o focolar é a estrada que deve percorrer durante toda a vida. Em 1964 parte para Loppiano (Florença, Itália), cidadela nascente do Movimento, à qual se dedica com grande espírito de entrega, ao longo de mais de vinte anos. Depois de Loppiano, a sua adesão aos planos de Deus leva-o a partir, primeiro para a Turquia, para acompanhar o desenvolvimento da comunidade nascente. Depois, Líbano, Terra Santa, Argélia, Jordânia, Iraque, Egito, Síria, Tunísia, Marrocos… «Quantas mudanças imprevistas em mim! Estou na Turquia. Aqui não me faltam momentos de graça, para fazer-me santo! Há tanto trabalho a fazer». Gianni Ricci, um “globe trotter” da alma, anota tudo aquilo que encontra, talvez passando por cima das dificuldades que se lhe deparam, especialmente nas relações com povos tão diferentes. Mesmo mostrando a tragédia das guerras que causam feridas profundas nas pessoas e frustram as esperanças de um possível futuro de estabilidade e de paz, não procura soluções nem possíveis explicações na história. Simplesmente vive ao lado daqueles que encontra, com o coração livre e aberto a uma humanidade “alargada”, que fala a mesma língua do coração e do sofrimento. «Em finais de janeiro de 1986, com Aletta (focolarina dos primeiros tempos) inicia a primeira viagem de Istambul a Ankara e daí até Beirute, no Líbano. O aeroporto está quase destruído pelas bombas! O Líbano está destroçado pela guerra civil (…). Os controlos são implacáveis, as autoridades suspeitam de tudo e de todos. Cada posto de bloqueio é controlado pelas diversas fações. Passados oito dias, Gianni inicia a viagem de regresso a Istambul. Ao longo dos 120 km que separam Beirute da fronteira com a Síria, esperam-nos 13 postos de bloqueio. No primeiro estiveram em risco de vida. Gianni detém-se diante duma guarita, onde um soldado armado até aos dentes lhe pede os documentos. Entrega-os e afasta-se. Depois de alguns metros, um rapaz intima-o a voltar atrás, fazendo notar que o guarda tem a arma apontada, pois não lhe deu autorização de se afastar. Não premiu o gatilho, garças a Allah, diz-lhe». Não se trata de uma narrativa política, mas “exclusivamente” humana. A humanidade de que fala não tem cor ou línguas, não tem passaportes, fronteiras, leis ou costumes. Em qualquer lugar para onde vai, Gianni tem uma preocupação especial pelas relações entre as Igrejas locais, com o Islão, com o mundo hebraico, numa única exigência de apoiar todas as pessoas que encontra a esconjurar o medo, a incerteza do amanhã, a tensão provocada pela guerra. Uma sucessão de recordações na perspetiva da unidade. Esta é a “lógica” que ainda move Gianni, observador atónito das coisas de Deus.   As citações foram retiradas de “O longo caminho do “fazer-se um”. Experiências no Médio Oriente, Città Nuova, 2016.

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subscrever o boletim informativo

Pensamento do dia

Artigos relacionados

Evangelho vivido: da semente ao fruto

Evangelho vivido: da semente ao fruto

A Palavra de Deus é como uma semente que, quando acolhida de coração aberto e com perseverança, superando todas as dificuldades, dá fruto. Jesus nos convida não só a escutá-la e compreendê-la, mas sobretudo a vivê-la concretamente todos os dias. Vivendo a sua Palavra, deixamos que Cristo transforme o nosso modo de pensar e de agir, tornando fecunda a nossa vida e a dos outros.

Movimento Gen: 60 anos de vida

Movimento Gen: 60 anos de vida

“Jovens do mundo inteiro, uni-vos”: esse foi o convite que Chiara Lubich dirigiu às novas gerações há 60 anos, para que cada pessoa pudesse responder ao chamado de Deus a viver concretamente pela unidade.

Acolher a sabedoria

Acolher a sabedoria

Se prestarmos atenção ao mundo que nos rodeia, percebemos que, muitas vezes, o que prevalece é o barulho das opiniões. Todos querem dar a própria opinião e multiplicam-se os espaços de debate nos quais parece que todos sabem tudo. Nem sempre, porém, encontramos ali...