31 Jan 2011 | Sem categoria
Eram mais de 60, entre professores universitários, sociólogos e estudiosos do serviço social, provenientes da Argentina, Brasil, Áustria, Alemanha, Rússia, Bélgica, França e Itália, os participantes do Seminário internacional “O agir agápico como categoria interpretativa para as ciências sociais”, organizado pelo grupo científico “Social-one, ciências sociais em diálogo”, realizado no Centro Mariápolis de Castelgandolfo, dias 17 e 18 de janeiro de 2011.
Social-One é um grupo internacional de sociólogos e estudiosos do serviço social, que deseja conduzir uma experiência de vida, estudo e intercambio, por meio de uma dinâmica de escuta e abertura recíproca, nutrindo-se do carisma de Chiara Lubich. Há mais de dez anos busca analisar alguns conceitos fundamentais das ciências sociais, através de uma dúplice leitura que, a partir da tradição sociológica, evidencie as novidades apresentadas pelo carisma da unidade.
Depois de uma série de estudos sobre a relação social, o conflito, os relacionamentos sociais e a fraternidade, há cerca de três anos iniciou-se a leitura de uma obra de Boltanski, um dos mais importantes sociólogos franceses modernos, graças à qual abriu-se a perspectiva de uma nova categoria conceitual, ligada ao agir agápico, ou seja, a um amor que supere a incerteza, o caos, o consumismo, típicos das sociedades contemporâneas.
«Nestes últimos dois anos – salienta Vera Araujo, coordenadora de Social-One – pudemos dialogar com vários sociólogos italianos e de outros países, sobre esse assunto, enriquecendo-nos e sentindo-nos encorajados a prosseguir».
O seminário – patrocinado por sete Universidades e Institutos Científicos – tinha justamente o objetivo de apresentar à comunidade científica algumas pistas de trabalho sobre o agir agápico, definido como “uma ação, relação ou interação social, na qual os sujeitos oferecem mais do que aquilo que a situação exija” – explica Gennaro Iorio, sociólogo, professor associado da Universidades dos Estudos, de Salerno. “Não é um agir utilitarístico, de troca de mercado. Para ser ativado, o comportamento agápico não parte do pressuposto que o outro retribua o gesto”.
O seminário foi enriquecido com mais de 20 relações científicas, que proporcionaram novas possibilidades de pesquisa.
28 Jan 2011 | Focolare Worldwide
«O nosso correspondente em Moscou nos deixou, aos 56 anos, após uma doença rapidíssima e implacável. Um exemplo de seriedade profissional e humana».
Viajamos juntos para redigir, juntos, o livro “Sobre a imensa fronteira. Histórias de cristãos no Cáucaso”. Era correspondente de Città Nuova, além de alguns jornais portugueses – Eduardo Guedes era de Lisboa, onde nasceu em 10 de julho de 1954 – e o seu conhecimento da língua russa e dos lugares, era indispensável para completar a redação daquele livro.
Lembro-me de uma viagem de táxi, entre Vladikavkaz e Nazran, capitais respectivamente da Ossétia do Norte e da Inguchétia. Era o final de 2007. A tensão era palpável, as vicissitudes caucasianas extremamente virulentas. O taxista temia aquela viagem, de poucas dezenas de quilômetros, porque não se sabia qual teria sido a reação dos soldados russos na fronteira. E depois dizia-se que naquela região eram frequentes os raptos de estrangeiros, para pedir resgate. Eduardo passou todo o tempo tranquilizando aquele homem, com aquela calma olímpica que sempre o caracterizou.
Em Nalcik, capital da Cabárdia-Balcária, ficamos uma semana, para tentar entrevistar alguns expoentes do mundo político e cultural da república caucasiana. Naquela ocasião admirei o seu modo de entrevistar, feito mais de silêncio do que de palavras, na certeza de que numa entrevista o que conta é deixar o interlocutor à vontade, de modo que possa se exprimir da maneira mais clara e livre possível.

Eduardo com Maria Voce 'encontro dos responsáveis das regiões, outubro 2010
Em Beslan visitamos, com o prefeito, a Escola n. 1, aquela onde foram mortas quase 300 crianças, em setembro de 2004, no atentado mais violento de que se recorda na controvérsia entre chechenos e inguches. Num determinado momento encontrei-me num corredor escuro, sem controlar as lágrimas, folheando o caderno de um menino, ainda manchado de sangue. Ele me disse: «A crueldade é incompreensível. Só o vulto ensanguentado de Jesus me tranquiliza».
Escreveu dezenas de artigos sobre a complexa situação russa, com a coragem da verdade, mas também com a delicadeza de explicar um mundo que para nós, italianos, ainda está encoberto por toneladas de reservas e preconceitos.
Obrigado, Eduardo, com todo o coração, por tudo o que você nos deu. E continue a viajar conosco, e a nos mandar reportagens da terra onde ninguém mais morre. Recordamos a frase do Evangelho de João, que Chiara Lubich lhe sugeriu como projeto de vida: “Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu”. Você amou o mundo, e o mundo o amou. Até breve».