Emanuele Camagma
- Data de óbito: 21/04/2017
- Ramo de pertença: Volontario
- Nação: Itália
Gianni nasceu em Roccapiemonte, na Campânia (Itália), em 1930. Com grandes sacrifícios concluiu a faculdade de Direito e, ao mesmo tempo, trabalhava como escrivão no fórum. Pela sua sólida formação cristã tornou-se responsável pelos jovens da Ação Católica de Nápoles. Depois que se formou, durante o serviço militar, conheceu um focolarino que lhe deu uma revista Città Nuova e, em 1959, ele participou da Mariápolis em Fiera di Primiero. Ao ouvir um entusiasmante discurso de Bruna Tomasi, que participou do primeiro grupo com Chiara Lubich, Gianni descobriu no Ideal da unidade uma especial consonância com a sua vocação leiga, civil e política. Quando foi nomeado juiz ele optou pelo Fórum de Milão, cidade na qual se encontra um dos primeiros focolares da Itália, justamente para aprofundar o conhecimento da vida de unidade. Em 1965 ele frequentou a escola de formação dos focolarinos, em Loppiano, para, depois, retomar o trabalho de juiz, morando no focolare. Em 1968 Gianni exercia a função de juiz na Província de Trento, onde se dedicou ao Movimento Humanidade Nova que estava iniciando, a expressão mais social do Movimento dos Focolares. Mais tarde, ao ser nomeado membro do Tribunal de Recursos de Roma, mudou-se para Rocca di Papa, e dedicou-se ao Centro do Movimento. Na Itália, na década de 70, aconteceram atos de extrema violência contra as instituições do Estado, que deram origens à luta armada e ao terrorismo. Naqueles anos Gianni foi escolhido como juiz relator e redator da sentença de recurso no primeiro e mais importante dos cinco processos pela morte de Aldo Moro, líder da Democracia Cristã, assassinado em 1978, pelo grupo armado conhecido como Brigate Rosse. Todas as manhãs os guardas da escolta iam buscar Gianni na sua casa e, após o trabalho, o acompanhavam novamente. Estando em casa, normalmente, ele ia de carro à missa. Uma noite, ao invés de retornar pelo caminho habitual, sem programar-se previamente, mudou o trajeto – ele disse que foi uma espécie de “inspiração” – chegando a casa por outro caminho. E, desta forma, evitou ser sequestrado pelos terroristas que o esperavam.
Nos anos 80 e 90 Gianni continuou a trabalhar para o Movimento Humanidade Nova, realizando iniciativas importantes sobre a questão da justiça na Itália, na Europa e sobre questões do setor penitenciário, assuntos dos quais se dedicava com ardor. Mais tarde, ele foi nomeado juiz do Supremo Tribunal Federal e, no início dos anos 2000, com outros, contribuiu para a fundação de Comunhão e Direito, uma rede internacional que coliga estudiosos e agentes de diversos setores do Direito. Nos anos seguintes foram realizados congressos internacionais e cursos de verão com programas de formação endereçados aos jovens.Uma grande solicitude acompanhou Gianni no empenho que exige o diálogo com a cultura jurídica, fundamentada na relação entre agentes do Direito, entre os setores jurídicos e a sociedade civil. Em 2015, quando se aposentou, Gianni continuou a acompanhar à distância os trabalhos, continuou a escrever, estudar, a colaborar nos debates, até ao último momento. Ao receber a notícia da sua morte muitas pessoas nos escreveram, pessoas que o conheceram e o estimavam: familiares, colegas magistrados, agentes do campo da justiça e, também, pessoas que não ocupam nenhum cargo neste campo. São testemunhos plenos de reconhecimento a um especialista em leis e que fez do Evangelho a norma da própria vida, deixando-se guiar especialmente por uma frase que Chiara Lubich escolheu para ele: “Aquele que dentre vós quiser ser grande, seja o vosso servidor” (Mc 10,44). Uma sua colega juíza que, com Gianni, acompanhou a trajetória percorrida por uma “justiça de comunhão”, evidencia que viu nele a capacidade de valorizar ao máximo todas as categorias profissionais relativas ao âmbito da Justiça e a particular “atração” pelos últimos, na ótica evangélica: os presos, que ele amava quase como se fossem seus filhos.
PULSE – THE EVENT – 1 st May 10:00-12:30 (CET, UTC 1)
PULSE – THE MEETING, 29 Aprile 2017, Replay the streaming event: part 1 – part 2
Sabe-se que o coração dos jovens bate mais rápido. Pulsa num ritmo acelerado, como um sinal de uma boa saúde, derramando no mundo que os circundam energia, vitalidade, movimento. “Pulse”, o meeting internacional (“Muda o teu coração, muda o mundo”), de 29/4 a 1/5, serão dois dias em ritmo acelerado. Fiquem firmes. Podem existir fortes contraindicações para quem sofre de alergias à contaminação com outras culturas, medo do confronto, inclinações a resolver todos os conflitos com soluções drásticas e possivelmente violentas. Ótima cura, pelo contrário, para quem, apertando o cinto de segurança, deseja viajar em alta velocidade para a descoberta de um mundo novo onde a paz é a lei universal. Loppiano, uma localidade que, desde o longínquo 1973, nos primeiros dias de maio, enche-se de jovens, este ano irá oferecer a todos os participantes (pertencentes a vários movimentos e grupos, entre os quais Jovens por um mundo unido, Novos Horizontes, Rondine, Centro internacional La Pira, “Non Dalla Guerra”, Living Peace, Instituto Universitário Sophia, Dancelab, EcoOne, Economia desarmada, Barbiana e Sportmeet) um espaço de encontro e reflexões para aprender, conhecer e projetar. Estarão presentes testemunhas de muitas partes do mundo: Síria, Equador, Egito, Jordânia, Líbano e Iraque. Haverá seis oficinas dedicadas a temas de atualidade: acolhimento e integração, compromisso social, arte, paz, esporte, comunicação social. Haverá ainda quatro foruns de discussão – paz e tradições religiosas, economia e política, educação para a paz, natureza – dois dos quais serão conduzidos pelo projeto Living Peace International e pelo grupo Economia Desarmada. O primeiro nasceu da experiência de Carlos Palma, uruguaiano, professor, que em 2011 ensinava no Egito. Da sua experiência com os estudantes, num cenário dramático de guerras e conflitos, surgiu um projeto de educação para a paz, difundido em mais de 100 países, com a participação de quase mil integrantes, entre escolas, grupos e associações. Atualmente o projeto envolve mais de 200 mil crianças, adolescentes e jovens em várias partes do mundo. O segundo, Economia Desarmada, organiza já há alguns anos um percurso de educação para a paz. Nessa ocasião irá propor: “Objeção à guerra: nas pegadas de padre Milani”, uma visita à cidade de Barbiana, próxima de Florença, guiada pela leitura do sacerdote italiano sobre a guerra, a paz e a objeção de consciência. Enfim, será uma viagem em alta velocidade para conhecer – e escolher – o que fazer para mudar o rumo da história, tornando-se um nó da rede mundial chamada “United World Project”, que desde 2012 congrega os Jovens por um Mundo Unido, junto a outras associações e grupos, no compromisso pela paz. A ideia é ligar muitos “fragmentos de fraternidade” numa rede mundial.
No dia 1° de maio, será a conclusão do Meeting, mas o ritmo não vai diminuir. Mais uma vez, o esperado evento de Loppiano irá abrir para muitos jovens, provenientes de mais de 40 países, para mostrar a todos “batida” a verdadeira do coração da humanidade, inúmeras ações de paz e de fraternidade que enchem, fazendo menos barulho do que a guerra, a vida de indivíduos, grupos e povos. As ideias serão apresentadas em músicas, coreografias, palavras, testemunhos e espaços de diálogo sobre política, economia, arte, religião, cultura, compromisso social em favor da paz. A seguir e até o dia 7 de maio, será aberta a 22ª edição da Semana Mundo Unido (#4Peace. Pulse – Muda o teu coração. Mude o Mundo), a iniciativa que desde 1996 envolve adultos e jovens numa série de ações em todos os continentes, verdadeiras “vitrines” de fraternidade. Espera-se que a Semana seja um dia reconhecida também pela ONU. É preciso correr. Mas de verdade. Em 7/5, a “Run4unity” irá fechar a Semana Mundo Unido com um outro evento mundial: uma maratona em estafeta pelos vários fusos horários irá unir, idealmente, o planeta. Ainda estão abertas as inscrições no site run4unity. Inicia-se um período de batidas aceleradas do coração. Mas daquelas saudáveis, que fazem bem ao mundo. Para seguir os eventos e interagir usa os hashtag: #UnitedWorldWeek2017 – #4peace – #PULSE – #ChangeYourHeartChangeTheWorld – #MeetingY4UW – #PrimoMaggioLoppiano2017 – #run4unity2017
https://youtu.be/5Bc3pj_p0FY
3 de novembro de 1955 Se a história universal é um quinto Evangelho para a humanidade, a vicissitude pessoal é a mesma coisa para cada pessoa. Vista a partir de Deus ela mostra-se como um desenho, para conduzir-nos da dispersão à unidade com Ele. Então se vê como o desapego de pessoas queridas e a perda de honras e posições são um despejo de fatores humanos para deixar-te a sós com o Único. Cada dia assume o valor de uma aventura divina, se serviu para que subisses ao longo do único raio – o teu raio – que se conecta ao Sol de Deus. Fala-se de uma marcha rumo à morte, e é um progresso rumo à liberdade, e no auge dela o Pai te espera: uma marcha, portanto, rumo à vida, que jamais terminará. 19 de dezembro de 1956 A sabedoria cristã, ao pedir-nos para renunciar a nós mesmos não nos pede uma renúncia, mas uma aquisição. No lugar das ambições humanas acende uma ambição divina. Sugere-nos colocar Deus no lugar do nosso eu, elevar-nos do plano humano ao nível divino, fazer sociedade com a Trindade. É uma humildade que realiza uma grandeza ilimitada. Eis porque, depois, daquele vértice o mundo parece sombrio, e as riquezas parecem joio e a grandeza se torna areia. Enfim, renunciar a nós para estar sempre com Deus. Transferir o Eterno no tempo, fazer da terra o Paraíso. Então o sofrimento é matéria prima de grandeza: a cruz uma escada ao Pai Eterno. 26 de dezembro de 1956 A vida é uma ocasião única que nos foi dada para amar. 16 de outubro e 1959 Como reação ao individualismo, cultiva-se hoje a vida comunitária, e dá-se ao aspecto social um lugar central no estudo e na educação. É um movimento que nos ajuda a voltar-nos ao irmão e nos induz a fazer, juntos e unidos, uma escalada para Deus. Mas isso contém também um perigo: que de tanto estar com os irmãos nos esqueçamos de estar com Deus. O irmão vale como Ianua coeli – porta do céu – mas, se por detrás dele, não se vê o Pai, arrisca-se substituir a desolação do individualismo pela desolação do “grupismo”. Quem nos faz companhia é o Pai, quem nos assiste e vivifica é Ele. É por isso que, com as desilusões que chovem todo dia da convivência humana, Ele nos recorda que existe também uma convivência divina, ou melhor, que a comunhão existe se, do irmão se passa ao Pai, e do Pai se volta ao irmão. Igino Giordani