Movimento dos Focolares

Liderança, não é uma brincadeira

Aprender a fazer o papel de “locomotivas” de grupos e projetos é um processo fundamental no momento em que o sentido da autoridade vacila, as redes sociais ditam a sua lei e a política parece por toda parte estar em crise. Os projetos do Movimento político pela unidade, de NetOne, de Humanidade Nova, de Sophia, da Amu, de Famílias Novas, do Movimento Juvenil pela Unidade e de outros ainda. É uma das palavras chave do início do Terceiro Milênio: “liderança”. Às vezes se abusa do termo, e não se sabe mais o que significa de fato, por diferentes motivos, determinados pelos fenômenos da globalização e da revolução digital, com a paralela crise de modelos de governança tradicionais, seja no micro (paróquias, associações, bairros…) seja no macro (empresas, governos, administrações…). E isso acontece um pouco por toda parte. Numerosos organismos e agências culturais dos Focolares, por isso, se interessam, tomando obviamente o problema a partir de diversos pontos de vista, e encaminhando processos, na maioria das vezes, sinérgicos. Basta o exemplo do congresso organizado por Humanidade Nova, pelo Movimento político pela unidade e por outras agências culturais do Movimento, no mês de janeiro passado, em Castelgandolfo, “Co-governança” era o seu título, e que agora continua de diferentes maneiras em vários cantos do mundo. Mais do que um modelo, foi proposto um estilo de governança, que retoma o assunto fundamental do carisma da unidade, isto é, aquele prefixo “co”, que exprime vontade de não ceder a individualismos e solipsismos, de conceder parte da própria “soberania”, do próprio “poder” à instância comum, ao tender na direção do bem comum. Faz tempo, também no Instituto universitário Sophia, se está trabalhando sobre estes aspectos no âmbito da política e da economia, assim como nas ciências humanas e sociais. Em especial, se está interessado no tema da liderança, sob os mais diversos ângulos colhidos do ponto de vista da “cultura da unidade”. Isso é a lógica consequência, se quisermos, de um dos slogans lançados pelo nascente movimento gen, em 1967-1968, particularmente por alguns franceses (entre eles, Goffinet e Garoche), os quais publicaram um folheto com o título significativo: “Mudar a si mesmos para mudar o mundo, mudar o mundo para mudar a si mesmos”. Já havia a exigência de uma liderança iluminada pelo Evangelho, rica das contribuições das ciências humanas e sociais, atenta às inspirações do carisma da unidade. Alguns estudantes e docentes de Sophia, Humanidade Nova (New Humanity) e o Movimento político pela unidade, com a colaboração de outras agências culturais do Movimento, depois, elaboraram um projeto trienal dedicado em especial à África. O primeiro ato teve lugar no Quênia em janeiro de 2019, com mais de 100 jovens de 7 países da região (Quênia, Uganda, Tanzânia, Sudão do Sul, Ruanda, Burundi e República Democrática do Congo) para uma liderança “à africana”, com a contribuição da Unesco, através da Kenya National Commission e o auxílio de Caritas e Missio. “Together4Africa” propõe uma liderança “à africana”, portanto, desvinculada de modelos ocidentais demais, na valorização do que as culturas locais têm gerado, durante os séculos, a propósito da gestão do poder e da autoridade. Entre as outras iniciativas, depois, deve ser comentada a promovida por NetOne e Humanité Nouvelle Liban, ainda com Sophia e o Movimento político pela unidade, para o Oriente Médio. Na região, efetivamente, se percebe a necessidade de propor uma séria formação à “Liderança comunitária no espírito do Evangelho” (este, o título do projeto), isto é, que possa levar homens e mulheres, sobretudo jovens, a reunir um grupo, a animá-lo, a resolver os seus problemas e a contribuir para o bem comum da própria cidade, da própria Igreja e do próprio país em relação com as outras comunidades presentes no local, seja civis seja religiosas. É preciso reconstruir as casas, mas sobretudo os corações e as mentes. O projeto, representado por uma âncora (al Marsat), oferece instrumentos de formação úteis para, deste modo, devolver a respiração a muitos jovens e a muitas comunidades eclesiais na Síria, Curdistão iraquiano, Jordânia e Líbano. Naturalmente são levados em consideração os diversos aspectos da liderança, dos psicológicos aos sociais, dos eclesiais aos ecumênicos, da organização à economia, do anúncio à caridade, e assim por diante. A etapa libanesa já se concluiu, a síria, em Aleppo, está em andamento, enquanto a jordaniana se realizará entre setembro e dezembro de 2019. Em seguida virão as outras.

Michele Zanzucchi

Juntos pela Europa: em caminho pela unidade dos povos

Muitos encontros foram realizados e muitos estão programados em vários lugares do continente com testemunhos e projetos concretos No dia 9 de maio de 1950, Robert Schuman, um dos pais fundadores da Europa e primeiro presidente da assembleia parlamentar europeia, apresentava o plano de cooperação econômica com o objetivo de formar uma futura união federal. Cinco anos antes, no dia 9 de maio de 1945, a Europa finalmente via o fim da sangrenta guerra que a havia arruinado e destruído. Essa data foi lembrada em toda a Europa e vários encontros se espalharam em muitas cidades com inúmeras comunidades que se perguntavam sobre qual futuro os cidadãos querem desconectar do Velho Continente hoje. De Bruxelas, a capital da União Europeia, a Praga, de países como Eslovênia, Suíça, França, Alemanha à Áustria, Itália e muitos outros, milhares de cidadãos de mais de 300 confissões religiosas participaram de congressos, seminários, momentos de orações, promovidos pelo “Juntos pela Europa”, um órgão internacional formado por Comunidades e Movimentos que atuam juntos por objetivos comuns, cada um levando a contribuição do próprio carisma. Alguns encontros importantes aconteceram também em Roma, Palermo e Castel Gandolfo. O grupo de Movimentos e Comunidades de Roma acolheu completamente o convite a seguir um caminho de oração pela Europa com duração de seis semanas, de 25 de março a 9 de maio de 2019, envolvendo as comunidades de cinco Basílicas importantes ligadas aos santos patronos da Europa, caminho que se concluiu com uma vigília ecumênica participativa na Basílica dos Santos Doze apóstolos. Nos dias 8 e 11 de maio, dois encontros foram além e aprofundaram a perspectiva econômica e cultural. No ‘Spazio Europa’, sede da representação da comissão europeia na Itália, falou-se sobre imigração, finanças e economia, trabalho, soberanismo e euroceticismo com o professor Leonardo Becchetti. O economista, mesmo não economizando críticas às tentações soberanistas que estão impelindo muitos países europeus a um isolamento certamente não frutuoso, ofereceu algumas novas perspectivas que estão vendo a “Escola de economia civil” como protagonista de uma nova chuva de propostas alternativas ao atual modelo econômico. Em Castel Gandolfo, no dia 11 de maio, houve um sarau cultural que contou com a presença, além dos representantes da comunidade de Juntos pela Europa, dos relatores professor Alberto Lo Presti falando sobre “Os desígnios da Europa segundo os bispos de Roma”, professor Dimitrios Keramidas, sobre “A Europa e o Patriarcado de Constantinopla” e Pál Tóth, sobre “Leste e Oeste na Europa”. Em Palermo, no dia 9 de maio, 1600 pessoas participaram do congresso “A sociedade europeia redescobre seus valores cristãos” promovido pelas várias comunidades cristãs de Juntos pela Europa, um encontro que chegou à sexta edição. Foram apresentados alguns projetos concretos e numerosos testemunhos de pessoas e grupos que deram vida a iniciativas na cidade a serviço dos “últimos”, abrindo as portas a imigrantes, desempregados, visitando encarcerados, escolhendo o caminho da legalidade, operando no campo da prevenção sobre os riscos da dependência, muitas vezes em jogos de azar, agindo por uma cidadania ativa nos bairros mais vulneráveis ou conscientizando sobre a responsabilidade no campo da ecologia. O próximo encontro acontecerá na Alemanha, em Ottmaring e Augsburgo, de 7 a 9 de novembro, para os 20 anos da fundação de Juntos pela Europa.

Patrizia Mazzola

Ajudar todo mundo a se expressar livremente

Em vista da próxima Assembleia Geral do Movimento dos Focolares em 2020, foi constituída uma comissão de preparação. A indicação da presidente Maria Voce e do Copresidente Jesús Morán é: garantir a máxima liberdade de expressão a todos! As indicações da presidente Maria Voce à comissão que está preparando a próxima Assembleia Geral do Movimento dos Focolares foram breves e claras: “Espero que esta comissão ajude todos do Movimento a se expressarem livremente em vista da próxima Assembleia Geral e que seja capaz de sintetizar o material que chegar de tal modo que ninguém se sinta excluído. E que não siga com nenhum interesse pré-construído”. No fim de semana dos dias 24 a 26 de maio, essa comissão que está preparando tanto a parte da organização quanto a de conteúdo da próxima Assembleia Geral do Movimento dos Focolares, prevista para setembro de 2020, se encontrou pela primeira vez em Castelgandolfo. É composta por 18 pessoas que representam o Movimento dos Focolares na sua configuração geográfica e na diversidade dos setores e expressões. Os membros vêm dos cinco continentes e fazem parte do Movimento de diversas formas e vocações. “A Assembleia de 2020 será de particular importância”, destacou o copresidente Jesús Morán em um encontro entre a comissão e o Conselho Geral do Movimento no domingo, 26 de maio. Depois de dois mandatos de seis anos cada, a atual presidente Maria Voce não poderá mais ser reeleita. Uma mudança que, segundo Jesús Morán, comportará uma passagem ulterior importante para todo o Movimento. “Com certeza, serão levantados alguns temas cruciais a serem aprofundados”, afirmou. “Queremos ter certeza de que isso possa acontecer na mais plena liberdade.” Justamente para garantir essa liberdade, Maria Voce não quis dar indicações com relação ao conteúdo que a Assembleia de 2020 deverá tratar. Quando perguntada se, com base em sua sensibilidade para o conjunto do Movimento, já havia algum tema para sugerir, respondeu: “Não tenho e não quero ter, porque não quero condicionar as exigências do Movimento no momento atual”. Os campos nos quais a comissão preparatória deverá trabalhar nos próximos meses são diversos: iniciar um processo para recolher no mundo todo os temas mais importantes que o Movimento deverá enfrentar nos próximos anos e sobre os quais a Assembleia deveria tratar. Identificar pessoas adequadas e dispostas a se candidatar para presidente, copresidente e conselheiros. Preparar e propor um programa equilibrado que permita que a Assembleia trabalhe com seriedade e responsabilidade. Conseguir exprimir o máximo possível todas as realidades do Movimento dos Focolares nas mais diversas expressões culturais.

Joachim Schwind

Little Rock, Arkansas (USA): Vencer a violência

E se por uma vez ao invés de ser parte do problema a mídia fosse promotora da solução? História de Austin Kellerman, diretor News na emissora televisiva local NBC, e da sua redação para combater a violência na comunidade civil. https://vimeo.com/333694179

A Europa e a sua vocação: entrevista com Maria Voce

A Europa e a sua vocação: entrevista com Maria Voce

Não se passou ainda um século do término do último conflito mundial e parece que a Europa tenha perdido hoje, de alguma maneira, a confiança originária. Teatro de dois conflitos mundiais com milhões de mortos, muitas cidades e comunidades destruídas, o velho continente se dirigia, nos anos 1950, a um esperado renascimento. Os pais fundadores da atual Comunidade Europeia haviam olhado para além dos interesses particulares de cada país, e pensado grande: uma comunidade de povos que pudesse projetar um futuro de paz e um renascimento econômico. Intervista Patrizia con EmmausFalou-se sobre a Europa com Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, durante uma entrevista, articulada em nove perguntas, feita por ocasião da Mariápolis Europeia que acontecerá nos próximos meses de julho e agosto em Tonadico, na região do Trentino, na Itália. Num diálogo aberto e franco, a entrevista desenvolve-se enfrentando temáticas relacionadas à política, aos jovens, ao testemunho dos cristãos de hoje, à Europa que queremos e sobre qual significado pode ter a Mariápolis europeia. A diversidade entre as várias comunidades dos povos é um valor, afirma Maria Voce, e não pode ceder ao desejo de soberanias e nacionalismos: na Mariápolis a diversidade torna-se precisamente motivo de enriquecimento para todos, um momento no qual cada um pode manifestar a própria riqueza e a sua cultura. “E se cada pessoa se dispõe a fazer isso – continua Maria Voce – ninguém mais sentirá a necessidade de reivindicar a própria identidade, porque esta será reconhecida, valorizada e enriquecida na unidade”. E isso é o que a Mariápolis europeia pode significar e pode dar aos participantes, realizar juntos uma frase que Chiara Lubich disse ainda em 2004: “A mais alta dignidade para a humanidade seria a de não sentir-se um aglomerado de povos, muitas vezes em luta entre si, mas, pelo amor mútuo, um único povo enriquecido pela diversidade de cada um, e por isso guardião, na unidade, das diferentes identidades”. Outro ponto abordado é a presença dos jovens na sociedade de hoje e a sua escassa participação na vida política. Maria Voce não tem dúvidas à respeito, e dá valor ao testemunho de muitos jovens que neste momento tem uma influência, por exemplo, no campo da ecologia: as novas gerações comprometem-se “em projetos que olham ao bem da humanidade, não à urgência do dia que passa, e em projetos que exigem uma concretude de vida, mostram uma autenticidade de vida”, afirma a presidente dos Focolares. Igualmente o papel dos cristãos é muito árduo, mas eles podem transmitir o valor da solidariedade, da fraternidade, do amor aos últimos, aos mais pobres, vivendo em primeira pessoa uma vida coerente à luz do Evangelho. Entre as perguntas não podiam faltar aquelas sobre o seu encontro com o carisma da unidade, ocorrido em Roma, durante os anos de universidade e, consequentemente, a sua primeira experiência de Mariápolis que, como descobrimos, se deu justamente em 1959, nos vales das Dolomitas, onde conheceu Chiara Lubich. Maria Voce é testemunha da multidão de pessoas que todo ano invadia aqueles lugares encantadores, pessoas muito variadas, atraídas por uma experiência pessoal de amor recíproco, pela fraternidade, para realizar assim a oração de Jesus “que todos sejam um”. A última pergunta não pode deixar de suscitar nela uma desejo e uma esperança: “as minhas esperanças para a Europa são que ela possa descobrir a sua beleza e a sua vocação: povos unidos que se reconhecem uns nos outros, e que reconhecem uns nos outros princípio comuns, valores em comum. A história de um povo é também a minha história, a história de cada povo da Europa é também a minha história, faz parte da minha história, vive na minha história”.

Patrizia Mazzola