Movimento dos Focolares
Páscoa: ressurgir para uma vida nova, amando o irmão

Páscoa: ressurgir para uma vida nova, amando o irmão

A ressurreição de Cristo, que nos faz partícipes da sua vida, nos obriga a jamais desesperarmo-nos. Ela nos dá o segredo para realçar-nos de cada queda, é o sinal sagrado, visível, da nossa ressurreição. A nossa é uma religião da vida: a única da qual a morte foi vitoriosamente e, se quisermos, definitivamente banida. A quaresma foi – ou deveria ser – um exame de consciência pelo qual pudéssemos contemplar o negativo que borbulha no fundo da nossa alma e da nossa sociedade. Em muitos de nós vige um cristianismo que se tornou administração ordinária, sem alentos e sem ímpetos, como vela sem vento.

A ressurreição de Cristo deve ser motivo de renascimento da nossa fé, esperança e caridade, vitória das nossas obras sobre tendências negativas. A Páscoa ensina-nos a vencer o mal para renascer. Cada pessoa a renascer em unidade de afetos com quem está próximo, e cada povo em concórdia de obras com os outros povos. Na graça divina está a força de remover qualquer forma de mal.

Jesus rezou – «… para que todos sejam um», o amor culmina na unidade, e a própria política, como esforço que unifica, é amor em ato, cristianismo que se faz. E o amor é a solução do sofrimento e da morte. Lá onde existe o amor mútuo não existem patrões e tiranos, e sim irmãos que comunicam entre si bens de tempo e de eternidade. Portanto, amemo-nos, extinguindo toda hostilidade com a busca do irmão, para ajudar-nos a viver. Assim ressurgiremos.

Igino Giordani in: Le Feste, Società Editrice Internazionale di Torino, 1954

Páscoa: ressurgir para uma vida nova, amando o irmão

Geneviève, a África e o Conselho Pontifício

Genevieve Sanzè, representante do Continente Africano na Comissão Internacional da Economia de Comunhão (EdC), no início do mês de fevereiro recebeu um telefonema de Dom Joseph Spiteri, Núncio Apostólico na Costa do Marfim, no qual a comunicou a nomeação como membro do Conselho Pontifício dos Leigos. Com a pergunta acerca do que tal nomeação comporta, Geneviève exclamou: “Eu jamais poderia imaginar tal coisa!” Ela é originária da República Centro Africana e está no focolare de Abidjan, na Costa do Marfim. Único membro africano entre os leigos nomeados pelo Papa e foi justamente solicitada pela função que exerce no âmbito da Economia de Comunhão.

“Estou feliz por receber esta nomeação, especialmente pelo fato de ter sido convocada, além das outras funções que exerço no âmbito do Movimento dos Focolares, para a Economia de Comunhão”, ela afirmou imediatamente ao receber a notícia. E, partilhando um sentimento, disse: “É uma alegria poder trabalhar para a Igreja, porque foi isto que eu escolhi fazer na minha vida, servindo o Movimento dos Focolares e a Igreja.”

Poucos dias depois de receber a notícia, Geneviève Sanzé viajou ao Quênia, onde trabalhou para a preparação da próxima Assembléia EdC, em Nairóbi, no próximo ano. Ao seu retorno ele encontrou o Núncio e, depois, nos disse: “Foi um momento muito importante, muito profundo. Dom Joseph Spiteri me entregou o documento da nomeação, aconselhando-me a viver este serviço para a Igreja e na Igreja. Recebi também uma carta de Maria Voce, Presidente dos Focolares, na qual ela me escreveu: ‘Fiquei muito feliz pela sua nomeação’, e assegura as suas orações e o seu acompanhamento. Tenho a certeza de que é realmente juntos, em uma profunda comunhão, que podemos estar ao serviço aos nossos irmãos e à Igreja.”

A Comissão Internacional EdC enviou a Geneviève “os mais calorosos votos de sucesso para este novo desafio que se apresenta: com fundamento no quanto nós lhe conhecemos, você tem todas as qualidades para uma eficiente atuação”. Reassumindo a alegria de todos, Luigino Bruno nos escreveu: “É esta a África que o mundo deve conhecer: sapiente, brilhante, sobriamente alegre, fraterna, de comportamento régio e mariano.”

Páscoa: ressurgir para uma vida nova, amando o irmão

Eu sou Ruandês

«Nestes 20 anos o meu povo, na semana da Páscoa, sempre celebrou o luto pelas vítimas da guerra, mas a nível pessoal, cada um na própria família, cada um no seu cemitério privado». Pina é ruandesa. Há 20 anos o seu país contou 800 mil mortos em poucos meses, numa guerra civil absurda. No dia 6 de abril de 1994, um míssil atingiu o avião onde viajava o presidente Juvénal Habyarimana. Ninguém sobreviveu, e a partir de então começou a guerra que já estava preparada há tempos.

Quando o massacre explodiu, Pina estava nas Filipinas, para onde tinha ido pela sua vocação a seguir Deus ao serviço dos irmãos, animada pela espiritualidade da unidade que conheceu na adolescência. «Também a minha família foi atingida – conta. Foram mortos 39 familiares meus. Fui tomada pelo desânimo. Pouco a pouco encontrei-me vazia daqueles sentimentos que até então tinham preenchido a minha vida, parecia que nada mais tinha sentido».

Transferiu-se para o Quênia para poder seguir mais de perto a situação, trabalhando na Cruz Vermelha, e para dar assistência aos feridos e refugiados de Ruanda: «mas não conseguia olhar no rosto das pessoas da outra etnia que tinham participado nos massacres», explica. O sofrimento estava muito vivo. Um dia cruzou-se num corredor com algumas pessoas da outra etnia e não pode evitar o seu olhar. O ódio era cada vez maior. «Pensei na vingança, sentia-me confusa, estava numa encruzilhada: ou me fechava no meu sofrimento, com raiva, ou pedia ajuda a Deus».

Alguns dias depois, no escritório, identificou pessoas da etnia inimiga que moravam precisamente na sua cidade. «Reconheceram-me e sentiram-se incômodas, começaram a voltar para trás. Elas também me consideravam inimiga». A força do perdão é a única arma da reconciliação social. Pina sabia disso. Tinha aprendido no Evangelho. «Com decisão ‒ conta ‒ vou ao encontro delas falando na nossa língua, sem dizer nada da minha família, mas interessando-me pelas suas necessidades». Naquele momento, alguma coisa se derreteu dentro dela e para Pina surgiu um raio de luz.

Depois de um ano, regressou para Ruanda. Quase não reconheceu a irmã, a única sobrevivente da chacina. Descobriu que o homem que tinha traído a sua família – uma pessoa muito próxima deles – estava num cárcere. «Mesmo sofrendo, e indo contra as pessoas que reclamavam pela pena de morte, para mim era claro que não podia voltar atrás na estrada aberta para o perdão». Envolveu também a sua irmã, que tinha assistido ao massacre. «Assim, fomos juntas até a prisão para encontrar esta pessoa, levando-lhe cigarros, sabonete, aquilo que podíamos, e sobretudo para dizer-lhe que o tínhamos perdoado. E o fizemos». A irmã, Domitila, pouco tempo depois, adotou 11 crianças de todas as etnias, sem distinção entre filhos naturais e aqueles adotados, ao ponto de receber um reconhecimento nacional.

Este ano, explica ainda Pina, «por ocasião do 20° aniversário do início da guerra, a novidade é a intenção de transladar para o cemitério nacional os restos mortais de Tutsi e Hútus, juntos, em outras palavras: os Ruandeses». São os heróis da pátria. «Para mim isto é mais um passo ‒ comenta Pina. Voltamos a ser como éramos antes da guerra». A iniciativa chama-se “A flor da reconciliação” para que traga ainda mais frutos de paz na sociedade ruandesa.

Leia mais:

Ruanda recorda, vinte anos depois, de Liliane Mugombozi, em Città Nuova online

A flor da reconciliação, de Aurelio Molé, em Città Nuova online

Páscoa: ressurgir para uma vida nova, amando o irmão

Evangelho: antes de tudo, a caridade recíproca.

Desempregado
Depois de muito tempo na instabilidade e dificuldades que pairavam na fábrica, perdemos o trabalho. Todos nós, funcionários, fomos parar na rua, sem nenhuma possibilidade de nos organizarmos, em tempo, quanto ao seguro desemprego e outras providências. Desempregado, em casa, sem fazer nada, comecei a me entregar a um profundo senso de frustração e inutilidade. Vivíamos com o salário da minha esposa. Depois, certamente ajudado pela fé, eu me dei conta de que poderia me ocupar de muitos pequenos trabalhos que, há muito tempo, minha esposa me havia solicitado. E assim eu comecei a lixar e pintar as portas e janelas, a substituir o papel de parede… Outras pessoas da minha família se entusiasmaram com o meu trabalho e começaram a me ajudar. O importante não é trazer o salário para casa e basta; não, o verdadeiro capital do qual a família tinha necessidade era o amor e, desempregado ou não, eu posso sempre amar. L. R. –Itália

A justiça humana
Segunda-feira: não obstante eu me preparasse bem e tivesse as melhores intenções, a audiência, naquela dia, foi triste e pesada. No final do período da manhã eu me senti desencorajado com esta justiça que, muitas vezes, encontra soluções facilmente e rapidamente. No meu íntimo, sinto a exigência de fazer alguma coisa em relação a isso e, no entanto, apresenta-se o último acusado. Parece muito envelhecido para a sua idade. Ele já tinha sido preso antes e, desta vez, fora surpreendido com um carro roubado. Ele me disse que, quando saíra da prisão, havia encontrado emprego, trabalhava regularmente e o seu chefe estava satisfeito com o seu desempenho. Diante disto eu modifiquei o requisito quanto à sentença e solicitei ao tribunal a pena de detenção a ser cumprida durante as férias anuais e, desta forma, o acusado não perderia o seu emprego. O tribunal aprovou a minha solicitação. Alguns dias depois, um jornalista que trabalha para a TV, me telefonou para dizer que ficara surpreso com minha atitude. Eu respondi que não fiz nada senão o que é previsto na minha profissão: recorrer a todas as possibilidades da lei. Durante o programa daquele jornalista, ele citou este fato e concluiu com estas palavras: “Aplicando a lei com o coração e a inteligência, pode-se atuar a justiça humana.” A. B. F. – França

Construtor de paz
Eu sou seminarista. Na difícil situação de conflitos étnicos que assola o meu país, também na minha cidade criou-se uma divisão e duas facções se combatiam, na ausência das forças de ordem. Mesmo consciente dos riscos que eu corria, pedi a Deus a força de ser construtor de unidade entre o meu povo e, superando uma barreira, feita de troncos em uma das ruas, fui procurar um grupo que se instalara nas dependências da paróquia. Chegando lá eu pedi para conversar com eles e, com o coração aberto, falei do quanto é inconsistente as motivações do ódio que se instaurou, criando tanta divisão. Depois que eles me escutaram, pediram-me para ir ao encontro do grupo da oposição e conversar também com eles. Acho que fui convincente porque, depois, retornou a convivência pacífica entre todos. Gilbert – Burundi

Fonte: O Evangelho do dia (Il Vangelo del giorno), Città Nuova Editrice.

Páscoa: ressurgir para uma vida nova, amando o irmão

Padre Stăniloae e Chiara Lubich, comparação de teologias

“O amor misericordioso da Santíssima Trindade na visão teológica do Padre Dumitru Stăniloae e de Chiara Lubich no contexto do diálogo ecumênico contemporâneo.” É o título que reflete a profundidade do tema tratado para comparar a teologia de um dos maiores teólogos ortodoxos do último século – assim é considerado o Padre Dumitru Stăniloae – e o carisma de Chiara Lubich. Assim se expressou o decano da Faculdade, professor Vasile Stanciu. Houve a intervenção de teólogos de três Igrejas: ortodoxa, católica e luterana. E, também, de cinco professores ortodoxos romenos, da Faculdade Teológica de Cluj, Alba Iulia e Sibiu e cinco do Movimento dos Focolares, da Universidade Sophia , de Loppiano; da Universidade Lucian Blaga di Sibiu, do Instituto Oriental de Regensburg e do Centro “Uno”, secretaria para o Diálogo Ecumênico dos Focolares. O Simpósio começou com a oração e a saudação do Metropolita Andrei, em cuja circunscrição o evento foi realizado. O bispo auxiliar ortodoxo, Vasile Somesanul, que participou em vários momentos, afirmou: “Eu fico impressionado, sempre; e agora, outra vez, pelo caloroso amor com o qual vocês retornam a Cluj, o mesmo amor que existe quando nos encontramos, todas as vezes, e que conservamos no nosso ser, na nossa vida dia após dia… Certamente nos esforçamos para transformar o amor em vida, concretamente, como também fizeram o Padre professor Dumitru Stăniloae e Chiara Lubich.” Experiências sobre o amor recíproco, contadas por ortodoxos e católicos – jovens, famílias e sacerdotes – evidenciaram que a vida (da fé) é essencial para os cristãos; a teologia é compreendida, portanto, de maneira vital e o percurso do ecumenismo, é concebido segundo o trinômio “amor-vida-verdade”. Existe, de fato, o risco de que, muitas vezes, a teologia permaneça somente na teoria e é difícil colocá-la em prática, mas, é necessário vivê-la, evidenciou o professor Vasile Stanciu. Segundo o professor Sonea, vice-decano de Cluj, “tratar sobre teologia não é elaborar um discurso sobre um Deus abstrato, mas, um Deus vivo, em Deus e sobre Deus. Este modo de tratar sobre teologia é específico de Chiara Lubich. Um elemento sobre o qual podemos estabelecer um diálogo que não é a busca da conversão do outro, mas, a descoberta do outro. Se estamos no espírito do amor, estamos no espírito da unidade. É necessário dar ao mundo um testemunho comum.”

Metropolita Andrei

O que foi evidenciado pelo professor Stefan Tobler, de Sibiu, ao concluir, na vivência radical do amor e no rigor teológico, “nós estamos, realmente, juntos.” A professora Ruxandra, de Bucareste, no seu testemunho, disse que conheceu Chiara e o Padre Dumitru Stăniloae. “Eu conheci primeiro Chiara, durante um encontro de jovens, em Roma, e ela reavivou a minha fé em Deus e fez com que eu me reaproximasse da Igreja. Depois, quando eu era estudante, eu ouvi o Padre Dimitru Stăniloae falar do grande amor de Deus para com os homens e do amor que brota da Santíssima Trindade, modelo do amor supremo, modelo do amor na família. Para mim, ortodoxa, é extraordinário constatar como teólogos ortodoxos, católicos, luteranos e reformados encontraram uma espiritualidade comum entre o pensamento de Chiara Lubich e do Padre Dimitru Stăniloae, ambos teólogos do amor. Foi uma experiência maravilhosa!” Com este simpósio foi dado um ulterior passo em frente e se abriram novas perspectivas nesta caminhada juntos.