10 Abr 2014 | Sem categoria

A Mariápolis permanente de Fontem
«Hoje merece um destaque a história de Fontem, na República dos Camarões. O seu nome poderia ser: “A mim o fizeste”. A sua história parece uma fábula.
Numa floresta dos Camarões havia um povo que já tinha sido muito numeroso. Quase todo era pagão, mas era um povo muito honrado, moralmente sadio e rico de valores humanos. Era um povo cristão por natureza, poderíamos dizer. Chamava-se Bangwa, mas estava sendo dizimado pelas doenças. 98 porcento das crianças morriam no primeiro ano de vida.
Não sabendo o que fazer, esses africanos, com os poucos cristãos que havia entre eles, se perguntaram: “Mas por que Deus nos abandonou?”. E concluíram: “É porque não rezamos”. Então, todos decidiram de comum acordo: “Rezemos por um ano; quem sabe se Deus não se recordará de nós!”.
Rezaram todos os dias com uma única ideia: “Pedi e vos será dado; batei e vos será aberto”(Mt 7,7). E rezaram por um ano. Terminado o prazo, notaram, porém, que não tinha acontecido nada.

Chiara Lubich, Fontem, 19.1.1969
Sem desanimar, os poucos cristãos disseram ao povo: “Deus não nos atendeu porque não rezamos o bastante. Rezemos mais um ano”. Rezam outro ano, o ano inteiro. Passa o segundo ano e nada. Então se reuniram e disseram: “Por que Deus nos abandonou? Por que as nossas orações não valem diante de Deus. Nós somos maus. Façamos uma coleta de dinheiro para dar ao bispo que fará rezar uma tribo mais digna, a fim de que Deus tenha compaixão de nós”.
O bispo se comoveu. Começou a interessar-se; foi encontrá-los, prometendo um hospital. Passaram-se três anos e nada de hospital. A certa altura chegaram alguns focolarinos médicos. E o povo Bangwa viu nisso a resposta de Deus. Os focolarinos foram chamados “os homens de Deus”.
Eles compreenderam que naquele lugar era inútil falar. Não podiam dizer naquelas circunstâncias: “Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos” (Tg 2, 16). Ali era necessário arregaçar as mangas e trabalhar. Abriram um ambulatório onde faltava tudo.
Também eu fui visitá-los após três anos. Aquela grande multidão reunida numa vasta clareira na frente da casa do rei, o Fon, me pareceu tão unida e tão ansiosa em elevar-se, que me pareceu um povo preparado há muito tempo por Maria para o cristianismo na sua forma mais integral e genuína. Naquela época a região já era irreconhecível. Não só pelas novas estradas e as casas, mas também pelas pessoas.
A obra precedente dos missionários, que podiam visitar a região raramente, já tinha implantado bases muito sólidas. Pequenos núcleos de cristãos já tinham nascido em várias partes, como uma semente à espera de germinar. Mas depois a marcha rumo ao cristianismo assumiu as proporções de uma avalanche. Todos os meses eram centenas os batizados de adultos administrados pelos nossos sacerdotes, ainda que rigorosos na seleção. Um inspetor do governo, que tinha feito uma viagem pela região para visitar as escolas primárias, no fim quis declarar: “Todo o povo está fortemente orientado ao cristianismo, porque viu como os focolarinos o vivem concretamente”.
Devo ressaltar que a evangelização que os focolarinos realizaram naqueles três anos foi quase exclusivamente movida pelo testemunho. Trabalharam muito, aliás, quase só trabalharam, e em condições precárias, por falta de recursos, de preparação dos trabalhadores locais, pelas difíceis vias de acesso e de abastecimento. Nada de reuniões, nada de grandes jornadas nem de discursos públicos. Só conversas particulares em encontros ocasionais. Mesmo assim, aos domingos, o galpão da Igreja se enchia cada vez mais. Junto ao grupo dos cristãos, aumentava o número dos animistas que queriam conhecer o cristianismo. A igreja ficava superlotada, mas a multidão que ficava fora da igreja era muito maior. Milhares de pessoas participavam da missa, muitas centenas comungavam.
A experiência de Fontem foi para nós única. Parecia-nos reviver o desenvolvimento da Igreja primitiva, quando o cristianismo era aceito por todos na sua inteireza, sem limitações e compromissos. E a experiência de Fontem já começou a interessar outras comunidades africanas, como do Guiné, Ruanda, Uganda e Kinshasa no Zaire[1], de modo que Fontem adquiria a função de centro propulsor de uma evangelização característica. Atualmente Fontem é uma localidade grande, com tudo o que é essencial numa cidade. E é também uma paróquia.
Os focolarinos tiveram credibilidade porque fizeram a Jesus o que fizeram ao povo Bangwa, dando antes de tudo o testemunho do amor entre eles e depois para com todo o povo.».
Chiara Lubich
Trecho de um discurso de Chiara no Congresso do Movimento dos religiosos – Castelgandolfo, 19 de abril de 1995
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[1] Atual República Democrática do Congo.
9 Abr 2014 | Sem categoria
Rio Tercero é uma graciosa cidade da Província da Córdoba, na Argentina. Situada em uma zona agrícola e de grandes rebanhos, na metade do ano 1900, teve um grande desenvolvimento industrial – entre as maiores indústrias está a Fábrica Militar Rio Tercero, infelizmente famosa pelas explosões dolosas que aconteceram em 1995 – e isto provocou um notável crescimento demográfico. Isto comporta também as problemáticas sociais, especialmente, nos bairros da periferia, onde a violência se faz sempre presente como consequência da falta de trabalho e instrução. Estela è dentista e, há seis anos, foi incumbida pelo seu pároco de trabalhar na Cáritas, com a precisa recomendação de levar a espiritualidade da unidade naquela estrutura da Igreja. Ela começou pedindo a colaboração das pessoas de boa vontade que saiam da igreja após a missa. Se ela, que tinha pouco tempo à disposição entre o trabalho, filhos e netos, fazia aquele trabalho… outros também poderiam fazê-lo. Com a equipe que se constituiu Estela começou a visitar as famílias dos bairros mais pobres onde encontravam jovens mães com os filhos ou o marido alcoólatras ou dependentes de droga. E teve origem a “Tienda”, uma boutique onde as pessoas encontravam roupas para toda a família. Quando chegou o inverno, todos encontraram bons cobertores… mas, a quantidade era insuficiente. Decidiram então começar a fabricá-los e assim teve origem um atelier onde trabalhavam vinte e oito jovens mães. As relações se tornaram mais profundas entre todas, aquelas mulheres sentiam-se valorizadas e estimadas. Estela propôs a todas de começar a meditar e a viver uma frase do Evangelho. O inverno passou e ninguém queria deixar o atelier. O que fazer? “Eu tive a idéia de começar a fazer pão – nos conta Estela – e começamos a fazê-lo, usando um forno doméstico. Cada uma trazia a farinha e o fermento e, juntas, faziam o pão para as respectivas famílias e uma quantidade a mais destinada à venda, cuja renda era também para a própria família. Mas, ainda era muito pouco. Eu comuniquei o desenvolvimento da atividade ao Conselho Paroquial e todos os membros me encorajaram não somente com as palavras, mas, também, com uma soma para adquirir um forno comercial. A iniciativa foi comunicada aos paroquianos e, todos, começaram a nos doar a farinha de trigo. E assim foi construída uma corrente de unidade entre as pessoas da paróquia, que está no centro da cidade e as mães os seus filhos que moram nos quarteirões da periferia: elas não tinham condições de deixar os filhos com alguém, quando tinham que vender o pão. Mas, vender pão levando os filhos, era impossível.
E, desta forma, começamos atividades para as crianças, com aulas particulares e com atividades recreativas promovidas pelos jovens da paróquia. “Com o tempo, melhoraram as relações entre mães e filhos. Nós procurávamos fazer com que os filhos apreciassem o trabalho das mães e, por outro lado, os filhos eram encorajados a levar a sério o estudo, vendo o esforço da própria mãe para sustentar a família.” Mais tarde, a atividade tornou-se pública: vende-se pão para vários mercados da cidade, também a prefeitura interessou-se e quis participar por meio de um projeto de desenvolvimento. Resultado: organizamos uma verdadeira padaria com quatro grandes fornos, máquinas necessárias para trabalhar com uma grande quantidade de farinha. Fundamos uma micro-empresa na qual as próprias trabalhadoras tornaram-se empresárias. Atualmente são quatro as responsáveis pela padaria que fornece, regularmente, massa para escolas, pizzarias e outras padarias. “Trata-se de uma pequena atividade – afirma Estela – mas, é sempre uma possibilidade de trabalho, e, a coisa mais importante é a formação integral promovida com cada pessoa e com a respectiva família.” Uma iniciativa que continua a contagiar muitas outras pessoas.
5 Abr 2014 | Sem categoria

Lídia e Loris tem três filhos, de onze, nove e seis anos, nascidos em cidades diferentes porque depois do casamento eles se mudaram, primeiro para o Vêneto, depois para o Alto Adige e depois para a região de Trento. Diante da proposta do marido de retornar para sua cidade de origem, Crotone, na Calábria, Lídia reagiu assim: «O meu primeiro pensamento foram os filhos e as maiores possibilidades que teriam tido se ficássemos no norte, mas afinal eu me convenci: a nossa cidade no litoral é linda, conhecemos pessoas com mentes brilhantes e os nossos filhos, quando adultos, vão decidir sozinhos o que fazer».
«Justamente porque amamos a nossa terra desejávamos mudá-la para melhor! – contam -. Mas nos demos conta que não era possível colocar em ato nenhuma revolução, era preciso começar pelas pequenas coisas. Então começamos pelo mundo da escola. Eu, com os colegas de classe dos nossos filhos, e Loris com os seus alunos. Ele é professor de alemão, mas o primeiro emprego em Crotone foi como professor de crianças especiais. Para começar entrou em contato com a professora da escola de ensino fundamental do menino que lhe seria confiado, para entender melhor suas problemáticas, e instaurou com ele uma relação, primeiro de confiança e depois de amizade. Várias vezes a sua mediação resolveu sérios problemas de comunicação entre a escola e os pais.

Além disso, já são quase três anos que dirigimos um centro de atividades juvenis na nossa cidade. Quando nos transferimos Loris criou a “Associação de Amigos do alemão”, que venceu um concurso da “Fundação com o sul”. Nós trabalhamos com adolescentes de 11 a 16 anos, com quem fazemos atividades lúdicas e recreativas, mas também de recuperação de disciplinas literárias, matemática, inglês e italiano para estudantes estrangeiros».
A Associação recentemente venceu outro concurso, relativo à requalificação de um imóvel confiscado da máfia, em S. Leonardo de Cutro (no mar Iônio, na Calábria). Lídia explica: «Irá se transformar numa “Pousada da Juventude”, inclusive para o uso de famílias que não podem pagar grandes cifras para fazer férias. Estamos na lista de um projeto para a formação de adolescentes que abandonaram a escola, sustentado pelo Ministério de políticas juvenis».
«Pensamos que tudo isso nasceu do amor de Deus, provavelmente de um desígnio que ainda não conhecemos, mas fundamental é o amor mútuo, entre Loris e eu, porque não é nada fácil trabalhar juntos. Somos muito diferentes, e isso é positivo, mas às vezes é difícil porque vemos as coisas de modo diferente. Mas as discussões e incompreensões passam, e nós recomeçamos.

O positivo que nasce de tudo isso é também fruto do amor que os nossos filhos tem por nós; com muita paciência suportam todos os nossos giros, os compromissos de organização, as mudanças. Muitas vezes acontece que eles estão conosco e isso os ajuda a confrontar-se com a parte da sociedade civil mais esquecida, mais problemática. Para eles é uma fonte de reflexão e de crescimento».
Fonte: http://www.famiglienuove.org/
1 Abr 2014 | Focolare Worldwide
Situada numa região em fase de desenvolvimento, onde os sinais da pobreza são evidentes, ainda que num ambiente respeitoso, a Mariápolis caracteriza-se pela sua função social, evidenciada especialmente pela escola para crianças e adolescentes e pelo Polo empresarial inspirado na Economia de Comunhão. A função destas pequenas cidades, sonhadas por Chiara Lubich desde os anos 1960, revela-se cada vez mais atual: mostrar que um mundo melhor, um mundo unido é possível. A Mariápolis Santa Maria é uma das 20 existentes no mundo, construída num terreno que Chiara Lubich visitou durante a sua terceira viagem ao Brasil, em 1965. A escola, que tem o mesmo nome, Santa Maria, funciona há quase 50 anos, e já formou muitas gerações. Atualmente, dez dentre os seus professores e funcionários são ex-alunos. Outros seguiram as mais variadas profissões e alcançaram inclusive posições de responsabilidade. O mais importante, porém, são os valores que permaneceram neles e que constituem um projeto de vida: a cultura da partilha, a arte de amar, os fundamentos da educação à paz. Foi o que o corpo docente apresentou a Maria Voce e Giancarlo Faletti na visita deles à escola, depois da festiva recepção feita pelas crianças, que se apresentaram na orquestra “Talentos a serviço da paz”.
A maioria das famílias dos alunos – cerca de 300, de 500 alunos – é de baixa renda. Economicamente a escola mantem-se com a solidariedade nacional e internacional, por meio dos projetos de Ações por Famílias Novas e AMU. As primeiras aulas de alfabetização foram dadas aos operários que trabalhavam na construção da Mariápolis, depois veio o pedido para que o mesmo fosse feito aos seus filhos… Agora o seu método pedagógico está sendo difundido também em outras escolas da região e em outros âmbitos educativos. A poucos quilômetros de distância, num grande terreno, está o Polo Empresarial Ginetta Calliari. Maria Voce e Giancarlo Faletti foram recebidos pelo grupo diretor do Polo, empresários, acionistas e estudiosos da Economia de Comunhão de Pernambuco. Apresentaram-lhes sucessos e derrotas. Giancarlo Faletti recordou a inspiração inicial de Chiara, que germinou exatamente no Brasil, em 1991. Maria Voce exprimiu gratidão pelo compromisso assumido em espírito de gratuidade. Em seguida visitaram os galpões onde funcionam duas empresas, a primeira trabalha na fabricação de bolsas e acessórios, a outra de móveis, ambas recém-iniciadas, com todos os riscos da grande concorrência. Histórias surpreendentes, que demonstram como o ardor por este projeto, com finalidades sociais, leva a superar qualquer dificuldade. O prefeito de Igarassu, que definiu a Mariápolis Santa Maria como “uma referência”, desejou ir até lá para entregar a Maria Voce e Giancarlo Faletti a chaves da cidade. O gesto foi um sinal de reconhecimento pela contribuição dada à cidade, em especial pela Escola e o Polo, e de uma ligação ainda maior com o município. Siga a viagem acessando: Noticiário Mariápolis – Área Reservada Website: www.focolares.org.br/sitenacional
31 Mar 2014 | Senza categoria
Quando diminuiu a necessidade de correr para caçar ou escalar, na conquista de novos territórios, ou de remar para atravessar um rio, o homem começou a correr, escalar, remar por divertimento e para competir e desafiar. A competição é a razão última daquela apaixonante, mas para muitos injustificada, atividade do ser humano chamada esporte, que hoje, mais do que nunca, é metáfora da vida. É por isso que Sportmeet, expressão do diálogo do Movimento dos Focolares com o mundo do esporte, decidiu girar os refletores do próximo congresso internacional, programado para 3 a 6 de abril, em Pisa (Itália), justamente sobre esse tema.
«Live your challenge», viva o seu desafio, é o título do evento. Mas existe ainda uma competição sadia? «Queremos dialogar, com a ajuda de especialistas internacionais e testemunhas do esporte – explica Paolo Cipolli, presidente de Sportmeet – sobre o valor e a criticidade da competição. Esta encontra no esporte uma modalidade de expressão regulamentada, sadia, embora frequentemente exasperada, envolvente e agregadora, educativa e salutar. Todos os dias temos desafios a enfrentar, cada um o próprio, e o prêmio não é uma medalha, mas o gosto de ter conseguido dar o melhor de nós. Este é o sentido da haste oblíqua, no logo do Congresso: um obstáculo sob medida para a nossa diferente e específica capacidade».
Perguntados sobre o evento de Sportmeet, os especialistas e atletas que serão os seus protagonistas deixam entrever que o congresso trará pistas de reflexão e experiências de vida de grande interesse.
«A competição esportiva – explica Bart Vanreusel, da Universidade de Lovanio (Suíça) – é uma preocupação, mas também uma chance, é idealizada e desprezada, mas certamente é hoje uma expressão extremamente interessante do ser humano».
O futebol é a modalidade na qual, em todos os níveis, o espírito competitivo mostra o seu lado melhor e o mais deteriorado, como afirma Michel D’Hooghe, membro do conselho internacional da Fifa, organismo máximo do futebol mundial.
Um paralelo entre esporte e economia é traçado por Benedetto Gui, docente de economia política na Universidade de Pádua: «A competição é um mecanismo social indispensável, seja na economia seja no crescimento da pessoa, mas vale o princípio que doses excessivas podem ser nocivas. No esporte aprende-se a concorrer com os outros, mas também a compartilhar, e se coloca-se muita ênfase no resultado perde-se a oportunidade de gozar daqueles “bens relacionais” para os quais a experiência esportiva é um espaço privilegiado».
Lucia Castelli, psicopedagoga de Bérgamo (Itália), tutora das jovens promessas do clube italiano Atalanta, há anos atua na promoção do valor educativo do esporte. E Roberto Nicolis, educador no Centro Esportivo Italiano oferece uma abordagem original sobre a competição: «O termo competição tem sua etimologia no latim “cum petere”, que significa querer juntos a mesma coisa; e “cum petizio” quer dizer estimular-se reciprocamente à mesma meta. “Cum petere” é o que deseja a criança que pede: “Posso brincar com vocês?”, disponível a entrar no jogo, a aceitar as regras, a confrontar-se consigo mesma e com os outros, com a natureza, sabendo, responsavelmente, que poderá vencer, mas também perder».