26 Fev 2014 | Palavra de Vida, Sem categoria
“Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor.”
Portanto, permanecer no seu amor. Mas, o que Jesus quer dizer com essa expressão?
Com certeza ele quer dizer que a observância dos seus mandamentos é o sinal, a prova de que somos seus verdadeiros amigos; é a condição para que também Jesus nos retribua e nos garanta a sua amizade. Mas parece querer dizer também uma outra coisa, ou seja, que a observância dos seus mandamentos constrói em nós aquele amor que é característico de Jesus. Comunica-nos aquele modo de amar que notamos em toda a sua vida terrena: um amor que tornava Jesus uma só coisa com o Pai e, ao mesmo tempo, o impulsionava a identificar-se e a ser uma só coisa com todos os seus irmãos, especialmente os menores, os mais fracos, os mais marginalizados.
O amor de Jesus era um amor que sanava toda e qualquer ferida da alma e do corpo, que doava a paz e a alegria a cada coração, que superava toda divisão, reconstruindo a fraternidade e a unidade entre todos.
Se colocarmos em prática a palavra de Jesus, Ele viverá em nós e transformará também a nós mesmos em instrumentos do seu amor.
“Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor.”
Como viveremos, então, a Palavra de Vida deste mês? Lembrando-nos do objetivo que ela nos propõe e orientando-nos decididamente para este objetivo: uma vida cristã que não se satisfaz com uma observância fria, externa, dos mandamentos, fazendo só o mínimo que eles exigem, mas uma vida feita de generosidade. Foi assim que os santos agiram. E eles são a Palavra de Deus transformada em vida.
Neste mês tomemos uma de suas Palavras, um de seus mandamentos, e procuremos traduzi-lo em vida.
E sendo que o Mandamento Novo de Jesus “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. Jo 15,12) é, de certo modo, o coração, a síntese de todas as palavras de Jesus, vamos vivê-lo com todo o radicalismo.
Chiara Lubich
Este comentário à Palavra de Vida foi publicado originalmente em maio de 1994.
26 Fev 2014 | Sem categoria
O inimigo «A nossa filha mais nova tem um caráter forte e comportamentos que me causam contrariedade. Uma noite, depois de várias recomendações para que fosse dormir, fui ao quarto dela decidido a dar-lhe uma ‘lição’. Enquanto ia ao seu encontro eu pensei que essa filha está se tornando uma ameaça para os meus nervos e, consequentemente, para a relação com a minha mulher que não me suporta quando estou nervoso. Em outras palavras, é um ‘inimigo’. Mas, quando cheguei ao lado da sua cama, mudei de atitude: sentei ao seu lado e fiquei ouvindo tudo o que ela me dizia. Depois contei-lhe uma história e cantei uma canção de ninar. O sentimento que eu provara antes desapareceu. A criança adormeceu e eu reencontrei a paz que brota do amor». F. S. – Suíça
Na prisão «Antonio, um jovem paraguaio nosso amigo, foi preso por tráfico de drogas, mas, na verdade, um companheiro de viagem colocara o pacote na mochila dele e a polícia o encontrou. Antonio foi parar na cadeia, junto a delinquentes considerados perigosos, sem assistência jurídica. Entramos em contato com a mãe dele, fomos visitá-lo frequentemente e confiamos a questão a um advogado competente. Alguns meses depois houve o julgamento que acompanhamos com um grupo de amigos. Antes de a sentença ser pronunciada rezamos juntos. Antonio estava em paz! Quando o juiz declarou a sua inocência houve uma explosão de alegria na sala. Um dos advogados ficou tão comovido que não conseguiu conter as lágrimas. Também os dois agentes carcerários que o conduziram à sala ficaram profundamente comovidos. Agora vamos ajudar Antonio a retomar a normalidade da vida, depois de viver esta experiência muito difícil». A. F. – Argentina Nadine, quer dizer que sou eu? «Depois de um ano do nosso casamento recebemos a notícia que não poderíamos ter filhos e, com isso, começaram os problemas com os parentes do meu marido que já me consideravam uma estrangeira porque não sou da mesma cidade deles. Nós gostaríamos de adotar uma criança, mas, ninguém da cidadezinha onde moramos compreenderia esta nossa decisão. Um dia recebemos a chamada de uma amiga que nos disse de uma menina recém-nascida cujos pais faleceram em um acidente e que os avós não podiam assumir. Fomos logo buscar a criança. Todos os nossos parentes mantiveram a opinião contrária, mas nós estávamos felizes de ter Nadine conosco. Com o passar do tempo também eles começaram a amá-la e ela cresceu em um ambiente de serenidade. Muitas vezes eu lhe contava a história de Nadine, com Amet e Haila, e ela me perguntava: “Nadine, quer dizer que sou eu?”. E eu respondia afirmativamente. Agora a nossa filha tem cinco anos e me disse: “Mamãe, eu quero uma irmãzinha!”. Eu respondi que, como bem sabia, eu não posso ter filhos. Ela precisou: “Eu quero uma irmãzinha que perdeu os pais na guerra, uma… como eu!”. Houve uma troca de olhares com o meu marido: ela compreendera muito bem de que maneira é “nossa filha”. Atualmente, na nossa pequena cidade, outras duas famílias, assim como nós, adotaram uma criança». A. H. K. Síria Fonte: O Evangelho do dia (Il Vangelo del giorno), Città Nuova Editrice
21 Fev 2014 | Sem categoria
A nossa experiência terrena é feita continuamente pelo nosso próprio relacionamento com as pessoas. Quando temos contatos com as crianças, os seus olhos emitem um brilho de outras constelações. Do mesmo modo, quando aproximam-se de nós pessoas que estão a serviço da humanidade, que vivem unicamente pelo seu ideal, e trabalhadores de todas as categorias animados pelo senso de retidão, sente-se uma outra atmosfera, sobrejacente ao mundo material.
A natureza humana procura, talvez inconscientemente, o divino. Mas temos necessidade de encontrá-lo, e isso requer uma busca. Quem procura encontra. Toda a existência, com as virtudes e as culpas, as fadigas e as alegrias, as experiências de todos os tipos, é por si só uma procura daquele bem que chamamos de Deus, mesmo sem nos darmos conta.
Por outro lado, se nos apercebemos, isto é, se valorizamos cada acontecimento para descobrir o mistério da existência, encontramos Deus e nele a explicação e a paz. A revelação de Deus ao nosso íntimo assemelha-se ao modo com que os pais educam os filhos, usando carícias e repreensões, com sorrisos e lágrimas. O Eterno Pai também faz assim. A intimidade com ele cresce se crescer em nós a purificação. Podemos senti-la na medida em que amamos. Disse o Senhor: «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt. 5,8). Portanto, uma condição do amor que vê Deus é a pureza do coração.
Assim, os seres humanos vivem a própria existência numa atmosfera que reavia o seu ser onde se concentra contemporaneamente poesia e arte, conhecimento e saúde, vitória sobre o mal, desejo de afetos, consciência de uma vitalidade mais vasta do que as galáxias. Talvez não nos apercebamos, mas este é o respiro do Eterno, que suscita células e planetas, sentimentos e pensamentos, que dá alegria à criança e paz ao idoso.
O homem livre, puro de coração, é arrastado pelo amor como por uma corrente, que nos envolve sem limites. Deus toma a todos, quer todos, porque todos foram gerados por ele; é necessário retirar os obstáculos, que facilmente podem ser removidos se amarmos. – Por isto o mundo reconhecerá que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros – é a prescrição que mais agradava a Beethoven, uma simplificação elementar da harmonia divina do universo. Claro, continuamente surgem desentendimentos entre as criaturas humanas, mas Cristo antes ensina o acordo, e só depois impõe para cessar o círculo das ofensas e da vingança, e para restaurar o circuito da comunhão com o perdão. Perdoar a quem nos fez o mal é doar o bem, é dar um presente a Deus que nos ama. Isto significa que viver é amar, que amar é compreender.
Igino Giordani em L’unico amore, Città Nuova, 1974
17 Fev 2014 | Sem categoria

Lampedusa, símbolo da imigração: de sofrimento e de acolhimento. As notícias dos desembarques não param, como também o empenho do município e dos seus habitantes. Assim surgiu “A Carta de Lampedusa”, assinada na Ilha por centenas de realidades associativas internacionais e por milhares de cidadãos. Um verdadeiro vademecum para um acolhimento em prol dos direitos humanos de todos os habitantes do planeta, “em todas as Lampedusas do mundo”, como afirmou o prefeito Giusi Nicolini.
Por este motivo, a Associação Cidades pela Fraternidade escolheu o Município de Lampedusa para a entrega do Prêmio “Chiara Lubich para a fraternidade” na sua 5ª edição. Inspirada no pensamento de Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, a associação nasceu em 2008, proposta pelo prefeito de Rocca di Papa, Pasquale Boccia, por ocasião do 65º aniversário do início do Movimento dos Focolares. Composta atualmente por 133 municípios italianos, que aderiram à iniciativa, tem como intuito criar uma rede de diálogo e de debate entre municípios e outras entidades locais com o objetivo fundamental de promover a paz, os direitos humanos, a justiça social e especialmente a fraternidade, através de comportamentos e atos administrativos.
A Primeira-dama da Ilha encorajou os promotores a prosseguirem com ações que fortaleçam a fraternidade, porque “é preciso criar e cultivar a sensibilidade para assuntos tão importantes”. A finalidade do prêmio é colocar em evidência, a cada ano, um Município que se destacou por ações e comportamentos de fraternidade. A entrega do prêmio realizou-se em Ariccia (Roma) no Palácio Chigi, sábado, 8 de fevereiro. Fizeram as honras da casa Emilio Cianfanelli, prefeito de Ariccia, e Pasquale Boccia, prefeito de Rocca di Papa e presidente da Associação Cidades pela Fraternidade. O evento também foi promovido pelo Movimento político pela unidade – Itália, representado pelo Presidente da seção italiana, Silvio Minnetti.
A premiação, como nas edições anteriores, foi precedida por um encontro de reflexão e formação. O tema deste ano foi: “Economia e Comunidade rima com Fraternidade? O pensamento de Adriano Olivetti e de Chiara Lubich em paralelo”. Foi uma excelente ocasião para destacar a atualidade de alguns princípios comuns entre o Movimento Comunidade Olivetti e a Economia de Comunhão.
Foram muito interessantes as intervenções de Melina Decaro, do Centro de Estudos “Fundação Adriano Olivetti” e docente na universidade romana Luiss; de Luigino Bruni, professor ordinário de Economia na Lumsa de Roma e coordenador da Comissão Internacional Economia de Comunhão; e do empresário Giovanni Arletti, Vice-presidente da Associação de Empresários para a Economia de Comunhão (Aipec).
15 Fev 2014 | Sem categoria
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Durante uma longa tarde de inverno, característica da nossa região, depois de uma intensa nevasca, o pátio da escola ficou completamente coberto de neve. E me dei conta de que, no dia seguinte, nem os professores e nem os funcionários que fornecem o necessário para a cantina não poderiam entrar de carro.
Telefonei a várias empresas e a outras pessoas que poderiam retirar a neve, mas, responderam-me que poderiam fazer este trabalho somente depois de alguns dias e por um preço excessivamente alto. Depois de uma última tentativa, aceitei a oferta do nosso vizinho que colocara à disposição o seu caminhão que tem um reboque.
Ao iniciar o trabalho, porém, nos demos conta que, ao lado do reboque, acumulara tanta neve que era necessário retirá-la com a pá, manualmente.
Naquela hora, já à noitinha, não havia mais ninguém na escola que pudesse nos ajudar; permanecera somente a guardiã, uma senhora idosa. Ela me disse que atrás da escola estavam alguns jovens que se reúnem para fumar; jovens que são considerados a peste da escola e, de fato, por algumas vezes, eles foram advertidos pelo número de faltas às aulas, furtos e brigas: jovens que correm risco de expulsão!
Mas, quando eu pedi àquela senhora que fosse procurá-los e pedir ajuda; ela, assustada, se recusou: temia que aqueles delinquentes pudessem maltratá-la. Então eu tomei a decisão: fui conversar com eles, mesmo não esperando uma resposta positiva e disposto a retirar, sozinho, o monte de neve que travava o reboque.
Ao aproximar-me eles se sentiram incomodados; mas, me cumprimentaram cordialmente. Eu disse que depositava neles a única esperança para que a escola, que também eles tanto amam, possa funcionar normalmente. Eles me acompanharam e, em silêncio, empunhando as pás trabalharam com afinco durante uma hora! Quando eu lhes agradeci pela ajuda, responderam-me que eles não são assim tão ruins como alguns professores pensam…
Foi mais uma comprovação de que, em cada pessoa, existe o positivo que devemos colher e que elas esperam somente uma ocasião para demonstrá-lo. Desta forma, estabelecemos uma relação de abertura e de confiança.”
É assim que Paulius Martinaitis, voluntário dos Focolares da Lituânia, se expressa ao narrar a maneira com a qual exerce a sua atividade profissional, sendo diretor de uma escola secundária, em Vilnius.
“Eu compreendi – conclui Paulius – que, o fato de demonstrar que temos confiança nos jovens faz com que eles se libertem tanto dos esquemas dos comportamentos transgressivos – nos quais, às vezes, eles se segregam – quanto dos rótulos que nós mesmos lhes atribuímos.”