14 Mar 2014 | Sem categoria
Uma ampla reflexão atravessa o debate atual sobre a contribuição que a mulher pode e deve dar à vida da Igreja. É a este propósito que, com frequência, chama-se em causa Chiara Lubich, pelo seu patrimônio de espiritualidade, pensamento e obras. Hoje, no 6º aniversário de seu falecimento, em muitas cidades do mundo Chiara Lubich é relembrada de diferentes modos, num confronto com a sua herança.
Sobre a contribuição dada por ela ao incremento do diálogo ecumênico se refletirá em Pretória (África do Sul), com o Dr. Kobus Gerber, Secretário Geral da Igreja Reformada Holandesa, e também em Melbourne e Perth (Austrália). O tema da família, particularmente caro a Chiara, será visto em várias manifestações, como em Luxemburgo e em Sevilha (Espanha), em preparação ao próximo Sínodo extraordinário que será em outubro, no Vaticano. Na cidade de Perugia (Itália) o prefeito Waldimiro Boccali dedicará uma rua à bem-aventurada Chiara Luce Badano, filha espiritual de Chiara Lubich, e à própria Lubich será dedicada uma rua em Porto Alegre (Brasil), onde está sendo realizada a exposição “Chiara Lubich, protagonista de tempos novos”, na Câmara dos Vereadores.
E ainda, eventos de caráter cultural, apresentação de livros, concertos. Serão inúmeras as comunidades dos Focolares, em pequenas cidades e nas metrópoles, que se recolherão para agradecer a Deus por ter dado Chiara Lubich como presente à humanidade, algumas com a presença dos bispos, como em Sidney (Austrália) com o cardeal George Pell; em Wellington (Nova Zelândia) com o arcebispo John Dew; em Olomuc (República Tcheca) com o arcebispo Jan Graubner. No Centro Islâmico de Toronto (Canadá) e em cidades da Europa, Oriente Médio e África se abordará a sua contribuição ao diálogo inter-religioso.
“Chiara e as Religiões. Juntos rumo à unidade da família humana”, será o tema do encontro do dia 20 de março, em Roma, na Aula Magna da Pontifícia Universidade Urbaniana. Personalidades de várias religiões, que tiveram um contato pessoal com lei, a recordarão. O evento concluirá um simpósio inter-religioso, realizado em Castelgandolfo (Roma),
com a participação de cristãos e fieis de outras tradições religiosas, como judaísmo, islamismo, hinduísmo, budismo, shintoísmo e sikhismo.
Pano de fundo deste 6º aniversário é o desenvolvimento das fases preliminares da causa de beatificação de Chiara Lubich, depois que Maria Voce, atual presidente dos Focolares, no dia 7 de dezembro de 2013, assinou o pedido formal de envio ao bispo de Frascati, D. Raffaello Martinelli. Um ato – disse então Maria Voce, dirigindo-se ao Movimento – que «convida todos nós a uma santidade ainda maior, a construí-la dia a dia na nossa vida, contribuindo para que se manifeste aquela “santidade de povo” que Chiara buscava».
13 Mar 2014 | Sem categoria

Quero-te bem,
não porque aprendi a falar-te assim,
não porque o coração
me sugere essa palavra,
não tanto porque a fé
me faz crer que és amor,
tampouco somente porque
morreste por mim.
Quero-te bem
porque entraste em minha vida
mais do que o ar em meus pulmões,
mais do que o sangue em minhas veias.
Entraste onde ninguém podia entrar,
quando ninguém me podia ajudar,
toda vez que ninguém
me podia consolar.
Todo dia te falei.
Toda hora te olhei
e em teu semblante
li a resposta,
em tuas palavras, a explicação,
em teu amor, a solução.
Quero-te bem
porque por tantos anos
viveste comigo
e eu vivi de ti.
Bebi em tua lei
e não me apercebera.
Dela me nutri,
me fortalei,
me restabeleci,
mas era ignara
como a criança que bebe da mãe
e nem sabe ainda chamá-la
com esse doce nome.
Dá que eu te seja grata
— ao menos um pouco —
no tempo que me resta,
por este amor
que derramaste sobre mim,
e me obrigou a dizer-te:
Quero-te bem.
Chiara Lubich
Ideal e Luz – Editora Brasiliense e Editora Cidade Nova, São Paulo, 2003
12 Mar 2014 | Sem categoria
«A nossa terra é devastada há 20 anos por guerras civis, crianças-soldados, violência, exploração das riquezas naturais; nenhuma política ‘proativa’… e nós? Jovens, que nunca conhecemos a paz, podemos responder a este desafio? E os nossos amigos, pais, autoridades regionais… estarão dispostos a seguir-nos nesta louca aventura?». Desta pergunta nasceu a ideia de um grupo de jovens congoleses de realizar um festival, para levar – através da linguagem da arte – uma mensagem que chegasse também às cúpulas internacionais. Uma petição foi enviada ao Secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.
«A nossa terra é fértil, a água é abundante, o nosso solo é uma dádiva de Deus: o Norte de Kivu deveria ser um paraíso. Nós, jovens, queremos participar na sua construção». Declarada a mission, e com dois anos de preparação, realizou-se em Goma (República Democrática do Congo), de 14 a 16 de fevereiro, o Festival “Amani” que, em swahili, significa paz. Diante de políticos, de representantes internacionais, dos capacetes azuis da ONU e de 25 mil pessoas que passaram pelo festival, os protagonistas lançaram a sua mensagem, cantando o seu sofrimento e a sua esperança.
Os jovens do Movimento dos Focolares estavam entre os promotores e animadores do evento. Belamy Paluku, da band “GenFuoco”, de Goma, responsável pela direção artística, conta: «O festival foi a realização de um sonho: reunir muitas pessoas e anunciar juntos uma mensagem de unidade, sendo porta-vozes das pessoas menos consideradas na nossa sociedade. Além disso, os artistas não apenas apresentaram o seu ponto de vista, mas, sendo provenientes de países que estão em conflito entre eles, do mesmo palco deram um forte testemunho. Espero que seja o início de uma nova etapa».
A preparação do Festival foi muito participada, na frente e atrás dos bastidores: uns produziram biscoitos e gouffres, outros serviram as refeições, outros ainda distribuíram as bebidas, «e tudo foi feito sem medir esforços, com um sorriso amigo» conta Jean Claude Wenga, responsável da comunicação do Festival.
«Queria entender como prossegue a cultura no exterior e de que modo podem ser as relações nesta comunhão entre as culturas – explica Aurelie, uma jovem dos Focolares – por isso quis participar».
Os adultos também não ficaram indiferentes: André Katoto, um pai de família da região de Kivu, afirma: «Amani quer dizer paz. Com esta festa quisemos celebrá-la na nossa região».
4 Mar 2014 | Sem categoria

Uma música nova entre nós
«Quando conheci o Evangelho, entendi que devia amar. Por quem começar? Pela minha professora de música, que eu não suportava. Nas aulas já tinha dito muitas vezes o que pensava dela e por isso, ela tinha chamado a minha mãe para lamentar-se a meu respeito. Um dia, depois da aula, pedi para falar com ela. Pensando que eu quisesse contestar a nota que me tinha dado, não me queria receber. Respondi-lhe que só lhe queria pedir desculpas e que tinha entendido que na vida podemos procurar amar a todos. Mesmo se no início ela me interpretou mal, continuei a contar-lhe da minha vida, do meu relacionamento com Deus, apesar de saber que ela não professa uma fé. A nossa conversa continuou e fiquei realmente feliz. A partir de então, criamos um bom relacionamento, e estou descobrindo nela muitas coisas positivas que antes eu nem imaginava». (Veronica, República Checa)
A beleza de ir contra a corrente
«Trabalho num salão de beleza, com outras cabeleireiras e esteticistas. O salão está sempre lotado, com muitos clientes. Há muitas conversas e, às vezes, também escuto algumas reclamações ou discussões. Neste ambiente procuro viver aquilo que aprendi no Evangelho. Ajudo uma colega que está fazendo um trabalho mais pesado sozinha, seguro o secador de cabelos para outra. Quando faz muito calor, preparo uma bebida fresca para toda a equipe. Às vezes, chegam senhoras de um certo nível, acompanhadas pela sua empregada, deixando-as esperar do lado de fora, no calor. Então, faço-as entrar para estarem num lugar mais fresco e ofereço um copo de água. De vez em quando, uma ou outra olha para mim com curiosidade, porque no salão não é costume fazer assim. Mas o Evangelho encoraja-me a ir contra a corrente. Diante disso nunca fui repreendida. O amor silencioso não perturba». (Razia, Paquistão)
Social Ice Cream
«Um sorvete para socializar: no ano passado a fórmula tinha agradado! Com a desculpa de saborear um sorvete, os moradores da nossa rua reuniram-se. Este ano pensamos: porque não alargar a iniciativa a todas as famílias dos arredores? No nosso bairro vivem famílias provenientes de vários países. São todos sempre muito ocupados. Mesmo assim bastaria pouco para nos conhecermos, cumprimentar-nos, instaurar novos relacionamentos de vizinhança.
Enquanto convidávamos as famílias, visitando cada casa, sentia-se no ar a curiosidade e o desejo de conhecer-se. Na noite da atividade, que se realizou ao ar livre na nossa rua, vieram mais de setenta pessoas de todas as idades. Além do sorvete, cada um quis trazer alguma coisa para partilhar. Havia um clima de amizade, que era evidenciado pela música ambiente, com melodias das várias etnias dos participantes.
Desde então, pela rua ou nas lojas cumprimentamo-nos com afeto e cumplicidade. Há algo que nos une. Conhecemo-nos melhor, contamos as nossas notícias, sejam boas ou menos boas. Um dos nossos vizinhos, quando soube que algumas famílias precisavam de móveis, quis doar a mobília da sua sala de jantar, que ainda estava em ótimas condições. Bastou um sorvete para criar uma pequena comunidade». (Vince e Maria, Canadá)
1 Mar 2014 | Sem categoria

“Nós nos casamos há alguns anos e temos três filhos. Tempos atrás tivemos que mudar de casa e, para sermos coerentes com a escolha de vida que fizemos” – cujo fundamento é a fraternidade – “decidimos ir morar em um bairro pobre no qual falta tudo. Queríamos partilhar, especialmente com os últimos, os problemas e as necessidades que se apresentam no dia a dia”.
A cidade de Gela, desde 1987, tornou-se conhecida pela forte presença da criminalidade organizada, com violências e homicídios. Medo e preocupação geram indiferença e isolamento, fazendo com que cada um viva fechado na própria casa. O bairro Fondo Iozza é o novo lugar de moradia da família. Ruas sem asfalto, cheias de lama e sem iluminação pública… Era necessária uma mudança. Rosa e Rocco logo entenderam que deveriam ser eles a começar tudo.
Houve uma noite em que, durante um temporal, o nosso telefone tocou. A água estava entrando em algumas oficinas mecânicas e uma marcenaria corria o risco de ser inundada pela água que arrastava muito lixo. O proprietário, nosso vizinho, estava desesperado. “Com o carro, eu arrisquei atravessar um grande lamaçal. Naquela noite trabalhamos até as cinco horas da manhã, fazendo de tudo para retirar a água das oficinas e da marcenaria, encorajando os proprietários. Outras pessoas vieram nos ajudar demonstrando solidariedade e, aos poucos, nos parecia que caiam algumas barreiras: se não fosse pela ajuda de todos, os prejuízos seriam ainda maiores!”.
Começaram a conversar com as famílias do bairro sobre várias questões: a falta da rede de esgotos que causava graves doenças, as condições das ruas e da rede de água. “Conseguimos estabelecer o diálogo porque, antes, procuramos estabelecer uma relação entre aquelas famílias – declara Rosa – e esta experiência nos levou a encarar de maneira diferente também a relação com as secretarias municipais. Aos poucos conseguimos passar da lógica do protesto àquela do diálogo com as pessoas da administração pública que, a partir daquele momento, tornaram-se mais disponíveis para colaborar”.
Assim formou-se uma associação e Rocco foi nomeado presidente, pela confiança conquistada no bairro. Primeiro objetivo: voltar a suscitar a esperança nas pessoas desencorajadas pelas promessas não cumpridas. Lentamente cada habitante sentiu-se “sujeito político”, exatamente pela participação ativa na resolução dos problemas. Tal iniciativa suscitou inúmeras ações e a comissão obteve subsídios para obras de saneamento no bairro.
Em Fondo Iozza, antes denominado “Bairro X”, muitas coisas se transformaram: a rede de água e a de esgotos agora existe, bem como a rede de gás canalizado e a iluminação pública. E está em andamento a realização de infra-estruturas secundárias (a igreja paroquial, um parque esportivo, um centro social para a “vida” da comunidade que está nascendo). Tudo mudou, também o nome do bairro, que agora é “Bairro Novo”, reconhecido como bairro “piloto”, no qual, a cada dia, se dá um passo em frente para humanizar o território onde se vive.
Trechos de uma palestra, feita alguns anos atrás, por Rocco Goldini, diácono e Inspetor Chefe da polícia municipal em Gela, Sicília, conhecido pela sua atuação por uma cidadania “ativa”. Um compromisso que ainda hoje, após o seu falecimento, continua a dar resultados.
Fonte: www.umanitanuova.org