Movimento dos Focolares
Lili nunca posso fazer o que eu quero

Lili nunca posso fazer o que eu quero

Lili não aguenta mais: Ela nunca pode fazer o que quer! Ela tem que usar os vestidos de sua irmã mais velha, largar seus brinquedos para ir fazer as compras no supermercado, ir brincar lá fora quando há um superfilme passando na tevê… Chega! Ela quer ser livre! Com Guilherme, Helô e Matias que compartilham da mesma irritação, Lili decide fazer uma revolução…   Editora Cidade Nova

Lili nunca posso fazer o que eu quero

A Vontade de Deus

Chiara Lubich Coleção Espiritualidade da Unidade Elemento fundamental da vida cristã, a vontade de Deus às vezes é entendida como resignação, tristeza, dever implacável e doloroso, até mesmo limite à liberdade do homem. Na verdade, ela é expressão do amor de Deus por nós, o seu “sim” ao homem. Alimento da alma, ela insere a pessoa na vida do Céu.       Detalhes do Livro •    Publicação: 2011 •    Formato: 14×21 •    Páginas: 136 •    Código de Barras: 9788578210663 •    Edição: 1 edicão. Editora Cidade Nova

Lili nunca posso fazer o que eu quero

Nigéria: salvas nos últimos instantes

“Meu nome é F. Nasci em Jos, na Nigéria. Em nossa cidade, desde 2001 até hoje, acontece uma crise política, étnica e religiosa. Perderam-se milhares de vidas e muitas propriedades; e hoje há uma profunda divisão entre cristãos e muçulmanos, a ponto de nos vermos como inimigos e olharmo-nos com grande desconfiança. Vivemos constantemente com medo, sem saber qual será a nossa sorte em cada momento. Um colega meu estava envolvido num conflito, e pediram que fôssemos encontrá-lo. Ele é muçulmano e ninguém se ofereceu para ir, só porque moramos em Jos. Como os cristãos não andam em áreas muçulmanas, por sua vez, os mulçumanos não frequentam áreas cristãs. Ofereci-me como voluntária para ir até ele, embora no início estivesse um pouco relutante, uma voz dentro de mim continuava a dizer para que eu fosse. Consegui – com um pouco de persistência – convencer uma amiga a ir comigo. Chegamos à casa do meu colega com muito medo. Mas, ao entrar fomos calorosamente recebidos por ele e sua família. Eles ficaram realmente felizes quando nos viram! Algum tempo depois eu estava voltando para casa, depois de um dia de trabalho, à noite, com aquela minha amiga, quando de repente o carro dela sofreu uma pane bem perto de uma área muçulmana. Ambas não tínhamos crédito no celular para pedir ajuda. Em algum lugar, na escuridão, havia uma gangue concluindo seus negócios. Nossa oração nesse momento foi: “Senhor, por favor, ajude-nos!”. Nós estávamos com tanto medo que não sabíamos se era melhor ficar no carro, ou sair e parar o primeiro carro que passasse. De repente percebemos que alguém vinha em nossa direção, e começamos a tremer. Eu disse a minha última oração, porque senti que era nosso fim. Quando a gangue estava a poucos metros de distância, um carro parou na nossa frente, e quem eu vi? O amigo que eu havia visitado alguns dias antes… O líder da gangue lhe perguntou se éramos da área, ‘muçulmanas’, para ter certeza se poderia nos deixar seguir em frente, e o meu amigo respondeu afirmativamente. Assim fomos salvas… Ele, em seguida, colocou o carro da minha amiga em um lugar seguro e nos acompanhou até em casa. No dia seguinte, após ter consertado o carro, ele o devolveu à minha amiga”.

Fevereiro 2012

“Convertei-vos e crede no Evangelho.” A Palavra de Deus acolhida e vivida, realiza uma completa mudança de mentalidade (= conversão). Coloca no coração de todos – europeus, asiáticos, australianos, americanos, africanos – os sentimentos de Cristo diante das circunstâncias, das pessoas e da sociedade. Mas de que modo o Evangelho pode realizar o milagre de uma profunda conversão, de uma fé nova e luminosa? O segredo está no mistério que as Palavras de Jesus encerram. Elas não são simplesmente exortações, sugestões, indicações, diretrizes, ordens ou comandos. Na Palavra de Jesus está presente o próprio Jesus a falar, a nos falar. As suas Palavras são Ele mesmo, são o próprio Jesus. É por isso que nós o encontramos na Palavra. E acolhendo a Palavra no nosso coração, como Ele quer que seja acolhida (ou seja, estando dispostos a traduzi-la em vida), tornamo-nos uma só coisa com Ele, e Ele nasce ou cresce em nós. É esse o motivo pelo qual cada um de nós pode e deve acolher esse convite tão urgente e tão exigente de Jesus. “Convertei-vos e crede no Evangelho.” Pode ser que alguém ache as palavras do Evangelho muito elevadas e difíceis, muito distantes do modo comum de viver e de pensar, e se sinta tentado a não escutá-las, a desanimar. Mas isso acontece quando se pensa que se deve remover sozinho a montanha da própria incredulidade. Ao passo que bastaria esforçar-se em viver ainda que fosse uma única Palavra do Evangelho, para encontrar nela uma ajuda inesperada, uma força sem igual, uma lâmpada para guiar os próprios passos (cf. Sl 118,105); porque a comunhão com aquela Palavra – sendo essa uma presença de Deus – liberta, purifica, converte, conforta, comunica alegria, doa sabedoria. “Convertei-vos e crede no Evangelho.” Quantas vezes durante o dia essa Palavra pode ser uma luz para nós! Toda vez que deparamos com a nossa fraqueza ou com a fraqueza dos outros, cada vez que nos parecer absurdo ou impossível seguir Jesus, quando as dificuldades tentarem nos abater, essa Palavra nos pode fazer alçar voo, pode ser para nós uma rajada de ar fresco, um estímulo a recomeçar. Bastará uma pequena e rápida “conversão” de rota para sairmos do isolamento do nosso eu e nos abrirmos a Deus, para experimentarmos uma vida diferente, a vida verdadeira. Depois, se pudermos compartilhar essa experiência com alguma pessoa amiga que também escolheu o Evangelho como seu código de vida, veremos a comunidade cristã brotar ou reflorescer ao nosso redor. Porque a Palavra de Deus, vivida e comunicada, realiza também este milagre: dá origem a uma comunidade visível, que se torna fermento e sal da sociedade, testemunhando Cristo em todos os pontos da terra. Chiara Lubich Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em fevereiro de 1997

Lili nunca posso fazer o que eu quero

Nos ângulos mais escuros da capital

«Venho de um pequeno vilarejo da zona rural e há pouco tempo me transferi para Roma. A chegada a uma cidade tão grande foi o encontro com realidades muito diferentes daquelas a que estava acostumado. Para mim foi difícil ver um jovem pedir algum trocado a pessoas enfiadas nas caixas de lixo, procurando o que comer. Não que sejam novidades. Cenas vistas e revistas muitas vezes, andando pelas ruas, na televisão. Mas quando nos encontramos cara a cara com essas situações alguma coisa muda, é a possibilidade de encontrar a própria medida em viver segundo o Evangelho. Voltando para casa, uma noite, parei para falar com um rapaz. Tinha 23 anos, mais ou menos a minha idade. Ele me contou sobre seus filhos, um dos quais em breve teria que ser operado e que o que tinham não era suficiente. Falou-me do aluguel de 150 euros que devia pagar para não ter que dormir, com a esposa e os filhos, no banco traseiro de um carro. E ainda das dificuldades em encontrar trabalho. Talvez fosse a velha história de sempre, as costumeiras desculpas para conseguir algum dinheiro, eu pensei. Mas havia alguma coisa que me empurrava para ir adiante. Disse-lhe que o ajudaria a encontrar um trabalho, que nas noites seguintes o convidaria para jantar, e que, se o proprietário o mandasse embora, o hospedaria na minha casa. Não sabia bem o que estava dizendo, mas as palavras saiam do meu coração. Eu me perguntava: o que eu posso fazer, tão pequeno, recém-chegado na realidade romana? Quando voltei para casa rezei, pedindo ajuda ao Pai. Dois dias depois recebi um email que falava de um encontro para jovens estrangeiros em busca de trabalho. Era a resposta, um sinal claro! Mandei logo uma mensagem ao rapaz, porque tínhamos trocado os números de telefone, e dei-lhe a notícia. Outras vezes me aconteceu de voltar tarde para casa, por situações parecidas, e ouvir as perguntas das pessoas do prédio: “mas por que você ainda fala com aquelas pessoas? Mas o que lhe importa… não adianta nada…”. Talvez tenha dado a eles alguma resposta artificial, mas o que entendi foi uma verdadeira revolução. Mudei o meu modo de agir porque “tudo é por Jesus”. Se nos deixamos trabalhar por Jesus, se o escolhemos como fundamento da vida, especialmente aquele Jesus que sofreu na cruz, por todos nós, então é Ele mesmo que nos faz ser ‘outro Ele’, nos ângulos escuros e nos sofrimentos da sociedade». (E.P. – Itália)