11 Set 2011 | Sem categoria
A espiritualidade da unidade articula-se em doze pontos fundamentais, encadeados um ao outro:
- Deus Amor
- A Vontade de Deus
- A Palavra
- O irmão
- O amor recíproco
- Jesus Eucaristia
- A Unidade
- Jesus abandonado
- Maria
- A Igreja
- O Espírito Santo
- Jesus no meio
Para Chiara Lubich, cada ponto da espiritualidade da unidade não é nunca a simples formulação de um projeto amadurecido em sua mente, uma reflexão ou um princípio de teologia espiritual. É, mais que isso, uma espiritualidade que exige uma adesão imediata, decidida e concreta, algo que suscita a vida. No esplendor da história da Igreja, de seus indivíduos, de seus santos e comunidades, uma característica foi sempre constante: é a pessoa, individualmente, que se dirige a Deus. Isto resta verdadeiro também na espiritualidade da unidade, no sentido que a experiência que o indivíduo faz com Deus e em Deus é única e não se pode repetir. Todavia, a espiritualidade trazida pelo carisma da unidade, confiado pelo Espírito Santo a Chiara, acentua, ao lado desta indispensável experiência espiritual pessoal, a dimensão comunitária da vida cristã. Não é uma novidade em absoluto. O Evangelho é eminentemente comunitário. No passado houve experiências que sublinharam o aspecto coletivo da peregrinação para Deus, especialmente as espiritualidades nascidas daqueles que colocavam o amor como base da vida espiritual. É suficiente citar o exemplo de São Basilio e suas comunidades. Chiara traz a “sua” espiritualidade, um modo original, comunitário, de ir a Deus: ser uma só coisa em Cristo, segundo as palavras do Evangelho de João: “Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, estejam também eles em nós” (Jo 17,21). Em Chiara este torna-se um estilo de vida. Uma “espiritualidade comunitária” havia sido preconizada por teólogos contemporâneos e é mencionada pelo Concílio Vaticano II. Karl Rahner, por exemplo, falando da espiritualidade da Igreja do futuro, a via «comunhão fraterna na qual seja possível fazer a mesma basilar experiência do Espírito». O Vaticano II ao orientar a sua atenção sobre a Igreja como corpo de Cristo e povo reunido no vínculo do amor da Trindade. Se Santa Teresa d’Ávila, doutora da Igreja, falava de um «castelo interior», a espiritualidade da unidade contribui para edificar um «castelo exterior», onde Cristo esteja presente e ilumine todas as suas partes.
8 Set 2011 | Focolare Worldwide
Diante das dificuldades que as sociedades ocidentais, mas também de outras partes do mundo, enfrentam hoje para transmitir e fazer com que seja acolhida a mensagem evangélica, os bispos de várias Igrejas, convidados pelo cardeal Milolav Vlk, arcebispo emérito de Praga, interrogam-se sobre a sua missão e a eficácia da própria ação pastoral. E o fazem a partir da luz e da força que emana da Palavra de Deus, que está na origem da Igreja de Cristo em suas várias expressões e pode dar a ela, inclusive hoje, novo vigor e força de irradiação. Estão previstos encontros significativos, com o Primaz da Igreja da Inglaterra, o Dr. Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária; com o Arcebispo de Westminster, D. Vincent Nichols, católico; com representantes da Igreja Metodista e outras realidades eclesiais presentes na Inglaterra. De relevo o discurso de Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, que salientará o efeito da vida da Palavra, basilar no Movimento e na sua espiritualidade netamente ecumênica. Ápice do encontro é o “Pacto de amor recíproco”, que compromete os presentes a colocarem o relacionamento de amor mútuo acima de todas as divisões do passado, segundo o convite de Jesus a permanecer no seu amor e amar-se um aos outros, como ele fez. Sexta-feira, 9 de setembro, haverá uma “Jornada Aberta”, para a qual o Movimento dos Focolares da Grã Bretanha convida os líderes das diversas Igrejas; será apresentada a experiência de comunhão fraterna vivida pelos bispos das Igrejas cristãs, juntamente com a perspectiva de uma unidade cada vez mais profunda e cordial entre os responsáveis, no espírito da oração de Jesus que pede a unidade de todos.
1 Set 2011 | Focolare Worldwide
Pertenço à geração dos “rebeldes”, educado à fé católica, mas sem entendê-la e vivê-la coerentemente. Desde jovem impunha-me muitas questões. Principalmente fazia um grande esforço para ir à missa todos os domingos. Encontrei a solução: deixei de crer, continuando, porém, a ter como referência a mensagem de amor de Jesus.
Conheci M. Angels, minha esposa, e começou uma longa e benéfica transformação de ambos. Ela tinha fé e participava do Movimento dos Focolares. Na realidade, com o passar do tempo, descobri que tinha me casado com uma “ativista” do Movimento.
Logo tivemos que nos confrontar sobre a decisão a tomar para o rito matrimonial. Casamo-nos na igreja. Não obstante, da minha parte não renunciei a nada. Não apenas aceitei o rito religioso, mas quis participar com o máximo interesse e respeito.
Outra decisão importante foi a educação que deveríamos dar aos nossos filhos. Novamente aplicamos um princípio simples que, para essas questões difíceis, funcionou muito bem: “a formação na fé católica será um plus para os nossos filhos, que os fará mais sensíveis, mais completos, mais felizes “. Dizia à minha esposa : “Você tem a fé, eu o vazio”.
Nem tudo foi fácil, como pode parecer. De fato, eu não entendia o entusiasmo dela em participar dos encontros dos Focolares. Seria uma seita? Admito que tinha um certo ciúme. Aos poucos, com o esforço de ambos, chegamos a um equilíbrio total. Eu tinha uma certa curiosidade sobre o Movimento, e ela, discretamente, levava-me a conhecê-lo.
Um fato significativo foi quando participei de um encontro. Lembro a acolhida que recebi e a atmosfera que se respirava. Comecei a conhecer a espiritualidade de Chiara Lubich, que eu procurava fazer com que se ajustasse com as minhas convicções pessoais. Um aspecto primordial foi ter compreendido, com uma luz nova, o significado da palavra amor, que nos nossos dias perdeu a sua relevância.
Eu tinha encontrado uma espiritualidade que colocava no centro a mensagem de Jesus, de um modo radical e manifesto, que se concretizava cotidianamente e nas pequenas coisas. O meu interesse por essa espiritualidade cresceu, assim como o desejo de vivê-la, com os amigos, conhecidos, colegas de trabalho e, o mais difícil, na família.
Havia um único obstáculo. Eu tinha a impressão que o Movimento fosse reservado somente para pessoas crentes, cristãs. Fiquei surpreendido quando soube que este era aberto inclusive a pessoas de convicções não religiosas, e não só, que me convidava a tomar parte de maneira ativa.
Aprendi a ver o outro como um irmão, a pensar e agir de consequência, e que não precisa ser um herói. Experimentei que é necessário um exercício constante, mas que nisso somos ajudados por uma espiritualidade que possui uma alta componente comunitária.
Nos últimos anos tive a sorte de poder dirigir um grupo musical de jovens. Foi uma fortuna, porque estando com eles pude participar de seu crescimento, não só musical mas também espiritual. Isso exigiu grandes doses de trabalho e muita paciência, para adaptar-me às suas exigências, conhecimentos, idade e à vontade de brincar e de viver.
Agora vejo a minha vida como uma trajetória que me permitiu crescer no terreno espiritual, preencher aquele vazio que parecia-me ter, em relação à plenitude da fé de minha esposa. Uma evolução que exige que eu passe de expectador a ator.
Jordi Illa
15 Ago 2011 | Focolare Worldwide
«Meu nome é Sandra, há 30 anos sou uma empresária, atualmente proprietária e diretora de três empresas na área artesanal. Trabalho como designer com fibras tropicais da Amazônia e desenvolvo pesquisas nesta área. Sempre fui sensível às necessidades das pessoas menos favorecidas. Diria que faz parte da minha natureza dedicar-me aos que mais precisam de ajuda e de solidariedade. Ainda muito jovem trabalhei com detentos de um presídio, e depois, como diretora de empresa, sempre busquei transmitir os meus conhecimentos para a promoção de outras pessoas, oferecendo uma formação profissional e ocasião de trabalho. Em 1999 uma tragédia familiar transformou completamente a minha vida. De um momento a outro aquela ilha maravilhosa onde eu vivia, desabou. Faltou-me o chão embaixo dos pés. Fiquei desesperada. Naquele momento dramático, de grande sofrimento, aprofundou-se o meu relacionamento com algumas amigas do Movimento dos Focolares, que conhecera três anos antes. Encontrei grande sustento entre elas e, aos poucos, comecei a me reerguer. Conhecendo a experiência de Chiara Lubich senti que um reflexo da sua luz me dava a esperança de encontrar uma saída no fim daquele túnel. O seu era um exemplo contagiante, e assim tive a força para recomeçar. Em 2009 participei do Congresso do Diálogo, com pessoas de convicções não religiosas, na Mariápolis Ginetta, centro do Movimento dos Focolares, próximo a São Paulo. Foi a partir dali que me senti motivada e comecei a colaborar concretamente. Abriu-se a possibilidade de iniciar um curso para a realização de trabalhos manuais com fibra de coco e palha de buriti. Sendo proveniente de uma família de artesãos e especialista em trabalhos com fibras vegetais, procuro desenvolver um trabalho que, além de valorizar a mão de obra e consequentemente o ser humano, garanta a preservação do meio ambiente. Atualmente o nosso laboratório, no município de Vargem Grande Paulista, a 50 quilômetros da capital, funciona três vezes por semana com um grupo de oito jovens. É monitorado por uma funcionária da minha empresa e eu mesma faço a supervisão e orientação dos designs. São produtos de decoração, como bandejas, caixas, etc., que utilizam a técnica de entrelaçamento das fibras. Na conclusão do curso fizemos uma tarde cultural, com a apresentação dos trabalhos e a venda de alguns objetos. Este ano iniciamos outra etapa do curso, ampliando os trabalhos. Sendo um curso profissionalizante os jovens terão chance de inserir-se no mercado de trabalho. Está crescendo o número das inscrições. Esta atividade é um verdadeiro presente para mim. Compreendo que eu também recebo e, às vezes, muito mais do que eles. Sinto uma imensa alegria por poder colaborar. Desde quando comecei a me dedicar a esses trabalhos eu renasci e, até quando viver desejo continuar a trabalhar por esta causa». S. G.
23 Jun 2011 | Sem categoria
Ser “construtores de cidades novas” foi o que desejou Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, na mensagem enviada ao encontro do dia 20 de junho passado, em Nápoles (Itália), na comemoração do nascimento do Movimento Político pela Unidade (MppU). “No contexto de uma desilusão generalizada dos cidadãos, com relação à ‘coisa pública’ – prosseguiu Maria Voce – as realizações apresentadas pelo MppU, talvez pequenas, mas significativas, dão esperança no desabrochar de uma ‘política nova’, feita de diálogo e de acolhimento recíproco”. As raízes. No dia 2 de maio de 1996, em Nápoles, um grupo de políticos dirigiu a Chiara Lubich questões cruciais: como é possível, para os que militam em partidos diferentes e em frentes opostas, “viver aquela fraternidade que você propõe para a vida política?”. A sua resposta exigiu uma nova decisão: a unidade ao redor de valores fundamentais compartilhados deve preceder os legítimos liames partidários; o bem comum só pode ser alcançado com a contribuição de todos. Sobre estas ideias-força, que suscitaram a adesão convicta dos políticos presentes, teve início o MppU. Após 15 anos, no dia 20 de junho de 2011, ainda em Nápoles, o congresso “A fraternidade: um desafio para a política”, realizado no Auditório da Câmera Regional, quis destacar, antes de tudo, a irrupção do carisma de Chiara Lubich na história civil. Estavam presentes mais de 150 pessoas, entre estas parlamentares e administradores, provenientes também de outras regiões. O primeiro discurso foi de Eli Folonari, que viveu por 50 anos ao lado de Chiara e que atualmente é responsável pelo “Centro Chiara Lubich”. Ela tracejou, excursus, o percurso que vai do amor interpessoal ao amor social, em direção à polis. Atualmente o MppU atua em todas as regiões italianas, em vários países europeus, na América Latina e na Ásia. É o ponto de convergência das diversas experiências políticas que desenvolveram-se partindo do húmus da espiritualidade da unidade e da visão paradigmática de Igino Giordani. As diretivas fundamentais do MppU foram apresentadas por Marco Fattuzzo, presidente do Centro internacional, à partir de uma definição dada por Chiara Lubich: “um laboratório internacional de trabalho político comum, entre cidadãos, funcionários, estudiosos, políticos comprometidos em vários níveis, de inspirações e partidos diferentes, que colocam a fraternidade como alicerce de suas vidas”. Neste cenário seguiram-se alguns depoimentos significativos: as oficinas de diálogo e projetação política que o MppU promove nos parlamentos de alguns países – Itália, Brasil, Argentina, Coreia do Sul –, a rede internacional das Escolas de formação política, nas quais os jovens podem fazer a experiência de uma política de comunhão. Também as cidades estão se conectando em rede. “Até hoje são mais de cem as que aderiram à Associação “Cidades pela Fraternidade”, relatou o prefeito de Rocca di Papa, Pasquale Boccia, seu atual presidente. E por que não as Regiões? Na ótica de uma visão mais solidária da Itália, foi emblemático que, na conclusão do encontro, o presidente do Conselho Regional da Campania, Paolo Romano, tenha comunicado a adesão unânime do mesmo à Associação “Cidades pela Fraternidade”. Do Movimento Político pela Unidade