22 Jun 2011 | Sem categoria
«Na Alemanha Oriental, depois da reviravolta de 1989, quando a participação nas associações esportivas deixou de ser gratuita, devido ao corte nos subsídios, muitos jovens passaram a frequentar ambientes neonazistas. E ninguém fazia nada. Desesperado fui falar até com o padre católico, com quem nunca tive nada a ver, durante toda vida, para reclamar: por que a igreja não faz nada?». É a descrição, de um treinador da Saxônia, do início de uma longa amizade com um sacerdote católico, embora ele não possua uma fé de tipo religioso. Muda a cena. Um ex-oficial do exército do povo e depois professor do instituto superior de segurança do estado, isto é, os serviços secretos da Alemanha Oriental, participa do 50º aniversário da sua entrada na universidade e reencontra um colega de turma que tinha tomado um caminho totalmente diferente. Havia se tornado sacerdote. Mas a diferença de suas estradas não impede a amizade que começa a nascer, aliás, a favorece. De fato, nos últimos anos da Alemanha Oriental, o professor já tinha iniciado uma busca intelectual, e por isso tinha sido demitido de seu cargo. A sua concepção de uma sociedade socialista não era compatível com os interesses do sistema que estava no poder. Como outros, também esses dois personagens, o treinador e o professor da segurança do estado, encontraram novas perspectivas nos encontros do Movimento dos Focolares. E em maio passado participaram do encontro entre cristãos e pessoas que não fazem referência a uma fé religiosa, realizado no Centro Mariápolis de Zwochau, nos arredores de Leipzig (5-9 de maio de 2011).

Centro Mariápolis de Zwochau
Estiveram presentes também Claretta dal Rì, Nella Ammes e Franz Kronreif, do Centro do Diálogo com pessoas de convicções não religiosas, do Movimento dos Focolares. Este centro, em Rocca di Papa (Roma), coordena e desenvolve, em escala mundial, a trajetória de pessoas que possuem e não referências religiosas, baseado em valores comuns e no respeito recíproco, que nasce do amor. Ninguém tenta arrastar o outro para o próprio ângulo de visão do mundo. As chamadas «novas regiões» da Alemanha são um terreno fértil para este tipo de diálogo. Em poucas partes do mundo o fato religioso tem uma função tão insignificante na vida das pessoas como aqui. Somente 15-18% das pessoas são batizadas em uma das igrejas cristãs, 80% não tem nenhuma afinidade com qualquer religião, e este número tende a crescer. Como demonstram os dois exemplos, não existe aversão contra a religião ou as igrejas. Existem pontos de contato, quando se trata de questões de valores em comum. Os conteúdos mais centrais das religiões chegam a despertar interesse e suscitam admiração. Para a maioria são simplesmente desconhecidos. É necessário um diálogo com grande sensibilidade, que permita descobrir os valores e os ideais do outro, e que se encontre uma linguagem capaz de comunicar os valores de ambas as partes. «O nosso objetivo é o mundo unido. Não seremos todos cristãos. A dimensão é muito maior. (…) A única coisa que conta é o amor». Era assim que Chiara Lubich falava do diálogo às pessoas do Movimento. O quanto essas pessoas «religiosamente desarmônicas», para usar um termo de Max Weber, compartilham esta visão da vida, a de construir um mundo unido na fraternidade, foi evidenciado num momento do encontro de Zwochau. Um escritor e uma jornalista tinham acabado de voltar de um cruzeiro, que durara algumas semanas. Os objetivos e ideias do Movimento lhes pareciam tão interessantes e importantes que falaram sobre o assunto com os companheiros de viagem, convencidos que já deveriam conhecê-los. «Mas nem um católico da Baviera, com quem estávamos almoçando, tinha escutado falar disso antes!», contaram. Então aceitaram o convite a se ocuparem, eles mesmos, da difusão dos valores comuns. Poucos dias depois, por iniciativa da jornalista, um jornal da região publicou um artigo sobre o encontro de Zwochau e sobre os «hóspedes romanos».
10 Jun 2011 | Focolare Worldwide
“TODOS JUNTOS novamente, por favor!!!”, escreveu no seu perfil do Facebook uma amiga alemã, exprimindo o desejo de muitos dos 50 participantes do seminário de Educação para a Mídia, dirigido aos jovens e a seus coordenadores. O curso foi promovido por associações de seis países diferentes, os conteúdos estiveram sob os cuidados de NetOne e de Charisma Community Projects (Grã Bretanha) e recebeu o apoio financeiro do programa Jovens em Ação, da Comissão Europeia.
Estava prevista uma parte teórica – três palestras sobre Educação para a Mídia, proferidas pelo prof. Luciano di Mele, da Universidade Telemática Internacional, UNINETTUNO, de Roma (parceira externa do projeto) –, encontros com profissionais das áreas da comunicação sobre redes sociais, jornalismo e publicidade e quatro laboratórios criativos, durante todos os dias, muito apreciados pelos jovens, pela qualidade dos conteúdos apresentados, pela criatividade experimentada nos grupos e a vivencia de uma realidade multicultural.
A Mariápolis Arco-Íris, centro do Movimento dos Focolares em Abrigada, demonstrou-se um lugar ideal para hospedar o seminário, não apenas pelo ambiente, mas principalmente pela grande acolhida e o serviço atencioso.
Parte fundamental dos trabalhos, voltada à promoção da cidadania europeia, foi o dia passado em Lisboa, a fim de viver a vida da cidade, conhecê-la e depois narrá-la por meio de fotos, filmagens, publicidades sociais e turísticas, que depois foram apresentadas numa noite de festa aberta ao público, enriquecida com números artísticos dos moradores da Mariápolis.
De grande interesse, a visita guiada aos estúdios e ao museu da RTP, emissora radiotelevisiva pública, que cortesmente recebeu o grupo, não obstante o intenso trabalho de preparação das transmissões ao vivo, dois dias antes das eleições portuguesas. A mesma emissora fez uma reportagem sobre o seminário.
Mais do que as palavras são as fotos e os blogs dos participantes que contam o que foi esta experiência inesquecível, para os jovens e também para seus tutores. “Obrigada Europa, que nos permitiu tudo isso!”, brotou de um dos participantes, durante os comentários de conclusão do seminário.
Esta não foi uma iniciativa isolada, mas um dos momentos importantes de um projeto mais amplo, que incluirá outras iniciativas locais e internacionais, com o objetivo de levar a uma nova descoberta do valor da “boa comunicação”, e ensinar aos jovens o modo de informar-se e informar, usando os meios de comunicação como instrumentos para a paz e o desenvolvimento, pontes entre as culturas e diferenças, agentes de coesão social.
Flickr Gallery: News&You Seminar 2011
Youth in Action: http://eacea.ec.europa.eu/youth/
3 Jun 2011 | Sem categoria
No dia 20 de maio de 1993, em Solingen, na Alemanha, alguns jovens atearam fogo na casa de uma família turca, no incêndio morreram cinco pessoas. Desde então todos os anos celebra-se o aniversário daquele trágico episódio de intolerância racial. Este ano um grupo de jovens decidiu aproveitar a data para fazer algo concreto por sua cidade. Recentemente haviam participado, em parceria com outras escolas alemãs e italianas, do projeto europeu denominado “Heimat Europa” (Europa, casa para todos). O projeto nasceu na Alemanha em 2010, por iniciativa da associação Starkmacher, em colaboração com o Movimento Político pela Unidade. Um itinerário de formação, com um ano de duração, no qual refletiram e trabalharam, confrontando as respectivas opiniões, sobre a imigração na perspectiva da integração, o ambiente, o futuro da Europa, especialmente no que se refere ao desenvolvimento que a União Europeia deve realizar. Um caminho que convenceu e deixou marcas, nos corações e também nas mentes, iniciou quase como um jogo, mas aos poucos cresceu e tornou-se experiência política concreta. O prefeito de Solingen e outras autoridades mostraram-se entusiastas com o projeto dos jovens e logo ofereceram o próprio apoio. A ação teve vários momentos. Para começar, sabendo que antes da celebração do aniversário o “lugar da memória” precisava ser limpo, os jovens ofereceram-se para fazê-lo. Envolveram então muitos outros estudantes; um grupo de trabalho elaborou as informações sobre a tragédia de 1993 para informar os mais jovens. E já que o dia 20 de maio estava dentro da “Semana Europeia” colheram a ocasião para apresentar a ideia da Europa como “casa comum”, inclusive para os imigrantes.
Após um momento de silêncio foi plantada uma “árvore da paz” e os jovens presentes foram convidados a escreverem em bilhetinhos aquilo que consideram “valores” (paz, fraternidade, unidade, solidariedade, responsabilidade…). Os bilhetes foram simbolicamente colocados no mesmo buraco no qual a árvore fora plantada. Uma jovem disse: “A árvore tem muitas folhas, que simbolizam a Europa em comunhão na diversidade. Os frutos, as maçãs, simbolizam as novas gerações e as novas ideias”. E outra: “A pequena macieira representa uma grande meta, a paz, na Europa, mas também na nossa cidade”. O que veio em evidência, no final, foi uma realidade interior, a confirmação que “é possível acreditar ainda num mundo diferente, e que a mudança depende da nossa responsabilidade pessoal e da capacidade de trabalharmos juntos”. “Por uma política assim é até possível se apaixonar”.
28 Mai 2011 | Sem categoria
Em primeiro plano, na abertura, o beato João Paulo II, cujo pontificado reservou uma “atenção prioritária e apaixonada à família”. O cardeal Ennio Antonelli, presidente do Pontifício Conselho para a família, evidenciou em seu discurso como “para o Papa da nova evangelização, a família pequena igreja ou igreja doméstica, não é um modo de dizer. Trata-se de uma atuação da Igreja específica e real: os cônjuges – como escrito na Exortação Apostólica Familiaris Consortio – ‘não apenas revivem o amor de Cristo tornando-se comunidade salva, mas são chamados a transmitir aos irmãos o mesmo amor de Cristo, tornando-se comunidade salvadora’ (FC 49)”. Durante a tarde aconteceu o esperado encontro com a presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, que estabeleceu com os participantes, cerca de mil, de todos os continentes, um diálogo profundo, exprimindo a alegria de estar com famílias que se colocam como instrumentos de unidade nos ambientes onde vivem. Os testemunhos colocaram em evidência como a confiança no amor transforma e ilumina a vida cotidiana, e é apoio e guia nos momentos mais difíceis, as doenças, incertezas, separações, viuvez. Em colaboração com o setor jovem do Movimento dos Focolares, com a intenção de partilhar os objetivos educativos e colaborar para a sua realização, dois momentos foram dedicados à educação dos filhos. E falou-se de educação também nos trabalhos em grupo: educação a um estilo de vida sóbrio, à afetividade, ao uso da mídia, relacionada às diferentes faixas etárias. E significativo foi ainda o espaço dedicado às famílias jovens. Uma transmissão internet permitiu a inúmeras pessoas, em vários pontos do mundo, acompanharem momentos nos quais falou-se de afetividade, comunicação e espiritualidade. Mensagens de adesão a alegria chegaram do Canadá, Venezuela, Israel, El Salvador, Brasil, Espanha, etc. “Agradecemos imensamente pelo gesto de amor concreto, que nos permitiu acompanhar o evento diretamente, – escreveram do Panamá – reafirmando o valor da família e a fé de que Jesus nos ajuda a construí-la. A sociedade passa a ideia de que a família caiu de moda, mas hoje, escutando vocês, sentimos que a família é algo moderno e atual”. “Vocês iluminaram a nossa vida matrimonial em todos os seus aspectos – disseram da Eslovênia –. Viver a espiritualidade do Evangelho nos leva à plenitude da felicidade e rejuvenesce o amor, que queremos levar ao maior número possível de famílias”.
24 Mai 2011 | Sem categoria

Grottaferrata. Padre Foresi, Igino Giordani, o canônico anglicano Bernard Pawley, a senhora Margaret Pawley, Chiara Lubich, Eli Folonari (1962).
No dia 14 de janeiro Chiara encontrou-se com um grupo de luteranos, na Alemanha, e aquele encontro fez com que entendesse que a espiritualidade da unidade, fundamentada no Evangelho vivido, não era apenas para os católicos, mas para toda a cristandade. No mês de maio, em Roma, Chiara esteve com o canônico anglicano Bernard Pawley, que depois foi convidado como observador no Concílio Vaticano II. E no dia 24 de maio ela escreveu em seu diário: «A vontade de Deus é o amor mútuo. Portanto, para suturar esta ruptura é necessário amar-se». São estes os pródromos que levaram Chiara a fundar o “Centro Uno” para a unidade dos cristãos. Confiou a sua direção a Igino Giordani, pioneiro do ecumenismo desde os anos 1920. O ano de 1961 foi repleto de intuições, o início de um diálogo promissor, baseado no Evangelho vivido. Com o passar dos anos a espiritualidade da unidade suscitou o interesse de anglicanos na Grã Bretanha, reformados na Suíça, Holanda e Hungria. Foi acolhida por cristãos de várias Igrejas na Europa, pelas Igrejas Orientais no Oriente Médio e, sucessivamente, nos outros continentes. O Patriarca Atenágoras interessou-se pela espiritualidade da unidade e convidou Chiara a ir a Istambul, em 1967, encorajando a sua difusão nas Igrejas ortodoxas. 
Chiara Lubich, Gabri Fallacara, Frei Roger Schutz (1978).
Depois de quase 30 anos do trabalho ecumênico do Movimento, em 1996 houve uma outra etapa histórica, em Londres. Reunindo-se com cerca mil anglicanos, católicos, metodistas e batistas que viviam a espiritualidade da unidade, Chiara constatou que estava se delineando uma maneira específica de atuar o ecumenismo do Movimento, o “diálogo da vida”, “diálogo do povo”, que não se contrapõe aos outros tipos de diálogo, mas os sustenta. Atualmente existem cristãos de mais de 350 Igrejas, nos cinco continentes, que vivem este diálogo e testemunham que é possível viver em unidade, com Cristo entre nós. O 50º aniversário do Centro Uno foi recordado em Trento, no Teatro Social, dia 12 de março passado, com uma Jornada Ecumênica internacional intitulada “Chiara Lubich: um carisma, uma vida pela unidade dos cristãos”, inserida na “Semana Ecumênica” comemorativa, de 11 a 16 de março, em Cadine (Trento). Com a apresentação, inclusive, de testemunhas dos primeiros anos, foram contemplados os frutos desses 50 anos de empenho ecumênico, de Chiara e do Movimento. 
Istanbul. O grupo da 18ª escola de ecumenismo promovida pelo Centro “Uno”, sobre a Igreja ortodoxa, é recebido no Fanar pelo Patriarca Bartolomeo I (2010).
Em sua mensagem, o cardeal Koch afirmou, entre outras coisas: “O testemunho e o serviço prestado por Chiara Lubich à promoção da unidade dos cristãos são dádivas preciosas e inestimáveis”, porque “traçou rastros de luz e tocou, em profundidade, o caminho de vida de muitos cristãos, de diversas gerações e pertencentes a muitas tradições eclesiais”. E o Patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, convidava os focolares espalhados no mundo “a alimentar em toda parte o ‘diálogo da vida’ no povo cristão, fermento no movimento ecumênico”, com a consciência de que “somente a intensa espiritualidade pode acelerar o caminho rumo à plena comunhão visível, mediante o acolhimento dos progressos feitos pelos diálogos oficiais por parte de um povo ecumenicamente preparado”. Chegou ainda uma mensagem do rev. Olav Fykse Tveit, Secretário Geral do Conselho Ecumênico das Igrejas, no qual referindo-se a Chiara Lubich, afirma: “A recordamos como dom primoroso do amor de Deus, que inspira muitos de nós com o seu carisma e a sua espiritualidade da unidade”. Relembra ainda a sua primeira visita, em 1967, que lançou “os alicerces para décadas de estreita colaboração, da qual, em muitos modos, a fraternidade das Igrejas membros do Conselho das Igrejas, beneficiou-se”. O Centro Uno acompanha o trabalho ecumênico do Movimento dos Focolares no mundo, através de uma rede de pessoas encarregadas e promove “semanas ecumênicas” e cursos de formação. Sede atual do Centro Uno Via della Pedica 44 A 00046 Grottaferrata (Roma) centrouno@focolare.org