Roma – Congresso EcoOne 2018
O congresso internacional “Nature breaks limits” acontecerá na Sala de Conferências “I Gigli della Montagna” (Via Monte Senario, 81). Refletiremos sobre como os limites – geográficos, culturais, tecnológicos… – podem tornar-se trampolins para um futuro sustentável do gênero humano e do ambiente terrestre. Informações: EcoOne online
Jogos Paraolímpicos de Inverno 2018
Ao se concluírem os Jogos Olímpicos de Inverno, se abriu, em Pyeong Chang, no dia 9 de março passado, com uma grandiosa cerimônia inaugural, a 12ª edição dos Jogos Paraolímpicos de Inverno, que durarão até o dia 18. Segundo acordos entre os Comitês Internacionais, os Jogos Paraolímpicos se realizam a cada quatro anos, na mesma cidade dos Jogos Olímpicos de Inverno, com a participação de atletas com deficiências físicas. Como evidenciou o Papa Francisco, se «o esporte pode lançar pontes entre países em conflito e dar uma válida contribuição a perspectivas de paz entre os povos», os Jogos Paraolímpicos «confirmam ainda mais que através do esporte podem ser superadas as próprias deficiências» graças ao «exemplo de coragem, de constância, de tenacidade em não se deixar vencer pelos limites» dado pelos atletas. «O esporte se apresenta como uma grande escola de inclusão, mas também de inspiração para a própria vida e de compromisso a transformar a sociedade». As primeiras Paraolimpíadas de Inverno foram realizadas na Suécia em 1976. Como para os Jogos de verão, devem a sua existência à tenacidade com que alguns médicos, especialmente o inglês Ludwig Guttmann, conseguiram, com os próprios métodos de vanguarda, ajudar os veteranos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial a descobrirem no esporte competitivo uma oportunidade para se reabilitarem e encontrarem um lugar na sociedade.
Os alicerces da sociedade
«Eu e meu marido estivemos no Congresso para casais de Voluntários. Seiscentas pessoas, 14 línguas. Uma porção de sociedade, com participantes dos cinco continentes. Mas vamos começar… do início. Um dia antes dei uma olhada no programa. Eu sabia que, no dia 3 de março, o congresso iria ter a feliz coincidência com o evento dedicado ao décimo aniversário da morte de Chiara Lubich. Mas, e os outros dias? A vida de família e de casal esmiuçada em múltiplas facetas, seria o ponto central de momentos de aprofundamento, com a direção de especialistas. Nós somos casados há quase 20 anos e temos dois filhos, de 18 e 16 anos. Tendo passado o “túnel” das noites em branco, das fraldas e das creches, terminada a fase do ensino médio e fundamental, dos mapas para desenhar e das provas de história, estamos navegando na adolescência deles, como filhos, e nossa como pais em busca de um presente sereno e de um futuro que dia a dia sai da casca. Um entrelaçamento de afetos, dificuldades e gincanas, surpresa diante das novidades, sofrimento pelos acontecimentos tristes, às vezes desânimo e mangas arregaçadas para recomeçar, mas também alegrias, paixão social, amor pelo belo, abertura às novidades e aos imprevistos, certas corridas de obstáculos entre os compromissos de todos. Enfim, uma família normal. Leio o programa e fico um pouco desanimada. A insistência sobre os temas ligados ao “casal” me dá uma sensação de sufocamento: e o mundo? As realidades do nosso tempo? A arte, a cultura, as relações sociais? Estaremos concentrados em olhar somente para “dentro”, e continuar ainda a nos analisar, depois de tantos anos? Sou uma voluntária, habituada a olhar mais para “fora” do que para “dentro”, a sonhar grande, a agir em contato estreito com a realidade e as durezas das pessoas, procurando dar a minha contribuição, como Chiara Lubich nos ensinou, para um mundo unido. No primeiro dia me é um tanto difícil “executar”. Além do mais meu marido não pode vir por motivos de trabalho. E à noite, confesso, fico satisfeita em ir ver a inauguração de uma exposição no Vittoriano, no centro de Roma. Era um remédio para “oxigenar” a mente. Enfrento o segundo dia um pouco desiludida, desta vez somos um casal. Tento fazer um “reset” dos meus pensamentos e entro no jogo, com todas as minhas forças. Descubro que meu marido está fazendo o mesmo esforço. Esta mudança de atitude faz com que acolhamos as várias palestras com outros olhos. É como se, pela primeira vez, recebêssemos chaves de leitura para renovar o “nosso” sim pronunciado tantos anos atrás, e a nossa família, o pequeno tijolo com o qual nós compomos a sociedade neste momento histórico, tudo isso a partir de dentro. Não posso ser uma ótima mãe e uma profissional, e dar a minha pequena contribuição se não a partir do relacionamento com o meu primeiro e único companheiro de vida, da unidade renovada entre nós. Como fica em pé uma casa se os seus alicerces não são profundos, sólidos, fortes, sadios?
No terceiro dia, todos juntos, renovamos solenemente o nosso “sim” para sempre, emoldurados pelo Santuário do Divino Amor. Não um ato formal, mas substancial e livre, com 598 testemunhas. À tarde, enquanto vai se enchendo o auditório para o evento dos 10 anos, por acaso sento-me ao lado de dois participantes. Um casal que está no congresso, como nós. Não os tinha conhecido antes. Breves palavras de apresentação. Escuto que dois anos atrás perderam um filho. Mostram a sua foto: um rapaz lindo, olhos claros, barba castanho. Tinha só 25 anos, na flor da juventude. Os olhos se enchem de lágrimas. Naquela mãe encontro os traços da Mãe, retratada por Michelangelo na célebre Pietà. Eis o que é uma família. Um baluarte, uma rocha. Fundamentos heroicos da sociedade, sem os quais tudo pode desmoronar. Era preciso deter-nos e focalizar o casal. Sim, certamente era preciso». Chiara Favotti
Senhor, dá-me os que estão sós
Senhor, dá-me todos os que estão sós… Senti em meu coração a paixão que invade o teu, por todo o abandono em que o mundo inteiro nada. Amo todo ser doente e só: até as plantas sem viço me causam dó…, até os animais solitários. Quem consola o seu pranto? Quem tem pena de sua morte lenta? E quem estreita ao próprio coração o coração desesperado? Meu Deus, faze que eu seja no mundo o sacramento tangível do teu Amor, do teu ser Amor: que eu seja os braços teus que estreitam a si e consomem no amor toda a solidão do mundo. CHIARA LUBICH –Ideal e Luz, Editoras Brasiliense e Cidade Nova, São Paulo, 2003, págs. 123-124


