Movimento dos Focolares
Iniciado o curso da Cátedra Ecumênica

Iniciado o curso da Cátedra Ecumênica

SophiaApós a solene inauguração da Cátedra Ecumênica Internacional Patriarca Atenágoras I–Chiara Lubich, realizada no dia 14 de dezembro passado no Instituto Universitário Sophia, em Loppiano –com mensagens e votos de felicitações e encorajamento do papa Francisco e do patriarca ecumênico Bartolomeu I –agora inicia o curso com um ciclo de aulas de 5 a 27 de março sobre “Eclesiologia da Igreja Ortodoxa”. São cotitulares Sua Eminência Maximos Vgenopoulos, Metropolita de Selyvria e o professor Piero Coda. A cátedra, um caso único no panorama acadêmico e cultural internacional, foi inaugurada após 50 anos do primeiro encontro do patriarca Atenágoras I e Chiara Lubich. O desejo é fazer uma releitura e atualizar o legado daquele encontro, segundo o que o Patriarca naquela ocasião confidenciou a Chiara: “É muito importante conhecer-se. Vivemos isolados, sem ter irmãos, sem ter irmãs por muitos séculos, vivemos como órfãos! Os primeiros dez séculos do cristianismo foram para os dogmas e para a organização da Igreja. Nos dez séculos seguintes tivemos os cismas, a divisão. A terceira época, esta, é a época do amor”. No discurso de abertura, pronunciado no dia 5 de março passado, Piero Coda, diretor de Sophia, referindo-se à metodologia específica do itinerário de estudo e de vida do Instituto, fundamentada no empenho de viver o amor recíproco segundo o mandamento de Jesus, afirmou: “Queremos nos preparar com competência e deixar-nos maravilhar para sermos servidores e testemunhas de um ecumenismo que brota do amor da Santíssima Trindade, princípio, forma e meta de toda unidade na riqueza e beleza da diversidade. Somente dessa forma podemos receber reciprocamente os dons que uns oferecem aos outros, alcançando os tesouros inestimáveis de graças salvaguardados pelas tradições das nossas Igrejas. Somente assim podemos preencher, com o amor, as distâncias que ainda nos separam. Somente assim podemos nos enriquecer reciprocamente. Somente assim podemos alcançar, com a graça de Deus, a plena e visível unidade”. No cenário da crise dos equilíbrios políticos, sociais e religiosos tanto no Próximo e Médio Oriente quanto nas margens do Mediterrâneo, a instituição desta cátedra assume uma relevância cultural e social no plano internacional, propondo a ativação de laboratórios de estudo e de pesquisa para as novas gerações. Os seus objetivos específicos são estudar o significado cultural, fazer uma releitura das etapas históricas e aprofundar as implicações existenciais e sociais do caminho ecumênico em direção à plena unidade das Igrejas, na partilha das riquezas espirituais e sociais, teológicas e culturais do Oriente e do Ocidente cristãos. Além disso, oferecer um espaço e projetos de formação academicamente qualificados àqueles que querem preparar-se para oferecer a própria contribuição de pensamento, diálogo e vida à promoção da unidade entre a Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica, a serviço do encontro entre os povos e as culturas.

Mulheres que são obras-primas

Mulheres que são obras-primas

María Cecilia PerrínMaría Cecilia Perrín é uma jovem argentina radiante, nascida em Punta Alta (Buenos Aires) em 1957. Após dois anos de noivado, vividos intensamente com o desejo de lançar bases cristãs sólidas na família que nascia, se casa com Luís em 1983. Dois anos depois, enquanto está em andamento uma gravidez, lhe é diagnosticado um câncer. Com o apoio do marido e da família opta por não seguir o conselho de um “aborto terapêutico”. Morre aos 28 anos de idade, após o nascimento da filha. Por sua expressa vontade, os seus despojos repousam na Mariápolis Lia (O’Higgins, Buenos Aires), lugar de alegria e de esperança. A sua reputação de santidade, o heroísmo na aceitação da doença, o exemplo de vida cristã e as muitas graças recebidas por sua intercessão fizeram com que se iniciasse, no dia 30 de novembro de 2005, a causa da sua beatificação. MariaOrsola_bMaria Orsola Bussone, nascida em 1954 em Vallo Torinese, no norte da Itália, é uma menina aberta, generosa, esportiva. Aos 11 anos, participa com a família de um encontro do Movimento paroquial em Rocca di Papa. Escreve a Chiara Lubich: «Quero amar sempre, ser a primeira, sem esperar nada, quero me deixar trabalhar por Deus como Ele quer e quero fazer toda a minha parte, porque essa é a única coisa que vale na vida». No dia 10 de julho de 1970, aos 15 anos, enquanto participa como animadora de um acampamento de verão com a paróquia, morre atingida por uma descarga elétrica, enquanto enxuga os cabelos com um secador. A sua fama de santidade se difunde, muitas pessoas acorrem à sua sepultura para invocar a sua intercessão. Através do diário e das cartas, se conhece a sua espiritualidade profunda. A ela, é intitulado o Centro paroquial para cuja construção tinha contribuído. No dia 17 de dezembro de 2000, se concluiu a fase diocesana da causa de beatificação. No dia 18 de março de 2015, o Papa Francisco autorizou a promulgação do decreto com que foi declarada Venerável. MargaritaBavosiMargarita Bavosi, nascida em 1941, é a terceira filha de uma família rica de Buenos Aires (Argentina). A sua vida é feliz até os dez anos, quando lhe morre improvisamente a mãe. A dor aguda a impele a pedir à Virgem Maria que tome o seu lugar. O encontro com o carisma da unidade é a resposta ao seu desejo de santidade. Doa-se a Deus no focolare. Para todos, se torna “Luminosa”. Passa alguns anos no Brasil, Argentina e Uruguai. Torna-se corresponsável do Movimento dos Focolares na Espanha. Aos 40 anos, percebe um inexplicável declínio físico, mas só após três anos chega um prognóstico preciso. Bem cedo não consegue mais se mover, mas continua a construir relacionamentos, assumindo para si o lema de S. Luís Gonzaga “continuo a jogar”. Na noite de 6 de março de 1985, para o espanto dos presentes, diz: «Eis-me aqui Jesus, sempre procurei, em cada momento, fazer tudo diante de Ti». No dia 22 de novembro de 2008 se encerrou a fase diocesana do processo de canonização. A ela, foram intitulados o centro do Movimento dos Focolares de Madri e a cidadezinha internacional nas proximidades de Nova York. RenataBorloneRenata Borlone nasce no dia 30 de maio de 1930 em Aurélia (Civitavecchia, próximo a Roma). Cresce numa família não praticante, mas unida e, aos 10 anos, assiste à explosão da Segunda guerra mundial. Sedenta de verdade, a procura nos estudos. Inscreve-se na Faculdade de Química, é uma apaixonada pelas ciências. Aos 19 anos, entra em contato com a vida evangélica de algumas das primeiras focolarinas, que tinham acabado de se mudar para Roma e, através delas, lhe se faz evidente uma certeza: Deus é amor! Aos 20 anos, entra em focolare e por 40 anos está a serviço da Obra de Maria, com funções de responsabilidade na Itália e no exterior. A partir de 1967 chega à Escola de formação de Loppiano onde passa 23 anos tendendo constante e intensamente à santidade. Aos 59 anos lhe é anunciada uma grave doença, e os poucos meses que lhe restam são uma subida acentuada a Deus. Embora no sofrimento, transmite alegria e sacralidade e repete até o último instante: “Quero testemunhar que a morte é vida”. No dia 27 de fevereiro de 2011, se encerrou a fase diocesana do processo de beatificação. Chiara Favotti Ver também: Alfredo Zirondoli, “Luminosa ha continuato a giocare. Profilo di Margarita Bavosi”, Città Nuova, Roma. Giulio Marchesi, Alfredo Zirondoli, “Un silenzio che si fa vita. La giornata di Renata Borlone”, Città Nuova, Roma.

Um “sonho” que se renova

Um “sonho” que se renova

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Foto © CSC Audiovisivi

Iniciou com um evento caracterizado pela música, pela poesia, pelas imagens em movimento, pela coreografia, pelo canto, para evidenciar e acompanhar as palavras das testemunhas, o ano dedicado à lembrança da fundadora dos Focolares, nos dez anos da sua morte. Mais de duas mil pessoas provenientes do mundo inteiro (o revelam inclusive os trajes típicos), autoridades religiosas – na primeira fila o cardeal secretário de Estado Pietro Parolin – e personalidades do mundo da cultura, da comunicação e das instituições participaram, sábado, 3 de março, no Centro Mariápolis de Castel Gandolfo, próximo a Roma, daquela que por muitos foi definida não uma comemoração, mas uma festa da vida. A que brotou do carisma da unidade de Chiara Lubich em inúmeros e bem diferentes contextos do mundo, frequentemente em territórios hostis, de guerra, de degradação, dando vida a obras de transformação social de timbre evangélico. Adriana é uma artista brasileira: «Não queria ficar fechada dentro de um atelier. Chiara me disse: escolhe Deus, que te fez artista». Do amor pelos irmãos e da disponibilidade a se envolver num projeto social na favela de Pedreira, ao sul da cidade de São Paulo, para dar um teto a 500 famílias em situação de pobreza extrema, renasce para ela a possibilidade de fazer render o próprio talento de pintora. «Vim aqui – diz Adriana – para prestar homenagem a Chiara». Roberto e Maurício, na Itália, inauguraram uma peixaria no rastro da economia de comunhão, porque «se basearmos a nossa vida no lucro, para que serve? Ninguém se lembrará de nós pelo dinheiro que tínhamos, mas pelo bem que fizemos». Maria trabalha há 15 anos numa escola na difícil periferia de Paris, da qual em geral os professores fogem assim que podem. «Aquelas crianças devem poder ter as mesmas possibilidades de quem frequenta as escolas dos melhores bairros de Paris». Letícia e o seu marido, empresários, recusaram uma importante encomenda e preferiram correr o risco de falir, a não produzir componentes para a indústria da guerra. Ainda mais. Um casal sírio oferece o próprio testemunho através de um vídeo-mensagem: «Não quisemos fugir da guerra para não fechar a nossa escola para crianças surdas. Para onde iriam?». A história de uma menina filipina é confiada à voz e à expressão intensa de uma atriz: acolhida no centro social Bukas Palad (“de mãos abertas” em língua tagalo), em Manila: «Sou grata, porque de pobre me tornei uma pessoa especial, amada. Aqui começou o meu renascimento».
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Jesús Morán. Foto © CSC Audiovisivi

São só alguns dos frutos da “socialidade intrínseca” do carisma de Chiara Lubich, como é definida pelo copresidente dos Focolares, Jesús Morán: «Chiara não foi uma reformadora, o seu sonho mira mais no alto, no fundamento antropológico e teológico de toda reforma social: a fraternidade universal». A opção preferencial pelos últimos – “resgatados do anonimato e feitos protagonistas” – caracteriza, desde os primórdios, a história dos Focolares. É Maria Voce que recorda as premissas de uma experiência que alcançou 182 países no mundo, com frutos tangíveis de fraternidade, como as 25 cidadezinhas, “esboços de mundo unido” presentes em todos os continentes. Ela conta: nos anos da Segunda Guerra Mundial, «as primeiras focolarinas não se poupavam, correndo de um lugar para outro da cidade de Trento, para oferecer a sua ajuda a todos que precisavam. Convidavam os pobres para almoçar na casa delas e, colocando a toalha mais bonita que tinham, se sentavam à mesa com eles: uma focolarina, um pobre, uma focolarina, um pobre; davam de comer, mas como irmãos, não como benfeitores. O Evangelho, que juntas liam à luz de vela nos abrigos antiaéreos, redescoberto e vivido com a intensidade da irrupção desta luz, se revelava fonte da mais profunda transformação social».
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Foto © CSC Audiovisivi

Na grande parede da sala, transformada em tela cinematográfica, escorrem, como parte integrante da narrativa, as imagens em movimento de uma longa história, que partiu de um sonho: “a grande atração do tempo moderno: atingir a mais alta contemplação e manter-se misturado com todos, lado a lado com os homens”. Em todos os países do mundo, onde Chiara Lubich será lembrada, este sonho hoje se renova. Chiara Favotti