26 Fev 2018 | Focolare Worldwide
São 17 os objetivos de desenvolvimento sustentável a serem alcançados até 2030, apresentados na Agenda aprovada pelos 193 Estados membros das Nações Unidas. O segundo, “Fome Zero”, ponto central de um acordo firmado ainda em 2012, durante a Conferência das Nações Unidas no Rio de Janeiro, mira liberar o mundo da fome. Os adolescentes e jovens do Movimento dos Focolares decidiram entrar em ação, junto com a FAO, em resposta a um apelo de colaboração enviado pela agência da ONU, para sensibilizar sobre o assunto esta geração que, é o que se espera, poderá ver a fome do mundo derrotada. Há mais de um decênio a fome no mundo está novamente em aumento. É o que relata o recente Relatório anual das Nações Unidas sobre a segurança alimentar e a nutrição no mundo (2017). Em 2016, cerca de 815 milhões de pessoas (28 milhões a mais do que o ano precedente), o que equivale a 11% da população mundial, não foi suficientemente nutrida. Cerca de 155 milhões de crianças de idade inferior a cinco anos são subdesenvolvidas (pequenas demais para a sua idade), enquanto 52 milhões sofrem de desnutrição crônica, o que significa que o peso delas não é adequado à sua altura.
Contemporaneamente, por falta de alimentos sadios, 600 milhões de pessoas (das quais 41 milhões são crianças) sofrem de obesidade, outra face da má nutrição. O relatório identifica nos conflitos, principal causa das migrações, e nos choques ligados ao clima, alguns dos fatores primordiais para a ascensão da fome e das muitas formas de má nutrição. Liberar o mundo da fome exige opções e medidas urgentes a serem atuadas em todos os níveis da sociedade, do gerenciamento dos recursos naturais à promoção de estilos de vida sustentáveis, do consumo à mudança de rota das políticas internacionais. Mas, antes de tudo, exige uma forte sensibilização e uma mudança nos relacionamentos pessoais. Esta é a mensagem que, desde o fim do ano passado, o Movimento Juvenil pela Unidade e os Jovens por um Mundo Unido, dos Focolares, estão difundindo, com a proposta de algumas ações a serem realizadas em nível planetário. Entre estas: a necessidade de estudar e tomar consciência das raízes e causas do problema; observar e monitorar a situação na própria cidade e envolver nisso o maior número de adolescentes, jovens e associações. E ainda: relatar e conectar entre si, por meio das redes sociais, com fotos e vídeos, as próprias experiências e os compromissos assumidos em favor dos mais pobres, na própria região ou cidade, por um estilo de vida mais sóbrio, pelo diálogo e pela paz, a ecologia, a acolhida dos migrantes, com uma atenção especial à realidade local e uma sensibilidade ao global. E, enfim, a proposta de celebrar, com várias iniciativas, o dia mundial dedicado ao tema pela ONU (16 de outubro).
#ZeroHunger agora é também um editorial fixo de Teens, a revista para adolescentes publicada pela editora italiana Città Nuova (em colaboração com AFN onlus, AMU onlus, New Humanity), que no próximo número (março-abril 2018) será inteiramente dedicada ao assunto. «Que emoção para a nossa delegação – escrevem os adolescentes da redação – entrar na sede da FAO em Roma. Vamos começar imediatamente, para que a nossa seja realmente a primeira #GeraçãoFomeZero. Teens irá acompanhar esta apaixonante ação mundial». O calendário das atividades prevê, no mês de abril, a publicação nas redes sociais da Carta de Compromisso do Movimento Juvenil pela Unidade, redigida por adolescentes de 11 países, sobre as modalidades para agir concretamente nos diferentes contextos a fim de erradicar a fome. Em maio, as tradicionais manifestações da Semana Mundo Unido e o “Run4Unity” este ano serão inteiramente dedicados a este tema. Em junho, um grupo de 600 crianças e adolescentes (9-12 anos), participantes de um congresso internacional do Movimento dos Focolares, será recebido na sede da FAO, em Roma, durante uma manhã, para uma programação de intercâmbio sobre estes objetivos. E enfim, no mês de julho, durante o programa “Projeto Mundo Unido”, do Genfest 2018, será realizado um Fórum sobre o tema #GeraçãoFomeZero, com a participação de um representante da FAO. Chiara Favotti
25 Fev 2018 | Sem categoria
Com vista para o Mediterrâneo, ao sudeste do estreito de Gibraltar – ponte entre dois continentes e o ‘ex-fim do mundo’ – ergue-se a cidade de Ceuta, que junto à próxima cidade de Melilla, representa um resíduo colonial espanhol nas terras africanas. Devido à sua posição estratégica em um litoral privilegiado, as duas cidades foram, há décadas, identificadas pelos migrantes como possíveis portões de acesso à Europa, apesar da parede divisória. Todos os dias homens, mulheres e crianças dos mais diversos países africanos, que fogem de guerras, pobreza e perseguição de todos os tipos, atravessam estados inteiros para tentar atravessar o limiar barrado ao lado da cidade, como alternativa à jornada ainda mais perigosa pelo mar. Precisamente nesta faixa de terra, que desde 1851 faz parte da Diocese de Cádiz, estamo-nos preparando para as grandes celebrações dos 600 anos da chegada daquela que desde então é chamada a “Virgem da África”, um bloco de madeira único que representa a Virgem Maria, com o Cristo morto em seus braços. Desde 1949, a pedido do Papa Pio XII, a Virgem Maria é a padroeira da cidade.
24 Fev 2018 | Sem categoria

“Madonna della bella-accoglienza” © Centro Ave Ceramica
«No ano dedicado a Maria, deveríamos encontrar o melhor modo de honrar a Mãe de Deus. Porém, existem várias maneiras de honrá-la. Podemos honrar Nossa Senhora falando com Ela, louvando-a, rezando, visitando-a nas igrejas dedicadas a Ela, fazendo pinturas ou esculturas que a representam, elevando-lhe cânticos, adornando com flores suas imagens. Existem muitas maneiras de honrar Maria. Mas existe uma que supera todas: é a de imitá-la, de se comportar como outra Maria na terra. Creio que seja este o modo que mais lhe agrada, porque dá a Ela a possibilidade de retornar de alguma forma à terra. Nós, sem excluir todas as outras possibilidades que temos para honrar Maria, devemos privilegiar esta: imitá-la. Mas como imitá-la? Que aspectos dela devemos imitar? Imitá-la naquilo que é essencial. Ela é Mãe, mãe de Jesus e, espiritualmente, nossa mãe. Jesus nos deu Maria como mãe quando estava na cruz, na pessoa de João. Devemos ser outra Maria, como mãe. Em prática, devemos formular este propósito: durante o Ano Mariano vou me comportar, para com os próximos que eu encontrar ou para os quais vou trabalhar, como se eu fosse sua mãe. Se fizermos assim, constataremos em nós uma conversão, uma revolução. Não somente porque nos encontraremos às vezes sendo como mãe talvez da nossa mãe ou do nosso pai, mas porque assumiremos uma atitude determinada, específica. Uma mãe acolhe sempre, ajuda sempre, espera sempre, cobre tudo. Uma mãe perdoa o filho em tudo, ainda que seja um delinquente, um terrorista. Com efeito, o amor de uma mãe é muito semelhante à caridade de Cristo, de que fala Paulo. Se tivermos o coração de mãe, ou mais precisamente, se nos propusermos ter o coração da Mãe por excelência, Maria, estaremos sempre prontos a amar os outros em todas as circunstâncias e, assim, a manter vivo o Ressuscitado em nós. Mas também faremos tudo aquilo que nos é solicitado para manter o Ressuscitado entre nós. Se tivermos o coração desta Mãe, amaremos a todos e não somente os membros da nossa Igreja, mas também os das outras; não somente os cristãos, mas também os muçulmanos, os budistas, os hinduístas, etc. Também os homens de boa vontade. Amaremos também todos os homens que vivem na terra. Pois a maternidade de Maria é universal (cf. LG 79), assim como foi universal a Redenção. Mesmo se, às vezes, o amor de Maria não é correspondido, Ela ama sempre, ama a todos. É este, então, o nosso propósito: viver como Maria, como se fôssemos mãe de todos os seres humanos». De CHIARA LUBICH – Buscar as coisas do alto – Cidade Nova 1993 pág. 36-37-38
23 Fev 2018 | Sem categoria
Domingo, 25 de fevereiro, no Auditório do Centro Internacional de Loppiano (Florença, Itália), com a presença de representantes do mundo científico e autoridades civis, o “Prêmio Renata Borlone” será entregue ao professor Suleiman Baraka, originário de Gaza, astrônomo de fama internacional. Já na sua quarta edição, o Prêmio, instituído pela homônima Associação cultural, em colaboração com o Instituto Universitário Sophia, nasceu para honrar a memória de Renata Borlone (1930-1990), que por mais de vinte anos foi corresponsável pela Mariápolis de Loppiano, e hoje é Serva de Deus. Rica de valores humanos e espirituais, Renata nutria um amor particular pela ciência, compreendida como instrumento privilegiado para a construção da unidade da família humana. O Comitê científico do Prêmio conferiu este reconhecimento ao Prof. Baraka pela “sua busca científica atenta aos valores humanos e à paz”. «Este prêmio em honra a Renata Borlone, que muito operou em favor da sociedade – disse o premiado – para mim constitui mais um impulso e um encorajamento a colocar a ciência e sua beleza ao serviço da humanidade, da paz entre os povos, e permitir que as jovens gerações abram-se à esperança não obstante as dificuldades e os obstáculos em que se podem encontrar».
23 Fev 2018 | Sem categoria

Chiara Favotti
Aquele de 1990 foi, para todos, o “Genfest do muro”. Ou melhor, da queda do muro. Apenas poucos meses antes, um fato de alcance histórico tinha começado a mudar a face da Europa e do mundo. Durante uma inesquecível noite, após semanas de desordem pública e as primeiras espirais de abertura entre a Alemanha Oriental e a Ocidental, muitos cidadãos de Berlim Oriental tinham escalado o muro que fazia 28 anos os dividia do Ocidente e tinham começado a abrir brechas com golpes de picareta. Aquele muro era só um trecho de uma linha divisora de águas entre Leste e Oeste, longa 6.500 quilômetros, que desde o final da Segunda Guerra Mundial quebrava em dois o continente, da Finlândia, no Báltico, até Trieste, no Adriático. Muro não só material, feito de torres de guarda, barreiras de arame farpado, cães policiais, radares infravermelhos, mas também mental, econômico e cultural. Nasci em Trieste, cidade italiana do Nordeste, onde tudo fala de “com-fim”, de convivência com o limite. Apenas chegar lá, já significa fazer a experiência do limite nítido entre terra e mar, com o espetáculo maravilhoso da costa rochosa que mergulha abruptamente. A beleza desta cidade se revela de repente, por detrás de uma curva. Do limite “físico” ao “político”, no planalto que a circunda, distam poucos quilômetros. A cinco minutos de carro da minha casa, a fronteira de Estado com a Eslovênia, hoje sempre aberto, até 2007, data da entrada da Eslovênia na área Schengen, era uma barreira defendida pelos militares dentro de uma guarita. Na vizinha cidade de Gorícia, um muro semelhante ao de Berlim, mas menor, de concreto, dividia a cidade em dois. Cresci com esta ideia de “separação”: italianos de um lado, eslovenos e croatas (minoria também em Trieste) do outro. Lembro-me de ilhas culturais, escolas e teatros rigorosamente italianos ou eslovenos, como arquipélagos que raramente entravam em comunicação. Lembro-me da língua incompreensível de outros estudantes no ônibus, indo à escola. Lembro-me dos ônibus com placa da Eslovênia ou Croácia que entravam na cidade e se dirigiam seguros para as lojas contíguas à Estação para fazer estoque de todos os produtos que não chegavam “do lado de lá”, as mulheres que vestiam múltiplas camadas de vestidos e calças, até parecerem enormes, para levarem mais mercadoria possível. Lembro-me do impulso deles de comprar de tudo, e a má educação com que eram tratados, com um apelido irrepetível. Nós italianos atravessávamos a fronteira de Estado mostrando um “salvo-conduto” reservado aos fronteiriços, para comprar gasolina e carne a preços melhores. No carro, ficávamos calados, um pouco amedrontados. A ordem do papai era que “não disséssemos nada”, porque tudo o que se declarava ao militar que verificava os documentos podia ser mal entendido. Assim que se superava o momento de suspense, entrando na Eslovênia, voltava a alegria habitual. Durante a adolescência, o convívio com os gen e jovens por um mundo unido e as muitas experiências que vivemos juntos, me escancararam o coração bem além dos muros que eu conhecia, pensando e sonhando “grande” num mundo unido de verdade. Não era uma utopia, mas uma mentalidade nova, uma direção para onde se mover com pequenos passos, mas de fraternidade autêntica.
Com eles, participei do Genfest 1990. Inesquecível. Pela primeira vez, numa explosão de alegria, jovens do leste e do oeste nos olhávamos nos olhos, nos apertávamos as mãos, enquanto uma transmissão ao vivo, via satélite, trazia milhões de telespectadores para dentro da bacia do Palaeur. A todos foi dirigido um mandato: restituir o amor ao mundo. «Não é suficiente a amizade ou a benevolência – nos disse Chiara Lubich –, não bastam a filantropia, a solidariedade ou a não-violência. É preciso se transformar de homens concentrados nos próprios interesses em pequenos heróis quotidianos a serviço dos irmãos». No ano seguinte, parti para Moscou. A cortina de ferro que separava Leste e Oeste tinha caído, mas a um preço caro, triturando ideais e pulverizando um sistema social. Não havia nem vencidos nem vencedores, apenas desilusão, sofrimento e pobreza disseminada. Ficou claro para mim: não bastava abater um muro para criar uma sociedade livre e justa. E as palavras ouvidas no Genfest “somente na concórdia e no perdão se pode construir um futuro” são desde então, para mim, a única estrada possível. Chiara Favotti