Movimento dos Focolares
Nostra Aetate

Nostra Aetate

Passaram-se 53 anos de quando, no dia 28 de outubro de 1965, Papa Paulo VI, recentemente declarado santo, assinou a histórica “Declaração sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs”, conhecida como Nostra Aetate (no nosso tempo). Na Declaração afirma-se que «A Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia, refletem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens». Salienta, no entanto, que a Igreja «tem mesmo obrigação de anunciar incessantemente o Cristo, “caminho, verdade e vida” (Jo. 14,6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo todas as coisas». A Declaração encoraja os cristãos «a fim de que, com prudência e caridade, pelo diálogo e colaboração com os sequazes das outras religiões, dando testemunho da vida e fé cristãs, reconheçam, conservem e promovam os bens espirituais e morais e os valores socioculturais que entre eles se encontram». Leia o texto integral

A oração pela fraternidade

A oração pela fraternidade

Foto de arquivo: Pasquale Foresi com os jovens do Movimento dos Focolares

As páginas evangélicas de referência são as do capítulo 17 do Evangelho de João, páginas muito densas, marcadas por expressões muito significativas, cuja leitura leva Chiara Lubich a compreender que esta é a sua missão, que partilha imediatamente com as suas primeiras companheiras “de aventura”. Apresentamos um trecho do comentário do Padre Foresi, de 1979. «Para que todos sejam uma coisa só. Como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, sejam também eles uma coisa só em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste». «Para que todos sejam uma coisa só». É uma frase ligada ao versículo anterior, onde Jesus reza também por aqueles que pela palavra dos apóstolos teriam acreditado nele. Portanto, é a Palavra que faz a unidade. Unidade das mentes ao redor da potência unificante da Palavra que é Cristo. Esta Palavra passará ao longo dos séculos, através das culturas mais variadas, poderá abrir-se a muitas interpretações, mas permanecerá sempre una e fará um aqueles que a receberem. Uma outra característica desta unidade é que enquanto, por exemplo, nas escolas filosóficas para permanecer unidos basta não se afastar das intuições fundamentais do Mestre, a unidade cristã é vital. É unidade das mentes e dos corações, é família. «Todos». Indica a mais absoluta e ampla universalidade sem exceções […]. No versículo, “todos” está ligado a «uma coisa só». São duas notas características da Igreja: a catolicidade e a unidade. Paulo reafirma esta vocação cristã à unidade quando escreve aos Efésios: «Um só corpo, um só espírito, como uma só é a esperança à qual fostes chamados, aquela da vossa vocação; um só Senhor, uma única fé, um único batismo. Um só Deus, Pai de todos, que está acima de todos, age por meio de todos e está presente em todos» (Ef 4, 4-6). Pasquale ForesiLuce che si incarna. Commento ai 12 punti della spiritualità dell’unità, Città Nuova editora, 2014 p. 131

Pessoas no centro da ação

Pessoas no centro da ação

«Durante os meses de verão participei do programa de estágio empresarial da rede de empresas que aderem à Economia de Comunhão dos Estados Unidos. Assim, como complemento do biênio em Economia e Gestão que estou realizando no Instituto Universitário Sophia, na cidadezinha internacional de Loppiano, na Itália, me encontrei nos meses de julho e agosto no Indiana. Eu achava que seria somente uma experiência de pesquisa científica. Ao invés, me encontrei imersa não só numa série de atividades, mas também numa fascinante aventura pessoal. Um pró-memória para as próximas vezes: quanto é necessário desarmar as nossas expectativas para acolher em profundidade cada experiência! O programa de estágio para jovens se realizava na Mundell & Associates Inc, com sede em Indianápolis. Neste ano, porém, havia algo mais: os estagiários podiam passar o tempo e partilhar as suas competências profissionais também dentro de Project Lia, uma outra empresa de EdC que se desenvolve ao longo de duas vertentes: impacto social e impacto ambiental. Foi um verdadeiro extra bônus poder me aproximar também deste setor de negócios. E não deixei escapar as oportunidades que tive! Gostaria de compartilhar alguns pensamentos. Antes de tudo, acho que um dos aspectos mais importantes para estudar, observar, praticar e promover a EdC seja a vontade de colaborar. Para entrar nas dinâmicas relacionais desta proposta, é necessário abrir o coração, a mente e os olhos para aqueles pequenos detalhes que tornam cada dia algo extraordinário: o encorajamento recíproco e a acolhida sorridente, o reconhecimento do valor e da humanidade do outro, o encontro com pessoas jamais conhecidas, a capacidade de se encantar, a busca de equilíbrio entre os diversos aspectos da vida, a escolha de privilegiar cada ocasião de aprendizagem, assumir novas informações, reconhecer e apoiar a mudança em andamento, participar da transformação de conceitos obsoletos. Edc é uma proposta econômica diferente das outras, porque administrada por pessoas diferentes. Não é o modelo em si, são as pessoas que constituem o centro da ação. Enquanto eu me preparava para ir embora, na conclusão, eu me perguntava: como descreverei esta experiência? O estágio foi muito exigente: o encontro com Project Lia, experiência empresarial inovadora, me proporcionou muito. Entre outras coisas, trabalhando em estreita relação com Elizabeth Wallin, que foi a iniciadora do projeto, me vi no futuro enfrentando e superando desafios e momentos difíceis. Aprecio muito o tempo que tive para conhecer a sua história: me permitiu compreender os negócios, mas também entrar em contato com a essência de uma empresa que tem uma finalidade social. Constatei que dar início a uma startup é um processo muito enriquecedor. Não é um segredo que fazer empresa seja uma contínua descoberta de novas coisas, uma batalha. Observando Elizabeth, dia após dia, admirei a sua capacidade de navegar num mar de mudanças. Dar partida a uma empresa é uma atividade que nasce da inteligência, mas também do coração. Para projetar uma sociedade EdC, é preciso saber sair da própria zona de conforto para ir ao encontro dos outros, assim como são. Servem paciência, humildade, flexibilidade. Quando se abrir esta estrada também para mim, me aproximarei mais daquela que eu sou de verdade». Fonte: sophiauniversity.org Ler também: Project Lia, transformar vidas

Guiados por uma visão profética

Guiados por uma visão profética

De 2 a 4 de novembro se realizará em Castel Gandolfo (Roma, Itália) o evento internacional Prophetic Economy, organizado por diversos movimentos e instituições internacionais com o objetivo de criar novos caminhos de colaboração entre change-makers (pessoas físicas, organizações privadas e públicas) do mundo inteiro. Trata-se de “agentes de mudança” que, adotando soluções sustentáveis em nível ambiental e social, trabalham e se empenham em novas e criativas formas de “economia profética” a serviço das pessoas, especialmente as mais necessitadas, do meio ambiente e do futuro. “O nosso mundo – afirmam – enfrenta uma crise ecológica e social. As mudanças climáticas e o aumento da desigualdade são alimentados por estruturas econômicas injustas, políticas a curto prazo e práticas de ajuda obsoletas. Muitas pessoas em todo o mundo acreditam apaixonadamente no desenvolvimento humano e na sustentabilidade, trabalham incansavelmente para mudar as regras e pedir justiça. É tempo de se colocar juntos e ser mais do que a soma das nossas partes”. O evento foi precedido por um concurso, Prophetic practices award 2018, do qual participaram 135 change-makers e organizações de 35 países. As experiências dos finalistas, escolhidas por um júri internacional de especialistas (Vandana Shiva, Jeff Sachs, Cristina Calvo e Stefano Zamagni), serão apresentadas ao vivo durante o evento. Lea: www.propheticeconomy.org

Uma soma de belezas

Uma soma de belezas

No coração da Europa, a Suíça, com os seus 7,8 milhões de habitantes num território de 41 mil km2, é um pequeno país com grande variedade linguística, cultural e religiosa, frequentemente apontado como um modelo de integração que deu certo. A espiritualidade da unidade, particularmente congenial a um tecido social já orientado aos relacionamentos e à acolhida recíproca, aqui se difundiu rapidamente desde o início dos anos 1960, e se afirmou com profundas raízes. Muitas das intuições sobre os desenvolvimentos sucessivos da espiritualidade dos Focolares estão ligadas às estadias de verão de Chiara Lubich nos vales da Suíça. Desde 1975 está ativo, em Baar, no Cantão de Zug, um Centro de Formação, aberto a todos, que se tornou, com o passar do tempo, o coração da cidadezinha dos focolares “Eckstein” (pedra angular), onde operam algumas pequenas empresas. O Centro favorece os momentos de contato e encontro, não só entre os cristãos católicos e reformados. No final de setembro, na cidadezinha suíça, inicialmente na Sala da Prefeitura, depois nos locais do Centro, para um grupo mais restrito de superiores e responsáveis, se realizou (com uma contribuição “nos bastidores” dos membros do focolare) um encontro para cerca de 400 religiosos e religiosas pertencentes a oitenta comunidades, entre as quais uma dezena da Igreja da Reforma e uma comunidade ortodoxa, e representantes de institutos seculares, movimentos, comunidades e famílias eclesiais. «Hoje precisamos nos ajudar a estar um ao lado do outro, a não olhar as nossas barreiras ou as nossas diversidades, que devem permanecer. Mas devemos fazer de modo que todas as nossas diversidades resplandeçam numa única grande experiência, no seguimento de Cristo e dos nossos fundadores», afirmou o card. João Braz de Aviz, presente no encontro. Numa entrevista, o Prefeito da Congregação para a Vida Consagrada explicou: «Todas as várias estruturas que formam a Igreja, religiosos, eremitas, monges, monjas, frades, freiras, institutos seculares, todos estão buscando um caminho em comum. Na cultura atual tudo se aproximou». «Neste momento – explica – precisamos de um caminho a ser percorrido juntos, e também nós das ordens, das congregações, da vida consagrada precisamos de um instrumento, de um tipo de vida que nos aproxime de todos os modos. Não é o caminho feito antes, o de uma espiritualidade individual, que se conserva. Deve-se passar para uma capacidade de olhar juntos, de olhar o outro com a atenção com que olhamos a nós mesmos. Nós estamos aprendendo tudo isso, começando por nós, cardeais». E concluiu: «Eu gostaria que nós todos pudéssemos, neste momento, somar as nossas belezas e formar esta grande unidade, recordando o que diz o Papa Francisco: “A unidade não se constrói destruindo, mas harmonizando a diversidade”. É um caminho que às vezes gera um pouco de esforço, porque devemos aprender a sair na direção dos outros, “o primeiro movimento que devemos fazer para ir na direção do outro”, como diz o Papa. Se não saímos de nós mesmos, permanecemos no centro. Isto está nascendo aqui na Suíça, com simplicidade, como se estivéssemos todos na escola de Maria».