Movimento dos Focolares

Lançados no infinito

  Os santos são portentos que, vista no Senhor a grandeza deles, por Deus jogam, quais filhos seus, tudo de seu. Dão sem pedir em troca. Dão a vida, a alma, a alegria, todo liame terreno, toda riqueza. Livres e sós, lançados no infinito, anseiam que o Amor os introduza nos Reinos eternos. Mas já nesta vida sentem encher-se-lhes o coração de amor, do verdadeiro amor, do único amor, que sacia, que consola, daquele amor que fere as pálpebras da alma e doa lágrimas novas. Ah! Homem algum sabe o que é um santo. Deu e ora recebe; e um fluxo incessante passa entre Céu e terra, liga a terra ao Céu, e verte dos abismos enlevo raro, linfa celeste, que não pára no santo, mas passa sobre os cansados, sobre os mortais, sobre os cegos e paralíticos na alma, e irrompe, e orvalha, e soleva, e seduz, e salva. Se queres saber do amor, indaga ao santo


Chiara Lubich, Ideal e Luz, Cidade Nova 2010

Uma empresa “family friendly”

Uma empresa “family friendly”

Chama-se “Tempos Sem Tensões, TST” o programa de conciliação entre trabalho e família que rendeu à Cooperativa social aderente à EdC “Il Sentiero di Arianna” (nas proximidades de Gênova, no norte da Itália), o primeiro prêmio da 4ª Edição de Empresas Family Friendly atribuído pelo Fórum das associações familiares do Lácio. A cooperativa, que faz parte da rede do Consórcio Tassano Serviços Territoriais opera principalmente na área da assistência domiciliar, da educação, dos serviços escolares e da orientação profissional. O programa TST prevê uma série de serviços específicos para os empregados (Caixa Conciliação, Caixa Família, Serviço de aconselhamento, Teletrabalho, Trabalho remoto, Banco de melhoria das horas, Ações informativas para a gestão, Figura Curinga além de Percursos voltados a favorecer a reinserção após um período de ausência do trabalho por exigências de conciliação) que se revelaram de grande eficácia em criar um clima empresarial positivo, baseado em relações autênticas de colaboração e cooperação. Nascida em 1996 por iniciativa de nove jovens mulheres que por um ano puseram em comum os recursos ganhos reinvestindo-os em formação e desenvolvimento, hoje Il Sentiero di Arianna conta com mais de 130 sócios, 85 por cento mulheres. A coesão do grupo inicial e o encontro com alguns pioneiros da cooperação local, inspirados nos valores do projeto de economia de comunhão, lançado por Chiara Lubich em 1991, constituíram os fundamentos sobre os quais a empresa se desenvolveu. A Cooperativa Il Sentiero di Arianna se fez promotora, desde a sua constituição, de políticas empresariais family friendly que influenciaram positivamente as outras realidades empresariais ligadas a ela. Uma organização onde a notícia de uma gravidez é sempre uma bela notícia, onde se pode viver serenamente a maternidade e o retorno ao trabalho. Mas também uma empresa onde as mulheres que não são mães são geradoras de inovação, porque sabem engatilhar processos positivos de melhoramento organizativo para uma harmonização entre tempos de trabalho e de cuidado dos próprios entes queridos. Porque as necessidades das pessoas e das famílias são muitas. «Se formos à origem da palavra “economia” ali está precisamente a palavra “casa”. Para nós, na empresa, não podemos nos sentir pessoas separadas. Não podemos ser trabalhadores e depois, quando vamos para casa, ser pai ou mãe. A pessoa é única e como tal deve poder viver também a experiência de trabalho» comentou a presidente, Simona Rizzi, recebendo o prêmio no dia 9 de outubro passado, na Câmara dos Deputados, em Roma. A motivação do Prêmio declara, entre outras coisas: “Uma realidade dotada de uma visão particularmente atenta à pessoa que, partindo das necessidades dos seus empregados, instituiu uma flexibilidade organizativa articulada e inovadora organizando um suporte concreto seja internamente seja no território e entrelaçando redes de relações sociais e econômicas para encontrar soluções apropriadas no suporte às exigências de harmonização da vida de trabalho e familiar”. «Este resultado é fruto de um longo percurso feito pela cooperativa, desde as suas origens até hoje. Um percurso articulado que se desenvolveu através de muitas experiências significativas nestes anos – acrescentou Simona Rizzi –. Quem venceu o prêmio são as mulheres, a sua capacidade de fazer empresa na medida da pessoa e de fazer economia na medida da comunidade». «As empresas que adotam boas práxis de conciliação revelam um aumento da produtividade e não só. As mulheres que ali trabalham, ocupam antes de outros, posições administrativas e organizativas de alto relevo» foi o comentário do Ministro para as Políticas da família e para a invalidez, que discursou na premiação. Fonte: www.edc-online.org

Encerra-se o Sínodo dos jovens

Encerra-se o Sínodo dos jovens

“Muitas vezes é precisamente ao mais jovem que o Senhor revela a melhor solução”. São palavras de São Bento, contidas na “Regra”. As mesmas palavras foram repetidas pelo Papa Francisco, por ocasião do anúncio da XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, de 3 a 28 de outubro), que se concluiu recentemente. Precedida pela elaboração de um Documento preparatório (janeiro de 2017) e de um Questionário em várias línguas e pela Reunião presinodal (março de 2018) com a participação de cerca de trezentos jovens e milhares pelas redes sociais, o Sínodo foi a etapa final de um caminho longo e articulado. Um caminho de escuta recíproca, atenção, diálogo aberto e franco “com” e “sobre” as novas gerações. Um dado: apenas do Uganda chegaram 16 mil respostas aos quesitos. Em linha com as Assembleias precedentes, o Sínodo teve um fio condutor: a renovação da Igreja e da sociedade a partir da sua base: “a família e os jovens que garantem as gerações futuras”, explicou o cardeal Lorenzo Baldisseri, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos, durante a entrevista coletiva de abertura. «A juventude não dura a vida inteira – afirmou o Monsenhor Rino Fisichella, presidente do Conselho Pontifício pela promoção da nova evangelização. A juventude anagráfica a um certo ponto termina. Porém, aquilo que permanece é tê-la vivido intensamente. O mais importante é dar um sentido à grande dádiva da vida que foi colocada nas nossas mãos». A Assembleia concluiu-se, no último domingo, com uma celebração solene e a publicação de um Documento final. Estiveram presentes mais de 250 Padres sinodais, dois dos quais eram provenientes, pela primeira vez, da China continental. Cerca de quarenta jovens com menos de 30 anos participaram como ouvintes. Uma presença significativa, exuberante e sempre ativa nos canais digitais com a postagem de fotos e selfies com o Papa ou com os Padres, encontrados de modo informal ao longo dos corredores, durante os intervalos ou nos lugares oficiais, como os círculos menores. Uma juventude sempre disponível para a troca de ideias e para dar a própria contribuição, feita de críticas construtivas e de propostas concretas. Sem medo dos elevados títulos ou dos cabelos brancos, acolhendo o convite do Papa a «segurar-se ao barco da Igreja que, mesmo nas tempestades impiedosas do mundo, continua a oferecer a todos refúgio e hospitalidade». Vale a pena, o Papa Francisco disse, «colocar-nos à escuta uns dos outros». «Um Sínodo com um significado muito particular – afirmou o Cardeal Reinhard Marx, Arcebispo de München und Freising (Alemanha), presidente da Conferência Episcopal alemã, numa das muitas declarações aos jornalistas – um espaço de aprendizagem em relação à juventude», em que os padres sinodais quiseram penetrar todas as facetas, graças à contribuição dos interessados diretos. Relacionamento entre o mundo virtual e real, migração, papel da escola e da universidade, vida nas paróquias e formação dos catequistas, relacionamentos e amizades são apenas alguns dos temas tratados. «Falou-se também da pastoral digital, de como a Igreja possa colocar-se no mundo dos social», disse Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação. «Temos os mesmo problemas –salientou D. Andrew Nkea Fuanya, Bispo de Mamfe na República dos Camarões – mas os enfrentamos de pontos de vista diferentes. As Igrejas nos Camarões estão sempre lotadas, mas os jovens não estão satisfeitos por causa dos muitos problemas que atingem a África. Como ajudá-los? Estamos todos em busca da mesma solução». «Um Sínodo sobre os jovens com os jovens – afirmou ao microfone de Vatican News Monsenhor Tadeusz Kondrusiewicz, arcebispo de Minsk-Mohilev e presidente da Conferência Episcopal da Bielorússia – que o torna particularmente dinâmico, porque os jovens estão sempre em caminho». «Vivo a surpresa da proximidade nos temas que se enfrentam, nos desafios da Igreja de hoje mesmo da diversidade das situações», afirmou o Pastor Marco Fornerone, da Igreja Evangélica de Roma, presente na qualidade de delegado fraterno (oito no total). Durante a Assembleia, no dia 6 de outubro, na Aula Paulo VI, realizou-se um encontro particular entre os jovens, o Papa e os Padres sinodais, intitulado “Nós para. Únicos, solidários, criativos”. O fio condutor foi marcado por três temas: a busca da própria identidade, os relacionamentos e a vida como serviço e doação. Foram apresentados muitos testemunhos de vida, sobre o estudo, o trabalho e a dificuldade de realizar escolhas para o futuro, intercalados por momentos musicais e artísticos. Ao término do Sínodo, um último presente do Papa aos jovens ouvintes, o volume “Docat” (Edição São Paulo), com um compêndio da doutrina social da Igreja, desde a “Rerum Novarum”, de Leão XIII (1891), até os últimos textos do Papa Francisco. É um manual, estruturado em perguntas e respostas, sobre o papel do homem na Igreja e na sociedade, que certamente será um guia para o caminho que agora se abre. Chiara Favotti

Assumir como própria a cultura do outro

Assumir como própria a cultura do outro

Sou médica, clínica geral, e pertenço à Igreja Russo-ortodoxa. Como pessoa e como crente fui formada pelo meu pároco e pela espiritualidade de Chiara Lubich. Era ainda muito jovem quando, em contato com as focolarinas de Moscou, percebi o chamado a seguir Deus de modo radical, e há sete anos moro no Focolare de Belgrado (Sérvia). Na Sérvia existe uma tradição especial, única: a festa da Slava, que as famílias celebram no dia do santo protetor daquela família; para o povo sérvio, a Slava é antiga quanto o próprio cristianismo. Nenhuma nação cristã possui este tipo de celebração, exceto os ortodoxos sérvios. Para uma família sérvia, em termos de importância, a Slava vem logo depois da Páscoa e do Natal. Os missionários cristãos ortodoxos, que converteram os sérvios à santa fé ortodoxa, cristianizaram também os seus costumes, tornando-se cristãos ortodoxos, os sérvios aceitavam o santo ou os santos do dia no qual eram batizados. No que diz respeito à cultura sérvia, a Slava é um elemento único e ininterrupto que atravessa toda a história do povo sérvio ortodoxo. E sendo que os sérvios se encontram numa região geográfica entre o Oriente e o Ocidente, entre culturas diferentes, a Slava tornou-se uma festa que se identifica com o próprio nome e a própria existência. Inclusive organizações culturais e sociais, cidades e até unidades militares a observam. Junto com os parentes, reúnem-se naquele dia amigos e conhecidos, a casa está aberta para todos os que chegam. O nosso Focolare é composto por focolarinas católicas, de diferentes nações, e por mim. Há muito tempo sentíamos o desejo de assumir essa linda tradição do povo sérvio e vivê-la junto com nossos irmãos e irmãs. Na escolha do santo protetor, no espírito ecumênico dos Focolares, fomos ajudadas por nosso amigo monge, o padre Djordje, que nos propôs festejar as santas mulheres “mironisice” (as “mulheres que foram ao sepulcro com os perfumes”), às quais a Igreja Ortodoxa dedica uma semana inteira, a partir do segundo domingo depois da Páscoa. E assim, fazem quatro anos que começamos a celebrar a Slava do Focolare. Muitos nossos amigos ortodoxos ficaram entusiasmados com a nossa decisão e nos ajudam a preparar o necessário para a festa. Cada ano, para o domingo das santas mulheres no sepulcro, recebemos no Focolare os nossos amigos de várias Igrejas, entre os quais os nossos vizinhos, algum colega de trabalho, operários ou médicos. O momento principal – o ritual do corte do pão da Slava – é celebrado pelo nosso amigo, padre Djordje, diante do ícone das mulheres no sepulcro. Inicia-se com uma oração de recolhimento, acompanhada por cantos, e depois, emocionados, todos de mãos dadas, rezamos segundo a tradição da festa da Slava. Ao dar a benção, na primeira vez, padre Djordje indicou-nos as santas mulheres como modelos e protetoras do Focolare, encorajando-nos, com o exemplo das mulheres que seguiram Jesus, a ser “como o sal que transforma a sociedade e todos os que nos rodeiam”. Após o rito vem a ágape, com especialidades culinárias, numa atmosfera de festa e comunhão, como em uma família. Uma nossa conhecida disse-nos que vê neste passo “uma verdadeira enculturação, que valoriza e assume como própria a cultura do outro: um cristianismo verdadeiro”. Fonte: NU, Nuova Umanità, n. 231, p. 75.