Movimento dos Focolares

Cuidado com a criação

Celebra-se todos os anos, no dia 1º de setembro, o Dia Mundial para a Custódia da Criação, este ano na sua 13ª edição. Trata-se de uma iniciativa da Igreja Ortodoxa à qual aderiram outras igrejas cristãs, comprometidas em descobrir num horizonte ecumênico o empenho pelo respeito e o cuidado com a criação. Desde 2015, também a Igreja Católica se uniu ao apelo, dirigido a todos os homens, de responsabilidade para com a criação e a salvaguarda da vida de todos os povos da terra. Em 2017, para firmar este empenho comum, o Papa Francisco e o Patriarca ecumênico Bartolomeu I, de Constantinopla, assinaram juntos um documento no qual se lê, entre outras coisas: «O ambiente humano e o ambiente natural estão a deteriorar-se conjuntamente, e esta deterioração do planeta pesa sobre as pessoas mais vulneráveis. O impacto das mudanças climáticas repercute-se, antes de mais nada, sobre aqueles que vivem pobremente em cada ângulo do globo. O dever que temos de usar responsavelmente dos bens da terra implica o reconhecimento e o respeito por cada pessoa e por todas as criaturas vivas. O apelo e o desafio urgentes a cuidar da criação constituem um convite a toda a humanidade para trabalhar por um desenvolvimento sustentável e integral. […] Estamos convencidos de que não poderá haver uma solução genuína e duradoura para o desafio da crise ecológica e das mudanças climáticas, sem uma resposta concertada e coletiva, sem uma responsabilidade compartilhada e capaz de prestar contas do seu agir, sem dar prioridade à solidariedade e ao serviço».

Emergência Kerala

Uma grande massa de desabrigados, na espera de conseguir retornar às próprias habitações, ainda submersas pelas devastadoras inundações que atingiram Kerala, neste momento encontra-se reunida em 3800 campos de acolhimento. As operações de socorro e assistência prosseguem em meio a enormes dificuldades, devido à impossibilidade de acesso a algumas regiões. Em alguns casos é preciso jogar os alimentos na água, dos helicópteros, porque as estradas e as pontes foram destruídas pelas enchentes. Da comunidade local dos Focolares escrevem: «Voltamos de Trichy (cerca de 300 km de Kerala), aonde se realizou a Mariápolis com as pessoas dos grupos da Palavra de Vida, que estão espalhados num raio de 120 km. No coração, porém, tínhamos as pessoas de Kerala atingidas pelas chuvas fortíssimas. Estamos ainda no período das monções, vento quente que provoca estes tufões tropicais. Por enquanto sabemos que as pessoas do Movimento estão bem. Era programado um retiro para sacerdotes em Trivadrum (sul de Kerala), mas precisamos cancelá-lo porque as viagens não são seguras e muitos sacerdotes inscritos foram envolvidos na tragédia. No fim de semana as nossas comunidades locais trabalharam para recolher gêneros alimentícios e objetos de primeira necessidade para enviar às regiões atingidas. Contamos com as orações de vocês». Também o Papa Francisco rezou pelas vítimas e para que “não falta a estes irmãos a nossa solidariedade e o apoio concreto da comunidade”. Para quem deseja colaborar foram abertas as seguintes contas correntes:

Ação por um Mundo Unido ONLUS (AMU) Ação por Famílias Novas ONLUS (AFN)
IBAN: IT58 S050 1803 2000 0001 1204 344 Banca Popolare Etica IBAN: IT55 K033 5901 6001 0000 0001 060 Banca Prossima
Código SWIFT/BIC: CCRTIT2T Código SWIFT/BIC: BCITITMX
  MOTIVAÇÃO : Emergência Kerala (Índia)
As contribuições depositadas nas duas contas correntes com esta motivação serão administradas conjuntamente por AMU e AFN. Para tais doações são previstos benefícios fiscais em muitos países da União Europeia e em outros países do mundo, segundo as diferentes leis locais.
Grave acidente no hospital dos Focolares no Congo

Grave acidente no hospital dos Focolares no Congo

«Rogamos ao Pai que acolha no Seu Reino de paz todos aqueles que perderam a vida neste grave acidente e confiamos ao Seu amor os feridos e todos os envolvidos». Assim escreve Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, às comunidades da República Democrática do Congo (RDC), após o grave acidente ocorrido na manhã de 28/8 na cidade de Limate (ao norte de Kinshasa). Um silos contendo toneladas de trigo, de propriedade da FAB Congo, indústria produtora de farinha, desabou sobre uma parte do hospital Moyi mwa Ntongo e sobre uma empresa vizinha. Sob o peso dos destroços perderam a vida algumas pessoas, dentre as quais Valentine, membro dos Focolares, encarregada pelos serviços da lavanderia, enquanto as outras vítimas estavam nos edificios limítrofes. «Houve uma corrida de solidariedade para ajudar a encontrar o corpo – escreveu Aga Kahambu, em nome da comunidade local dos Focolares – onde a polícia, a Cruz Vermelha e voluntários trabalharam sem trégua. Algumas das vítimas são dependentes da FAB, mas o número ainda é impreciso. É um grande sofrimento para todos, mas a união e a solidariedade entre tantas pessoas ajuda-nos muito». Segundo o jornal local Actualite.cd “o balanço é provisório, porque o acidente aconteceu numa hora de ponta”, e salienta “os significativos danos nas estruturas, com a destruição dos setores de radiologia, diagnóstico e de outros serviços”. Construído em 2006 e dirigido pelo Movimento dos Focolares, o centro médico Moyi mwa Ntongo é considerado um pólo de excelência com 55 leitos. Nascido para a cura da cegueira infantil, o centro incorporou posteriormente outros projetos, como o combate ao vírus HIV e à AIDS. Também é um modelo de ação humanitária internacional: para as atividades médicas e paramédicas conta com especialistas e pessoal local, com formação na RDC como na Europa. Em 2016, após dez anos da sua fundação, recebeu um moderno setor de maternidade e neonatologia, serviço essencial num pais que tem uma taxa de mortalidade infantil e das gestantes entre as mais altas no mundo. O setor, felizmente poupado pelo desmoronamento, foi realizado graças à ajuda de pessoas e associações ligadas ao Movimento dos Focolares, como a Fundação Giancarlo Pallavicini e as senhoras Albina Gianotti e Vittorina Giussani, que financiaram o Centro médico desde os seus inícios, e pela AMU Luxemburgo e AECOM Congo, juntamente com os seus apoiadores.

Quando a pobreza é um dom

Quando a pobreza é um dom

«Quando eu tinha seis anos, a minha mãe fez com que me inserissem no programa de assistência diurna de Bukas Palad, o projeto social realizado pelos Focolares através das suas organizações AMU e AFN, depois de ter conhecido uma professora que trabalhava lá. Lembro que me disse: “Aqui você vai aprender a ter um sorriso luminoso”. Também a minha mãe participava das reuniões de formação e começou a se empenhar como voluntária. Inicialmente eu pensava que fizesse isso porque não tinha mais nada para fazer, além dos trabalhos de casa, mas depois mudei de opinião, vendo que ia lá também no sábado. O meu pai e os meus irmãos notavam que estava mais feliz. E eu também era, atraída pelo espírito de amor recíproco e de unidade que havia entre os funcionários. Graças ao projeto, pude completar todos os estudos até me diplomar. Posso testemunhar que Bukas Palad teve um papel fundamental na maior parte das minhas experiências e nas minhas escolhas de vida. Eu me lembro muito bem de todas as atividades que realizávamos na escola e durante os fins de semana, com todos os alunos, e a formação que recebemos e que fez com que nos tornássemos pessoas sensíveis às necessidades dos outros e que consideram a pobreza não como um obstáculo que impede que você faça o que quer, mas como um dom. Através do projeto, conheci Chiara Lubich e os jovens do Movimento dos focolares. Crescendo neste contexto, aprendi que os sonhos podem se realizar se acreditamos que para cada um de nós existe um plano de amor de Deus. Eu me formei em Educação na Universidade de Cebu, depois superei o exame de habilitação para professores. Logo depois da formatura, comecei a trabalhar, acompanhada pela minha grande “família”, que sempre esteve ao meu lado, inclusive quando eu tinha que enfrentar o mundo do trabalho e a vida em geral. Tanto nos momentos de satisfação quanto nos difíceis, trazia comigo uma frase de Chiara Lubich, “Sejam família”. Quando penso em Bukas Palad, entendo bem o que é uma família. Inicialmente lecionei em escolas particulares, durante cinco anos. Depois, em 2014, fiz uma solicitação de ensino em escolas públicas. Fui designada para uma escola de Mandaue, uma cidade que faz parte da área metropolitana de Cebu. Aqui as coisas eram completamente diferentes, não havia a mesma organização e sistematicidade que eu conhecia. Quando eu lecionava na escola particular, pensava que para ser professor eram necessários um grande coração e um ânimo corajoso. Mas agora que trabalho na pública creio que se deve ter um coração ainda maior, um ânimo se possível ainda mais corajoso, uma força ainda maior. Cada vez, quando me vem a tentação de abandonar este trabalho, algo me detém. São sobretudo eles, os adolescentes. Neles vejo a mim mesma e os meus colegas, muitos anos atrás, quando sonhávamos nos tornar aquilo que somos agora. Talvez não devo estar em condições de dar a mesma ajuda e o mesmo apoio que eu e a minha família recebemos, mas procuro dar o melhor de mim para transmitir o mesmo amor».