Movimento dos Focolares
Desabamento em Limete (R. D. Congo)

Desabamento em Limete (R. D. Congo)

O Movimento dos Focolares acompanha com apreensão as notícias relativas ao incidente acontecido na tarde de ontem na pequena cidade de Limete, ao norte de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo. O desabamento de um silo com toneladas de fermento destruiu grandes setores do hospital Miyi Mwa Ntongo, construído em 2006 pelo próprio Movimento.É ainda incerto o balanço das vítimas, acertadas pelo menos duas mortes, entre as quais a de uma senhora que servia na lavanderia e alguns feridos e desaparecidos, assim como a avaliação sofrida nas estruturas e equipamentos. Em uma nota – publicada no jornal local Actualite.cd – a diretoria do hospital refere que “pacientes em estado grave e gravemente feridos foram transferidos com urgência aos hospitais mais próximos” e que a prioridade neste momento é retirar as pessoas “que ainda estão sob os escombros” e dar apoio aos atingidos. Danos significativos já foram registrados na estrutura, com a destruição dos departamentos de radiologia, diagnósticos e outros serviços. Há apenas dois anos foram inaugurados o departamento de maternidade e pediatria e uma sala de cirurgia. O desabamento do silo, de propriedade da sociedade FAD Congo atingiu também outros edifícios vizinhos, entre estes uma fábrica, causando vítimas. O prefeito de Limete, e outras autoridades, foram ao local. O Movimento dos Focolares exprime profunda participação, une-se ao sofrimento das vítimas e garante a própria proximidade espiritual às famílias atingidas.

Palavra de Vida – Setembro de 2018

A Palavra de Vida deste mês provém de um texto atribuído a Tiago, personalidade relevante na Igreja de Jerusalém. Ele recomenda ao cristão a coerência entre crer e agir. O trecho inicial da carta chama a atenção para uma condição essencial: libertar-se de toda maldade para acolher a Palavra de Deus e deixar-se orientar por ela no caminho rumo à plena realização da vocação cristã. A Palavra de Deus tem uma força bem característica: ela é fecunda, faz germinar o bem na pessoa individualmente e na comunidade; com ela, cada um de nós encontra uma relação pessoal de amor com Deus; e ela constrói um relacionamento de amor entre as pessoas. Ela já foi, como diz Tiago, “implantada” em nós. “Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.” Foi implantada? De que modo? Isso ocorreu com certeza porque Deus, desde a criação, pronunciou  uma  Palavra  definitiva:  o  homem  é  “imagem”  Dele.  Realmente,  cada  criatura humana é o “tu” de Deus, chamado à existência para compartilhar a Sua vida de amor e de comunhão. Por outro lado, para os cristãos, o sacramento do batismo é que nos insere em Cristo. Cristo, que é a Palavra de Deus que entrou na história humana. Ou seja: Ele depositou em cada pessoa a semente da sua Palavra, chamando todos ao bem, à justiça, ao dom de si e à comunhão. Quando essa semente é acolhida e cultivada com amor no próprio “chão”, ela é capaz de produzir vida e frutos. “Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.” Um lugar onde Deus nos fala com clareza é a Bíblia, que para os cristãos tem o seu ponto mais alto nos Evangelhos. É preciso acolher a Sua Palavra na leitura amorosa da Escritura de modo que, vivendo-a, possamos ver os seus frutos. Também podemos escutar Deus no profundo do nosso coração, onde nos sentimos muitas vezes infestados por tantas “vozes”, tantas “palavras”: slogans e sugestões de escolhas a serem feitas, modelos de vida, além de preocupações e medos… Mas como podemos reconhecer a Palavra de Deus e dar-lhe espaço para que viva em nós? É preciso desarmar o coração e “render-nos” ao convite de Deus, para colocar-nos em uma livre e corajosa escuta da Sua voz, que muitas vezes é justamente a mais delicada e discreta. Ela  nos  pede  a  coragem  de  sairmos  de  nós  mesmos  e  de  nos  aventurarmos  pelos caminhos do diálogo e do encontro com Ele e com os outros, e nos convida a colaborar para tornar mais bonita a humanidade: que nela possamos todos nos reconhecer cada vez mais como irmãos. “Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos.” Realmente, a Palavra de Deus tem a possibilidade de transformar o nosso dia a dia em uma história de libertação das trevas do mal pessoal e social, mas espera a nossa adesão pessoal e consciente, mesmo que imperfeita, frágil e sempre peregrina. Os nossos sentimentos e os nossos pensamentos se tornarão cada vez mais semelhantes aos do próprio Jesus; a fé e a esperança no Amor de Deus serão reforçados; ao mesmo tempo os nossos olhos e os nossos braços se abrirão às necessidades dos irmãos. Em 1992, Chiara Lubich dava esta sugestão: Em Jesus via-se uma profunda unidade entre o amor que Ele tinha pelo Pai celeste, e o amor para com os homens, seus irmãos. Havia uma profunda coerência entre as suas palavras e a sua vida. Isso fascinava e atraía a todos. É assim que também nós devemos ser. Devemos acolher as palavras de Jesus com a simplicidade das crianças e colocá-las em prática com toda a sua pureza e luminosidade, com a sua força e o seu radicalismo, para sermos discípulos tais como Ele deseja, isto é, discípulos iguais ao mestre: “outros Jesus” espalhados no meio do mundo. Existirá para nós uma aventura maior e mais atraente?1 Letizia Magri   1 Cf. Chiara Lubich, Coerência de vida, revista “Cidade Nova”, março de 1992.

Um povo em fuga

Um povo em fuga

«Segundo dados confiáveis, só durante o dia 11 de agosto, 5100 venezuelanos atravessaram a fronteira entre Equador e Peru. Um recorde que supera o de maio passado, quando em um dia houve 3700 novas chegadas. Por esse motivo, o Equador declarou um estado de emergência migratória». Roggero, nascido na Venezuela, de pais italianos, conhece bem a América Latina, onde vive há quase 40 anos, atualmente na capital peruana, onde está desde 2015. Não só Brasil, Colômbia, Equador e Peru, mas também países mais distantes, como Chile e Argentina, e até o Uruguai, deparam-se com um êxodo epocal, que segundo muitos observadores ameaça provocar naquela área uma das maiores crises humanitárias dos últimos decênios. As novas normas para o ingresso no Equador e no Peru há poucos dias passaram a impor aos cidadãos venezuelanos a apresentação de um passaporte, impossível de obter nestes tempos, no lugar da carteira de identidade. «Trata-se de uma realidade dificilmente compreensível se não é vivida em primeira pessoa. Os venezuelanos que fugiram para o Peru poderiam ter chegado a 400 mil pessoas. Fugiram de um país oprimido por uma crive gravíssima, onde falta tudo, e estão aqui para procurar um trabalho e manter o resto da família que ficou na Venezuela. Mas a custo de grandes sacrifícios. Estão dispostos a qualquer coisa, muitas vezes passam fome, viajam até três ou quatro horas de ônibus todo dia para ganhar poucos dólares. Muitos dormem no chão e passam frio porque não tem nem um cobertor, ou tomam banho com água fria. Mas, pelo menos, sabem que quem ficou na Venezuela (esposa, filhos, irmãos, avós…) tem um teto e pode, de alguma forma, sobreviver com os poucos dólares que recebem de fora. Hoje, as “remessas” vindas de fora são uma voz muito importante na economia venezuelana». As comunidades dos Focolares há vários meses procuram acolher as pessoas que chegam, indicadas por parentes ou amigos ou com quem entram em contato das mais variadas formas. «Importante para nós – diz Silvano – é que encontrem uma atmosfera de família. Se depois podemos compartilhar a comida, algum casaco, remédios, um cobertor ou orientações para obter o visto de permanência temporário, melhor ainda. No dia 12 de agosto nos reunimos pela terceira vez no Focolare de Lima, junto ao Centro Fiore, uma das nossas sedes operacionais. Éramos 23 pessoas e dois terços eram venezuelanos. Antes de tudo, com os que queriam, participamos da Missa. Depois oferecemos um almoço em duas grandes mesas. Antes de nos despedirmos assistimos a um vídeo com a apresentação de Chiara Lubich, porque a maioria dos presentes não conhecia o Movimento. Um momento sempre comovente é quando são distribuídas as roupas arrecadadas generosamente pela comunidade local. Demos boas risadas quando um dos presentes viu que um outro vestia o seu casaco, pego por engano como uma das peças “disponíveis”. Essa alegria inusitada escondia, no entanto, realidades muito duras e todo tipo de histórias dolorosas, vividas antes, durante ou depois da fuga da Venezuela. Falar sobre elas ou escutá-las tornou-se para eles um instante de liberação. A alguém que precisava com urgência, pudemos proporcionar, enquanto isso, alguns ciclos na máquina de lavar roupas. Dois roqueiros, amigos de um dos convidados, chegaram lá por acaso. Ao sair, tocados pelo relacionamento que tinham visto entre nós todos, nos definiram como “pessoas de qualidade”. Parece que esta definição, no mundo dos roqueiros ao menos na Venezuela, seja o melhor elogio possível. E não terminou ali: de uma das pessoas de quem menos se esperaria veio o convite a fazer uma oração final, todos em círculo, de mãos dadas, realmente significativo! Naquela noite viemos a saber que a ONU estima que 2,3 milhões de venezuelanos já fugiram de seu país, desde o início da crise. Temos, portanto, ainda muito trabalho a fazer. E por um bom tempo».

Educar os filhos: alegria e desafio

Educar os filhos: alegria e desafio

Casados há 31 anos, com cinco filhos e a primeira neta chegando, Gianni e Maria Salerno teriam muitas histórias para contar e também sugestões práticas a oferecer, especialmente aos casais mais jovens, sobre o tema da educação dos filhos. Mas para a sua contribuição para o Painel sobre “a alegria e os desafios dos pais ao educar hoje”, tema central no encontro de Dublin, que está abordando, num clima de festa e de oração, assuntos importantes – como o papel da tecnologia na família, a relação com a fé, as múltiplas conexões com o trabalho, a economia, o meio ambiente – escolheram se fazer porta-voz do patrimônio de vida e de experiência amadurecida durante muitos anos pelas Famílias Novas dos Focolares, das quais há dois anos são os responsáveis. Uma “família de famílias”, que se abebera na espiritualidade da unidade de Chiara Lubich como uma bússola que aponta o norte na caminhada às vezes extenuante da vida. Entrevistados pelo jornal católico “Avvenire”, Gianni e Maria sintetizaram o discurso deles em Dublin: «Gostaríamos de salientar algumas “palavras chave” que nos parecem muito úteis na relação com os filhos e que podem ser vividas em toda a parte, em todos os países do mundo, independentemente da cultura à qual pertencemos. A primeira é desapego. Os filhos não são nossos, são antes de tudo filhos de Deus. É uma atitude que estimula a buscar o bem deles, no respeito pela liberdade de cada um, ajudando-os a descobrir o desígnio de Deus para a felicidade deles. Uma outra palavra central é acompanhamento: fazendo com que sintam a nossa proximidade, os filhos podem enfrentar as dificuldades sem se sentirem sozinhos, e se formam deste modo para a responsabilidade, para o compromisso, para o treinamento constante da vontade. Existe, depois, um verbo que sempre foi fundamental, na nossa experiência e na de muitas famílias no mundo inteiro com as quais estamos em contato. E é recomeçar. Quando se erra, quando existe uma dificuldade ou o amor vem a faltar, podemos sempre pôr um ponto e ir ao início, pedindo desculpa se talvez exageramos numa repreensão, que frequentemente para os pais é mais uma ocasião de desafogo do que uma intervenção educativa». «Deveríamos procurar sempre penetrar no que os filhos estão vivendo. Geralmente usamos uma expressão, caminhar com os sapatos deles, que exprime o desejo dos pais de sentir na própria pele as suas emoções, medos e dificuldades, exercendo uma escuta profunda e acolhedora, antes de dar respostas apressadas. O exemplo, a partilha e o diálogo são fundamentais: numa família se deveria poder falar de qualquer assunto e os pais deveriam dar prova disso, captando com as suas antenas as mensagens, inclusive não verbais, lançadas pelos filhos que às vezes, especialmente em idade adolescente, soam como autênticas provocações. Ainda: dedicar tempo a eles. Quanto esforço requer, talvez à noite, no final de um dia de trabalho, especialmente quando as ideias não coincidem. Deveríamos nos deixar interpelar sem medo por eles e pelo “mundo” deles, inclusive quando persistem preocupações de vários tipos sobre a saúde, as companhias que frequentam, a escola ou o futuro. Quando isto acontece, nós procuramos levar em consideração um conselho precioso: o de se ocupar e não se preocupar, para evitar que a nossa ansiedade os torne mais inseguros e menos livres. O que sempre podemos fazer, no final, é rezar por eles, os confiando ao amor de Deus. Há casos em que os filhos se tornam rebeldes, rejeitam o relacionamento com os pais, pondo em ação comportamentos violentos, escolhas discutíveis, às vezes graves. Isto faz sofrer e desestabiliza. A ferida do insucesso educativo arde e nos perguntamos, como pais: onde erramos? Também nestes casos devemos nos lembrar de que somos pais para sempre, e que a porta do nosso coração deve ser mantida sempre aberta. Não é fácil, mas podemos tomar como exemplo a ser imitado Jesus crucificado e abandonado, que ofereceu a Sua dor, transformando-a em Amor. Como Ele, também nós podemos consumar o nosso sofrimento continuando a amar concretamente os nossos filhos e cada próximo que passa ao nosso lado, na certeza de que no final será o Amor que vencerá».