Movimento dos Focolares

Áustria:  A viagem de Josef

A resposta a um convite e o início de uma nova aventura. Josef Bambas é focolarino, ou seja, membro consagrado do Movimento dos Focolares. De origem checa, vive em Viena há alguns anos. Ele nos fala sobre as suas escolhas, a vida no focolare e a alegria de acompanhar muitos jovens a descobrirem o próprio caminho. https://www.youtube.com/watch?v=ifEv98c1ebw

Turquia: profecia e unidade para o cuidado com a criação

Expoentes das Igrejas católica e ortodoxa reuniram-se para um encontro sobre a ecologia integral, sob a inspiração dos ensinamentos do Papa Francisco e do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I. Instambul, Turquia: representantes das Igrejas católica e ortodoxa, junto a outros membros da sociedade civil, reuniram-se nos dias 8 a 11 de junho de 2022 para o “Halki Summit”, encontro enfocado sobre o tema da ecologia integral. Já na sua quinta edição, o encontro foi organizado pelo Patriarcado Ecumênico de Constantinopla em colaboração, pela primeira vez, com o Instituto Universitário Sophia. Quatro dias nos quais acadêmicos, teólogos e dirigentes, ao lado de estudantes e ativistas, confrontaram-se, buscando soluções para atuar uma mudança green em suas esferas de influência. A aspiração nasceu da visão profética do Papa Francisco, na Encíclica Laudato Sì, e do Patriarca Ecumênico Bartolomeu I, conhecido também como o “Patriarca Verde” justamente pela sua sensibilidade à questão ecológica. Quais os frutos deste Encontro?

Laura Salerno

Para saber mais, assista o vídeo integral: https://www.youtube.com/watch?v=qWZAiqArbOM

Argentina: Aprendizado e Serviço de Solidariedade: 20 anos de Clayss

Aprendizagem e Serviço de Solidariedade é aprender e usar o conhecimento adquirido na sala de aula para transformar a realidade; e aprender na realidade o que nem sempre pode ser aprendido na sala de aula. Clayss, sediada na Argentina, construiu redes e alianças com instituições educacionais no mundo inteiro. Vinte anos de um percurso na educação não são poucos. Nascido como “um sonho louco” em Buenos Aires, em 2002, em meio a uma grave crise econômica e social, o CLAYSS, Centro Latino-Americano de Aprendizagem e Serviço de Solidariedade, estendeu sua ação não apenas à área latino-americana, mas também a muitos países da Europa, Ásia e África. É uma ampla rede construída em conjunto com instituições educacionais envolvendo todas as faixas etárias, do jardim de infância à universidade. Para celebrar estes primeiros 20 anos, foram organizadas 20 conferências em 20 cidades. Na ocasião da etapa em Roma, na Universidade LUMSA, encontramos Nieves Tapia, fundadora e diretora da CLAYSS. “O aprendizado do serviço de solidariedade”, explica a professora Tapia, “combina teoria e prática, permitindo que tanto crianças quanto jovens universitários aprendam, colocando em prática o que sabem a serviço dos outros”. No final de agosto, o XXV Seminário Internacional de Aprendizagem e Serviço de Solidariedade acontecerá em Buenos Aires, enquanto já estão em andamento os trabalhos para preparar uma conferência a ser realizada em Roma, em outubro, que contará com a presença de cerca de cem universidades católicas. “Uniservitate é um programa global para promover o Aprendizado e o Serviço de Solidariedade nas instituições de ensino superior católicas”, diz Nieves Tapia. “O objetivo é gerar uma mudança sistêmica através da institucionalização do Serviço de Aprendizado e Solidariedade para que se tornem uma ferramenta que permita às instituições de ensino superior cumprir sua missão, oferecer uma educação integral às novas gerações e envolvê-las em um envolvimento ativo com os problemas de nosso tempo”, acrescenta. A rede global de Uniservitate está presente em 26 países nos 5 continentes através de parcerias com mais de 30 universidades e instituições educacionais.

Carlos Mana

A nossa entrevista. Ativar legendas em português. https://www.youtube.com/watch?v=mzFTDiOJhJQ

Chiara Lubich: “com o coração dilatado”

A “Santa viagem” que Chiara Lubich nos propõe não deve ser percorrida isoladamente e afastados do mundo. É um caminho para todos sem distinção de idade, de condições sociais e de escolhas de vida. O método é manter o foco no amor ao próximo e no amor recíproco que nos ajudará a ‘‘esquecer’’ do mundo. (…) Somos chamados a permanecer em meio ao mundo e a chegar a Deus através do irmão, portanto, mediante o amor ao próximo e o amor recíproco. Empenhando-nos em caminhar por esta estrada toda original e evangélica ao mesmo tempo, como por encanto encontraremos a nossa alma enriquecida por todas estas virtudes. É necessário o desprezo do mundo: e não existe maior desprezo a alguma coisa do que ignorá-la, não a le­vando em consideração. Se estivermos completamente projetados no outro, a pensar no outro, a amá-lo, nós não consideraremos o mundo, e ele será ignorado, portanto, desprezado. Isso, porém não nos dispensa do dever de fazer toda a nossa parte para afastar as suas sugestões negativas, quando elas recaem sobre nós. E preciso progredir na virtude. É com o amor que o conseguiremos. Por acaso, não está escrito: “Correrei pelos caminhos dos vossos mandamentos, porque sois vós que dilatastes com o amor o meu coração”[1]? Se, amando o próximo, corremos no cumprimen­to dos mandamentos de Deus, significa que estamos progredindo. É necessário o amor ao sacrifício. Amar os outros significa justamente sacrificar a si mesmo para dedicar-se aos irmãos. O amor cristão é sinônimo de sacrifício, mesmo se traz em si grande alegria. É preciso o fervor da penitência? E através de uma vida de amor que encontraremos a melhor e a principal penitência. É necessária a renúncia a si mesmo. No amor para com os outros está sempre implícita uma renúncia a si mesmo. É necessário, enfim, saber suportar todas as adversidades. E no mundo, porventura, os sofrimentos não são causados pela convivência com os outros? Devemos saber suportar a todos e amá-los por amor a Jesus Abandonado. Com isto superaremos muitos obstáculos em nossa vida. Sem dúvida, no amor ao próximo encontraremos o modo por excelência para fazer da vida uma “Santa Viagem”.

Chiara Lubich

(Chiara Lubich, in Conversazioni, Città Nuova, 2019, pag. 262/3) [1] Sl 118, 32

Traduzir um carisma em vida

De 17 a 19 de junho, os pontos de referência das entidades locais que representam o Movimento dos Focolares no mundo se reuniram para se questionar sobre sua função e compartilhar boas práticas e desafios em vários níveis. Como o Movimento dos Focolares está estruturado do ponto de vista jurídico a nível local? De que modo as mariápolis permanentes, as atividades comerciais, as obras sociais presentes nos diversos países em que o Movimento existe são regulamentadas e ligadas ao espírito de fraternidade que as caracteriza? No passado, alguém disse que o Movimento dos Focolares não é uma realidade complicada, mas complexa; uma complexidade que foi evoluindo em quase 80 anos de história e seguida pela difusão das comunidades no mundo: hoje, os membros e os aderentes são cerca de dois milhões e estão presentes em 182 países. São dados que, para ser interpretados, devem ser recuperados a nível local e é aqui que emerge a complexidade: na variedade das formas associativas que refletem as atividades do Movimento a nível regional. Em linguagem técnica, se chamam “entidades” e permitem que uma associação de pessoas exista e opere em um determinado território ou país. De 17 a 19 de junho, os pontos de referência das entidades locais que representam o Movimento dos Focolares no mundo se reuniram, presencialmente e virtualmente, no Centro Mariápolis de Castelgandolfo (Roma, Itália) para se questionar sobre sua função e compartilhar boas práticas e desafios em vários níveis. Markus Alig, conselheiro do Movimento dos Focolares para a Europa Ocidental e para a economia e trabalho expressou bem a necessidade de fazer o balanço: “trabalhar juntos e discutir para consertar obras e estruturas, aumentar a transparência e fazer com que haja a participação dos membros dos Focolares das diversas comunidades, dos projetos e saber como vão as coisas”. Partindo da visão de Chiara Lubich sobre trabalho, Geneviève Sanze e Ruperto Battiston, responsáveis pela economia e pelo trabalho no Movimento, evidenciaram a centralidade no pensamento e na vida dos Focolares. Evidenciaram a importância das entidades que gerenciam mariápolis permanentes ou obras sociais nas quais trabalham juntos focolarinos, pessoas de várias vocações ou que não fazem parte do Movimento. Um tema atual e destacado também pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida que, no último mês de abril organizou o encontro anual com os Moderadores das Associações dos Fiéis, dos Movimentos Eclesiais e das Novas Comunidades, com o tema “Condições de trabalho no interior das associações. Um serviço segundo a justiça e a caridade”. As entidades: a serviço da vida do Movimento dos Focolares no mundo Dos 180 participantes, alguns contam a história e a que ponto estamos das atividades que nasceram sob o amparo das respectivas entidades, como Simon Petre Okello, de Uganda, que descreve a NASSO, Namugongo Social Services Organization Ltd, organização que nasceu em 1999 com alguns membros do Movimento, para a promoção de atividades socioeducativas e sanitárias inspiradas nos princípios de fraternidade. Com o passar dos anos, se desenvolveram três braços: um centro sanitário, um nutricional e, enfim, um socioeconômico. A entidade, portanto, permitiu o desenvolvimento de inúmeras atividades no decorrer dos anos: suporte educativo contínuo da escola primária à universidade; cursos de nutrição terapêutica para crianças e pais, laboratórios dentários, radiológicos, de maternidade e assistência a pacientes antes e depois do tratamento. As atividades sociais incluem também o cuidado com o meio ambiente em parceria com organizações de diversos países. Kit Roble, responsável das entidades do Movimento dos Focolares nas Filipinas, descreve um percurso, ainda em andamento, para maior envolvimento e participação do conselho de administração nos processos de decisão, e prevê, em um futuro próximo, o envolvimento de consultores externos qualificados. Um caminho que mostrou a necessidade de maior escuta recíproca e discernimento comum para enfrentar os vários desafios. Também Renata Dias, advogada nos Estados Unidos, conta sobre um percurso que levou a distinguir as entidades proprietárias de imóveis daquelas que desenvolvem as atividades do Movimento, para separar corretamente as responsabilidades, em um caminho de partilha e transparência. Os especialistas: entre a fidelidade ao carisma e o olhar para o futuro Entre os especialistas que falaram, o professor Patrick Valdrini, ex-reitor da Universidade Católica de Paris, explicou a relevância das experiências associativas nascidas dos carismas eclesiais, a sua colocação no Código de Direito Canônico e as possíveis novas perspectivas. Uma fala que evidenciou as raízes espirituais das estruturas jurídicas necessárias para o funcionamento dos movimentos e das agregações leigas: “Todo carisma pertence à Igreja”, explicou o professor Valdrini, “foi inspirado pelo Espírito Santo e, para oferecê-lo às pessoas, é necessário criar instituições que tornem possível a difusão, mas também protejam o espírito original”. O último dia foi dedicado à constelação de associações nascidas da espiritualidade do Movimento dos Focolares e que promovem o ideal do Mundo Unido. O professor Luigino Bruni recordou que essas associações não podem perder de vista sua ligação com o carisma de Chiara Lubich, do qual partem para encontrar o caminho específico para encarná-lo. Anne Claire Motte, advogada e canonista francesa, hoje na Costa do Marfim, escolhe a palavra “aliança” para expressar o caminho que se deve percorrer com relação às diversas organizações, na escuta, na consideração recíproca e no respeito máximo pelas pessoas. Deixou-nos com o empenho crescente de “fazer redes” para prosseguir juntos, encontrando inspiração uns nos outros.

Stefania Tanesini