22 Abr 2022 | Sem categoria
Um sepulcro vazio, uma luz que ilumina o mundo e em cujo rastro é possível construir pontes de verdadeira unidade. Heike Vesper, Enno Dijkema e Mervat Kelli, focolarinos de diferentes Igrejas cristãs, nos falam sobre a Páscoa. “A Páscoa é o centro da fé cristã, é o mistério da Salvação. Sem a Páscoa não existe o cristianismo. Jesus se encarnou para salvar-nos. Todos os cristãos acreditam no mesmo Jesus Cristo que morreu e ressuscitou”. Com estas palavras, Mervat Kelli, focolarina ortodoxa da Síria, nos mostra o terreno fecundo onde nada termina, mas tudo tem início; o espaço tangível no qual é possível reencontrar-se, compartilhar e deixar-se envolver pela luz da Ressurreição. Este é o significado ecumênico da Páscoa, a herança que Cristo nos deixa, “um tempo para adorá-lo – diz Enno Dijkema, focolarino católico da Holanda. Jesus – continua – nos ama até abandonar-se ao Pai, até à morte. Dá tudo! Posso tranquilamente confiar a Ele todas as minhas misérias, os meus limites e os sofrimentos de cada pessoa. Não existe uma medida de escuridão que não seja superada pela luz do seu amor”. Para Heike Vesper, focolarina alemã da Igreja Luterana, Jesus Abandonado “sanou o nosso relacionamento com o Pai. No seu grito, no seu ‘por que?’ – ela afirma – encontro todos os meus ‘porquês’, as minhas angústias. Para cada ressurreição é preciso a espera, o tempo, a permanência de Maria embaixo da cruz sem saber o que fazer, o silêncio e a escuridão do Sábado Santo antes que chegue a aurora do domingo, com o fogo, a liturgia da luz e a renovação do batismo”. Um tempo de grande comunhão com os irmãos que nasce justamente do perdão, como diz Mervat: “Na Igreja Siro-Ortodoxa, à qual pertenço, a Páscoa é chamada ‘a grande festa’. A preparação começa já no início da quaresma com a consagração do óleo da reconciliação. Cada fiel, na conclusão da liturgia, molha um pedaço de algodão no óleo e se dirige aos outros, para pedir perdão a um por um, dar o seu perdão e receber o dos outros. Desenha uma pequena cruz sobre a fronte, dizendo: ‘eu te perdoo com todo o coração, que este óleo seja o sinal do meu perdão. Peço-te que me perdoes”. As várias tradições, as diferentes formas de liturgia, representam uma riqueza, e poder vive-las juntos, como muitas vezes acontece no Movimento dos Focolares, diz Heike, evidencia “a grandeza de Deus Amor. Há muito tempo – ela continua – moro em uma comunidade juntos a católicos, e são justamente essas liturgias que procuramos viver juntas, se os horários das celebrações o permitem. Assim, quase todos os anos, na Sexta-feira Santa, vamos juntas primeiro à Igreja Luterana e depois à Igreja Católica. E o mesmo acontece na Páscoa”. “Esta é a primeira Páscoa que passo na Itália – diz Enno – mas, na Holanda, pude participar algumas vezes da função de Sexta-feira Santa com um dos focolarinos que morava comigo e que é protestante. Foi muito bonito!”. Também Mervat, que se prepara para viver a Páscoa Ortodoxa – que segundo o calendário juliano este ano será dia 24 de abril – e que há alguns anos mora na Itália, tem a alegria de participar com as focolarinas de todas as funções da Igreja Católica, o que sente como uma maravilhosa possibilidade: “Ainda temos datas diferentes, mas temos a mesma fé, a mesma esperança, o mesmo Amor de Deus Pai, do Filho e do Espírito Santo. Todos temos o mesmo mandamento: ‘amai-vos uns aos outros como eu vos amei’. É esta a chave que nos abre a porta para a unidade”.
Maria Grazia Berretta
21 Abr 2022 | Sem categoria
O Evangelho fala do amor de Deus. Semear, levar esse anúncio e escolher vivê-lo é expressão de uma liberdade bela e frutífera que nos é concedida. Reunião de condomínio Quando chegou o aviso da reunião de condomínio, meu primeiro pensamento foi: vou encontrar outro compromisso para usar como desculpa. Meu filho mais novo, me ouvindo reclamar que essas reuniões não serviam para nada, respondeu: “Mas, papai, é uma oportunidade para fazer com que todos do condomínio sejam uma família!”. Eu não havia pensado nisso. Mas como conseguir transformar aquele encontro em algo belo e com novidades? Com a contribuição de todos de casa, inventamos um jogo com prêmios, tipo de adivinhação, com os nomes dos inquilinos, a quantidade de filhos, o tipo de trabalho… Depois, um programa para combinar visitas e jantares, e uma lista de aniversários e outras datas. Quanto mais nasciam ideias, mais eu esperava pela reunião. E foi uma verdadeira festa. Minha esposa preparou doces; meus filhos, os cartões para combinar as visitas; nossa filha, muito boa em desenhos, fez os certificados de prêmio para os vencedores. Enfim, nunca a reunião de condomínio pareceu tão curta como naquela noite. E começou a circular outro ar no prédio. R.M. – Itália Bonequinhas Depois da morte do papai, pensando na mamãe que não podia mais morar sozinha, circulava entre nós, filhos, a pergunta: “Seremos obrigados a colocá-la em uma casa de repouso?”. De fato, a minha família mora em um apartamento muito pequeno para hospedá-la. Então, eu e minha esposa decidimos confiar na providência de Deus e, nesse clima, alugamos para a mamãe um apartamento ao lado do nosso que havia ficado vago nesse tempo. Parecia um risco, mas a chegada da vovó enriqueceu a vida dos nossos filhos e a nossa. Muito boa em fazer bonequinhas de pano, começou a dar de presente a quem tinha filhos. Depois, uma pessoa da paróquia que gostou das bonecas montou um mercadinho no qual elas eram vendidas com outros objetos de costura. Hoje, a casa da mamãe se tornou um pequeno centro artesanal e uma escola para quem tem tempo livre. Ficamos felizes por vê-la alegre e quase rejuvenescida por se sentir útil. J.H. – França A carteira Fui encontrar minha mãe na cidadezinha em que ela mora. Não sei porque, mas antes de passar na casa dela, senti o impulso de tomar um cappuccino em um café. Ali, vi uma carteira no chão na frente do caixa e perguntei à pessoa que trabalhava lá de quem era. Ela falou com os clientes presentes, mas a carteira não era de nenhum deles. Ao olhar os documentos, vi o nome do dono e era um conhecido da minha mãe, portanto, poderia devolver através dela. A pessoa do caixa conhecia a minha mãe, por isso deixou a carteira comigo. Não muito longe do bar, vi o proprietário. Eu o cumprimentei, trocamos algumas palavras e depois perguntei se estava com a sua carteira. Quando percebeu que não, a mostrei. Ele não sabia como me agradecer. Mais tarde, pensando naquele impulso de passar no café, percebi que talvez, inconscientemente, nos tornamos instrumentos para fazer o bem. J.M. – Eslováquia
por Maria Grazia Berretta
(trecho de Il Vangelo del Giorno, Città Nuova, ano VIII, n.2, março-abril 2022)
20 Abr 2022 | Sem categoria
O Lar “Chiara Lubich” para Idosos na Amazônia peruana está comemorando seu primeiro ano. O centro cuida de cerca de cinquenta pessoas idosas abandonadas. “É a nossa contribuição para a paz”, dizem os dirigentes.
Em 8 de março de 2021, no auge da emergência sanitária causada pelo Covid-19, as portas do “Centro Chiara Lubich para Idosos”, na selva amazônica peruana, foram abertas, um grande sonho que, após muitos anos, finalmente se tornou realidade. “Desde o início, tudo veio como um presente com simplicidade”, diz Jenny López Arévalo, Presidente do Centro, “desde a casa, aos pratos, aos ingredientes para preparar o almoço para quase 50 idosos, às cadeiras, mesas, colchões, lençóis… Para nossa surpresa, tudo chegou e tomou seu lugar”. O Centro está localizado em Lámud, uma cidade amazônica no noroeste do Peru, a 2.330 metros acima do nível do mar. A poucos quilômetros de distância está a cidadela de Kuelap, um importante sítio arqueológico pré-Inca da cultura Chachapoyas. “O trabalho em equipe foi muito importante. Os voluntários deram o seu melhor.”, diz Jenny, “Houve dificuldades, mas conseguimos superá-las, concentrando-nos em viver bem no momento presente. Os meses voaram e nos encontramos celebrando nosso primeiro aniversário. Que emocionante! Decidimos organizar um evento de dois dias com um programa aberto ao público, envolvendo instituições locais, a imprensa e as redes sociais. Uma maneira simples de agradecer a Deus e a todos.”
“No primeiro dia, planejamos uma caminhada no verde, fora da cidade, seguida de jogos e danças. Compartilhamos um café delicioso com tamales (comida de milho) e sanduíches. Ficamos surpresos e animados ao ver quantas pessoas se juntaram a nós, além dos voluntários – adultos e crianças – para ajudar a cuidar dos avós. Foi bom ver nosso logotipo balançando com o rosto de Chiara Lubich. No dia seguinte, começamos com a Eucaristia e continuamos com uma festa na cidade cheia de cores, música e danças típicas, precedida pelo hastear da bandeira nacional pelos mais velhos, em honra ao nosso país. E ainda o brinde de honra com as autoridades locais presentes e, novamente, as danças típicas”! “Muitos amigos de diferentes partes do mundo uniram-se a nós em oração”, acrescenta Javier Varela, administrador do Centro, “e grande parte da comida que oferecemos foi doada. Os idosos, que estavam muito contentes, desfrutaram deste dia e nós, embora um pouco cansados, compartilhamos a mesma alegria. Sentimo-nos encorajados e fortalecidos a continuar trabalhando para dar nossa contribuição à paz, cuidando dos idosos abandonados, que já fazem parte de nossas vidas”. Um ano depois, o “Centro Chiara Lubich para Idosos”, mais do que um “Centro” é uma verdadeira “família” que realiza seu delicado e importante trabalho em benefício dos mais desfavorecidos. Uma maneira simples de semear pequenas ações de paz ali mesmo, nos lugares onde vivemos, todos os dias.
Gustavo E. Clariá
18 Abr 2022 | Sem categoria
Jesus ressuscitou! E nos confiou a missão de sermos testemunhas da sua presença viva entre nós, que transforma a sociedade. Um convite para sermos portadores do anúncio da Boa Nova nos ambientes em que vivemos. Jesus nos garantiu também que estaria presente lá onde dois ou mais estivessem unidos em seu nome[1]. Portanto, fazer com que o Ressuscitado viva em nós e em meio a nós é o segredo, é o caminho concreto para atuar o reino de Deus. É o reino de Deus em ato. […] Jesus deixou estas palavras não apenas aos seus apóstolos, mas a toda a Igreja e a cada um de nós. A tarefa da Igreja será testemunhar o Ressuscitado não só por meio do anúncio que deve ser feito pelos seus ministros, mas também e sobretudo através da vida de cada um de seus membros. Testemunhar o Ressuscitado significa mostrar ao mundo que Jesus é o Vivente. E isto será possível se o mundo puder ver que Jesus vive em nós. Se vivermos a Palavra, se soubermos renegar as tendências do homem velho[2] – sobretudo mantendo aceso no coração o amor para com o próximo – se nos esforçarmos de modo especial para conservar sempre o amor recíproco entre nós, então o Ressuscitado viverá em nós. Ele viverá também em nosso meio e irradiará ao nosso redor a sua luz e a sua graça, transformando os ambientes em que vivemos, com resultados incalculáveis. E será ele, mediante o seu Espírito, a guiar os nossos passos e as nossas atividades. Será ele a dispor as circunstâncias e a oferecer-nos as ocasiões para levar a sua vida a todos que dele necessitam. […] Sem menosprezar os projetos que devemos programar e os meios que o progresso técnico põe a nossa disposição para levar o anúncio do Evangelho, devemos fazer sobretudo uma coisa: ser testemunhas, fazendo com que o Ressuscitado viva em nós.
Chiara Lubich
(Chiara Lubich, in Parole di Vita, Città Nuova, 2017, pag. 345/8) [1] Mt 18,20 [2] Cf. Ef 4,22-24 e Col 3, 9-10
12 Abr 2022 | Sem categoria
O Reitor da Pontifícia Universidade Lateranense (Roma) e docente de Direito Internacional, afirma que não existe e não pode existir uma guerra “justa”. Nada pode justificar um conflito armado. A paz é algo que devemos construir individualmente e em conjunto. Temos que manter nossos corações dilatados para o mundo inteiro; não esquecer nenhum conflito e agir para dar a nossa contribuição para a paz em todos os níveis. https://www.youtube.com/watch?v=IlXuII_xmlE