A partir de hoje, 20 de novembro de 2023, estão disponíveis as novas Diretrizes para a Formação sobre a Proteção de Crianças, Adolescentes e Pessoas em Situação de Vulnerabilidade desenvolvidas pelo Movimento dos Focolares. Margarita Gómez e Étienne Kenfack, Conselheiros do Centro Internacional do Movimento para o aspecto Vida Física e Natureza, oferecem-nos alguns esclarecimentos. Ilustrar as características necessárias para se comprometer concretamente com a proteção da vida e da dignidade de cada pessoa: é isso que distingue as novas Diretrizes para a Formação sobre a Proteção de Crianças, Adolescentes e Adultos Vulneráveis (FPCV) no Movimento dos Focolares, lançada hoje, 20 de novembro de 2023, Dia Internacional da Criança e do Adolescente. O trabalho contou com a colaboração direta de 40 especialistas e pessoas envolvidas neste campo de todos os continentes e teve como objetivo fornecer os elementos necessários para que, em cada país onde o Movimento dos Focolares atua, possa-se desenvolver uma estratégia de formação adequada, orientada para prevenir e erradicar qualquer tipo de abuso, tanto dentro do Movimento como nos ambientes onde os seus membros se encontram (trabalho, bairro, escola). Desde 2013, o Movimento aposta na formação para a proteção de crianças e adolescentes, com um trabalho capilar em todos os países onde atua e com a realização de um curso de seis horas que continha os princípios fundamentais. Este esforço de formação atingiu 17.000 pessoas até dezembro de 2022 e, embora a formação fosse aberta a todos, foi realizada principalmente por pessoas que tinham responsabilidades ou contato direto em atividades com crianças. Depois da publicação do relatório sobre os graves casos de abusos sexuais registrados na França, publicado um ano depois da investigação da consultoria GCPS, surgiu a forte necessidade de oferecer uma formação mais específica a todos os membros do Movimento dos Focolares, de qualquer nação, idade, vocação ou função. Por esta razão, as Diretrizes representam uma ferramenta universal, deixando amplo espaço para uma inculturação adequada e uma implementação específica no contexto particular de origem. “A formação dirige-se a todos, e por ‘todos’ entendemos não só os pertencentes ao Movimento, mas também as pessoas que trabalham nas nossas estruturas – afirma Étienne Kenfack. As Diretrizes, no entanto, dirigem-se aos dirigentes do Movimento nas diversas geografias e às suas equipes que serão responsáveis pela sua implementação”. As Diretrizes entrarão em vigor em 1º de janeiro de 2024, por um período de 20 meses ad experimentum. Um período de checagem para poder perceber todas as mudanças e transformações que serão necessárias no futuro. “O documento – continua Margarita Gómez – baseia-se num recurso fundamental para nós, isto é, a comunhão: portanto, trabalharemos em rede. Haverá uma comissão internacional e várias equipes que realizarão o projeto localmente. Haverá momentos de troca, com links online para nos ajudar a tirar dúvidas, para partilhar boas práticas. Não é por acaso que decidimos intitular o nosso programa de formação como “Todos responsáveis por todos”. Espero que estas Diretrizes sejam muito bem acolhidas nas nossas comunidades e que, em poucos meses, tenhamos dado um impulso significativo à formação nesta matéria”.
Maria Grazia Berretta
Ver o vídeo (ativar legendas em português) https://youtu.be/OsZW-DC_E7U
Nos dias 10 e 11 de novembro de 2023 ocorreu em Bolonha o seminário “Escrever sobre Deus. Chiara Lubich e a tradição mística feminina da Idade Média ao século XX. Uma jornada com muitas vozes”. O padre Gianni Festa, que estava entre os promotores do evento, faz um balanço e traça perspectivas. Uma polifonia de vozes que viaja através dos séculos. As protagonistas da tradição mística feminina e seus escritos estiveram no centro dos trabalhos do seminário que, nos dias 10 e 11 de novembro de 2023, reuniu em Bolonha (Itália), estudiosos de diversas áreas, desde teólogos até linguistas, de historiadores a especialistas em literatura e arquivistas. O seminário ofereceu aprofundamentos e reflexões a partir de textos de místicas, em particular dos anos 1900s. Figuras femininas diversas, emersas em sua singularidade e originalidade, mas também ligadas por traços comuns entre elas “falar e escrever sobre Deus”, traços que revelam o caminho do Espírito Santo e seu desdobramento por meio de uma pluralidade de vozes, diversas, mas em profunda harmonia. Falamos com o padre Gianni Festa, docente na Faculdade Teológica da Emília-Romagna e membro do Instituto Histórico Dominicano.
Anna Maria Rossi, Padre Gianni Festa
Padre Festa, a Faculdade Teológica da Emilia Romagna é promotora, juntamente ao Centro Chiara Lubich e ao Instituto Universitário Sophia, deste seminário, e o senhor, em particular, trabalhou muito para a realização dele. Qual é a sua impressão ao final dos trabalhos? Quais foram os aspectos mais interessantes que emergiram? O primeiro aspecto interessante, isso é indiscutível, foi ter colocado, no âmbito desse seminário, a figura de Chiara Lubich, a sua teologia, a sua espiritualidade em um contexto muito mais vasto do que aquele no qual ela sempre foi lida ou interpretada. Ter ligado Chiara Lubich com a tradição da escrita feminina, seja medieval seja contemporânea, fez emergir aspectos do ensinamento teológico e espiritual dos escritos dela que realmente receberam uma luz nova. O segundo é a abertura da busca pela mística contemporânea feminina, que é um assunto pouco estudado, com exceção de grandes figuras sobre as quais também nós falamos, como Etty Hillesum, Simon Weil, Adrienne von Speyr. Mas a escritura mística do século XX das mulheres não é tão frequentada, tão estudada como a da Idade Média ou da primeira idade moderna, tivemos dificuldade em encontrar relatórios justamente porque é um campo ainda muito virgem. O terceiro aspecto importante foi a colaboração entre instituições acadêmicas que tiveram a oportunidade de falar, de dialogar, de encontrar-se e colaborar sobre temas de pesquisa teológica e esse “estar em comum” foi realmente importante e positivo. Das relações, emergiram características peculiares das figuras aprofundadas, mas também aspectos comuns que emergem em seus textos e que unem as diversas místicas: do relacionamento com a escrita às características da linguagem, mesmo que sejam mulheres que viveram em épocas e contextos muito diversos. Como, segundo o senhor, essas experiências podem se tornar testemunho de vida e testemunho de Deus? Como podem falar ainda com o homem de hoje? O que sempre me tocou quando estudava, em particular a Idade Média, foi a absoluta tenacidade da mulher em não retroceder a uma condição de inferioridade ou de marginalização, apesar dos preconceitos e exclusões. As místicas sempre quiseram afirmar o próprio relacionamento com Deus, dizê-lo, manifestá-lo. Comunicá-lo, “dizer Deus” e o modo que a mulher tem de dizer tem um efeito muito importante, muito atual também, sem cair na retórica, dentro do ensinamento do papa Francisco, os ensinamentos femininos que devem respirar com os ensinamentos masculinos, não porque sejam contrapostos, mas porque são os dois pulmões da Igreja, portanto eu diria que esse é realmente um aspecto importante. Chiara Lubish: o que em seu “escrever sobre Deus” e do que emergiu dos trabalhos e da experiência mística dela são, segundo o senhor, mais característicos e originais no panorama do pensamento místico feminino? Eu conhecia pouco de Lubich, mas duas peculiaridades, duas qualidades dos seus escritos, dos seus ensinamentos, depois de ter escutado também os relatórios me parecem ser hoje muito claros, quase inequívocos: in primis o profundo enraizamento dos escritos de Chiara dentro de uma tradição robusta. Disso não há dúvidas. Chiara Lubich não é ingênua em suas afirmações, em seus raciocínios e em seus escritos. Colhi essa cultura espiritual, teológica que se respira em seus escritos. Em segundo lugar, e talvez porque sou dominicano e, portanto, sou ligado também a figuras como Catarina de Sena, me tocou muito o aspecto eclesiológico, de comunhão, da sua espiritualidade. Esse é um elemento que observei também no contato com o Movimento dos Focolares mesmo, a comunhão, a união, a dimensão eclesial; um destaque da singularidade excessiva do sujeito a favor de uma partilha que está presente desde as primeiras experiências de Lubich. Quais perspectivas de estudo e de pesquisa esse seminário pode abrir? Com certeza é um passo em direção a uma abertura maior, uma ampliação dos estudos sobre a escritura feminina, dos séculos XIX e XX. Portanto, é necessário se equipar também no plano da instrumentalização linguística, teológica, para poder estudar essas figuras muito marginalizadas, muito esquecidas e pouco notadas. Também acredito que, com relação aos ensinamentos de Chiara Lubich, pode-se aprofundar melhor certos escritos dela, sob o perfil exegético, teológico e espiritual, como o texto do qual se falou continuamente durante o seminário, o “Paraíso de 49”, seria algo importante a se fazer.
“Escrever sobre Deus: Chiara Lubich e a tradição mística feminina” é o título da conferência que acontecerá de 10 a 11 de novembro de 2023 em Bolonha (Itália). Será um seminário dedicado ao que significa “dizer Deus no feminino” que terá lugar hoje, 10 de novembro e sábado, 11, na Salone Bolognini do Convento de São Domenico de Bolonha (Itália) intitulado “Escrever sobre Deus. Chiara Lubich e a tradição mística feminina da Idade Média ao século XX. Uma jornada com muitas vozes.” Promovido pela Faculdade Teológica de Emilia-Romagna (Fter) em conjunto com o Centro Chiara Lubich e o Instituto Universitário Sophia, este percurso visa oferecer insights e reflexões sobre a questão da linguagem mística com atenção ao misticismo do século XX e, especificamente, com atenção à linguagem das mulheres. Uma verdadeira viagem “a uma página da história do misticismo feminino realmente pouco explorada” – afirma o padre Gianni Festa, professor dominicano da Fter, um dos promotores do evento. De que maneira a linguagem pode testemunhar uma experiência tão íntima e profunda como aquela com Deus? Como é que os místicos, desde a tradição medieval até ao século XX, garantiram que a palavra preservasse esta experiência e como a devolveram ao mundo? Todas estas são questões que serão examinadas no contexto do seminário, a partir de análises históricas, literárias e linguísticas, testemunham – como nos diz o Padre Gianni Festa – “que dizer Deus no feminino significa dizê-lo de uma maneira diferente e é por isso que a linguagem feminina, que fala de Deus, que fala da experiência mística, deve ser absolutamente compreendida”. Uma dimensão que, através da intervenção de numerosos convidados e estudiosos, será explorada por ocasião desta conferência a partir da figura do século XX de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares. “A experiência da Lubich – continua Padre Festa – estará ligada tanto a nível diacrônico a figuras importantes da tradição mística medieval como alguns doutores da Igreja, como Catarina de Sena ou Teresa de Ávila, mas sobretudo a outras experiências místicas e escritos do século XX, alguns mais conhecidos, como Etty Hillesum, Madeleine Delbrêl; outras menos conhecidas, como a irmã Maria, a grande amiga mística de Dom Primo Mazzolari. A questão da linguagem mística, da teologia subjacente ao misticismo feminino, será, portanto, explorada, e os caminhos individuais desta experiência serão certamente identificados.” Para mais informações, entre em contato com a secretaria da Fter ou consulte o site do Centro Chiara Lubich. Para participar do evento, inscreva-se para os dois dias na seção “Eventos” do site do Fter.
Em diálogo para o bem do planeta: esse é o ímpeto por trás do Programa Green Care, um evento organizado por iniciativa do Multipolar Dialogue que ocorreu na Bélgica de 25 a 29 de outubro de 2023 A ecologia, um tema de crescente interesse global, atrai sempre mais a atenção de muitas pessoas. O papa Francisco sublinha a necessidade urgente de enfrentar as questões ambientais por meio da sua encíclica “Laudato Si’”. Apesar desses apelos, a dura realidade permanece: houve pouquíssimas melhoras tangíveis. O que falta nos nossos esforços coletivos e o que podemos fazer a mais para proteger o nosso planeta? Para buscar as respostas a essas perguntas e encontrar maneiras de agir coletivamente, um grupo heterogêneo de 50 pessoas provenientes de mais de 13 países diversos se reuniu no Centrum Eenheid, em Rotselaar, Bélgica, de 25 a 29 de outubro de 2023 para um evento “transformador” de quatro dias. A missão: empenhar-se em dialogar, adquirir conhecimento e trocar experiências para melhorar o cuidado com o nosso planeta. Organizado pela Multipolar Dialogue, iniciativa que reúne cidadãos da Europa Ocidental e Oriental em uma metodologia baseada na prática de um “pacto de amor”, sobre o qual se pode construir um espaço de confiança, o evento ofereceu um mix rico de conferências, discursos, diálogos e boas práticas, criando um espaço dinâmico para a partilha de experiências e conhecimento. Os participantes se envolveram em diálogos estimulantes sobre uma série de assuntos, como o desenvolvimento sustentável, a biodiversidade, a ecologia integral e a redução de barulho. Além desses diálogos, os participantes tiveram a oportunidade de compartilhar suas experiências, como iniciativas como hortas escolares e comunitárias, “Greening Africa Together“, “Grüne Dach Impulse” que participaram dos workshops. Além disso, o evento ficou ainda melhor com a presença de especialistas que enriqueceram os diálogos e forneceram aos participantes uma compreensão completa dos desafios e das soluções. O dr. Helmut Maurer, uma autoridade em matéria ambiental, compartilhou perspectivas preciosas durante uma entrevista focada na atuação do Green Deal, iluminando passos práticos necessários para enfrentar questões ambientais. Lorna Gold, presidente do Movimento Laudato Si’ e CEO da FaithInvest, levou sua bagagem de experiência ao evento, inspirando os participantes com a sua sabedoria e visão. Uma iniciativa multiprojeto Esse evento não foi apenas um encontro por si só, mas um componente crucial da iniciativa mais ampla “Project DialogUE“. O objetivo geral dessa iniciativa é aquele de envolver ativamente os cidadãos, dando a eles uma plataforma para exprimir as próprias preocupações e ideias. No âmbito dessa missão, o evento tinha um escopo bem preciso: facilitar diálogos significativos e formular propostas a serem apresentadas para a União Europeia. Para perseguir esse objetivo, os participantes tiveram a oportunidade única de visitar as instituições da UE, aprofundando os processos e os caminhos por meio dos quais suas propostas e requerimentos puderam ser encaminhados. O “Progetto DialogUE” se alinha ao comprometimento do Movimento dos Focolares de escutar o grito da terra e responder às suas necessidades. Esse empenho foi incluído no EcoPlan – a declaração do Movimento dos Focolares para a ecologia integral – que foi apresentado durante o evento, delineando um percurso em direção a um futuro mais sustentável e consciente da ecologia integral. Conectar-se para a mudançaAlém dos conhecimentos preciosos adquiridos e das experiências compartilhadas, esses quatro dias causaram um impacto profundo nos participantes. Eles se sentiram mais do que simples participantes; tornaram-se parte de uma comunidade global com uma preocupação em comum pelo bem-estar do nosso planeta. O senso de conexão, o diálogo e o escopo coletivo eram palpáveis, já que indivíduos provenientes de contextos e países diversos se reuniam para responder ao grito da Terra. Como disse Anna Waibel, uma das forças principais do projeto Hortas Escolares na Áustria, “Para mim foi realmente fantástico ver que a minha escola não é o único lugar que procura mudar algo, mas que outros também querem fazê-lo. Notei que nada funciona sem a comunidade e sem agir juntos”. Anny Hesius, coordenadora do Diálogo Multipolar da Bélgica, resumiu de modo apropriado o sentimento coletivo, dizendo: “A proposta era de nos abrir um ao outro para escutar e trocar conhecimento e isso nos tornou mais conscientes, mais fortes, mas corresponsáveis e mais decididos. Nós nos tornamos uma verdadeira família. Protagonistas da paz e da justiça, do amor para com os habitantes da terra e da nossa casa comum”. Nesses quatro dias, os participantes não só ampliaram seus conhecimentos em matéria de ecologia, mas também encontraram um sentido de determinação e de comunidade, partindo com uma vontade renovada de colaborar para realizar uma mudança significativa em escala global.
Na frase “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 21), está iminente o pedido de viver radicalmente a nossa fé, e amar significa precisamente isto: fazer a vontade de Deus que nos dá tudo e faz isso sem meias medidas; reconhecer Sua voz no barulho ensurdecedor do mundo e escolhê-la como caminho principal na vida cotidiana.Nas periferias entre os pobres Provocados pela situação de degradação e pobreza de muitas famílias do nosso território, e estimulados pela Palavra de Deus, alguns de nós, depois de termos apresentado a proposta às autoridades religiosas e civis, agimos para nos dedicarmos em particular às crianças das periferias. Primeiro, algumas mães que moram em barracos se ofereceram para ajudar famílias ainda mais pobres. Nosso atendimento começa com o cadastramento e pesagem das crianças de zero a cinco anos, orientação às mães sobre alimentação alternativa (de baixo custo e com alto valor nutricional), vacinação, amamentação e educação. É apenas um primeiro contato para depois enfrentar problemas mais graves: desemprego, alcoolismo, abandono, fome, falta de moradia, drogas, pobreza. Com as nossas famílias vamos todos os fins de semana em auxílio dos que vivem nos barracos para lhes oferecer, com a ajuda de outros cristãos, melhores condições de vida. A comunhão de bens criada entre nós contribui para melhorar a qualidade de vida destas crianças para que não só vivam, mas tenham a garantia de uma vida digna. (M.N. – Brasil) Um trabalho inesperado Na cidade onde moramos, há algum tempo, chegou um casal com cinco filhos. O pai estava desempregado e teve que mudar de casa por motivos de saúde. Como a sua profissão era compatível com a do meu marido e, como além disso, nos foi prometido um trabalho importante, decidimos contratá-lo para a nossa empresa. Depois de alguns meses, porém, o trabalho com que contávamos desapareceu e começamos a nos preocupar com o futuro. Naquele período, a Palavra do Evangelho que nos propuséramos viver convidava-nos à oração porque, dizia o comentário, existem duas tentações: «A presunção de conseguir sozinhos e o medo de não conseguir. Pelo contrário, Jesus assegura-nos que o Pai celeste não nos deixará faltar a força do Espírito se estivermos vigilantes e o pedirmos com fé”. Então, com fé voltamo-nos para ele, confiando-lhe a nova situação, certos de que ele pensaria nisso. No dia seguinte, meu marido recebeu um trabalho importante e inesperado. Desde então não nos faltou mais trabalho e o recém-chegado continua a trabalhar para nós. (M.R. – Suíça) O empréstimo Durante o primeiro período escolar, compartilhei minha bolsa com outro aluno, de uma família muito pobre, que não tinha condições de pagar o cartão da cantina. No início do segundo trimestre, ele me confidenciou que seus pais precisavam urgentemente de dinheiro e me pediu um empréstimo. Eu havia reservado uma quantia para livros e comida, mas por amizade decido atendê-lo. Depois disso, fiquei alguns dias sem vê-lo, enquanto antes ele sempre vinha falar comigo. Estava começando a me preocupar e até a ficar com raiva. Então, de repente, o Evangelho veio em meu auxílio com o pensamento de que é certo ajudar um próximo que está em situação pior do que a minha. Assim que me acalmei, fui visitá-lo em sua casa. Assim que nos vimos, ele me disse que não tinha aparecido novamente porque estava com vergonha de ainda não ter dinheiro para me pagar e que não sabia o que fazer. Eu o tranquilizei, dizendo que ele me devolveria quando pudesse e que, caso contrário, estaria tudo bem: o importante era a nossa amizade, que não devia falhar. (J.B. – África)
Por Maria Grazia Berretta
(extraído de Il Vangelo del Giorno, Città Nuova, ano IX – nº 1 setembro-outobro de 2023)