15 Set 2023 | Sem categoria
Fazer com que a nossa vida se torne um louvor contínuo a Deus, reconhecendo o seu amor e a grandeza das suas obras nas nossas vidas. É a isso que este Salmo nos convida e representa o fundamento de toda oração, especialmente quando, no amor aos irmãos e irmãs que encontramos, compreendemos a plenitude da gratidão. Ajuda concreta para quem está perto e longe A guerra na Ucrânia também semeou em nós apreensão e medo. Em resposta a esse vento maléfico, à medida que o inverno passado avançava, nós e outros amigos do bairro comprometemo-nos a fornecer agasalhos e, para colmar também a falta de eletricidade, geradores e lanternas para enviar aos nossos vizinhos da fronteira. Mas uma coisa levou à outra e, olhando ao redor, estendemos esta ação solidária para incluir os necessitados da nossa cidade. Sem nos apercebermos, surgiu um setor transversal da sociedade ao qual não havíamos prestado suficientemente atenção. Alguém nos disse que foi necessária a guerra na Ucrânia para abrir os nossos olhos. Hoje, além de continuarmos as recolhas para as vítimas da guerra, também trabalhamos por esses vizinhos mais próximos que precisam de nós. (J.M. – Hungria) Esperança Na sala de espera de uma rodoviária, noto a presença de uma senhora jovem, bonita e elegante. Há sinais de sofrimento sombrio em seu rosto. Entramos no mesmo ônibus. Depois, no balcão da estação ferroviária, retiramos o bilhete para o mesmo destino. Vou lançar algumas frases superficiais enquanto nos dirigimos para a nossa plataforma. Infelizmente, nosso trem acabou de partir; temos duas horas de espera pela frente. Sugiro à senhora que nos sentemos na sala de espera. Diante de seu rosto sempre tenso, deixo de lado meus problemas e o cansaço e decido ouvi-la. Enquanto ela me fala sobre a provação que vive há meses, me pego revivendo um drama que já vivi. Converso com ela sobre isso. Mais tarde, na estrada, a conversa fica tão intensa que nem percebemos que chegamos ao destino. Tento cumprimentá-la, mas ela quer me acompanhar até o local onde devo ir, para não interromper a conversa. Agora seu rosto está relaxado, seu fardo ficou mais leve. Então adeus. Talvez eu não a veja novamente, mas tenho certeza de que ainda há esperança nela também. (R.A. – Inglaterra)
Vivemos de sorrisos É gratificante para mim, médica de cuidados paliativos, ser recebida pela manhã com um sorriso e o rosto descontraído por quem, na noite anterior, ficou com medo de como a passaria devido às dores: sim, correu tudo bem, e eu me sinto muito melhor. Não era óbvio: os opiáceos, na verdade, ainda são drogas temidas porque são pouco conhecidos e era necessário um diálogo aberto entre médico e paciente. Observo a postura de outro paciente, cujas expressões faciais se reduzem a acenos de olhos. “Mas senhora, você está com dor?”. O fechar das pálpebras é um assentimento e me pergunto: como não percebi isso antes? Tendo proposto e aceitado a terapia, sua expressão sempre carrancuda relaxa e seus olhos sorriem. Quando me vejo enfrentando meu limite todos os dias, também posso não sorrir. Nesses momentos o outro (um colega, um familiar, um operador) funciona como meu “espelho” e me ajuda a olhar para dentro de mim. Preciso de uma boa dose de humildade para aprender a me aceitar. Mas então sorrio de como estou e, passada a nuvem, vejo a possibilidade de começar a amar novamente. (Paola – Itália)
Por Maria Grazia Berretta
(extraído de Il Vangelo del Giorno, Città Nuova, ano IX – nº 1 setembro-outubro de 2023)
8 Set 2023 | Sem categoria
No dia 08 de agosto, aos 99 anos de idade, Livia Groff Goller, focolarina casada de Trento (Itália), da primeira comunidade do Movimento dos Focolares que se formou ao redor de Chiara Lubich, voltou à casa do Pai. Vamos recordá-la por meio de um breve trecho no qual nos conta qual foi a verdadeira conversão para ela.
“Se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2 Coríntios 5:17). Essa é a frase tirada do Novo Testamento que Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, entregou como lema para a vida de Livia Groff Goller que, aos 99 anos, no último dia 08 de agosto, terminou a sua viagem nesta terra. Nascida no dia 25 de maio de 1924, a terceira de 7 irmãs, começou a trabalhar ainda jovem como vendedora em Trento e, aos 21 anos, por convite de uma amiga, Doriana Zamboni, uma das primeiras companheiras de Chiara Lubich, a encontrou e se juntou ao grupo de moças, que levavam as frases do Evangelho ao pé da letra, as colocavam em prática e contavam uma à outra os efeitos de viver aquelas palavras. Para Livia, esse encontro foi uma verdadeira inspiração. A descoberta do amor de Deus e a descoberta de Jesus presente em cada próximo foram a estrela polar da sua vida e o guia certo em um caminho sempre compartilhado com o marido, Olivo Goller, e os filhos, Diego, Maria Elena e Andrea. Testemunha de grande fortaleza e proximidade ao próximo, enfrentou as várias provas que a vida lhe colocou, sustentada pela fé em Deus e no seu amor. Durante 37 anos, cuidou do marido Olivo que, devido a um acidente inexplicável de trânsito, ficou com as pernas paralisadas e não pôde mais caminhar pelo resto de sua vida. Outra grande prova chegou para ela aos 61 anos, quando a filha Maria Elena morreu repentinamente aos 33 anos, devido a um infarto, em Predazzo, perto de Trento, onde dava aulas. Com grande coragem e concretude, Livia sempre procurou colocar Jesus ao centro de todos os relacionamentos, e com extrema gentileza soube cuidar de quem quer que encontrasse em seu caminho, acompanhando os filhos Diego e Andrea, ambos focolarinos, nas escolhas da vida; dando apoio aos doentes, como ministra da Eucaristia, como já havia feito com o marido; convidando tantos a rezar. Uma beleza encarnada que muitos reconheciam, que ia além do comportamento, mas escondia em si um segredo: olhar para o amor de Jesus na cruz que grita o abandono, reconhecendo-o nas provas da vida e aceitando-o sem hesitar. Compartilhamos a seguir um breve trecho de uma entrevista feita a Livia Groff em Trento, datada de 13 de dezembro de 2011, na qual conta sobre o seu primeiro encontro com Chiara Lubich e do início de uma viagem que mudou a sua vida. Ver o vídeo (ativar legendas em português) https://youtu.be/vmFJ5v15rLg
31 Ago 2023 | Sem categoria
O Tempo da Criação é um momento em que os cristãos do mundo inteiro se unem em oração e ação para cuidar da nossa casa comum. Um tempo de graça que as Igrejas Cristãs indicam a todos para renovar a relação com o Criador e com a criação, através da meditação, da conversão e do compromisso comunitário. Este período, que se inicia, todos os anos, no dia 1º de setembro com uma celebração ecumênica por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, termina no dia 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis, padroeiro da ecologia, amado por muitas denominações cristãs. O tema escolhido para este 2023 é “Deixem fluir a justiça e a paz” e se inspira nas palavras do profeta Amós: “Assim como as águas correm a justiça e a justiça como uma torrente perene”. (Amós 5:24). A esperança, portanto, é que, como um “rio caudaloso”, estes dois elementos, justiça e paz, possam invadir o nosso planeta com bem-estar e beleza. Este é um desafio que certamente nos mobiliza, ao qual cada um, como povo de Deus, é chamado a responder, empenhando-se na linha da frente e à sua maneira, para construir pontes de diálogo, pela justiça climática e ecológica, pela escuta aos mais afetados pela perda de biodiversidade. Muitas atividades e iniciativas foram lançadas no mundo inteiro em preparação para o dia de abertura, como a promovida pelo Movimento Laudato Sì, que convida você a rezar pela justiça climática e a compartilhar esta oração com todos os negociadores e líderes políticos da COP28 (https://laudatosimovement.org/it/prega-con-noi-per-la-giustizia-climatica/ ). Para participar do Encontro Ecumênico de Oração no dia 1º de setembro será possível se inscrever e acessar através do seguinte link: https://us06web.zoom.us/webinar/register/WN_s6x-_ULjRZWRyzUYGNAhAg#/registration. Para mais informações, visite o site https://seasonofcreation.org/it/. https://youtu.be/HCRw-n5neC4?si=iC8gk_jR0t_L5Vz6
26 Jul 2023 | Sem categoria
A 37ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que ocorrerá de 31 de julho a 6 de agosto de 2023 em Lisboa (Portugal), já está chegando e muitos jovens estão se preparando para vivenciar esse evento global juntamente com o papa. São várias as iniciativas promovidas, assim como são numerosas as pessoas que, já há meses, trabalham com dedicação para esse momento de verdadeira família para a Igreja. Aqui vão alguns testemunhos. Está tudo pronto. O sol está alto sobre as sete colinas de Lisboa (Portugal) e a brisa do oceano traz consigo um ar de novidade e de espera: a JMJ está batendo à porta e os jovens do mundo inteiro estão chegando. Depois de meses de preparação e depois de ter feito várias paradas no país, no fim de semana passado, a Cruz do Peregrino e o Ícone de Nossa Senhora “Salus Populi Romani”, símbolos da Jornada, finalmente chegaram a Lisboa e agora estão prontos para acolher os primeiros jovens que chegam para as “Jornadas nas dioceses” que acontecem de 26 a 31 de julho de 2023 nas 17 dioceses de Portugal, continente e ilhas. É um modo de preparar os peregrinos e as comunidades que os hospedam para entrarem no evento e vivê-lo com plenitude. “Quando nos foi comunicado que a JMJ seria em Lisboa, acolhemos a notícia com uma imensa alegria. Tenho certeza de que será uma ocasião de graças para cada um dos participantes, assim como para o nosso país. No meu caso, sinto que devo estar aberto às surpresas que o Espírito quer comunicar”, diz o padre José Cardoso de Almeida, pároco de Sátão, na diocese de Viseu, sacerdote voluntário do Movimento dos Focolares.
Ele, que conseguiu viver em primeira pessoa a espera e o entusiasmo de várias JMJs, sentiu logo o chamado, como tantos voluntários, a colocar a mão na massa para organizar a Jornada que aconteceria justamente “em casa”, motivando os jovens e acolhendo aqueles que chegariam de várias partes do mundo: “Este último ano foi um período de encontros frequentes. Foram organizadas muitas atividades para ajudar a cobrir as despesas daqueles que tinham mais dificuldade para participar. Como ‘pequenos construtores’ dessa JMJ, junto com muitos, contribuí para motivar algumas famílias a abrir suas portas para jovens estrangeiros nas ‘Jornadas nas dioceses’. Na nossa região, acolheremos cerca de 3000 jovens, em particular, franceses. Depois, partiremos para Lisboa e darei uma mão para o sacramento da Reconciliação durante o evento”. Uma experiência concreta que mostra quanto o colocar-se a serviço gera inúmeros frutos nas várias comunidades. “Como a descoberta da beleza de trabalhar juntos”, conta ainda o P. José. “Acho que os jovens de hoje precisam descobrir que o segredo da felicidade está no amor verdadeiro e na experiência, como diz o papa Francisco, de ‘sair de si mesmos’ e ‘estar com e para os outros’. Essa é a verdadeira unidade.” E é nesse “sair” que encontramos a figura da Virgem Maria, pronta a “se levantar e partir apressadamente”, como anuncia o mote dessa JMJ, indo ao encontro de Isabel. Um “convite para ir ao encontro de Jesus, vivo na família, no trabalho, na vida social e política”, explicam Ana e José Maria Raposo, da paróquia de Nossa Senhora da Conceição dos Olivais Sul, de Lisboa. Voluntários de Deus no Movimento dos Focolares, Ana e José são casados há 45 anos, têm cinco filhos e quatro netos e são uma das tantas famílias portuguesas que hospedarão na própria casa os jovens que participarão da JMJ.
“Porque os jovens, como Maria, vivem a vocação deles, é necessário crer e torná-los protagonistas, sem esquecer da intergeracionalidade”, nos dizem, “é necessário acreditar que já hoje mudamos o mundo se mudamos o coração, se liberamos a mente, se saímos da própria zona de conforto, se olhamos ao nosso redor e vemos Jesus em todos; é necessário crer que o mundo unido é possível”. É uma experiência que olha para esse tempo tão frágil, olha para o outro e ganha força graças também ao testemunho concreto de quem, com essa certeza de amor, quer colocá-la a serviço inclusive no “acolhimento” que, continuam Ana e José, “significa ser uma família para quem chega. Foi espontâneo para nós nos juntarmos logo à acolhida dos jovens peregrinos que participarão da JMJ. Sempre acolhemos na nossa casa quem precisava porque estava de passagem, viajando e os últimos meses foram também uma oportunidade para rever alguns aspectos e reorganizar os espaços de modo que os jovens que chegam se sintam realmente em casa”. A Jornada Mundial da Juventude continua a se revelar, ainda hoje, um grande evento da Igreja que, em torno do papa e dos jovens do mundo inteiro, se faz “Comunidade”. E quer ser, como afirma o Padre José Cardoso de Almeira “um laboratório do Reino de Deus e a imagem daquela fraternidade universal que vem do Evangelho”.
Maria Grazia Berretta
25 Jul 2023 | Sem categoria
“Quem der apenas um copo de água fresca a um desses pequenos, por ser meu discípulo, em verdade vos digo: não perderá sua recompensa” (Mt 10,42) é a Palavra de Vida deste mês e é a missão para a qual cada um de nós é chamado, precisamente como os discípulos: ser testemunhas críveis do Amor de Cristo, na concretude dos gestos que fazem parte da nossa vida cotidiana, um amor que circula, que se dá com alegria e, com surpresa, se recebe em abundância. No estacionamento Quando cheguei no estacionamento encontrei o carro novo, que meu pai me havia emprestado, riscado. O que fazer? Muito chateado pelo sofrimento que eu lhe causaria, pensava na despesa que teria com o reparo. Foi quando notei, preso no painel, um pequeno objeto com esta frase: “… lançai Nele toda a vossa preocupação, porque Ele cuida de vós”. Tentei fazer assim. E logo senti paz, o que eu precisava para entender o que fazer. Estava distraído quando escutei alguém bater na janela do carro. Uma senhora queria falar comigo. Era ela que tinha riscado o carro e tinha ido embora pensando em se esquivar, mas o remorso fez com que voltasse. Então, deu-me seu número de telefone e disse que estava disposta a pagar as despesas. Surpreso e agradecido, contei a ela como eu tinha encontrado paz lendo aquela frase no painel. Pensativa, ela disse: “Foi mesmo Ele que me fez voltar atrás”. (Z. X. – Croácia) O lugar certo Quando fui transferida para a unidade de terapia intensiva percebi que minha missão de médica teria sido colocada à prova, mas, ao mesmo tempo, sentia que aquele era o “meu” lugar. Durante os meus anos de profissão, ainda não tinha acontecido de trabalhar num setor deste tipo, onde todo dia o sofrimento das pessoas se apresenta das formas mais trágicas: acidentes graves, problemas neurológicos… e geralmente de pessoas jovens. Em suma, eu não me sentia segura de estar à altura. Encontrava a força na ideia de colocar-me à serviço de Jesus que se identificava também com eles: “a mim o fizestes”, Ele havia dito. Depois de seis meses de trabalho naquele local, a direção do hospital me indicou como responsável do departamento. As motivações dessa indicação: minha capacidade de integração com os colegas, minha atitude de calma e paz, minha atuação profissional. No dia seguinte, estando na capela, agradeci a Jesus: tinham sido as Suas palavras a tornar-me aquilo que os outros precisavam, especialmente ali, naquele lugar. (J. M. – Espanha) A prova Eu estava estudando para uma prova difícil, na universidade, quando veio me encontrar um amigo que passava por um momento difícil com sua namorada. Eu o recebi e, enquanto preparava um lanche para ele, começamos a conversar. A lembrança da prova me preocupava muito, mas procurei afastá-la para me concentrar em escutar meu amigo, tão agitado e sofrido que não percebia que o tempo passava e já era hora de ir dormir. No final lhe convidei para passar a noite. Já era muito tarde e eu não tinha nem a força de abrir o livro. No dia seguinte acordei com um telefonema: um colega me avisava que eu estava sendo aguardado para a prova. Ainda meio adormentado, eu me preparei rapidamente para sair, enquanto meu amigo continuava a dormir. Eu esperava tudo, menos passar naquela prova! Muito feliz, voltei para casa e encontrei um bilhete em cima da mesa: “Não sei como lhe agradecer. Você me demonstrou que eu tenho valor. E me deu uma força nova. Eu também quero ser ‘tudo para os outros’”. (G. F. – Polônia)
Aos cuidados de Maria Grazia Berretta
(retirado de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, ano IX – n.1° julho-agosto de 2023)