Movimento dos Focolares

Chiara Lubich: Nossa Senhora, artífice de fraternidade

Assim como cuidou de seu filho Jesus e o amou, Maria deseja o bem de cada pessoa. Ela, criatura humana, é o modelo de cada cristão e, espelhando-nos nas etapas de sua vida, podemos dar a nossa contribuição para a construção de um mundo novo. Embora o nosso planeta esteja permeado por inúmeras tensões, Maria nos mais variados modos chama os homens à unidade e deseja vê-la em todos os campos. Quer famílias unidas; as diversas gerações unidas; pede a unidade entre as raças, entre os povos, entre os cristãos e, dentro do possível, com os fiéis de outras religiões e também com todos aqueles que não possuem um referencial religioso, mas procuram o bem do homem. Ela ama a humanidade inteira e quer a fraternidade universal. (…) Que Maria, que fez de Deus o Ideal de sua vida, faça com que também seja este o nosso Ideal! Que Maria, que fez sua a vontade de Deus na encarnação e durante toda a vida, nos ajude a cumpri-la perfeitamente! Que ela, que amou o próximo, como demonstrou ao visitar Santa Isabel e nas bodas de Caná, infunda no nosso coração a caridade! Que Maria, que viveu plenamente o amor recíproco na família de Nazaré, nos ajude a colocá-lo em prática também nós! Que Maria, que soube oferecer cada dor aos pés da cruz, fortaleça os nossos corações quando essa nos invadir! Que Maria, que é mãe universal, alargue o nosso coração a toda a humanidade!

Chiara Lubich

(Chiara Lubich, Discurso na Basílica de Santa Maria Maggiore, Roma, 30-11-1987, em Maria Transparência de Deus, Cidade Nova, 2003, p 78/9)

Argentina: construir uma casa, uma família, um futuro   

Argentina: construir uma casa, uma família, um futuro  

“Dar” é como um vento que abre muitíssimas portas. É a experiência de alguns adolescentes do Movimento Juvenil pela Unidade que sustentaram uma família em necessidade na periferia da grande Buenos Aires, Argentina, e a história de uma amizade que os levou a compartilhar momentos e xperiências realmente inesperadas. O trabalho iniciado há poucos meses pelo Movimento Juvenil pela Unidade (MJpU) das cidades de Rodríguez e Luján, na província de Buenos Aires, juntamente com os Jovens por um Mundo Unido e os membros da comunidade, deu passos tão inesperados quanto providenciais. Tudo começou no Natal de 2021, quando alguns adolescentes do MJpU, pensando no fato de haver muitas famílias que não podiam festejar com algo gostoso em suas mesas naqueles dias, decidiram agir concretamente. O primeiro movimento foi contatar a família de Tiziano, um menininho de cinco anos que morava com seus pais em condições bem humildes, e preparar para eles uma caixa rica, cheia de coisas deliciosas para comer em um momento tão especial: um frango, uma salada, um bom vinho, cidra, panetone, um pudim e alguns refrigerantes. Também pensaram em um presente. Mas a alegria do trabalho feito não parou ali. Quando os adolescentes do MJpU levaram a caixa de Natal para a família, puderam conhecer de perto a realidade em que aquelas pessoas viviam. Ter um alojamento decente, mesmo que somente para não ficar no frio durante o inverno, parecia uma utopia. “Foi chocante”, lembram os adolescentes, “mas ao mesmo tempo, um momento de verdadeira alegria. Ademais, conversando com os pais de Tiziano, surgiu o assunto do entusiasmo do menino de começar o primeiro ano na escola e a resposta concreta doi unânime: ‘nós o sustentamos!’”. “Decidimos comprar para ele tudo o que precisaria para a escola: sapatos, meias, camiseta, calça, jaleco, mochila, caderno, lápis”, disseram os adolescentes do MJpU, que receberam a ajuda financeira também de outros jovens, amigos de Mendoza (outra cidade da Argentina) e da Guatemala. Ainda se lembram do primeiro dia de escola de Tiziano: “A mãe nos mandou as fotos do menino com suas coisas novas, ficamos realmente muito felizes”. Mas tem mais. Algum tempo depois, algumas voluntárias de Deus, aderentes e simpatizantes que compõem o grupo das donas de casa do Movimento Humanidade Nova comunicaram a eles que haviam conseguido de providência um dinheiro para comprar materiais para construir uma casa para a família. Ricardo, o pai, conhecia bem o trabalho de pedreiro e tinha um pouco de areia e algumas pedras. Desse modo, a ajuda econômica se transformou em tijolos e cimento, e, em 20 dias, a casa estava de pé. O inverno estava se aproximando e era muito importante para eles ter um abrigo. Uma mensagem de voz de Tiziano no WhatsApp confirmou isso: “Obrigado por terem doado os tijolos do meu quarto”.

(da revista Ciudad Nueva Cono Sur)

Brasil, Mariápolis Ginetta: 50 anos de unidade e diálogo com a sociedade

Brasil, Mariápolis Ginetta: 50 anos de unidade e diálogo com a sociedade

A Mariápolis Ginetta celebrou seu jubileu de ouro em 15 de agosto de 2022. O sonho dos pioneiros agora é uma realidade: um farol de unidade, de diálogo e de uma nova sociedade para todos. Desde sua origem, a Igreja Católica tem procurado de várias maneiras viver o mandato de Jesus na chamada oração sacerdotal: “Pai, que eles sejam um, como nós somos um” (cf. Jo 17-21). Unidade e diálogo são, ainda hoje, a base das ações e de teorias eclesiais, e foi precisamente durante a Segunda Guerra Mundial, na cidade de Trento, na Itália, que Chiara Lubich, então com 21 anos, percebeu que queria viver e difundir a unidade entre todos os povos do mundo, crentes e não-crentes. No Brasil, através da Mariápolis Ginetta, esta missão tem sido frutífera há 50 anos. A “cidade sobre o monte” Ao fundar o Movimento dos Focolares, e tomando suas experiências como ponto de partida, Chiara Lubich pensou que seria bom estabelecer cidades “sobre o monte” que fossem visíveis e luminosas, como verdadeiros faróis para a sociedade, onde as pessoas pudessem viver em comunhão umas com as outras, com o Evangelho e com a presença constante de Deus. Hoje, no mundo existem 35 Mariápolis permanentes, como são chamadas essas pequenas cidades nascidas dos Focolares. Três delas estão localizadas no Brasil: a Mariápolis Santa Maria, perto de Recife; a Mariápolis Glória, perto de Belém e a Mariápolis Ginetta, localizada no Estado de São Paulo, em Vargem Grande Paulista, que na Festa da Assunção, 15 de agosto, celebrou seu jubileu de ouro. A Mariápoli Ginetta Fruto da providência de Deus, testemunhada por muitas ações, tem sido um lugar de encontros de espiritualidade e sociais para milhares de pessoas de muitas partes do mundo. Habitada por famílias, pessoas consagradas, leigos, sacerdotes e até mesmo pessoas de outras denominações religiosas, a cidade emblemática é um espaço onde cada visitante pode experimentar a presença de Deus. Karina Gonçalves Sobral, que vive com seu marido e duas filhas na comunidade, enfatiza a importância da espiritualidade da unidade e dos valores contidos na cultura local: “A Mariápolis tem como missão ser um lugar de encontro, um lar aberto para todos. E é verdadeiramente para todos. Aqueles que vêm aqui devem se sentir bem-vindos. É parte do nosso carisma, que é acolhedor”. “Em relação aos vários terrenos que nos tinham sido propostos para a instalação da Mariápolis, há cinquenta anos, este em Vargem Grande realmente parecia ter as características certas para ser um espaço fecundo, onde pudéssemos encarnar visivelmente o Ideal da unidade. Aqui nos estabelecemos e hoje celebramos um marco importante”, diz Maria do Socorro Pimentel, uma focolarina que vive na cidadela há mais de 40 anos. A presença da Fundadora Chiara Lubich visitou várias vezes o Brasil, e em uma de suas viagens, em 1991, percebendo a grande desigualdade social da população brasileira, foi particularmente inspirada. Nessa ocasião, ela criou, precisamente na Mariápolis Ginetta, a Economia de Comunhão, cujo principal objetivo é desenvolver uma rede de empresas que compartilham seus lucros, contrastando a cultura do ter com a cultura do dar. A Mariápolis recebeu o nome de uma das primeiras companheiras de Chiara Lubich, a Serva de Deus Ginetta Calliari, uma das maiores apoiadoras da construção desta “cidade sobre o monte” e uma das responsáveis pelo início do Movimento dos Focolares no Brasil. O seu corpo está enterrado no cemitério da Cidadela, onde muitos dos fiéis vão pedir graças.

Reconhecimento Já em maio de 2022, o município de Vargem Grande Paulista reconheceu o trabalho social e espiritual realizado pelo Movimento dos Focolares na cidade e a importância não só de seu Centro Mariápolis, mas de todas as obras que são realizadas envolvendo crianças, adolescentes e jovens. Não se pode esquecer o trabalho das casas para os sem-teto e seu Sistema de Comunicação, que trouxe investimento, parceria e notoriedade à cidade. Por ocasião da Santa Missa celebrada na segunda-feira, 15 de agosto de 2022, por Dom João Bosco, Bispo de Osasco, o Papa Francisco enviou a Bênção Apostólica escrita como sinal de gratidão por esta missão realizada pelo Movimento dos Focolares na cidade, no Estado de São Paulo e em todo o Brasil.

Ronnaldh Oliveira (do artigo publicado em cancaonova.com)

Evangelho Vivido: a concretude do amor

Amar nos impulsiona a sair de nós mesmos, fazendo o bem e nos aproximando do outro, ultrapassando a indiferença. Colocar a mão na massa e nos empenhar nos lembra o quanto Deus nos amou por primeiro e qual é o sonho que colocou no nosso coração. Dezessete mil quilos de livros Ao conversar com amigos sobre a crise na Argentina, soubemos da grande carência de textos escolares no país. Então, nasceu a ideia de fazer uma arrecadação entre as famílias que conhecíamos. A resposta foi imediata e generosa. Não faltaram outras iniciativas: inserções nos jornais, pedidos nas rádios, espaço para falar nas paróquias e em diversas associações de pais. Muitos se empenharam em primeira pessoa também em outras cidades. Arrecadamos dezessete mil quilos de livros de todos os níveis escolares para enviar à Argentina pelo mar. Teve até quem, em um mês, envolvendo outras pessoas, arrecadou duzentos quilos de livros e o dinheiro para o transporte. Em alguns casos, por falta de experiência, foi difícil pensar em muitos particulares importantes (por exemplo, as caixas adequadas para o transporte, as regras alfandegárias, etc). Mas para tudo se encontrava uma solução. Também pudemos contar a muitos o que nos impulsionava a fazer essa ação: o ideal de um mundo mais unido e solidário. (S.A. – Espanha) Juntos no trabalho Sou enfermeira em um centro de serviços sociais. Um casal pobre com uma criança de nove meses dirigiu-se a mim para serem atendidos. Não tinham dinheiro nem para o ônibus; a mulher havia machucado a mão e o menino precisava completar suas vacinas. Eu não podia atender os pedidos deles devido a procedimentos muito rígidos, mas dentro de mim sentia o impulso de fazer algo por aqueles irmãos. Depois de terminar de atender uma emergência, dei um jeito de responder a todas as exigências daquela família, para evitar que tivessem de comprar as passagens de ônibus para um próximo atendimento. A um certo ponto, espontaneamente, outra enfermeira se ofereceu para ajudá-los no meu lugar: cuidou da mão da senhora, a quem ofereceu também outros medicamentos, e vacinou o menino. Estava feliz por poder ajudá-los e eu também estava. (Maina – Canadá)

Por Maria Grazia Berretta

(trecho extraído de O Evangelho do Dia, Città Nuova, ano VIII, n.2, julho-agosto2022)

Chiara Lubich: imitar Maria, vivendo a Palavra de Deus

Em 1976, na rubrica da revista Città Nuova “Diálogo aberto”, um leitor dirige a Chiara Lubich esta pergunta: “De vez em quando algo me recrimina, pois não amo suficientemente Maria, penso pouco nela. Na sua opinião, o que é preciso fazer para ter uma verdadeira devoção por Maria?” Eis a resposta de Chiara. Maria está mais perto de Deus do que do homem, mesmo assim é criatura, como nós, criaturas, e assim é diante do Criador. Por isso ela pode ser para nós como um plano inclinado que toca o céu e a terra. […] Quanto a ter uma verdadeira devoção por ela – mesmo magnificando as várias devoções que floresceram nos séculos, para dar ao povo cristão o sentido de um amor materno seguro, que pensa a todos os pequenos e grandes problemas que a vida traz consigo –, vou aconselhar algo que fará nascer no coração um amor por Maria parecido e do tipo daquele que Jesus tem por ela. Se Maria tem todas essas magníficas e extraordinárias qualidades, que você conhece, ela é também «a perfeita cristã». E é assim, porque, tal como podemos deduzir do Evangelho, ela não vive a própria vida, mas deixa que a lei de Deus viva nela. É aquela que melhor do que todos pode dizer: «Não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim » (Gl 2, 20). Maria é a Palavra de Deus vivida. Se você quer amá-la realmente, «deve imitá-la ». Seja também você Palavra de Deus viva! Já que não se pode viver todo o Evangelho ao mesmo tempo, reevangelize a tua vida, levando a sério e vivendo todos os dias uma das “palavras de vida” que ele contém.

Chiara Lubich

(Chiara Lubich, Maria, Città Nuova, Roma 2017, pag. 154-5)