8 Mar 2021 | Sem categoria
No sábado, 6 de Março de 2021, durante a viagem apostólica do Papa Francisco ao Iraque, realizou-se um encontro inter-religioso na Planície de Ur dos Caldeus. No final, foi entoada uma oração inspirada na figura do patriarca Abraão, pai comum na fé de cristãos, judeus e muçulmanos. Aqui está o texto. (mais…)
8 Mar 2021 | Sem categoria
O amor a Deus e ao próximo só adquire importância, profundidade e autenticidade se passar pela dor, se for purificado pela cruz que Jesus nos convida a acolher. Mas de que cruz estamos falando? A resposta de Chiara Lubich na seguinte reflexão é muito precisa: cada um de nós tem a sua cruz particular e pessoal. […] “Tudo concorre para o bem, (mas) para aqueles que amam a Deus” (cf. Rm 8,28). Amar a Deus! Todos nós, certamente, queremos amá-Lo. Mas quando podemos ter a certeza de que o amamos? Não apenas quando damos a Ele o nosso coração, num período em que tudo corre bem, porque assim é fácil, é bonito, porque isso poderia ser também resultado de entusiasmo ou uma mistura de interesses pessoais, de amor próprio e não de amor a Ele. Podemos ter a certeza de que O amamos, quando O amamos também nas adversidades, ou melhor ainda, quando, para garantir a autenticidade do amor, nós decidimos preferi-Lo justamente em tudo aquilo que nos magoa. Amar a Deus na contrariedade, nas dores, é sempre amor verdadeiro e seguro. Para nós, este amor é expresso com as palavras “amar Jesus Crucificado e Abandonado”. […] Mas qual é a cruz, qual o Jesus Abandonado que devemos desejar amar, que devemos amar? Não, certamente, uma cruz genérica, como quando dizemos “quero assumir […] as dores da humanidade”. Não uma cruz fruto da fantasia da nossa mente sonhadora, como por exemplo, o martírio, que talvez nunca mais aconteça. Jesus diz, para quem queira segui-Lo: “Quem quiser vir após mim, tome a sua cruz” (Lc 9,23). A sua! Portanto, cada um deve amar a sua própria cruz, o seu Jesus Abandonado. Quando Jesus, num ímpeto de amor em um certo momento da nossa história, apresentou-se à nossa alma e nos pediu que o seguíssemos, que o escolhêssemos, que – como se diz – o desposássemos, Ele não tinha a intenção de manifestar-se de modo vago a cada um de nós, mas de um modo bem preciso. Pedia-nos que o abraçássemos naquelas dores, naquele mal-estar, naquelas doenças, naquelas tentações, naquelas determinadas situações, naquelas pessoas, naquelas obrigações pessoais, de modo que pudéssemos dizer: “Esta é a minha cruz”, ou melhor ainda: “Eis o meu Esposo”. Porque cada um de nós tem o seu Jesus Abandonado, que não é o do irmão nem de todos os outros irmãos, mas é justamente o seu próprio. E se soubermos identificar o amor de Deus por nós, que está escondido sob a trama dos muitos sofrimentos pessoais, isto será uma experiência maravilhosa, que nos levará a afeiçoarmo-nos a este nosso Jesus Abandonado, a abraçá-Lo, como faziam os santos, a esperar por Ele, para vê-Lo transfigurado em nós, por uma ressurreição inteiramente nossa. […] Não percamos tempo. Façamos um pequeno exame da nossa situação pessoal e decidamo-nos, com a ajuda de Deus, a dizer sim a tudo aquilo a que teríamos vontade de dizer não, mas que sabemos ser vontade de Deus. […] Levantemo-nos pela manhã com este propósito no coração: “Hoje quero viver somente para amar o meu Jesus Abandonado”. E tudo estará resolvido. O Ressuscitado viverá em cada um de nós e entre nós. […]
Chiara Lubich
(em uma conexão telefônica, Mollens, 16 de agosto de 1984) Tirado de: “Amare la propria croce”, in: Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, Città Nuova Ed., 2019, pag. 161.
5 Mar 2021 | Sem categoria
A história de uma família “ampliada” que se abre a um amor que não é óbvio Acolher em uma família uma criança, um jovem ou um adulto é sempre um desafio, complexo, que não é de jeito nenhum óbvio. Tanto em sua composição quanto em seus resultados, jamais concluídos. Observando de fora estas “famílias ampliadas” se experimenta um sentimento misto de estima e admiração, quase come se a serenidade que manifestam seja o fruto de uma indecifrável alquimia do amor. Uma visão quase romântica. Dificilmente imaginamos o quanto seja complexo combinar sensibilidades, culturas e hábitos diferentes. E concretamente, exigências, horários e linguagens, em uma amálgama onde os vários “Eu”, se fundem em um “nós fluido”. Sem atritos ou, melhor, com engrenagens bem lubrificadas. O fato de sentir-se uma só família é uma conquista que não nos preserva do cansaço, das dúvidas e desilusões. Acolher Thérèse na família nos contam Sergio e Susanna, da comunidade de Vinovo, na região de Turim (Itália) – não foi nada fácil. O relato deles é simples, de nenhum modo adocicado, portanto autêntico. O que os sustentou nessa escolha foi a vontade de viver como uma família que deseja ser um dom para os outros e sentir a presença espiritual de Jesus como fruto do amor recíproco. A decisão de abrir a porta, o coração a uma jovem mãe africana, que chegou à Itália como refugiada foi de acordo com as filhas, Aurora e Beatrice, de 20 e 17 anos. E foi na combinação das exigências mútuas que surgiram as primeiras dificuldades. “Beatrice ama planejar todas as coisas – nos conta Susanna. De manhã seus minutos eram contados, mas de vez em quando Thérèse se acordava antes e ocupava o banheiro. Isto lhe criava um problema, mas aos poucos aprendeu a “criar família” com ela, dizendo-lhe com simplicidade de combinar antes sobre o uso do banheiro. Aurora ao invés, logo decidiu compartilhar seu armário com Thérèse e ajudou-a com os estudos”. O desafio, de fato, é antes de tudo superar a oposição silenciosa, corrosiva entre “nós” e o “outro”. E acolher o outro na nossa dimensão íntima, ampliando o “nós”. Procurando “criar a família” existe a vontade de empenhar-se para “ser família”: na verdade o amor é antes de tudo uma escolha não menos exigente para os adultos. “Com o desejo de ser acolhedora com Thérèse, muitas vezes fiquei conversando com ela até tarde – lembra Susanna – mas depois comecei a sofrer as consequências, não conseguia explicá-la que no outro dia de manhã deveria levantar-me cedo, temia magoá-la. Sergio me ajudou a lidar com a situação com delicadeza e firmeza.” Para Sergio as dificuldades surgiam quando à noite, antes de voltar para casa, deveria ir antes buscar Thérèse que estudava em uma cidadezinha próxima: “as aulas terminavam tarde, Thérèse não sabia utilizar os transportes públicos, assim, eu tinha que jantar depois das 21 horas”. Também nesta situação, preferir amar significava atender as exigências de Thérèse, mas também cuidar do bem-estar da família: “Procuramos ensiná-la a ser autônoma, como fazemos com nossas filhas, para que a disponibilidade não se torne um fardo grande demais para nós e um obstáculo ao seu crescimento. Aos poucos ela aprendeu a usar os transportes públicos”. Eles constataram que ser uma família, também determina o modo como nos apresentamos lá fora: “Nos primeiros meses que Thérèse estava conosco, explica Sérgio, eu tinha colocado no perfil de whatsapp uma foto onde estava com Susanna e nossas filhas. Thérèse me disse que não era uma foto da família porque faltava ela! E é isso que descobrimos todos os dias: somos uma única família porque somos filhos do mesmo Pai. Preocupamo-nos uns com os outros e nos alegramos pelas conquistas de cada um”. É aquele “nós” que, por amor, se amplia e nos enriquece.
Claudia Di Lorenzi
4 Mar 2021 | Sem categoria
A conferência é sobre a figura carismática de Chiara Lubich, que soube olhar para o novo milênio e as mudanças de época que estavam ocorrendo e propor o ideal da fraternidade universal.
O congresso internacional “Além do século XX. Chiara Lubich em diálogo com o nosso tempo” fechou oficialmente a programação de eventos dedicados ao centenário do nascimento da fundadora do Movimento dos Focolares. Um título programático para fazer uma leitura sob uma perspectiva dinâmica da figura carismática de uma protagonista do século XX que soube olhar o novo milênio e as mudanças de época que estavam ocorrendo e propor o ideal da fraternidade universal com a certeza de que “a unidade é um sinal dos tempos”. Os dois dias de estudo ocorreram em 18 e 19 de fevereiro na Biblioteca Nacional Central de Roma (Itália) e foram dedicados a ver a figura da fundadora do Movimento dos Focolares sob múltiplos pontos de vista. O encontro foi promovido pelo Centro Chiara Lubich de Rocca di Papa (Itália) e pela Biblioteca Nacional Central de Roma, em parceria com o Instituto Universitário Sophia, New Humanity e a Fondazione Museo Storico del Trentino. Foi patrocinado pela prefeitura de Roma e pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. O Presidente da República italiana Sergio Mattarella concedeu à conferência o reconhecimento da medalha de representação em virtude do particular interesse cultural da iniciativa.
O programa se dividiu em quatro sessões: histórica, literária, sócio-política e uma última dedicada a algumas figuras do século XX, analisando as possíveis consonâncias e divergências entre seus pensamentos e o de Chiara Lubich. Uma multiplicidade de perspectivas de leitura com a contribuição de estudiosos de várias áreas e de diversos contextos culturais permitiu uma reflexão e compreensão mais maduras e aprofundadas da experiência histórica e do pensamento de Lubich, e um maior conhecimento de seu legado intelectual, espiritual e existencial. Também foi frutífera a comparação com figuras de outros protagonistas de sua época – Dietrich Bonhoeffer, Simone Weil, Mahatma Gandhi, Giorgio La Pira, Martin Luther King, Mikhail Gorbachev – que Chiara Lubich não encontrou pessoalmente, mas com os quais dialogou a distância, compartilhando a paixão pelo homem e o futuro da humanidade e revelando ideais e intuições com traços comuns evidentes. A conferência, que contou com a participação de estudiosos de todo o mundo, começou com uma introdução de Michel Angel Moratinos (alto representante das Nações Unidas) e do historiador Andrea Riccardi, fundador da Comunidade de Santo Egídio. A conclusão ficou a cargo de Piero Coda, teólogo e filho espiritual de Chiara.
Donato Falmi, membro do comitê científico do congresso, apresentou o evento com as seguintes palavras: “A biografia de Chiara Lubich, em sua dimensão temporal, espiritual e intelectual, é marcadamente caracterizada por algumas temáticas pertencentes ao cerne da contemporaneidade, além de toda diferença étnica, social e religiosa. Achamos que, dentre as mais relevantes, devemos listar a atenção constante e a abertura às novidades, a capacidade e disposição de viver os conflitos, a busca daquilo que nos une, a atitude em medir os eventos com a medida da unidade dos opostos. Tais dimensões profundamente humanas e a serem consideradas estruturas que levaram a uma nova época na qual já entramos, abrem aquelas possibilidades de comparações, encontro e diálogo que deram vida ao projeto”. A conferência, transmitida ao vivo pela internet com tradução em quatro línguas (e já disponível no Youtube), foi também uma oportunidade para apresentar a primeira nova edição da obra de Chiara Lubich Meditazioni, organizada por Maria Caterina Atzori. Um texto que, desde o primeiro lançamento em 1959, foi traduzido para 28 línguas e teve mais de um milhão de cópias impressas, indicando ao homem contemporâneo o caminho da unidade para realizar na terra o testamento de Jesus “Que todos sejam um”. Além da conferência, na segunda-feira, 22 de fevereiro, aconteceu a cerimônia de conclusão do concurso nacional italiano “Uma cidade não basta. Chiara Lubich, cidadã do mundo”, dedicado às escolas, que registrou a participação de muitos institutos secundários de primeiro e segundo graus (escolas vencerdoras).
Maurizio Gentilini
Foto: Thomas Klann
3 Mar 2021 | Sem categoria
A experiência do Centro Mariápolis no Paraguai durante a pandemia, ajudando os necessitados em sua vizinhança O Centro Mariápolis “Mãe da Humanidade” está localizado no Paraguai, a apenas 20 km da capital Assunção, em um bairro onde cerca de 200 famílias vivem em boas condições econômicas. Três focolarinas vivem permanentemente no Centro Mariápolis junto com outras três mulheres casadas. Assim que a quarentena para o Covid 19 começou, “não queríamos ficar fechadas dentro do Centro Mariápolis”, contam, “então começamos a olhar para as necessidades das famílias em nossa redondeza”. No bairro eram organizadas “panelas de solidariedade”, ou seja, cada um traz o que tem e todos juntos fazem uma grande panela para compartilhar com todas as famílias. Aquela poderia ser uma boa oportunidade de disponibilizar a grande cozinha do Centro Mariápolis. “Escrevemos cartas para envolver todos os clientes e fornecedores do Centro. Muita ajuda chegou imediatamente, por isso cozinhamos um bom molho bolonhesa com massa e arroz, que foi distribuído para cerca de 4000 pessoas na vizinhança. Isto nos fez descobrir muito sofrimento: crianças que não tinham um lar ou com problemas de saúde, ou casas sem banheiro ou casas sem janelas. Então, começamos a cuidar de suas necessidades”. Ao mesmo tempo, criou-se um grupo WhatsApp da vizinhança para compartilhar experiências de ajuda aos mais necessitados e solicitações de todos os tipos. “Em pouco tempo, os vizinhos nos ajudaram trazendo leite, óleo, roupas, telefones celulares para que as crianças pudessem acompanhar as aulas, uma geladeira, alguns materiais de construção, de modo que pudemos construir cinco banheiros para famílias que não tinham nenhum”. A pandemia prolongou-se e com ela vieram os problemas e despesas de administração do Centro Mariápolis. “Nossa força era ter uma cozinha bem organizada, então começamos a oferecer um cardápio para as refeições take-away. As principais solicitações vieram de nossos vizinhos: este novo trabalho deu-nos a oportunidade de conhecer melhor alguns deles. Um dia, por exemplo, um vizinho nos pediu ajuda para confessar-se: já haviam passado 32 anos desde que ele havia recebido o sacramento da reconciliação. Outro vizinho, um ciclista profissional, quis organizar uma maratona nas três principais cidades do Paraguai e com os lucros ajudamos dois grupos étnicos dos povos originais a trazer eletricidade e água potável para suas casas. A Providência nunca falta. “Um membro da comunidade dos Focolares doou uma soma de dinheiro para cobrir os salários de quatro meses, depois recebemos uma fritadeira industrial, muitas verduras, frutas e muitas outras coisas, e o que mais nos surpreendeu foi a chegada de um bom carro para distribuir os alimentos. Mas o presente, o maior presente que a pandemia deu-nos foi a possibilidade de estarmos próximos de nossos pobres e de vivermos plenamente nosso carisma da Unidade. Estamos aqui nesta fenda, onde podemos gerar a comunhão entre ricos e pobres e gerar esta cultura de fraternidade”.
Lorenzo Russo