Movimento dos Focolares

Síria: vamos deter o embargo

Para New Humanity, Ong dos Focolares, o tempo da paz na Síria é agora. O apelo enviado ao Secretário Geral das Nações Unidas, à Comissão e ao Parlamento Europeu. Adesão de numerosas autoridades políticas, civis e religiosas. “Pedimos que se promova a suspensão das sanções econômicas ao governo sírio, de modo que o povo tenha acesso aos mercados e serviços financeiros internacionais e receba os suprimentos médicos e recursos necessários para defender-se do vírus COVID 19”. Esta é a síntese do apelo promovido por New Humanity, Ong dos Focolares, em resposta – tempestiva – ao grito da população síria, que chegou ao décimo ano de guerra civil e agora é gravemente provada pela pandemia que chegou ao país. E não só: ao grito do povo unem-se as vozes de personalidades do mundo inteiro. Há poucos dias, Antònio Guterres, Secretário Geral da ONU, fez uma mensagem sobre a circunstância que nos coloca, todos unidos, no combate ao inimigo comum: “Ao vírus não interessam nacionalidades, grupos étnicos, credos religiosos. Ele ataca todos, indistintamente. No entanto, conflitos armados se enfurecem no mundo. E são os mais vulneráveis – mulheres e crianças, pessoas com deficiência, marginalizados, desabrigados – que pagam o preço e arriscam sofrimentos e perdas devastadoras causadas pelo Covid 19”. “Já foram feitos centenas de apelos com fins humanitários pela Síria – explica Marco Desalvo, presidente da Ong – mas agora nos encontramos numa situação excepcional. Se, por um lado, o Covid 19 coloca-nos todos no mesmo grau de vulnerabilidade, a resposta que os nossos estados têm condições de dar são fortemente desiguais. Redigimos este apelo para o Secretário Geral das Nações Unidas, e para as instituições europeias, para pedir a suspensão, ao menos temporária, do embargo a qualquer recurso médico e para as transações financeiras, para que a Síria possa reabastecer-se de remédios e material sanitário”. “Este apelo não entra no mérito das diversas posições políticas – explica Lucia Fronza Crepaz, ex-deputada do Parlamento italiano, uma das promotoras do apelo – ao contrário, quer ir além das partes, porque o objetivo da salvaguarda da população síria está acima de qualquer orientação política ou ideológica”. Ao apelo já aderiram vários expoentes do mundo político, acadêmico, científico, religioso e civil italiano e não só, como Romano Prodi, o subsecretário para o trabalho e as políticas sociais, senador Steni Di Piazza, Patrizia Toia e Silvia Costa, pe. Luigi Ciotti, fundador do Grupo Abele Onlus e de Libera, Giovanni Paolo Ramonda, responsável geral da Associação Papa João XXIII (APG23), Michel Veuthey, docente de direito internacional na Webster University (Suíça), Andrea Olivero, presidente emérito da ACLI, Cornelio Sommaruga, ex-presidente da Cruz Vermelha Internacional, P. Bahjat Elia Karakash, ofm. Superior dos frades franciscanos em Damasco. Assina a petição em change.org

Stefania Tanesini

As 4 palavras

Este ano, para muitos cristãos, os dias da Semana Santa e da Páscoa – que as Igrejas ocidentais celebram em 12 de abril, enquanto as Igrejas ortodoxas e as Igrejas ortodoxas orientais em 19 de abril – serão uma experiência especial. Devido à pandemia do Coronavírus, eles não poderão participar fisicamente das celebrações litúrgicas. No texto a seguir, do ano 2000, Chiara Lubich dá algumas indicações sobre como viver esses “dias sagrados”. Hoje é Quinta-feira Santa. E nós que, devido à nossa espiritualidade que nasceu do carisma que o Espírito Santo nos concedeu, o sentimos muito especial, não podemos deixar de fazer hoje uma pausa para meditar um pouco, contemplar, procurar reviver os mistérios que este dia nos revela, juntamente com os da Sexta-feira Santa, do Sábado de Aleluia e do Domingo de Páscoa. Podemos resumir cada um destes dias com uma palavra que exprime, ou melhor, “grita” há mais de 50 anos no Movimento o nosso “dever ser”: Amor, a Quinta-feira Santa; Jesus Abandonado amanhã, a Sexta-feira Santa; Maria, o Sábado de Aleluia; o Ressuscitado, o Domingo de Páscoa. Portanto hoje, o Amor. A Quinta-feira Santa – e neste dia muitas vezes experimentamos, ao longo dos anos, a doçura de uma particular intimidade com Deus – nos recorda aquela profusão de amor que o Céu derramou sobre a terra. Amor, primeiramente, é a Eucaristia, que nos foi doada neste dia. Amor é o sacerdócio, que é serviço de amor e nos dá também a possibilidade de ter a Eucaristia. Amor é a unidade, efeito do amor que Jesus, num dia como este, implorou ao Pai: “Que todos sejam um como eu e tu” (Jo 17, 21). Amor é o mandamento novo que Jesus revelou neste dia antes de morrer: “Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros” (Jo 13, 34-35). Este mandamento nos permite viver aqui na terra segundo o modelo da Santíssima Trindade. Amanhã: Sexta-feira Santa. Um único nome: Jesus Abandonado. Ultimamente escrevi um livro sobre Jesus Abandonado intitulado: “O Grito”. Eu o dediquei a Ele com a intenção de escrevê-lo também em nome de vocês, em nome de toda a Obra de Maria, “como – esta é a dedicatória – uma carta de amor a Jesus Abandonado”. Nele falo sobre Jesus, que, na única vida que Deus nos concedeu, um dia, um dia específico, diferente para cada um de nós, nos chamou para segui-lo, para doarmo-nos a Ele. É compreensível então – e ali eu o declaro – que todas as minhas palavras naquelas páginas não podem ser um discurso, mesmo familiar, caloroso, íntimo, sincero; mas querem ser um canto, um hino de alegria e, acima de tudo, de gratidão a Ele. Ele tinha doado tudo: viveu ao lado de Maria suportando dificuldades e sendo obediente. Três anos de pregação; três horas na cruz, de onde perdoa os seus algozes, abre o Paraíso ao Bom Ladrão, doa sua Mãe a nós. Restava-lhe a divindade. A sua união com o Pai, a doce e inefável união com ele, que o tinha tornado tão potente aqui na terra, como filho de Deus, e tão majestoso na cruz, a presença sensível de Deus devia retrair-se no fundo de sua alma e tornar-se imperceptível, de alguma forma devia separá-lo daquele com quem ele disse ser uma coisa só, até gritar: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mt 27, 46). Depois de amanhã é Sábado de Aleluia. Maria está sozinha. Sozinha com seu filho-Deus morto. Um abismo de angústia inconsolável, um sofrimento dilacerante? Sim, mas ela permanece firme, de pé, tornando-se um exemplo excelso, um monumento de todas as virtudes. Maria espera, acredita. As palavras de Jesus que anunciavam a sua morte, mas também a sua ressurreição, talvez tenham sido esquecidas por outros, porém nunca por Maria: “Conservava estas palavras, com todas as outras, no seu coração e as meditava” (cf. Lc 2, 51). Portanto, Maria não sucumbe à dor: espera. E, finalmente, o Domingo de Páscoa. É o triunfo de Jesus ressuscitado que conhecemos e revivemos também em nós pessoalmente, no nosso pequeno âmbito, após termos abraçado o abandono ou quando, unidos realmente no seu nome, experimentamos os efeitos da sua vida, os frutos do seu Espírito. O Ressuscitado deve estar sempre presente e vivo em nós neste ano 2000, no qual o mundo deseja ver não só pessoas que acreditam e de alguma forma o amam, mas que são também testemunhas autênticas, que podem dizer a todos por experiência, como a Madalena disse aos Apóstolos após ter encontrado Jesus perto da sepultura, aquelas palavras que conhecemos, mas que são sempre novas: “Nós o vimos!” Sim, nós o descobrimos na luz com que nos iluminou; o tocamos na paz que nos infundiu; ouvimos a sua voz no íntimo do nosso coração; saboreamos a sua alegria incomparável. Lembremos, então, nestes dias, essas quatro palavras: amor, Jesus Abandonado, Maria, o Ressuscitado.

Chiara Lubich

(em uma conexão telefônica, Castel Gandolfo, 20 de abril de 2000) Tirado de: “Le 4 parole”, in: Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, pag. 588. Città Nuova Ed., 2019.

O Gen Rosso encontra o mundo… em casa

O Gen Rosso encontra o mundo… em casa

As live streaming feitas por eles, de Loppiano, mantem viva a esperança de que a fraternidade pode chegar a qualquer lugar. Em poucos dias será lançado o novo single. Nestes dias de emergência pelo coronavírus é preciso o mais possível estar em casa. Desde o dia 20 de março, o grupo musical e artístico internacional Gen Rosso teve a ideia de realizar, de casa, conexões live streaming. Conversamos com Tomek Mikus, porta-voz do grupo. Como nasceu a ideia dos live streaming? Surgiu para demonstrar a nossa proximidade a quem está sofrendo, a quem dá a vida diariamente para salvar a vida dos outros, a todas as pessoas que, nestes anos, encontramos nos nossos concertos. E queremos também doar algo de positivo, de belo, nesta situação de isolamento quase total. Penso que todos nós, ao menos uma vez, nos perguntamos: “por que?”. Não é fácil dar respostas, mas “nós acreditamos no amor”, muitas vezes cantamos isso… acreditamos que todo acontecimento, ainda que doloroso, possui um motivo de amor. Girando pelo mundo vocês conseguem atingir um público grande e variado,  o que confirma a universalidade da mensagem que levam. A nossa mensagem é, mais do que tudo, a do amor, da unidade, de uma cultura de partilha. É uma mensagem que não tem etiquetas, compreensível para qualquer pessoa, universal. O que queremos é levar o público a fazer uma experiência: descobrir e tornar-se conscientes do bem, do desejo de felicidade e de unidade que existe em cada pessoa. O público interage muito com vocês durante o streaming. Qual mensagem os tocou mais? Recebemos muitas mensagens de quem trabalha nos hospitais, cito três: “Trabalho na UTI do Covid. Nós somos aqueles que tem o rosto queimado pelas máscaras, de quem se vê só os olhos, e nos reconhecemos pelo olhar, aqueles que não têm mais um horário no hospital, mas, não desistimos. Continuem, por favor, a ser portadores de alegria. Eu e meus colegas prometemos que daremos tudo de nós, sem jamais desistir”. “Um enorme obrigado ao Gen Rosso por essa conexão. Eu assisti hoje, antes de sair para o turno no hospital, aqui em Asti. Foi uma lufada de oxigênio para a alma”. “Sou enfermeira na UTI do Covid; escuto o CD de vocês no carro, quando estou indo para o trabalho, ele me dá a força e a serenidade justa para enfrentar o plantão… obrigada!”. Está para sair um novo single de vocês, “NOW”, você pode antecipar algo? Sobre o que fala? Na realidade não se trata só de um single, temos projetado um novo álbum inteiro, mas que queremos publicar uma canção de cada vez, nos próximos dois anos. NOW é uma canção que funde muito bem as sonoridades atuais do eletro pop com os sons clássicos do funk anos 70. O texto, em língua inglesa, exprime uma convicção nossa: ainda que cometamos erros graves é possível sempre recomeçar, porque a voz de Deus Pai, que é Amor, pode ser ouvida. No próximo dia 15 de abril o single “NOW” estará nas lojas digitais mais utilizadas, como Spotify, iTunes, Google Play, etc. Não percam! #distantimauniti

Lorenzo Russo

 

Trabalho a dois

Neste período de coronavírus, geralmente não temos mais a possibilidade de visitar parentes, amigos ou conhecidos que sabemos necessitados. Os meios de comunicação parecem ser a única maneira de expressar o nosso amor concreto. O seguinte escrito também indica outra maneira de agir. Grande sabedoria é passar o tempo de que dispomos, vivendo com perfeição a vontade de Deus, no momento presente. Mas, às vezes, somos assaltados por pensamentos tão obsessivos, relacionados ao passado, ao futuro ou ao presente, mas ligados a lugares, circunstâncias ou pessoas, a quem não nos podemos dedicar diretamente, que custa um sacrifício enorme manejar o leme da barca de nossa vida, mantendo a rota no que Deus quer de nós, naquele momento presente. Então, para viver (…) bem, é necessária uma vontade, uma decisão, mas sobretudo uma confiança em Deus que pode chegar ao heroísmo. “Não posso fazer nada naquele caso, nada por aquele ente querido, que corre risco ou está doente, nada para aquela situação intrincada… Pois bem, farei o que Deus quer de mim neste momento: estudar bem, varrer direito, rezar direito, cuidar direito dos meus filhos… E Deus se ocupará de desemaranhar aquela meada, de confortar quem sofre e de resolver aquele imprevisto”. É um trabalho feito a dois em perfeita comunhão, que exige de nós uma grande fé no amor de Deus por seus filhos e que, pelo nosso modo de agir, dá ao próprio Deus a possibilidade de confiar em nós. Essa confiança recíproca opera milagres. O resultado é que, aonde nós não conseguimos chegar, Outro realmente conseguiu, e fez muitíssimo melhor do que nós. O ato de confiança heroico será premiado; nossa vida, limitada a um campo só, ganhará nova dimensão; sentir-nos-emos em contato com o infinito, pelo qual aspiramos, e a fé, revigorando-se, fortalecerá em nós a caridade, o amor. Não lembraremos mais o que a solidão significa. Saltará mais evidente, mesmo porque a experimentamos, a realidade de que somos de fato filhos de um Deus Pai que tudo pode.

Chiara Lubich

 Tirado de: Chiara Lubich, Ideal e Luz, Editoras Brasiliense e Cidade Nova, São Paulo 2003, pág. 75-76.