20 anos “Juntos pela Europa”
Um aniversário importante, festejado com um encontro na Mariápolis ecumênica de Ottmaring e marcado por uma cerimônia na prefeitura de Augsburg (Alemanha).

Foto: © Ursula Haaf

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Andrea Fleming
Um aniversário importante, festejado com um encontro na Mariápolis ecumênica de Ottmaring e marcado por uma cerimônia na prefeitura de Augsburg (Alemanha).

Foto: © Ursula Haaf

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Andrea Fleming
“Em um mundo dividido, unidos em Cristo” é o título do encontro anual realizado de 21 a 25 de outubro passados, que há trinta e oito anos reúne bispos de várias Igrejas. Um encontro marcado ecumênico que muitos definiram histórico para a terra da Irlanda. “É realmente profético que Belfast tenha hospedado este evento ecumênico internacional com reflexões de grande esperança, embora no meio de tanta divisão. O Espírito Santo sopra!”. É Darren O’Reilly, corresponsável da comunidade Koinonia que tem sede em Belfast, o autor deste tweet que sintetiza bem o coração – mas também a excepcionalidade – de tudo que aconteceu de 21 a 25 de outubro passados na Irlanda do Norte, por ocasião do trigésimo oitavo encontro marcado dos bispos de diferentes Igrejas amigos dos Focolares. O foco desta edição foi a partilha de reflexões e testemunhos sobre o desafio da unidade em Cristo, em um mundo dividido como o atual.
Estes encontros, promovidos pelos Focolares, oferecem aos bispos um espaço de diálogo e de partilha em torno da espiritualidade da unidade. Para esta edição, os 30 bispos pertencentes a 18 Igrejas, que chegaram de 14 países, se encontraram nas cidades de Larne e Belfast, escolhendo como todos os anos, para o seu simpósio anual, um lugar símbolo. Este ano, um lugar onde os bispos puderam constatar o “peace process”, isto é, o esforço para a reconciliação numa sociedade dividida. Os participantes puderam conhecer a história e a atual caminhada ecumênica da Irlanda ficando muito admirados por relações construtivas e com notáveis frutos. O bispo anglicano Trevor Williams da Igreja da Irlanda, que ofereceu um apreciado discurso sobre a história do cristianismo na Irlanda, comentou: “Foi encorajador sentir a preocupação dos bispos pelos nossos ‘negócios ainda não completos’ de construção da paz e a alegria deles por assistir a muitas atividades empreendidas por cristãos de diferentes tradições para sanar a divergência”. Também o bispo do lugar Noel Treanor de Down e Connor, deu uma importante contribuição para traçar o panorama eclesial, social e político. Em Belfast, os bispos visitaram lugares significativos para a reconciliação e a paz como o Centro metodista em Belfast Oriental onde foram acolhidos pelo pastor Brian Anderson que é também o Presidente do Conselho das Igrejas da Irlanda, e participaram dos serviços litúrgicos nas igrejas presbiteriana, anglicana e católica. E na Igreja católica de São Patrício, diante dos fiéis, os bispos deram testemunho de como vivem o “Mandamento novo” de Jesus, renovando um “pacto”, um solene compromisso de amar a Igreja dos outros como a própria. Este pacto é, cada vez, um dos momentos mais altos destes encontros marcados.
Mas será a tarde aberta do dia 23 de outubro na sessão realizada em Larne que permaneceu no coração de muitos: um momento definido “histórico”. Uma tarde que o bispo católico de Limerick, Brendan Leahy, descreveu assim: “Foi como a experiência dos discípulos na estrada de Emaús que viram os seus corações arder enquanto Jesus entre eles explicava e falava com eles”. Participaram mais de uma centena de pessoas de toda a Irlanda, de muitas Igrejas (Apostólica Armênia, a Igreja da Irlanda (anglicana), Ortodoxa (Patriarcado de Antioquia), Presbiteriana, Católica, Metodista, Moraviana, Luterana e Siro Ortodoxa). Presentes o Presidente da Igreja metodista na Irlanda e o representante do Moderador da Igreja Presbiteriana na Irlanda, representantes do Conselho irlandês das Igrejas, do Comitê das Igrejas na Irlanda, do Conselho das Igrejas de Dublin, além de diversos movimentos e grupos. Este encontro marcado com a participação de Bispos de várias Igrejas pôs em luz os frutos do “diálogo da vida” que Chiara Lubich sempre encorajou a viver: um diálogo feito pelo povo que inclui também os seus pastores; um povo unido em Cristo pelo amor vivido por todos. Um exemplo foi o testemunho de verdadeira amizade em Cristo e de colaboração dos dois Arcebispos de Armagh, Eamon Martin, católico e Richard Clarke, anglicano, ambos primazes de toda a Irlanda. Um “diálogo da vida” que, na Irlanda, se concretiza também no compromisso pelos desafios e pelas feridas sociais e civis, como a adesão a “Embrace Northern Ireland” que se ocupa de acolhida aos refugiados; a organização do “Four Corners Festival” (“O Festival dos 4 cantos”) que apoia o encontro e a amizade para além das barreiras geográficas e sectárias ainda presentes em Belfast; a participação dos encontros do Conselho das Igrejas de Dublin com o qual colaboram 14 Igrejas. O pastor Ken Newell, que foi moderador da Igreja presbiteriana na Irlanda, descreveu o evento como um “novo Pentecostes, no qual os cristãos de diferentes Igrejas de todo o mundo estavam unidos no Espírito, onde se sentia a unidade da Igreja para o bem-estar do mundo”.
Stefania Tanesini
“Para amar de modo cristão é preciso “fazer-se um” com cada irmão (…): entrar o mais profundamente possível na essência do outro; entender realmente seus problemas, suas exigências; compartilhar seus sofrimentos, suas alegrias; debruçar-se sobre o irmão; de certa forma, fazer-se ele, fazer-se o outro. Isto é o cristianismo: Jesus se fez homem, fez-se nós para fazer-nos Deus; dessa maneira o próximo se sente compreendido, reerguido” . (Chiara Lubich) Um aluno para reprovar Uma colega me confidenciou a preocupação com um aluno, que eu também conheço por outras matérias, que deve ser proposto para a reprovação. Pergunto se há matérias nas quais ele vai bem: “Não seria o caso de ajudar e apoiar?”. A colega muda o tom da conversa: “Bem, na verdade em algumas é realmente muito bom”. Refletimos juntas sobre como e o que fazer. Depois convidamos o aluno para uma conversa e explicamos a ele a situação. Em poucas semanas as coisas mudam de modo impensável. Encontrando-me, um dia, com a mesma colega ela me diz: “Esta história me ajudou inclusive com meus filhos. Eu estava tremendamente aborrecida com o mais velho que perde tempo com o violão e transcura todo o resto. Depois desse apoio ao aluno eu comecei a encorajá-lo. Cantou para mim duas poesias que tinha musicado: uma surpresa não só para mim, mas também para meu marido. Os seus irmãos, cúmplices, já sabiam do seu talento. Se você faz algo por alguém o seu coração se abre e vê aquilo que antes não via”. (C. A. – Polônia) Esposa e sogra Um amigo falou-me do sofrimento por não conseguir colocar harmonia entre sua esposa e a sogra: brigas e ressentimentos causavam mau-humor na família, e os filhos sofriam com isso. Eu o escutei longamente. Consegui apenas dizer-lhe que não tomasse partido, mas escutasse uma e outra. Depois procuramos estar próximos daquela família em dificuldade, com alguma sobremesa e outras atenções. Passado algum tempo o amigo veio me ver no trabalho. Tudo havia se resolvido de maneira imprevisível. “Foi a sua escuta que me deu a força para agir da mesma forma”. (J. F. – Coreia) Presente atrai presente Eu tinha dado a um morador de rua uma garrafa que enchia de água e levava sempre no carro comigo. Um dia, estando com sede, parei numa fonte, mas não era fácil beber, era preciso ter uma garrafa e eu havia dado a minha. Estava quase indo embora quando um velhinho que estava carregando seu carro com algumas garrafas perguntou se eu estava com sede. “Sim, mas, como vê, eu não tenho como pegar a água”. E assim, desejando-me felicidades, deu-me uma de suas garrafas que estava acabando de colocar no carro, e que agora me enche de otimismo, porque me recorda que presente atrai presente. (R. A. – Albânia) A força de uma amizade Conversando um dia com uma amiga da paróquia, escutei dela que eu deveria dedicar-me mais à minha família. O que ela entendia disso se não era nem casada? De qualquer modo aquela frase me perturbou e não me deixou mais tranquila. Refleti sobre a relação que tinha com meus quatro filhos. Parecia-me tudo certo, mas… com M. algo não ia bem. Enquanto ele estava no quarto, escutando música, com uma desculpa qualquer fui até ele e pedi sua opinião sobre uma certa situação. Depois de um pouco ele começou a chorar. Estranho para mim, que o conhecia como um rapaz forte e seguro. Logo em seguida apareceu o nó: tinha tido uma grande desilusão com sua namorada e não tinha estado distante da ideia do suicídio. Fiquei petrificada. A amiga havia aberto os meus olhos. Esta “atenção” eu dirigi também aos outros filhos. Acreditava ser uma mãe perfeita, que garantia tudo, mas faltava alguma coisa: faltava um amor atual, disposto aos imprevistos. (F. G. – Filipinas)
Aos cuidados de Stefania Tanesini (retirado de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, anno V, n.6,novembre-dicembre 2019)
A contribuição do Movimento dos Focolares para o diálogo entre as Igrejas cristãs. A intervenção de Maria Voce no Angelicum, em Roma, a 25 anos da Encíclica Ut unum sint
“Tudo parte da descoberta de que Deus é Amor.” Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, identifica assim o ponto de partida do percurso que levou à progressiva intuição e definição da espiritualidade da unidade, que dá vida ao Movimento fundado por Chiara Lubich. Em sua fala na Universidade São Tomás de Aquino, em Toma, na ocasião de um ciclo de conferências dedicado aos 25 anos da Encíclica Ut unum sint, a presidente do Movimento dos Focolares evidenciou a contribuição que o carisma doado por Deus a Chiara Lubich, e a espiritualidade de comunhão que nasceu, oferecem ao caminho de unidade entre as igrejas cristãs. Os pontos principais dessa espiritualidade identificam os passos da estrada que leva à unidade da família humana. Agir para realizar a oração de Jesus na cruz “…que todos sejam um”, “que tornou-se o objetivo do Movimento dos Focolares”. A descoberta do Amor de Deus que é pai, suscita a consciência de que somos todos irmãos. Portanto, explicava Chiara Lubich, “Amar Deus como filhos significava amar os irmãos”. Deriva disso – afirma Maria Voce – outro ponto da espiritualidade da unidade: o amor ao próximo. Concretamente se move seguindo os caminhos do Evangelho. “O carisma da unidade”, cita Lubich, “logo o percebemos como (…) luz para compreender melhor o Evangelho, fonte de amor e de unidade, e força para vive-lo com decisão”. Logo percebemos – conta – que o mandamento novo de Jesus, “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13, 34), indicava a medida do amar. Aquele “como” significava “dar a vida até estar pronto a morrer pelo próximo”, como fez Jesus Cristo. Assim, os primeiros focolarinos começaram a viver no amor recíproco, estipulando entre eles aquele pacto de unidade que constitui “o começo do estilo de vida particular que o Espírito Santo propunha: um estilo comunitário”.
Colocando em prática o amor recíproco, Chiara e suas companheiras fizeram a experiência da presença de Jesus entre elas. A presidente do Movimento dos Focolares cita Lubich: “Notamos na nossa alma um salto de qualidade: uma nova paz (…) Percebemos o que estava acontecendo quando lemos as palavras no Evangelho: ‘Onde dois ou três estão reunidos no meu nome, eu estou no meio deles’ (Mt 18,20). A caridade recíproca tinha nos unido (…). Jesus presente selava entre nós a unidade”. E dessa busca pela presença de Jesus – explica Maria Voce – que nasce o nome pelo qual é conhecido o Movimento dos Focolares: “Obra de Maria”, como expressão do desejo de ter um modelo. Como Maria gerou Cristo, também os focolares vivem procurando gerar entre eles e com os outros a presença de Jesus. Vivendo a espiritualidade da unidade, logo perceberam que ela poderia encontrar aplicação em vários contextos. “No início dos anos 60”, conta, “Chiara Lubich entrou em contato com irmãos e irmãs da Igreja luterana, depois com anglicanos, batistas, metodistas, ortodoxos e membros das Igrejas orientais ortodoxas, e descobriu-se que essa presença de Jesus no meio poderia ser estabelecida entre cristãos de Igrejas diversas”. É a descoberta que dará início a percursos de diálogo, seja a nível teológico, seja no plano “da vida”, suportados pela experiência concreta de unidade entre cristãos de Igrejas diversas que entre os membros do Movimento já era realidade. Todavia, não é raro fazer a experiência de falta de unidade. Uma condição que para os focolares é a ocasião para “trabalhar” e reconstruí-la. E “a estrada para realizar a unidade”, explica Maria Voce deixando a palavra a Chiara Lubich, “é Jesus Abandonado na Cruz: ‘Porque Jesus se cobriu com todos os nossos pecados, podemos descobrir por trás de cada dor (…) seu vulto, abraça-Lo, de certo modo, naqueles sofrimentos (…) e dizer-lhe o nosso sim como Ele fez. (…) e Ele viverá em nós, como Ressuscitado’. Mais tarde”, continua, “Chiara distinguirá Jesus Abandonado também nas divisões entre as igrejas cristãs: agir, também aqui para curar a unidade despedaçada é ‘a principal obra do Movimento dos Focolares’”. Nessa prospectiva, Maria Voce evidencia enfim a contribuição que uma experiência de unidade entre teólogos de várias igrejas “poderia oferecer ao diálogo ecumênico”: “Se os teólogos se deixarem guiar pelo ser um em Cristo”, Jesus “facilitará a compreensão dos diversos pontos de vista teológicos” e “descobriremos a verdade juntos”. Uma última passagem foi dedicada ao carisma da unidade como caminho de santidade. Maria Voce recordou que acabou de se concluir a fase diocesana do processo de canonização de Chiara Lubich, agora em estudo no Vaticano.
Claudia Di Lorenzi
A exortação de Francisco ao instituto universitário: «Eu lhes deixo três palavras, os exortando a continuar com alegria, visão e decisão o caminho de vocês: sabedoria, pacto, saída». «Estou contente com o caminho que vocês fizeram nestes doze anos de vida. Vão em frente! O caminho só começou», iniciou o Papa Francisco, saudando a comunidade acadêmica do Instituto Universitário Sophia, que recebeu hoje em audiência privada. «No percurso que está diante de vocês não lhes faltam os pontos de referência: em especial, a inspiração do carisma da unidade do qual nasceu a Universidade de vocês e ao mesmo tempo as linhas que tracei na Constituição apostólica Veritatis gaudium, na qual o projeto acadêmico e formativo de vocês quer se refletir. Também a participação de vocês na preparação e nos desenvolvimentos do Pacto Educativo Global vai nesta direção».

© Servizio Fotografico Vaticano

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Tamara Pastorelli