Movimento dos Focolares

Bolívia, Centro Rincão de Luz

Jun 9, 2014

A história de Mari Cruz, 27 anos, nova diretora didática do Centro. Uma mensagem a todas as crianças em dificuldades: “Coragem, é possível mudar, eu também consegui!”.

20140609-02Aulas de reforço para 60 crianças e adolescentes, uma refeição por dia para todos, oficinas de formação para pais e filhos, bolsas de estudo para os jovens e atenção a uma melhora das condições de vida das famílias do bairro, através da concessão de crédito para o início ou melhoramento de pequenas atividades produtivas. Sinteticamente, este é o projeto do Centro Rincão de Luz, no seu terceiro ano de vida, administrado pela Associação Unisol, em colaboração com as Associações AMU (Ação Mundo Unido) e AFN (Ação por Famílias Novas). Para verificar o andamento do projeto e estudar juntos as novas ações de desenvolvimento, Anna Marenchino, do setor de projetos da AMU esteve em Cochabamba, na Bolívia. Entre as pessoas que ela encontrou durante a viagem estava Mari Cruz, a nova diretora didática do Centro. Quando criança ela mesma o frequentou, quando não tinha ainda a estrutura acolhedora de hoje, e pode concluir os estudos graças ao “sustento à distância” de Famílias Novas. Vê-la hoje naquele local, coordenando a parte didática, pode ser um incentivo a todas as crianças e famílias, para que acreditem que uma vida melhor é possível. «Tive que suportar muitos sofrimentos na minha vida – conta Mari Cruz -. Quando era menina meu pai bebia e eu sofria muito em vê-lo assim. Não era violento conosco, mas duro. Lembro que para nos punir nos mandava andar ao redor da casa, de quatro até sete da manhã, quando íamos para a escola. O Centro era uma referência para mim. Eu era ajudada nas matérias em que tinha mais dificuldade, tanto que cheguei a estar entre as melhores da turma. Além disso, davam-me a possibilidade de estudar, com uma ajuda financeira para pagar a escola. 20140609-01Alguns anos depois nós nos transferimos para longe do Centro. Meu pai estava melhor e nós todos trabalhávamos com ele, nos fins de semana, para consertar a nossa casa. No início foi difícil porque não tínhamos nada em casa: luz, água, banheiro. Muitas vezes tínhamos só pão e cebola para o almoço. Mas não nos lamentávamos. Olhávamos para o papai e para lhe dar tranquilidade dizíamos: não se preocupe, vá trabalhar e assim amanhã comeremos frango! Nos momentos mais duros eu encontrei a coragem de recomeçar graças a algumas pessoas do Movimento dos Focolares que, além de terem me ajudado por meio do Centro, sustentaram-me para que pudesse reencontrar a confiança em mim mesma e nos outros. Há alguns anos comecei a ensinar no Centro Rincão de Luz, mas em dezembro, quando pediram que eu me tornasse a nova diretora didática eu nem podia acreditar. Tinham mesmo pensado em mim? Logo disse que sim, porque quero me empenhar para dar uma oportunidade a essas crianças, como eu tive. Hoje sou realmente feliz, cada experiência, alegre ou triste, tornou-me mais forte e me ensinou a compreender profundamente as outras pessoas, porque senti no meu coração os seus sofrimentos. Posso dizer às crianças e suas famílias: coragem, é possível mudar!» Fonte: Amu Notícias n.2/2014

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