Movimento dos Focolares
Viver o Evangelho como os primeiros cristãos

Viver o Evangelho como os primeiros cristãos

20140630-01«Eu conheci Chiara Lubich no fim da Segunda Guerra. Fui a Trento visitar aquelas jovens que eram conhecidas porque ‘viviam o Evangelho como os primeiros cristãos’. As palavras de Chiara me colocaram em crise: eu nasci em uma família cristã e participava da Ação Católica, mas eu me dei conta de que a minha religiosidade tinha bem pouco de cristianismo porque, praticamente, eu não vivia o Evangelho. O nosso grupo ia a Trento frequentemente e também Chiara ia à nossa pequena cidade, Rovereto, para nos encontrar. Ela falava do Evangelho e suscitava em nós um grande amor por Jesus. Formou-se logo uma comunidade da qual faziam parte o diretor da companhia telefônica, a professora de matemática, o sapateiro, o relojoeiro, um senhor e uma senhora pais de família e muitos, muitos jovens. Éramos muitos e nos queríamos muito bem. Todas as vezes que a nossa comunidade se reunia procurávamos assumir um novo compromisso de viver o Evangelho, de transformar a nossa vida e nos ocupar das pessoas necessitadas ao nosso redor.

ViolettoSartori

Violetta Sartori

Um dia, uma amiga nos apresentou um jovem que fora ferido durante a guerra: uma bomba explodira muito próximo dele e ficara cego. Todas as vezes que participava dos nossos encontros ele dizia: “É uma inundação de luz!”. A todas as pessoas que encontrávamos, procurávamos comunicar a nossa descoberta: “Deus nos ama imensamente”. E muitos sentiram o chamado a seguir a Deus. O Ideal da unidade espalhou-se e a comunidade tornava-se sempre mais visível. Tinha quem nos aceitava e quem nos criticava: diziam que éramos pessoas exageradas. Lembro-me de um encontro realizado em um teatro, com muitas pessoas presentes, no qual Chiara falou. Alguns aceitaram o que ela disse, outros a criticaram. Igino Giordani escreveu um artigo para um jornal de Trento com o titulo: “Os bombeiros”. Os bombeiros são aqueles que apagam o fogo, certamente, mas naquele contexto ele afirmou que ‘os bombeiros’, assim que notavam uma pequena chama acesa no coração das pessoas, corriam logo com um caminhão pipa para apagá-la. Eles são como um exército de pessoas que marcam passo, ou seja, estão sempre em movimento, mas não seguem adiante em nada. Chiara, porém, explicava que nós não conhecemos o desígnio de Deus sobre cada criatura, não podemos julgar pelas aparências, mas devemos sempre amar, amar, amar e ser sempre disponíveis. Lembro-me de outra coisa que Chiara dizia. Que nós, frequentemente, nos sentimos nada, somos pobres cristãos. Mas Jesus deu a sua vida, morreu por todos e cada um de nós. Ela dizia: “É como se alguém viesse até nós com um presente muito precioso e nós o deixássemos de lado, juntando poeira, sem nunca valorizá-lo, e continuássemos a nos sentir pobres”. Ela nos impulsionava, enfim, a fixar-nos na misericórdia e no amor de Deus que é exclusivo para cada um de nós. E assim, aos poucos, Chiara suscitava no nosso coração o amor a Jesus e nós comunicávamos este amor a muitas pessoas». (Testemunho narrado durante o encontro dos representantes das comunidades locais dos Focolares no mundo, realizado em Castelgandolfo, 29/5-1°/6/2014)

Viver o Evangelho como os primeiros cristãos

Latina – Mae Sot: o sonho continua

20140703_02Tudo começou com um simples lanchinho jogado no lixo e com a surpresa das crianças ao saber que existem pessoas que não têm nem mesmo o que comer: “Professora, o que é uma criança pobre?”, elas perguntaram. E assim, em junho de 2013, os alunos da Escola Maternal do I. C. “G. Giuliano”, de Latina (Itália) conseguiram recolher muitas coisas para enviar aos seus coetâneos de um orfanato de Mae Sot, cidade no norte da Tailândia. Mais tarde, em outubro de 2013, enviaram trinta caixas grandes, cheias de brinquedos e roupas, doados por todas as crianças da escola infantil e do ensino fundamental. Os construtores desta ponte de solidariedade são sempre elas: as crianças de Latina e as de Mae Sot. Algo as uniu e, a estas alturas, tudo promete intensificar tal união. Durante o mês de maio, na presença de duzentos e cinquenta pessoas: alunos, a diretora da escola, professores, avós e amigos, foi apresentada a iniciativa “Do sonho ao projeto”. Existe realmente o sonho de construir uma escola para as crianças, entre as mais pobres do mundo, que estão a 10.000 km de distância. Foram organizadas várias iniciativas para recolher os fundos necessários ao início dos trabalhos: uma encenação, um bingo beneficente, a venda de tortas feitas pelas mães e avós das crianças de Latina. 20140703_01Ao tomar conhecimento deste projeto e sabendo que são as crianças de Latina que levam adiante a iniciativa em favor dos seus coetâneos pobres, alguns negociantes colocaram à disposição tudo o que lhes é possível: bônus para compras, uma máquina de café, kits para a praia, ingressos gratuitos para espetáculos artísticos e muitas outras coisas que servem como prêmios para o bingo. “Surgiu uma grande sensibilidade entre as pessoas – afirmam – muito além do que se possa imaginar. O amor e a solidariedade floresceram em meio à sociedade e aonde não se esperava!”. Muitas pessoas trabalharam para decorar a sala do evento. Eles continuam: “Era impressionante ver uma pequena comunidade, nascida do amor daquelas crianças que convidaram a todos a fazer alguma coisa por quem sofre do outro lado do mundo.” Mas, quem são as crianças que precisam de ajuda? “São os karen (e não só eles) – nos explicam – que ainda hoje fogem de Mianmar em busca de um futuro melhor e entram na Tailândia, na cidadezinha situada na fronteira, e também aqueles que estão nas montanhas ao redor… e, realmente, são muitos! A este ponto não é mais possível entrar nos campos de refugiados oficiais, que logo serão desmontados. Na região de Mae Sot existem três campos enormes: Mae La, Umpiem e Nu Po. Chegando de Mianmar, o único lugar no qual se encontra refúgio é nas plantações de arroz ou nas pequenas aglomerações de barracos em terrenos invadidos sem nenhuma proteção legal, sem nenhum direito humano ou alguém que os proteja.” 20140703_03Na conclusão do evento, a venda das tortas, a extração do bingo e a entrega dos muitos prêmios criaram uma atmosfera de festa e grande alegria! Uma senhora disse: “Minha filha já reservou uma mochila para enviar na próxima remessa a Mae Sot e, de vez em quando, coloca alguns lápis e cadernos dentro da mochila para os seus irmãozinhos karen”. Outra senhora chegou trazendo biscoitos bem embalados com a etiqueta escrita em língua tailandesa: havia pesquisado na Internet para encontrar a tradução exata! Rapidamente conseguiu vender todos. E, ainda outra exclamou: “Esta experiência de solidariedade permanecerá para sempre no coração das crianças e no nosso coração!”. E concluem: “O valor arrecadado propiciou o aluguel de um terreno. Foi construída uma escola, de modo muito simples, e trinta e oito crianças de Mae Sot começaram a frequentá-la. Será chamada ‘Gota a gota’ porque a escola será como uma pequena gota d’água, mas, gota a gota… nasce um rio!” Esta aventura continua graças ao amor de muitas pessoas e quem sabe até onde chegará!” Outras informações: Tailândia chama e Latina responde https://www.focolare.org/pt/news/2014/04/28/thailandia-chiama-e-latina-risponde/. Página Facebook: ‘Goccia dopo goccia il ponte Latina Mae Sot’ (Contém vídeos e fotos do projeto).

Viver o Evangelho como os primeiros cristãos

Entrega dos diplomas na Escola Loreto

20140702-7Uma família sadia desenvolve relações positivas, pessoais e sociais que representam o capital humano primário para o bem-estar da sociedade. Desta premissa nasceu o projeto cultural “A família em vista do bem comum”, promovido pela “Escola Loreto” da Ação para Famílias Novas Onlus. O objetivo é começar pela promoção de uma cultura da família, para sanar muitas chagas que derivam da desagregação social causada pela crise e pela privatização do instituto familiar.

20140702-6No dia 11 de junho, foram entregues os certificados de “Empowerment familiar e intercultural” às famílias que participaram do curso, para aprender um novo estilo de vida baseado no amor recíproco do Evangelho e aprofundar a espiritualidade da unidade, junto com um específica formação sobre temáticas familiares. O curso teve início no dia 16 de setembro de 2013 e articulou-se durante o ano em dois períodos formativos: o ‘curso propedêutico’ (250 horas) e o ‘curso de Qualificação’ (600 horas). Os participantes foram oito núcleos familiares inteiros provenientes de Hong Kong,  Coreia, Síria, Eslovaquia, México e Brasil.

As famílias receberam elementos de conteúdo formativo, participaram em atividades laborativas e na vida da mariápolis permanente de Loppiano (Florença – Itália), vivendo no amor e na comunhão, para testemunhar a todos, ao regressarem nas suas terras, a experiência vivida. Uma nota comum é chegarem ao fim do ano como uma única família. Existe em todas o desejo de partilhar com outras esta experiência original.

A Escola Loreto foi fundada por Chiara Lubich em Loppiano, em 1982. Até hoje, 1.500 famílias dos cinco continentes passaram por esta singular escola tornando-se ponto de referência para outras famílias.

Viver o Evangelho como os primeiros cristãos

Focolares: no caminho do cristianismo social

201406Paris2Ápice de um ano de celebrações dos 60 anos do Movimento dos Focolares na França, dia 4 de junho passado realizou-se, no Instituto Católico de Paris, um simpósio sobre a contribuição do Movimento na Igreja e na sociedade francesa. Diante de um público diversificado, procurou-se responder às questões: “Quem são os Focolares?” e “Qual o envolvimento deles no mundo de hoje?”. Embora não omitindo alguns aspectos críticos, como a pouca visibilidade, os relatores evidenciaram a contribuição positiva dos Focolares à sociedade francesa. «Não existem muitos movimentos que alcançaram “com saúde” os sessenta anos de existência», afirmou o sociólogo da religião, Jean-Luis Schlegel, em sua preleção.

Padre Lethel

Padre François-Marie Léthel

O simpósio iniciou com padre François-Marie Léthel, carmelita e professor de teologia no Instituto Teresianum (Roma). Ele traçou o paralelo entre Santa Teresa de Ávila e o seu “castelo interior” (a oração, o centro da alma) e Chiara Lubich com o seu “castelo exterior” (o amor ao próximo). Não hesitou em descrever a fundadora dos Focolares como «uma das maiores místicas de todos os tempos». 201406Paris1Laurent Villemin, professor de teologia no Instituto Católico de Paris, evocou o ardor no diálogo entre os cristãos, «logo traduzido em ecumenismo prático» e que «até o fim da sua vida não renunciou ao trabalho pela unidade visível da Igreja». Trazendo o exemplo concreto da dinâmica de “Juntos pela Europa”, Gérard Testard, membro do Comitê Internacional, declarou que «os Focolares tem uma influência e dão uma contribuição decisiva na comunhão entre movimentos». 201406Paris4D. Teissier, arcebispo emérito de Argel, recordou quanto se vive neste país, onde os muçulmanos, especialmente os jovens «encontraram no Movimento dos Focolares uma resposta aos seus anseios interiores», permanecendo «fieis à própria identidade de muçulmanos». O presidente das Semanas Sociais da França, Jérôme Vignon, salientou o caráter «precursor e fecundo da Economia de Comunhão», definindo «visão revolucionária» a contribuição dos Focolares à evangelização, não tanto a de «fazer com que os nossos irmãos tornem-se cristãos», mas «fazendo-os saborear a alegria do amor mútuo, a preocupação pelo próximo». Todos aspectos com os quais os Focolares podem enriquecer o cristianismo social francês, com a condição de não “esconder-se”. «Não tenham medo – concluiu Laurent Villemim – de levar adiante esta busca de uma verdadeira espiritualidade para verdadeiros leigos». 

Viver o Evangelho como os primeiros cristãos

Relato de um embaixador

«Graças ao meu trabalho como diplomata, com a minha família aprendemos a reconhecer a riqueza de uma humanidade mais ampla, a amar a pátria alheia como a nossa, a amar Deus presente nas pessoas de nacionalidade e culturas diferentes. Muitos perguntam-me se é possível viver como cristão num ambiente que nos leva a viver em contato com as riquezas, mas também com os sofrimentos da humanidade. É o meu desafio quotidiano. No trabalho procuro inspirar-me no ideal da fraternidade proposto por Chiara Lubich. Há um escrito seu sobre a diplomacia, que é um pouco o meu mote. Diz entre outras coisas: “Fazer-se um com o próximo, naquele completo esquecimento de si mesmo, sem disso se aperceber ou preocupar. Esta é a diplomacia da caridade (…). A diplomacia divina (…) é movida pelo bem do outro e, portanto, é isenta de qualquer sombra de egoísmo”. E ainda: “Se cada diplomata no exercício das suas funções for movido pela caridade para com o outro Estado tal como para com a sua própria pátria, será tão iluminado pela ajuda de Deus que contribuirá para que entre os Estados se estabeleçam as mesmas relações que devem existir entre os homens”. Sinto que esta afirmação é muito verdadeira e concreta e pude comprová-la em muitas ocasiões. Por exemplo, enquanto assistia as cerimônias de abertura e de encerramento dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, lembrei-me de enviar ao meu colega homólogo uma sms: “O vosso país mostra toda a sua beleza”, escrevi. E ele respondeu-me imediatamente: “Obrigado”. Com aquele gesto simples exprimi o meu apreço pela sua pátria. bandiereÀs vezes o trabalho transforma-se numa verdadeira luta. Lembro-me quando o meu país assumiu o turno da presidência da União Europeia, fui encarregado de presidir um grupo de trabalho ao qual foi proposta a adoção de um “Programa Diplomático Europeu”. Tratava-se de um programa de formação profissional dirigido aos jovens funcionários diplomatas ao serviço das diplomacias nacionais dos Países Membros. Tinha um grande apoio por parte de alguns países e fortes ataques de outros. O programa previa a inclusão de uma língua em detrimento de outras línguas nacionais que, àquele ponto, também poderiam ser tomadas em consideração. Naquela situação tinha que procurar uma solução. Falei com os representantes de cada país, escutando as razões de cada um: como presidente, queria agir ao serviço de todos. Porém, estava-me convencendo de que seria mais vantajoso para todos ter um programa de formação comum, e que seria útil continuar com as duas línguas oficiais que não criariam dificuldades de realização. Apresentei a minha proposta que foi aprovada por todos e o Programa Diplomático Europeu hoje é uma realidade consolidada. Realizo a minha missão num país desagregado, dividido, com muitos problemas sob todos os pontos de vista. Luto para amar concretamente as pessoas, para viver as divisões, sem fugir delas; amar as pessoas que não têm Deus e testemunhá-lo lá onde Ele não existe, sendo com a minha vida uma ponte que une todos, mesmo se para ser como “pontes” não é preciso necessariamente ser embaixadores. Quando amamos o outro podemos fazer tudo; Santo Agostinho recorda-nos e o testemunho de Chiara Lubich e de todos nós que queremos viver o seu ideal da unidade no mundo, são a prova mais tangível disso». Fonte: Humanidade Nova online