Movimento dos Focolares
Evangelho vivido/2

Evangelho vivido/2

O Natal chegou até mim

Penso que a pior coisa que se possa sentir é a de “não existir” para os outros no Natal. Cheguei a entender e a justificar quem termina com a própria existência. No auge da amargura, lembrei-me que no edifício onde moro existiam outros “sozinhos” como eu: um casal de idosos. Juntei algumas coisas boas que tinha em casa, uma garrafa de vinho, uma caixa de doces… enfim, preparei um embrulho bonito e fui visitá-los. Não esperavam por isso. Cheguei no momento certo, porque precisavam de ajuda para muitas coisas. Ficaram muito felizes e reconhecidos. Enquanto fazia alguma coisa na cozinha, eu mesmo surpreendia-me pela liberdade e a alegria que sentia. Onde tinha ido parar aquela angústia de antes? No fim da noite, quando nos despedimos, vi um brilho especial nos olhos daquelas pessoas. O Natal tinha chegado até mim. (Sandro – Itália)

Devo ser eu a começar

Quando do Burundi cheguei à Eslovênia, os primeiros contatos que tive com as pessoas foram difíceis. Porém, também encontrei pessoas que me ajudaram. Aqueles gestos de solidariedade ajudaram-me a compreender que não podia pretender que o ambiente me acolhesse: eu é que deveria começar a conhecer a cultura, a língua e os costumes eslovenos, de modo que as diferenças não se tornassem obstáculos, mas um enriquecimento. Por exemplo, comecei a fazer trabalhos manuais, o que é incomum para os homens africanos instruídos; ou também trabalhos domésticos, quando a minha sogra ficou doente, e assim a minha esposa pode acompanhá-la. Esta é a semente que leva os povos a compreenderem-se. (C.S. – Eslovênia)

O presente

A minha filha queria ter uma irmãzinha. Já tinha um irmão, mas um recém-nascido era outra coisa. No ano passado, parecia que este desejo seria realizado, mas infelizmente tive um aborto espontâneo. Nós o aceitamos com serenidade, mas a Lucia chorava desesperada.

Começou a preparar-se para a primeira comunhão. Eu ajudava a catequista. Uma tarde em que falávamos do Natal que se aproximava, nas fichas que foram distribuídas para as crianças, entre as várias perguntas, dizia: «O que esperas para o Natal?», e a Lucia respondeu: «Adotar uma menina, mesmo sendo à distância». A catequista e eu olhamo-nos com surpresa; mais tarde falando com o meu marido lembramos do sofrimento da Lucia por causa da interrupção da minha gravidez. Portanto, estava disposta a renunciar aos presentes para ter uma irmãzinha, mesmo se fosse à distância. Fizemos os vários contatos e dois dias antes da primeira comunhão, chegou uma carta: comunicava-nos que a menina “adotada à distância” chamava-se Thu, tinha a idade da Lucia e era vietnamita. Foi um grande presente para ela! Toda contente, levou a foto da Thu para mostrar para as suas colegas da escola e para a professora. (D. V.- Suíça)

Fonte: Il Vangelo del giorno, dezembro de 2013, Città Nuova Editrice.

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Do Congo à Bélgica, a viagem de Belamy

Clip integral da canção – http://www.youtube.com/watch?v=ymXHLfOal4U

Belamy Paluku é originário de Gomae encontra-se por três meses na Bélgica. No seu país, o Congo, faz parte da banda Gen Fuoco, cuja mensagem inspira-se na espiritualidade de unidade, e é também o responsável pelo “Foyer Culturel”, um centro cultural de sua cidade.

Graças aos seus talentos musicais o Centro Wallonie-Bruxelas ofereceu-lhe uma bolsa de estudos para aprofundar a técnica do canto, em Verviers, na Bélgica. Belamy é compositor e suas canções evidenciam a busca da paz, do diálogo e o valor do sofrimento.

A mais conhecida é “Nous couleurs et nos saveurs” (“somos nossas cores e sabores”) e é um convite a valorizar as cores e os gostos dos diferentes povos, porque “um mundo com uma só cor e uma única comida seria muito pobre”.

No vídeo vemos uma entrevista com o jovem musicista e uma jovem belga.

Belamy, você é de Goma, atualmente está na Bélgica, para um intercâmbio e uma especialização como músico. Como você se sente numa cultura tão diferente?

Conheço pessoas de várias origens, e me dou conta de que todos têm sempre algo a oferecer ou a receber dos outros. Nem a cultura nem a língua podem impedir a convivência, a comunicação.

Entrevista com Belamy Paluku

E você, Elisabeth, que nasceu na Bélgica, o que significa para você acolher aqueles que chegam de vários lugares do mundo?

É verdade, na Europa, e de modo especial em Bruxelas, há uma riqueza imensa de culturas e nacionalidades. Eu vivi com jovens do Movimento dos Focolares da Síria, Eslováquia, Itália… A arte de amar sempre me ajudou a ir em direção ao outro. Mas acho que não basta viver um ao lado do outro. Como somos muito reservados, o desafio para nós, europeus, é tomar a iniciativa e ir ao encontro do outro, construir pontes, até nos tornarmos uma única família, reconhecendo-nos irmãos”.

Belamy, esse intercâmbio de riquezas inspirou uma de suas canções, não é?

Venho de uma região onde existe sempre o perigo de guerra entre as etnias. Este intercâmbio de riquezas humanas e culturais me parece o caminho para um mundo de partilha e de tolerância. Tomei como ponto de partida as nossas diferenças para gritar ao mundo que juntos, unidos, saberemos revelar o enigma da humanidade.

Belamy Paluku está no Facebook com o nome “Belamusik” (o centro cultural de Goma)

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Síria, incerteza do futuro

«Já são várias semanas que a nossa correspondência com a Síria foi interrompida. Giò precisou deixar a casa em Damasco e transferir-se ao litoral em busca de uma acomodação mais segura. A eletricidade continua a ir e vir, em todo o país: três horas de manhã e depois escuro, ou então algumas horas à tarde e depois já nos preparamos para o dia seguinte.

Telefonando para o apartamento de Damasco tivemos a sorte de encontrar uma amiga da nossa correspondente que tinha ido fazer uma inspeção. «Sabe, na capital também caem muitas bombas, mas aqui estamos bem». Ela tenta me tranquilizar e tranquilizar a si mesma, porque prossegue dizendo: «Vivemos momento por momento, não sabemos do nosso amanhã e por isso é o hoje que conta». Ela não trabalha há mais de dois meses porque seu chefe havia pedido que ela fizesse coisas desonestas e ela se demitiu. Não quis me dizer de que tipo de trabalho se tratava: mantém a reserva, para si e para o chefe. Mas dois dias atrás apresentou o seu currículo, e mais uma vez está esperando que algo mude.

Fala-me de seus pais. Eles moram em Talfita, próximo a Maaloula, a vila de onde foram raptadas as freiras ortodoxas no dia 3 de dezembro. Há uma grande aflição pela sorte delas. «Uma amiga minha falava com elas todos os dias, mas naquela terça-feira o telefone tocava, tocava, e ninguém respondia». Enquanto isso, um canal de televisão dos rebeldes mostrou um vídeo onde as religiosas declaravam não terem sido raptadas, mas protegidas contra os ataques na região. Mas ninguém acredita totalmente nisso.

A vida é muito difícil no norte do país, onde os rebeldes se mostram tão cruéis quanto o exército. Faz frio e a falta de eletricidade não consente uma vida normal. A necessidade é suprida com geradores a gasolina, mas o combustível serve mais para aquecer do que para iluminar. «A nossa vila foi quase toda queimada. As pessoas não saem de casa nem para comprar os itens de primeira necessidade. Contudo, Deus continua a intervir e a salvar a nossa vida, mas não vemos vislumbres de paz, tudo nos parece sem sentido, sem uma finalidade. Quando poderemos dizer chega a essa violência?».

Aos cuidados de Maddalena Maltese

fonte: Città Nuova

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Ao vivo das Filipinas

«Até agora conseguimos ajudar cerca de 500 famílias que, por sua vez, ajudam outras famílias, graças aos donativos que chegaram de todo o mundo, de pessoas do Movimento e de muitos outros. Agora estamos juntando fundos para reconstruir as casas destruídas. Por isso, contamos ainda com a ajuda de todos!». Foi um convite feito durante uma conexão internet mundial, com 6.463 pontos conectados, nos cinco continentes, pelos responsáveis dos Focolares em Cebu, Carlo Gentile e Ding Dalisay, esta última envolvida diretamente nas operações de socorro às regiões atingidas. Eles continuaram contando alguns fatos que mostram a solidariedade colocada em ação, mesmo numa situação que continua precária.  «No dia seguinte ao tufão alguns de nós viajaram para as zonas mais atingidas para levar socorro. Algumas pessoas decidiram deixar a cidade, outras ficaram: “Não podemos ir embora e fugir das nossas responsabilidades. Devemos pagar os salários, ajudar a cidade a reerguer-se…”, explicou Bimboy, reitor da universidade local e membro dos Focolares. Todos os dias ele percorre 10 quilômetros a pé para ir à universidade, e assim garantir um mínimo de normalidade». «Pepe e Marina são os responsáveis pela comunidade dos Focolares em Tacloban. Procuram estar a serviço de todos: um vizinho precisava de gasolina, deram-lhe a pouca que havia sobrado no carro deles. “O que faremos agora?”, perguntavam-se. No dia seguinte, inesperadamente, chegou um primo que decidira deixar a cidade, e confiou a eles a sua van, até o seu retorno». Em Cebu continuam a chegar donativos dos Focolares do mundo inteiro. Na edição filipina da revista Cidade Nova (New City Philippines)  lê-se que «o apoio da comunidade internacional é simplesmente avassalador. A profecia do Evangelho, “quando eu for levantado da terra atrairei todos a mim”, parece realizar-se exatamente aqui em Tacloban. Até as crianças, de várias partes do mundo, estão mandando as economias retiradas de seus cofrinhos». É como uma reação em cadeia positiva. Um casal ítalo-filipino, residente na Itália, conta que os membros do Movimento enviaram 23 pacotes para Abuyog (vilarejo onde reside a família deles, ndr). «Não só alimentos – eles dizem – mas também barracas, mosquiteiros, colchonetes e outras coisas. Foi muito difícil que as encomendas chegassem e no final ficaram bloqueadas a algumas horas de distância da cidade… mas depois conseguimos recuperá-las». E de lá partiu uma rede de solidariedade para ajudar os que estão em piores condições: «Percorrem as zonas mais atingidas, distribuem os pacotes que receberam e o arroz que conseguiram comprar; deixam bilhetinhos para as famílias em dificuldade convidando-as a irem até a casa deles para retirar outras eventuais ajudas». E as doações continuam a chegar, seja através da Ação Famílias Novas, que da AMU (ONG dos Focolares), que há anos atuam naquela região, muito próximas à população. Angel, uma jovem dos Focolares das Filipinas, encorajou seus professores e colegas de classe a renunciar alguma coisa pelas vítimas do tufão, dizendo: «Quando uma parte de nós morre, uma outra vive». Com a sua iniciativa juntou muitas coisas e 20 mil pesos em apenas um dia. Michael, outro jovem dos Focolares que mora num vilarejo muito pobre, juntou sete sacos de roupas em boas condições. As ajudas e socorros chegam de nações ricas e pobres. E enfim, Amiel conta: «Vai precisar muito tempo para que a vida volte ao normal. Mas tendo feito uma experiência semelhante a de Chiara Lubich durante a guerra, nós iremos para frente. Este é o nosso modo de testemunhar que Deus é amor». Como doar: Associazione Azione per un Mondo Unito – Onlus Banca Popolare Etica, filial de Roma Codice IBAN: IT16G0501803200000000120434 Codice SWIFT/BIC CCRTIT2184D Causal: emergência tufão Hayan Filipinas AÇÃO FAMÍLIAS  NOVAS Onlus c/c bancária n° 1000/1060 BANCA PROSSIMA Cod. IBAN: IT 55 K 03359 01600 100000001060 Cod. Bic – Swift: BCITITMX

MOVIMENTO DOS FOCOLARES EM CEBU Payable to : Emergency Typhoon Haiyan Philippines METROPOLITAN BANK & TRUST COMPANY Cebu – Guadalupe Branch 6000 Cebu City – Cebu, Philippines Tel: 0063-32-2533728
Conta bancária: WORK OF MARY/FOCOLARE MOVEMENT FOR WOMEN Euro Bank Account no.: 398-2-39860031-7 SWIFT Code: MBTCPHMM Causal: emergência tufão Hayan Filipinas Email: focolaremovementcebf@gmail.com Tel. 0063 (032) 345 1563 – 2537883 – 2536407
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Apoio à distância: um amor contagioso

«Eu tinha o desejo de envolver meus colegas do banco onde trabalho, a Cassa Rurale, numa ação conjunta de apoio a pessoas ou situações de dificuldade». É como B. S., voluntária do Movimento dos Focolares, de Trento (Itália), conta o início de uma experiência que em seu caminho produziu uma onda de solidariedade “à distância”.

A ocasião apareceu em 1989 quando a guerra no Líbano, que já durava muitos anos, teve um período de forte endurecimento. «Chegava daquele país o pedido de assumir crianças órfãs ou em situação de extrema necessidade. Lancei a proposta aos meus colegas que aderiram com alegria, versando uma pequena contribuição cada mês». O canal escolhido foi o “apoio à distância”, com o Movimento Famílias Novas, através dos projetos da associação Ação Famílias Novas.

Natine, 12 anos, pode assim viver com mais dignidade e prosseguir os estudos até obter o diploma de professora e começar a trabalhar. Os colegas do banco, de comum acordo, decidiram prosseguir essa ação com outras cinco crianças, uma de cada continente. Aos que se encontram em maior necessidade enviam também uma soma extraordinária, no Natal, com o envolvimento inclusive do Conselho de Administração da empresa.

«Com o passar do tempo – conta com alegria B. S. – os nossos “apoios à distância” passaram a 14 crianças em diversas partes do mundo, e esse ano acrescentaram-se outras seis do Uruguai: um total de 20 crianças! E como o amor é contagioso muitos decidiram fazer também um sustento pessoal, ao qual deverão aderir outras trinta pessoas de fora do Banco, que vieram a saber da iniciativa e decidiram cumprir, ainda que um por tempo determinado, este ato de solidariedade. Hoje – conclui B. S. – as crianças sustentadas à distância pelo nosso grupo e “amigos” são 75!».

Você também gostaria de assumir um “apoio à distância”?

Escreva à sad@afnonlus.org, ou telefone para 55 06 9454 6412.

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Bolívia: a Casa de los Niños

Cochabamba, Bolívia: aqui, onde 50% da população é constituída por crianças e adolescentes, na maioria abandonados pelos pais, há algumas décadas, funciona a Associação de Voluntariado ONLUS Casa de los Niños.

“Somos um fruto do encontro com Jesus, de modo concreto, nas pessoas que cruzaram a nossa história”, escrevem-nos os responsáveis pelo projeto. “Fomos impulsionados pelos sonhos de esperança e de bem das pessoas que vivem situações de grave sofrimento ou marginalização, principalmente crianças”.

Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, um dia exprimiu o desejo que se pudessem fechar os orfanatos, esperando que cada um dos pequenos hóspedes pudesse gozar do calor e do amor de uma família. “Seguindo este sonho de Chiara Lubich – contam – trabalhamos onde é possível para recompor, para hospedar temporariamente e sustentar as famílias ou os familiares de crianças em extrema pobreza. Com a ajuda de muitas pessoas, conseguimos, nestes últimos 6 anos, reunir quase uma centena de famílias, oferecendo-lhes uma habitação digna”.

O caso de M.R. é um exemplo. Há 8 anos atrás, tinha-lhe sido diagnosticado o vírus HIV.  Quando a Associação foi criada, ela não falava e não caminhava. Ao receber alta do setor de terapia intensiva onde tinha sido internada devido a uma infecção, foi acolhida na Casa de los Niños. “Faltam poucos meses para a M. R. completar 10 anos”, contam com alegria. “Entretanto, a mãe foi afastada da sua casa, por ter sido considerada responsável pela situação. Assim, também foi hospedada pela Associação e, deste modo, um pequeno núcleo familiar recompôs-se”.

“O nosso Centro – prosseguem – agora é um ponto de referência na cidade para todas as instituições públicas que trabalham com portadores do vírus do HIV. 20% das famílias de Cochabamba portadoras do vírus vivem aqui. Também 30% das crianças nestas condições são hóspedes da nossa Cittadella Arcobaleno, onde vivem juntamente com outras 200 crianças com histórias diferentes”.

A ação concreta, embora fundamental e necessária, não pode ser separada daquilo que dá sentido e valor a cada gesto: “A arte do encontro marcou a nossa vida – contam os operadores – e aquilo que vemos florescer ao nosso redor é fruto do relacionamento com pessoas extraordinárias, com as quais partilhamos a vida e as aspirações mais profundas. Isto permite-nos abraçar o sofrimento inocente, aquele das crianças que sofrem a injustiça mais absurda, de uma vida que não escolheram e que as obriga a lutar contra a correnteza desde o primeiro instante. Nós estamos aqui com elas, com a tenacidade dos miseráveis e a fé dos fracos. Acreditamos simplesmente que, apesar das derrotas quotidianas, o bem triunfa sempre”.