Movimento dos Focolares
Vida consagrada: espiritualidade de comunhão, caminho de santidade

Vida consagrada: espiritualidade de comunhão, caminho de santidade

>Radicalismo, comunhão e espiritualidade. É o que desejam os jovens religiosos para a sua futura vida de consagração. Foi o que emergiu de uma pesquisa promovida em precedência do V Congresso sobre a Vida Consagrada, realizado em Roma, dia 3 de dezembro passado, por iniciativa das Consagradas e Consagrados do Movimento dos Focolares, em colaboração com o Instituto de Teologia Claretianum. A pesquisa apoiava-se em dois pontos da vida consagrada, um positivo e outro negativo: “Gostaria que a vida consagrada que eu vivo fosse mais… gostaria que a vida consagrada que eu vivo fosse menos…”. Do lado negativo emergiram a rejeição do formalismo e a denuncia do ativismo. O tema do Congresso – “Santos Juntos” – foi escolhido partindo dos resultados da pesquisa e propunha como caminho de santidade comum a espiritualidade de comunhão. As várias intervenções na plenária foram do arcebispo João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, do reitor da Pontifícia Universidade Urbaniana, padre Fabio Ciardi, dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada, a quem foi confiado o tema, “A espiritualidade de comunhão, caminho de santidade”. Seguiram experiências vividas, contadas por religiosos e religiosas. E enfim, a palestra de Lucia Abignente, do Centro Chiara Lubich, que apresentou um breve excursus histórico do pensamento sobre a santidade de povo em Chiara Lubich, e apresentou duas breves projeções. A segunda parte do Congresso foi introduzida por uma testemunha excepcional, Chiara Luce Badano, proclamada bem-aventurada dia 25 de setembro do ano passado. Foi apresentada pelas gen, jovens do Movimento dos Focolares. Nascida em 1971, Chiara Luce foi uma contemporânea. “Com a sua vida – explicou Tiziana Longhitano, sfp – disse-nos que a santidade é possível hoje também, e que é possível também para nós. Acreditamos que Chiara Luce é a expressão de um caminho compartilhado. Ela não se tornou santa sozinha, os pais a acompanharam. O seu caminho foi partilhado ainda por outros amigos, que se deixaram envolver na reciprocidade do Amor trinitário”. «Vocês são um verdadeiro sinal de Deus no mundo, e para todos nós consagrados – disse um dos participantes no fim do encontro –. O testemunho que dão contagia os jovens e todos os que têm a chance de conhecerem vocês».

Vida consagrada: espiritualidade de comunhão, caminho de santidade

Hindus e cristãos em diálogo

Lonavla, localidade famosa pelo seu clima temperado, no planalto de Decão, a cerca de duas horas de Mumbai. Os 60 estudiosos estão lá para o IV Simpósio hindu-cristão, uma iniciativa realizada pela primeira vez em 2002, em Castelgandolfo (Itália), um ano após a visita de Chiara Lubich à Índia, e dos seus contatos com o mundo acadêmico e gandhista da grande nação asiática. Tratou-se de uma estreia em absoluto. O Movimento dos Focolares, que já então era ativo há decênios no campo inter-religioso, nunca tinha tido a ocasião de enfrentar o aspecto acadêmico e teológico entre seguidores de religiões e tradições diferentes. A partir de 2002 seguiram-se iniciativas no campo acadêmico com budistas, judeus e muçulmanos, em Roma e em várias partes do mundo. A descoberta e a valorização do âmbito acadêmico, no que diz respeito ao diálogo entre seguidores de credos diferentes, ainda que não deva tornar-se nem prioritária nem exclusiva, adquiriu, todavia, uma função cada vez mais central para um verdadeiro conhecimento da espiritualidade, do ritualismo e da ética do outro. Agora, pela primeira vez, acadêmicos de tradição típica da Índia e parceiros cristãos, reúnem-se na Índia, onde o diálogo há séculos é rico e inovador, capaz de percorrer estradas corajosas, inclusive em momentos absolutamente não fáceis, como os que estamos vivendo. O que caracteriza a experiência que os sessenta participantes propõem-se realizar é não limitar-se a um exercício acadêmico, mas conjugar vida e ideias. O título do evento – “Ler, interpretar e viver as Escrituras para realizar a paz e a fraternidade universal” – oferece pistas vitais, que, contudo, serão aprofundadas também intelectualmente. Entre os cristãos, além de representantes do Movimento dos Focolares da Índia, estarão presentes membros da Escola Abba – o seu centro de estudos – e do Centro do Diálogo inter-religioso dos Focolares. Do lado hindu os participantes serão gandhistas, empenhados numa linha social e prática, assim como professores universitários atuantes em diversas importantes universidades.

Vida consagrada: espiritualidade de comunhão, caminho de santidade

Prêmio Madre Teresa a Chiara Lubich

«Amar, portanto, amar, amar, amar. Porque a vida, toda vida, cada estágio da vida pede amor. Devemos opor à cultura da morte uma cultura da vida». Assim declarou Chiara Lubich, dia 17 de maio de 1986, em um ginásio de esportes de Florença (Itália), onde tinha sido chamada, juntamente com Madre Teresa de Calcutá, para dar um testemunho durante o evento “Toda vida pede amor». Ainda hoje aponta-se o “direito à vida” como primeiro e fundamental entre todos os direitos humanos, e o se faz também através do Prêmio Europeu do Movimento pela Vida, intitulado a Madre Teresa, e que este ano será conferido à memória de Chiara Lubich, pela contribuição dada pelo Movimento dos Focolares, no mundo inteiro, à causa da vida. Chegando agora à sua terceira edição, o prêmio foi instituído no 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em 10 de dezembro de 1948. Na primeira vez foi conferido, em Estrasburgo, à memória do grande geneticista, professor Jerome Lejeune. É um reconhecimento a quem testemunhou de maneira particularmente generosa e eficaz a dignidade humana, o amor e a vida, contribuindo de modo exemplar na construção de uma verdadeira cultura dos direitos humanos. Será recebido pela presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce, no dia 10 de dezembro, no Capitólio, em Roma, na presença de Ennio Antonelli, presidente do Conselho Pontifício para a Família, do prefeito de Roma, do presidente da Comissão das Relações Institucionais do Parlamento Europeu, do ministro húngaro para Assuntos Sociais e Família, de outras personalidades civis, religiosas e acadêmicas, e dos representantes dos Movimentos pela vida de 13 países europeus. Durante a programação serão apresentados alguns testemunhos de “gênio feminino” e lidos alguns testos de Chiara Lubich. «Quando Deus veio à terra trouxe o amor – refletia ainda Chiara, em 1986 –. Ele, criador da vida e suscitador de uma Vida ainda mais importante, sabia o que era necessário para mantê-la: o amor. E no final da vida ele mesmo nos julgará unicamente sobre o amor. O amor, portanto, é importante. Saiamos desse ginásio com o propósito de fazer da nossa vida um único e continuado ato de amor para com cada próximo e de comunicar este anseio ao maior número possível de pessoas. Assim daremos a nossa contribuição para aquela civilização da qual hoje tanto se fala: a civilização do amor».

Vida consagrada: espiritualidade de comunhão, caminho de santidade

Terra do Fogo: jovens protagonistas na política

O Movimento Político pela Unidade, na Argentina, há anos atua na difusão da dimensão da fraternidade dentro da vida dos partidos políticos, como acontece em outros países onde está presente. Juan José Pfeifauf (Partido “Frente para a Vitória”) e Pilar Goldmann (Partido “GEN/Geração para um Encontro Nacional”) são dois jovens que chegaram a Rio Grande (Terra do Fogo – Argentina), para uma visita à capital mais meridional do mundo. Militantes em dois diferentes partidos políticos, eles quiseram lembrar que inspirar-se na fraternidade significa “colocar esta ideia em ação concretamente, entre as várias partes políticas, criando empatia com o outro, com humildade, sabendo que ninguém possui a verdade absoluta, com relação a algum projeto, e começando por reconhecer no outro um interlocutor válido e necessário”. A visita deles faz parte do caminho de acompanhamento da Escola de Formação Política local, que realiza suas aulas aos sábados, pontualmente. Eles mesmos, anteriormente, frequentaram as Escolas do MppU, em La Plata (Buenos Aires). Hoje Pilar é tutora de uma outra escola, em San Miguel Del Monte, na província de Buenos Aires, onde foi encorajada a candidatar-se como vereadora nas últimas eleições. Sobre a participação dos jovens na vida política ativa, a opinião de Pilar é que “dos anos 1990 até agora houve um crescimento do compromisso político na Argentina, embora ainda não possamos dizer que 100% dos jovens se interessem por ela”. Mas os jovens não devem ser considerados somente como sujeitos de alguns projetos ocasionais, “os jovens devem se tornar os principais atores no âmbito político. A renovação da política passa por aqui”. O MppU/Argentina, que se inspira nos princípios de fraternidade ínsitos na proposta da espiritualidade de Chiara Lubich, completou 10 anos em 2011. Foi constituído durante a grave crise econômica que atingiu a região, num ano que se tornou inesquecível, e que levou a um aumento da pobreza na sociedade. Momento no qual aconteceu um verdadeiro divórcio entre o povo e a classe política, um divórcio que só recentemente parece estar se recompondo. Pilar conta que, sobre as premissas daquela crise, algumas pessoas animadas pela espiritualidade da unidade assumiram o compromisso de dar início a escolas de formação social e política, “para tentar dar uma resposta, imprimir uma inversão de rota, constatando a necessidade de reconstruir as bases do relacionamento entre sociedade e instituições. E não só, também para difundir sementes de diálogo e traçar uma trajetória comum”. Hoje é possível dizer que muita estrada foi feita, e centenas de jovens argentinos passaram por essas escolas. Um “capital” já maduro para contribuir ao desenvolvimento do país sul-americano, com o compromisso de levar a fraternidade na política, compreendida como serviço. De Daniela Ropelato (trechos retirados do artigo publicado no Diario El Sureño, 16 de novembro de 2011 – nossa tradução).

Vida consagrada: espiritualidade de comunhão, caminho de santidade

Argélia: a chance de olhar mais além

Orã, a segunda maior cidade da Argélia, fica às margens do Mediterrâneo. É um dos maiores centros comerciais e culturais do norte da África. Um grupo de pessoas, na maioria muçulmanas, comprometidas em viver os valores de fraternidade propostos pelo Movimento dos Focolares, promove uma experiência com deficientes visuais. Sheherazad é uma das protagonistas, desde o início: “Em 1997, por meio de minha irmã mais nova, que trabalha numa clínica oftalmológica – ela conta – conheci uma religiosa católica que procurava alguém que pudesse ensinar francês a um grupo de cegos da cidade. Eu não me sentia preparada, sou uma dona de casa e aquele me parecia um compromisso superior às minhas capacidades. Mesmo assim, de acordo com meu marido, decidi aceitar, consciente que naquela proposta poderia estar escondido um preciso plano de Deus”. Foi o início de uma maravilhosa aventura que, com o tempo, envolveu a cidade inteira. Além do ensino, para Sheherazad foi a descoberta de um novo mundo, que conquistou o seu coração e o de Fouzia, uma amiga que partilha o ideal da fraternidade e que em pouco tempo também começou a dar aulas. O mundo dos cegos revelou-se especial, principalmente porque a maioria deles era muito pobre e socialmente marginalizada. “Com o passar do tempo percebemos que o nosso comportamento de abertura para com o outro dava uma característica especial ao modo de ensinar, que se tornava uma ocasião para sustentar aquelas pessoas. Havia quem precisava encontrar uma ocupação, outros precisavam só de um apoio ou de uma palavra de conforto”. Enquanto isso, para entender melhor as necessidades dos alunos, Fouzia e Sheherazad aprenderam o braile. E tudo isso não passava despercebido. “Um amigo nosso, vendo que dávamos o nosso tempo sem esperar nada em troca, decidiu nos ajudar e unir-se a nós nessa empresa”. Procuraram ajudar os jovens a encontrar trabalho. Uma moça, por exemplo, procurava trabalho como telefonista. Eles procuraram uma empresa: “Notamos que o diretor queria nos ajudar a encontrar uma solução, ele ficou tocado com a nossa ação e decidiu contratar a jovem por tempo indeterminado”. Toda a comunidade de Orã participa dos projetos e dos sucessos alcançados. Organizam-se dias de encontro para fazer com que sejam conhecidas a vida e as riquezas desse mundo. “O tema desses eventos é sempre centralizado no “outro”, e no final não existe mais quem é cego e quem não é, quem é muçulmano ou cristão: somos todos irmãos e irmãs que partilham da mesma situação”. A imprensa nacional interessou-se por esses encontros, reconhecendo o direito dos deficientes visuais a viver como todos os outros. Nasceu uma ação de sensibilização que levou muitas pessoas a unirem-se aos esforços de Sheherazad e Fouzia. Superando as dificuldades administrativas e legais foi constituída uma associação para a integração profissional dos cegos, que é muito ativa e trabalha pela construção de uma escola. Instituições da cidade foram envolvidas e o projeto de formação foi reconhecido pelo departamento de formação profissional de Orã. “Ainda há muito a ser feito – conclui Sheherazad – mas fazer algo pelos outros, apesar de todos os nossos limites, é maravilhoso, entusiasmante! Dá a todos aquela força para ir adiante que abre as portas a novas surpresas”. Da Comunidade de Orã – Argélia

Vida consagrada: espiritualidade de comunhão, caminho de santidade

Os Thai não se abandonam

A situação da maior inundação já sofrida pela Tailândia nos últimos 50 anos está melhorando lentamente. Alguns números, segundo as estimativas atuais:

  • Sete milhões de pessoas atingidas e cerca de 700 vítimas fatais, dos 10 milhões de habitantes de Bancoc.
  • 80% da superfície da cidade foi invadida pela água. Dos 50 distritos de Bancoc apenas nove ficaram secos, todos os outros tiveram de 20 a 200 centímetros de água. Dezessete províncias foram atingidas diretamente.
  • Calcula-se um prejuízo de 37 milhões de dólares.
  • 60 milhões de toneladas de colheita (principalmente arroz) foram perdidas.
  • Dentre os maiores parques industriais oito foram inundados, com a perda de 1,2 milhões de postos de trabalho e consequências para a indústria da Tailândia e de outros países (o Japão tem cerca de 40% de suas fábricas nos oito parques inundados).

Tudo começou – contam Elena e Chun – no mês de julho, a chuva, com um atraso de um mês no calendário, recuperou o tempo perdido, superando a quantidade do ano anterior e chegando ao dobro de 2010. Em setembro a situação já era grave, e em outubro gravíssima. Bancoc, chamada “a Veneza do Oriente”, tem cerca de 2 mil quilômetros de canais, que fazem dela uma das cidades do mundo mais equipadas para o defluxo das águas pluviais, mas certamente não para estes volumes. Os especialistas se encontraram diante de uma situação imprevisível. Muitos abandonaram Bancoc. Era como uma cena de filme, mesmo se as pessoas não se deixaram tomar pelo pânico. Nós, junto com outros, decidimos ficar, permanecer ao lado do povo e fazer a nossa parte. Todos começaram a se ajudar mesmo sem se conhecerem, aliás, antes às vezes se ignoravam. Quem salvou o país num desastre dessas proporções? O povo que amou e doou além das próprias forças. Gente com a casa inundada que se sacrificou para que ao menos algum bairro de Bancoc se salvasse (ao norte do antigo aeroporto); gente que soube abrir o coração aos outros… e eram muitos! Até os mais ricos, jornalistas, atores, saiam pessoalmente, nos barcos, para distribuir gêneros alimentícios. A vida na cidade foi salva pela gente comum, que deu a esperança de que “juntos podemos conseguir”. Claro que houve também a parte dos militares, dos funcionários públicos que trabalharam até 15 horas por dia para levar ajuda, e das pessoas idosas que foram cozinhar nos centros de acolhida. Ou dos monges budistas que acolheram milhares de idosos, doentes, crianças e mães, em seus mosteiros; e do sacerdote que encheu o colégio particular de desabrigados e depois saiu de barco, para buscar pessoas que esperavam nos telhados das casas. Essa é a verdadeira Tailândia, que ensina a viver, a alegrar-se e a sofrer com quem sofre. É o milagre da vida e do amor que vence a morte. Também nós, do Movimento dos Focolares entramos em ação. Muitas das nossas famílias foram atingidas, algumas estão com a água dentro de casa a semanas. Dentre os nossos houve quem foi para os pontos de ônibus pedir ajuda para os desabrigados ou aos centros de acolhida, para ajudar. Abrimos as nossas casas e acolhemos quem nos pedia ajuda, procuramos as pessoas pelo telefone, todos os dias, para que se sentissem amadas, encorajando e consolidando a unidade entre nós. Nesse período trágico vimos brotar o lado mais belo do povo tailandês: para além das diferenças políticas, que há um ano e meio haviam dividido o país, prevaleceu um grande amor pelo próximo que sofre. Uma repórter da CNN definiu essa corrente de solidariedade, que investiu toda a sociedade thai como “um extraordinário fenômeno social”. Nós também vivemos um slogan que circula nesses dias: “os thai não se abandonam”. O amor fez com que nos tornássemos todos “thai”, mesmo se nascemos em outra parte do mundo. Ninguém sabe com certeza quando voltaremos à normalidade, mas vamos adiante, superando, todos os dias, as muitas dificuldades. Elena Oum e Chun Boc Tay   Para quem deseja ajudar é possível fazer um depósito bancário, segundo estas orientações: CONTA CORRENTE DA SECRETARIA CENTRAL DOS JOVENS POR UM MUNDO UNIDO (GMU) Especificar o objetivo da transação. CONTA EM NOME DE: PIA ASSOCIAZIONE MASCHILE OPERA DI MARIA Via Frascati 306, Rocca di Papa, 00040 Roma – Itália ENDEREÇO DO BANCO: INTESA SAN PAOLO FILIAL DE GROTTAFERRATA VIA DELLE SORGENTI, 128 00046 GROTTAFERRATA (ROMA) ITALIA CODIGO IBAN PARA TRANSAÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS: IBAN  IT04  M030  6939  1401  0000  0640  100 BIC  BCITITMM