Movimento dos Focolares

Mais confiança na obra de Deus

Out 31, 2012

Na conclusão do sínodo sobre a nova evangelização, algumas avaliações da presidente do Movimento dos Focolares, Maria Voce.

Uma experiência da Igreja comunhão foi a que Maria Voce vivenciou no Sínodo, «seja nas intervenções na plenária, seja nos momentos de partilha fraterna». Ela mesma o declarou numa entrevista concedida ao jornal Avvenire, no final das três semanas de trabalho, e acrescentou: «Eu realmente agradeci a Deus por pertencer a uma Igreja assim». «Juntos – continuou – nos demos conta dos defeitos humanos que dificultam a nova evangelização e tomamos consciência do dever de purificar-se dos pecados para reencontrar o radicalismo do testemunho evangélico. Falou-se muito sobre a credibilidade do anúncio, gerada antes de tudo pela coerência de vida daqueles que são chamados a evangelizar, a começar pelos pastores. Contudo, emergiu dos trabalhos dessas três semanas que não obstante os pecados dos homens, que afetaram o caminho da Igreja em várias partes do mundo – inclusive a Itália e a Europa – em geral o clima que se respira nas nossas comunidades não é de desalento, porque existe a certeza de que a Igreja é sustentada por Deus e, portanto, também os nossos erros podem ser superados. Em última análise, do Sínodo desabrochou uma Igreja mais confiante em si mesma, porque mais confiante no Senhor».

Essa é uma avaliação geral, citada no cotidiano católico, mas foram várias as temáticas abordadas nas outras entrevistas concedidas pela presidente dos Focolares. Desde a função da mulher, no Sínodo e na Igreja, assim como na campanha sobre os direitos das mulheres do telejornal Tg2, da RAI: «O exemplo dos Focolares pode ser um exemplo de “quotas cor de rosa” na igreja?». Maria Voce não se reconhece nesta expressão: «A nossa – ela afirma – é uma presença eclesial, na qual a mulher tem a sua função, a presidência feminina é um sinal disso».

Ao invés, Vatican Insider a questionou sobre o tema do diálogo com o Islã, após a projeção de um vídeo, na sala sinodal, que havia provocado certa perplexidade. «Foi uma ocasião para dar centralidade a este tema – afirmou Maria Voce, citada também no Washington Post -. Serviu para manifestar uma face da Igreja que dialoga, uma Igreja que vai ao encontro dos outros, das culturas e de tudo o que nos rodeia – portanto também do Islã, visto como pessoas que vivem ao lado dos cristãos, que tem os mesmos problemas, e que podem resolvê-los juntos». É “com temor” que muitos cristãos veem o crescimento do Islã? «Deus conduz a história – continuou – por isso não devemos ter medo dessas reviravoltas. Talvez o Islã cresça numa parte do mundo, enquanto em outra cresce o cristianismo. O importante é que a humanidade cresça em humanidade, isto é, que cresçam os homens, em seu relacionamento com Deus e na capacidade de relacionar-se uns com os outros». Os católicos podem aprender alguma coisa dos muçulmanos? «Vivi por dez anos num país de maioria muçulmana, a Turquia. Aprendi o respeito pela religião, a fidelidade na observância dos próprios deveres, a capacidade de perdoar no período do Ramadã. Talvez para nós seja apenas uma palavra, mas para eles é um tempo sagrado, quando se perdoam as dívidas, renovam-se as relações familiares. Principalmente creio que se possa aprender um comportamento de fidelidade a Deus e aos seus mandamentos».

Entrevista com a agência Rome Reports
(vídeo em inglês)

Sobre a contribuição dos leigos à nova evangelização verteram as perguntas de Telepace, Rome Reports e Rádio Vaticana: «Parece-me que exista uma grande alegria no fato de reconhecer-nos todos como Igreja – respondeu Maria Voce a esse respeito -. Inclusive os pastores, cada vez mais, se dão conta disso, mas parece-me que seja importante também respeitar a especificidade dos carismas que cada um traz, porque são dons de Deus e não podem ser misturados, assim, indiferentemente. Ao mesmo tempo é preciso saber que cada um desses dons serve para construir o todo, que aquele dom específico que o Movimento dos Focolares traz, ou a Comunidade de Santo Egídio, ou que traz o carisma de um bispo, deve integrar-se com todos os outros carismas, precisamente para a construção do Corpo de Cristo que é a Igreja».

Para as outras entrevistas a Maria Voce sobre o Sínodo, acesse:

https://www.focolare.org/area-press-focus/it/news/category/segnalazioni/

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