Movimento dos Focolares

O cuidado, um novo modo de vida

Jul 15, 2020

Os jovens dos Focolares iniciaram a nova campanha #daretocare para cuidar das nossas sociedades e do planeta Terra e serem cidadãos ativos para tentarem construir um pedaço de mundo unido. Entrevista com Elena Pulcini, professora de Filosofia Social na Universidade de Florença, Itália.

Os jovens dos Focolares iniciaram a nova campanha #daretocare para cuidar das nossas sociedades e do planeta Terra e serem cidadãos ativos para tentarem construir um pedaço de mundo unido. Entrevista com Elena Pulcini, professora de Filosofia Social na Universidade de Florença, Itália. Elena Pulcini, Professora de Filosofia Social na Universidade de Florença (Itália), há muitos anos dedica-se como investigadora ao tema dos cuidados. Falou sobre o tema durante a primeira transmissão ao vivo #daretocare da juventude do Movimento dos Focolares, em 20 de junho. Qual o impacto da experiência da pandemia que estamos atravessando na sua visão de cuidados? “Acima de tudo, parece-me que surgiu uma imagem dos cuidados como assistência”, explicou Pulcini. Pensemos, por exemplo, no pessoal da área da saúde. Isto despertou elementos positivos, paixões que de alguma forma foram esquecidas, tais como gratidão, compaixão, o sentimento da nossa vulnerabilidade. E isto tem sido muito positivo, porque precisamos realmente dele e precisamos de despertar aquilo a que chamo paixões empáticas. Ao mesmo tempo, porém, a cura permaneceu um pouco fechada dentro de um significado essencialmente carinhoso, aquilo a que em inglês se chama “cure” (cura) e não “care” (cuidado). Os cuidados devem tornar-se um modo de vida”. Queremos sonhar com uma sociedade em que o cuidado seja a espinha dorsal dos sistemas políticos locais e globais. Isto é uma utopia ou é viável? “A cura certamente significa responder a algo. Neste caso, significa perceber a existência do outro. A partir do momento em que percebo isto e não estou fechado no meu individualismo, produz-se uma capacidade que temos dentro de nós de empatia, ou seja, de nos colocarmos no lugar da outra pessoa. Mas quem é o outro hoje? Bem, estão emergindo novas figuras do que consideramos ser o outro para nós. Portanto, o outro hoje é o diferente, são também as gerações futuras, é também a natureza, o ambiente, a Terra que nos acolhe. Portanto, o cuidado torna-se realmente a resposta global aos grandes desafios do nosso tempo, se o conseguirmos encontrar através da capacidade empática de nos relacionarmos com o outro. Não sei se é realmente viável, mas penso que não podemos perder a perspectiva utópica. A responsabilidade não é suficiente, precisamos também cultivar a esperança”. Que sugestões nos daria para agir nesta direção e orientar as nossas sociedades para o cuidado, começando pelas instituições? “Acredito que devemos agir em todos os locais onde operamos para tirar o cuidado da área restrita da esfera privada. (…) Tenho que pensar em mim como um sujeito de cuidado na minha família, na minha profissão de professor, quando encontro um pobre marginalizado na rua ou quando vou nadar na praia, devo cuidar de todas as dimensões. Devemos adotar o cuidado como um estilo de vida que pode romper o nosso individualismo ilimitado que conduz não só à autodestruição da humanidade, mas também à destruição do mundo vivo. Por conseguinte, devemos tentar responder com o cuidado às patologias da nossa sociedade, o que significa educar à democracia. Eu aprecio muito um filósofo do século XIX chamado Alexis de Tocqueville, que dizia que “devemos de educar à democracia”. É uma lição que ainda se deve aprender e acredito que isto significa cultivar as próprias emoções empáticas de modo a ser estimulado a cuidar com prazer, com gratificação e não com compulsão”.

Pelos jovens do Movimento dos Focolares

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