De Nápoles: os bens não andam sozinhos

A multidão dos que tinham vindo à fé tinha um só coração e uma só alma, ninguém considerava sua propriedade o que lhe pertencia, mas tudo entre eles era colocado em comum”, esta frase do Evangelho inspira nós, gen, em viver a comunhão dos bens. No nosso grupo começamos a fazer uma espécie de inventário de todos os nossos bens, para poder colocá-los a disposição dos outros.

Cada um de nós tem uma situação econômica diferente. Alguns são estudantes e recebem ma mensalidade fixa, juntos e livremente decidimos como gastar e destinar aquele dinheiro. Por exemplo, com Frederico entendemos que poderia gastar menos sem comprar jogos para o computador, e essa quantia podíamos dar a  André, que poderia fazer uma assinatura de uma revista de fotografia, para o seu trabalho. Num caso ou no outro nunca é o “quanto”, mas o “como” que conta, dialogamos aberta e sinceramente. E é extraordinário constatar como a consciência fala em cada um de nós, fazendo-nos entender o que é importante.

Marco, formado em geologia com bolsa para pós-doutorado, por causa dos cortes da universidade italiana, não recebe mais o salário há muitos meses. Nesse período tinha pagamentos inadiáveis: devia participar de um curso de atualização em Cagliari e pagar o imposto do carro. Era meio embaraçante nos comunicar que tinha ficado sem dinheiro! O amor recíproco, porém, e o fato de ser um coração e uma só alma, lhe fizeram superar a incerteza e o temor de nos dizer. Entre nós explodiu uma bomba de generosidade: “eu tenho uma caderneta de poupança com algumas economias… “, “eu tenho algumas reservas…”. Assim, pudemos antecipar o que era necessário. Marco sentiu a beleza e a responsabilidade de usar aquele pequeno capital. Isso nos tornou mais irmãos.

Um de nós, formado recentemente, começou a trabalhar num tribunal como advogado e recebia um pequeno salário, insuficiente para pensar no seu futuro casamento. Um dia encontrou um amigo que lhe fez uma proposta para ganhar logo muito dinheiro, seguindo a prática de reembolso por danos causados em acidentes estradais. Devia só colocar a sua assinatura, sem indagar demais nem se perguntar se o acidente era verdadeiro ou falso. A dúvida era forte, mas acordando durante a noite ouviu no coração a frase do Evangelho: “O Pai sabe do que precisam antes mesmo que lhe peçam”. Na manhã seguinte telefonou para o amigo dizendo que não aceitava a proposta.

Depois de alguns meses, recebeu um telefonema inesperado, de uma Companhia de Seguros, para uma entrevista de trabalho. Conseguiu responder às últimas perguntas graças à experiência adquirida durante a prática no tribunal sem retribuição. Ele foi contratado como inspetor dos acidentes justamente da Companhia de Seguros que antes tinha rejeitado para permanecer coerente e honesto.

Os gen de Nápoles

 

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