Na estrada, em direção a Compostela


«O sol é forte, mas temos que chegar à próxima aldeia. Hoje percorremos uma parte da estrada com Grey da África do Sul, um jovem apresentador de televisão. É uma surpresa para nós encontrar gente do mundo inteiro no caminho em direção a Compostela: da Coreia, Japão, China, Estados Unidos, BrasilCanadá e, naturalmente, de toda a Europa.

Há 30 anos passavam por Roncisvalle apenas 100 pessoas por ano. Hoje são 65 mil. Este caminho parece que responde a uma exigência do homem de hoje. As razões para fazer o percurso são muitas e é interessante partilhá-las. Peter, alemão, 35 anos, gerente de um hotel nos arredores de Mônaco senta-se na nossa mesa. Durante dois anos não conseguiu ter uns dias de férias, e depois a namorada deixou-o. Quer ter um tempo para refletir sobre a própria vida. Paul e Celine do Cánada fazem o caminho para agradecer. Tracy da Austrália segue um sonho: quer ter uma grande história para contar aos filhos e aos netos. Antonella confessa que não sabe chorar, quer conhecer-se melhor e encontrar a própria liberdade.

Começamos “El Camino” há 19 dias. Bernard e Jean-Paul, da Bélgica, e Ivo, do Brasil, que no início estava um pouco assustado com a ideia de caminhar 740 km. Parecia demais. Caminhando dá-se conta de que as pernas e os pés estão bem, e há cada dia toma mais coragem. Jean-Paul, médico e casado, aposentado há um mês, para muitas vezes e explica-nos sobre as plantas ao longo do caminho. Faz-nos sentir o perfume da natureza rica de variedade. Ficamos surpresos pela beleza das flores, das igrejas, como em Burgos e em Leon, mas também nas pequenas aldeias.

Frequentemente, paramos para olhar o panorama a 360 graus. De manhã fazemos um acordo entre nós, de ajudarmos nos momentos difíceis. O caminho coloca-nos diante dos nossos limites: dor, cansaço, sede, fome … e facilmente pode-se esquecer do próximo.

Ivo dá muita vitalidade ao nosso pequeno grupo e outras pessoas ficam contentes de fazer alguns quilômetros conosco. Surgem perguntas, alegrias e também dificuldades. Uma noite um sacerdote conta-nos o significado de Compostela: campo de estrela. Também nós devemos seguir a nossa estrela e ser estrela, luz, uns para os outros. Cada dia tocamos muitos corações, mas também os outros tocam-nos.

Procuramos abrir a porta a Deus, porque temos a impressão que Ele esteja presente entre nós, através do amor evangélico. Dividimos o jantar com outros e rezamos juntos. Nicole da Austrália fica feliz por encontrar pessoas que querem recitar a oração do Rosário com ela. Responde em latim, Jean-Paul em francês e nós em italiano. Depois Nicole começa a cantar em tagalo (língua Filipina) e Ivo em português. Ela conta a sua história pessoal: está para entrar numa comunidade religiosa. Uma outra vez, Doriano, agente da polícia aposentado, segue-nos a 10 metros. Diz-nos que rezou junto conosco. É uma experiência nova na sua vida. Algumas religiosas de clausura rezam por nós e por todos os peregrinos, é a vocação delas. Muitas pessoas perguntam porque falamos italiano. Contamos a nossa história, a história de Chiara Lubich e do Movimento dos Focolares. Falamos aos outros do Evangelho, da vocação, do caminho da vida.

“El camino” é uma experiência diferente para cada um. Estamos curiosos para saber o que acontecerá quando chegarmos aos pés de Santiago em Compostela. Será uma surpresa, como será também quando nos encontraremos no fim do caminho da vida. Será uma alegria tê-lo percorrido, ter encontrado muitas pessoas que levamos no nosso coração. Despedimo-nos com o ‘buen camino’. Quem sabe quando nos reencontraremos».

Bernard, Jean-Paul, Ivo

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