22 Jun 2017 | Focolare Worldwide
Colocar-se na escuta. Com este espírito, Gabriela Melo e Augusto Parody, do Centro Internacional dos Focolares, colocaram-se em viagem para visitar as numerosas comunidades do Movimento que pontilham a América Latina, e que os levou até Esmeraldas, no Equador, na costa do Pacífico, área povoada na maioria por afro-equatorianos. O azul límpido do céu se confunde com o do mar, e faz brilhar como uma pedra preciosa o verde da vegetação. Esta paisagem encantadora muda repentinamente, logo que se entra na parte habitada, e deixa lugar, especialmente nos bairros mais pobres como Isla Bonita, Pampon, Puerto Limon, a um aglomerado de barracas de bambu e zinco. Bandos de crianças brincam nas ruas e na praia, da manhã à noite, e, se não se intervém em tempo, na adolescência e na juventude estarão ligados à droga, ao álcool e ao “pandillerismo” (os revoltantes arrastões das gangues urbanas).
Em Esmeraldas, há mais de 30 anos a espiritualidade da unidade colocou raízes, justamente entre a população afro-equatoriana: famílias, jovens, sacerdotes, crianças, que receberam o anúncio evangélico do amor mútuo fazendo que com se tornasse a lei de suas vidas. Um jorro de espiritualidade que acendeu uma nova esperança e colocou em ação novas ideias e energias. Foi o que aconteceu com padre Silvino Mina, que é um deles, e que por meio do grupo Ayuda, formado em sua paróquia, pode ir ao encontro dos casos mais urgentes de crianças e adolescentes de rua. Nasceu daqui a exigência de dar consistência a estas ajudas, tornando-se porta-voz deles inclusive junto às instituições. Foi fundada a Fundação Amiga (1992) e com ela uma escola para adolescentes em situação de risco, com o objetivo de tornar mais digna as suas vidas e ajudá-los a enfrentar o futuro, mediante programas educacionais adequados. Levando em conta o grande talento esportivo deles (Esmeraldas é conhecida como o berço dos atletas equatorianos), começaram com uma escola de futebol e, em seguida, com uma oficina de artesanato administrada pelos mesmos jovens que giravam pelas ruas. «Hoje a escola recebe 1.700 crianças e adolescentes, de 3 a 19 anos – explica Pe. Silvino – com um projeto educacional de formação global, onde se procura viver o que se aprende, envolvendo toda a comunidade educativa: alunos, professores e pais. Todo dia os alunos fazem uma refeição substanciosa, que para muitos é a única possibilidade de se alimentar; vacinação e cuidados médicos; educação à saúde e prevenção da Aids. Cuidamos também do conhecimento da cultura e das tradições afro. E não só».
Com efeito, o Equador é uma encruzilhada de culturas milenárias (Quito foi uma das duas antigas capitais Incas), onde se falam várias línguas ameríndias (o Quechua, o Shuar, o Tsafiki e outras). O esforço do governo é precisamente recuperar comunidades, culturas e formas de religiosidade locais, para abrir com e entre elas um diálogo que valorize suas diversidades, com uma enriquecedora experiência de intercultura. Termo este que na nova Constituição, aprovada em 2008, aparece ao menos 11 vezes. «E se a esta exigência sócio-política – observam Gabriela e Augusto – acrescenta-se o empenho de viver o Evangelho, como está acontecendo em Esmeraldas, são construídas comunidades onde encontram espaço e dignidade as diferentes componentes étnicas, linguísticas e religiosas, desencadeando um processo de integração que se propaga como uma mancha de óleo. Processo que só traz vantagens para o grande laboratório de intercultura que é o Equador, país que realmente pode oferecer ao mundo um modelo imitável e sustentável de encontro e de convivência».
21 Jun 2017 | Focolare Worldwide
«Mesmo se não se diz oficialmente, também aqui entre nós se está combatendo a “terceira guerra mundial em pedaços”. O governo de transição está procurando reedificar tudo o que a recente guerra civil demoliu, mas deve se confrontar com as muitas tensões que frequentemente desembocam em lutas fratricidas». Martial Agoua é um padre católico da República Centro-Africana, um país prevalentemente cristão, com 15% de muçulmanos. Na ausência de um órgão de defesa nacional, a ONU enviou os capacetes azuis (força Munisca) de alguns contingentes estrangeiros, mas os interesses em jogo são muitos. Inclusive porque o perpetrar-se da guerrilha paradoxalmente serve de cobertura a aliciadores estrangeiros, ávidos das preciosas reservas minerais do país. Vigora assim a caça ao inimigo, que frequentemente é fatalmente identificado na tribo que está na frente, ou na aldeia que pratica outra religião. É crônica recente de um bispo católico, d. Juan José Aguirre Muñoz que abriu a sua paróquia em Tokoyo para acolher 2000 muçulmanos que estavam sob o ataque dos anti-Balaka, chamados também milícias cristãs, originalmente nascidas como grupos de autodefesa dos bandos islâmicos Seleka, mas que ultimamente com frequência se tornaram formações terroristas. E que não fazem diferença entre os grupos violentos que tinham incitado a revolta e os civis muçulmanos, gente pacífica de comerciantes ou de peuls (pastores nômades). «A minha paróquia – conta pe. Martial –, intitulada à Sagrada Família, é em Sibut, a capital da região Kemo Inbingu. Aqui em Sibut recentemente aconteceu uma reunião de todas as autoridades: do governador ao prefeito, dos chefes dos quartéis à força Munisca do contingente burundês, dos ex-Seleka aos anti-Balaka. A um certo ponto o chefe dos anti-Balaka tomou a palavra para dizer em alta voz que os pastores das várias igrejas, os sacerdotes, religiosos e religiosas, não devem mais falar de questões sociais nas igrejas. Todos se intimidaram e ninguém ousou contradizê-lo. Eu também, naquele momento, não interferi, mas aquela ameaça não deteve o meu compromisso cristão. Da espiritualidade dos Focolares aprendi que se deve amar a todos, que é preciso dar importância aos direitos de todos. E disse a mim mesmo: se devo escolher de que parte ficar, sempre escolherei ficar perto do mais fraco, do mais indefeso». Dois dias depois, os peuls (também chamados Mbororo), foram atacados pelos anti-Balaka na floresta onde pastoreavam os seus bovinos, a 18 quilômetros no eixo de Bangui. Quatro homens foram mortos e sete, entre mulheres e crianças, feridos. A Munisca trouxe os feridos para o hospital central de Sibut, mas durante dois dias eles não receberam nem tratamento, nem comida. Todos tinham medo de se aproximar deles e assisti-los, inclusive as Ongs e os serviços humanitários. «Quando fiquei sabendo da situação – explica o sacerdote –, tomei coragem e fui até o chefe dos anti-Balaka para lhe pedir que me acompanhasse até o hospital. Vendo aqueles feridos muçulmanos, deixados à própria sorte numa sala com um cheiro insuportável e em condições piedosas, tanto ele como eu nos comovemos. Corri até algumas famílias cristãs que moram perto do hospital para pedir água para beber e para lavá-los, e também comida para eles. Depois, obtive do diretor da Caritas diocesana um meio de transporte que os levasse a Bangui a 200 Km de distância. Graças a Deus, em três semanas, todos recuperaram a saúde e a Caritas pôde levá-los de volta sãos e salvos aos seus entes queridos». Abbé Martial Agoua – Sibut (R.C.A.)
20 Jun 2017 | Sem categoria
Em todos os anos se celebra, no dia 20 de junho, esta Jornada que foi instituída pela ONU (UNHCR) em 2000, por ocasião do 50º aniversário da Convenção relativa ao status dos refugiados. O evento tem como objetivo sensibilizar a opinião pública sobre a condição dos migrantes. Trata-se de milhões de pessoas obrigadas a fugir da guerra e da violência, deixando os próprios laços afetivos, a própria casa e tudo o que faz parte da própria vida. Cada um deles tem uma história que merece ser ouvida, história impregnada de sofrimentos, humilhações e do desejo de reconstruir o próprio futuro. O relatório Projected Global Resettlement Needs 2017, afirma que em 2017 o número previsto de pessoas necessitadas de reassentamento será 1,19 milhões, 72% a mais em relação a 2014. Esta é uma das melhores soluções para os refugiados, juntamente com a integração na sociedade que os receba e à repatriação voluntária.
20 Jun 2017 | Sem categoria
Com Alessandro De Carolis, jornalista da Rádio Vaticano, na qualidade de moderador, dialogaram com o autor pe. Julián Carrón (presidente da Fraternidade de Comunhão e Libertação) e Maria Grazia Vergari (vice-presidente do setor adultos da Ação Católica). A jornalista Giorgia Bresciani da “Radio InBlu”, entrevistou Jesús Morán no dia 30 de maio. Eis alguns trechos: G. B. – A apresentação do seu livro foi a ocasião para viver um momento de diálogo e fraternidade entre movimentos eclesiais. Em Pentecostes de 1998, João Paulo II e o então cardeal Ratzinger quiseram uma caminhada de comunhão entre os movimentos. Eu lhe peço que nos ajude a entender o que aconteceu naquele dia e a que ponto estamos daquela caminhada. J. M. – Acho que a jornada do dia 29 de maio foi mesmo abençoada pelo Espírito Santo, uma graça para nós. Lembro muito bem da Festa de Pentecostes de 1998: acho que foi a mais bonita da minha vida. Eu tive a impressão de que se atualizava o primeiro Pentecostes, pela presença de tantas pessoas, pelo dia, que era belíssimo! Eu vinha do Chile, onde morava na época. Efetivamente foi um momento histórico, um evento eclesial, porque, pela primeira vez, os novos movimentos estavam reunidos na praça de São Pedro todos juntos. Um encontro fundamental entre o Carisma de Pedro e os carismas suscitados pelo Espírito Santo neste tempo. Foi sair à vida pública, dar visibilidade aos carismas eclesiais, um momento de “reconhecimento” desta realidade. Desde então a caminhada foi para a frente, com momentos alternados. Esta experiência se estendeu inclusive em nível ecumênico e nasceu “Juntos pela Europa”. Nós nos empenhamos, portanto, na unidade de todos os cristãos. Mas houve muitos outros momentos de encontro entre os movimentos. Nestes anos, porém, faleceram alguns dos fundadores e isto, obviamente, diminuiu um pouco o ritmo da caminhada: a partida de don Giussani, de Chiara Lubich e outros, obviamente teve uma influência porque esta realidade de unidade e de comunhão dos movimentos foi decididamente desejada por eles. Uma ocasião como a do dia 29 de maio nos diz que devemos continuar. Agora, numa fase diferente, pós-fundacional, devemos retomar aquela “profecia”. E o momento da apresentação do meu livro foi naquela direção.
G.B. – O senhor mencionou o falecimento de alguns fundadores. Precisamente o senhor, Maria Voce, pe. Carrón, estão entre os que estão vivendo o “pós-fundação”, a “segunda fase”, que é uma fase delicada: a tarefa de vocês é complexa e apaixonante. À luz do que emergiu do confronto entre vocês, o que serve nesta fase para um movimento eclesial? J.M. – Creio que a fase “pós-fundacional” também é uma fase carismática. Existem graças diferentes das vinculadas à fundação, mais na perspectiva da encarnação: o grande desafio é que o carisma, no rastro do fundador, se torne cada vez mais “história”. Portanto, é uma etapa de serviço à Igreja e à humanidade. É preciso uma maturidade diferente. Devemos trabalhar mais juntos, pôr em evidência todos os talentos pessoais e comunitários. Porque quando o fundador está presente, a luz do carisma é fortíssima, o “encarna” quase sozinha. Agora Deus nos pede para colocarmos em ação a nossa inteligência do carisma, as nossas forças. E devemos fazer isso juntos! Este é o grande desafio. É isso que procurei dizer com aquele conceito (já usado por João Paulo II) de “fidelidade criativa”: fidelidade ao carisma e, ao mesmo tempo, capacidade de inovação, de criatividade, sempre fruto do Espírito. E uma inserção maior na Igreja e na sociedade.
19 Jun 2017 | Focolare Worldwide
«Que todos sejam um. Nascemos para estas palavras, para a unidade, para contribuir a realizá-la no mundo». As palavras de Chiara Lubich, comentadas por D. Felix Liam, Presidente da Conferência Episcopal de Mianmar, no primeiro dia do encontro dos Bispos amigos do Movimento dos Focolares (1-4 de junho de 2017), evidenciam bem o objetivo do encontro, realizado este ano em Yangon, em Mianmar, país do Sudeste Asiático, no lado ocidental da Indochina. Estes congressos, iniciados a cerca de 40 anos por iniciativa de Chiara Lubich e de Klaus Hemmerle (1929-1994), então bispo de Aachen (Alemanha), repetem-se todos os anos em seu formato internacional, ecumênico e regional. Em Yangon, com uma forte presença do episcopado de Mianmar (19 bispos), respirava-se uma atmosfera de família e acolhida recíproca. Entre os 31 participantes, boa parte provinha das Filipinas, Índia, Malásia e Coreia do Sul. Comunicando a experiência do seu encontro com a espiritualidade da unidade, o cardeal, D. Francis Xavier Kriengsak, de Bancoc (Tailândia), moderador dos bispos amigos dos Focolares, convidou os bispos a aprofundarem um dos pontos fundamentais da espiritualidade, Jesus crucificado e abandonado, e a colocá-lo no centro da própria vida, para serem instrumentos de comunhão na Igreja e na humanidade. Foi este o teor dos testemunhos de membros da comunidade local dos Focolares, que se preparou para receber os prelados no melhor dos modos. Mas também das experiências de alguns bispos, como o irlandês D. Brendan Leahy, que vê no mistério de Jesus abandonado “o semblante da misericórdia, a chave do diálogo e da unidade e o caminho para uma santidade de povo”. Através de um Power Point foi apresentada a vida de D. Klaus Hemmerle. Breves vídeos mostraram a extraordinária fecundidade do amor a Jesus abandonado, inclusive nos contextos mais difíceis. Muito atual o tema sobre “Evangelização e inculturação na Espiritualidade da unidade”, que suscitou um interesse particular, numa nação de maioria budista.
A história de Chiara Lubich e do Movimento fundado por ela, juntamente com as experiências dos membros da comunidade local, foram comoventes. O cardeal Carlo Bo, arcebispo de Yangon, afirmou: «Fiquei muito tocado com a narrativa da vida da fundadora carismática e profética do Movimento. Mais do que nunca a Igreja necessita de movimentos como os Focolares. Quando a arrogância do poder dividia as pessoas pela cor e a raça, Chiara criou uma comunhão em nível mundial, pela paz global». Dom Mathias, de Mianmar, comentou: «Normalmente, quando se participa de encontros para bispos, escutam-se muitas coisas, mas são de nível intelectual. Aqui, ao contrário, fala-se de vida e se veem pessoas felizes». E D. Isaac: «A vida de um bispo não é fácil, muitas vezes nós mesmos nos sentimos abandonados. Conhecendo Jesus abandonado terei a força e a luz para ir adiante». E D. Peter, da Coreia, acrescentou: «É a primeira vez que participo de um encontro de bispos. Estou feliz por ter conhecido e aprofundado o mistério de Jesus abandonado. Aqui vi pessoas que procuram amá-lo em cada dificuldade, pessoas que estão nos bastidores e que procuram servir todos nós», referindo-se aos membros da comunidade local do Movimento. A abertura ao diálogo cultural e inter-religioso foi enriquecida pelas cores douradas do Pagode de Shwedagon, o mais importante e conhecido da capital. A visita a este local sagrado, no qual são cuidadosamente guardadas as relíquias dos quatro Budas, sobre a colina de Singuttara, a oeste do Lago Real, simboliza o respeito pela alma budista e pela cultura do lugar. No pináculo do Pagode, encrustado de pedras preciosas, um anemoscópio em formato da bandeirola, mostra a direção do vento. Quando tem a força suficiente, o movimento da bandeirola é acompanhado pelo som de dezenas de sinos. Sobre qual é a direção do vento, os bispos de Mianmar estão decididos: a direção da unidade, rumo a uma Igreja cada vez mais “comunhão”.