Movimento dos Focolares

Dia Mundial do Doador de Sangue

O que você pode fazer? Doe sangue. Doe agora. Doe regularmente. Este é o convite escolhido pela Organização Mundial de Saúde para celebrar o dia 14 de junho, Dia Mundial do Doador de Sangue 2017. Alguns objetivos da campanha: encorajar todos os cidadãos a reforçar a eficiência dos serviços de saúde; envolver as autoridades na criação de programas nacionais para responder ao aumento da demanda; favorecer a inclusão dos serviços de transfusão nas situações de emergência; garantir o abastecimento e alcançar a autossuficiência nacional; agradecer às pessoas que doam sangue regularmente; promover a cooperação internacional para garantir a doação voluntária, aumentando a segurança e a disponibilidade de sangue.

Sérvia: o esporte movimenta também as ideias

Sérvia: o esporte movimenta também as ideias

11 Belgrado (a “cidade branca”), na Sérvia central, é uma das cidades mais antigas da Europa, na confluência dos rios Sava e Danúbio. “Porta dos Balcãs” ou “Porta da Europa”, assim definida pela sua posição, no limite entre Oriente e Ocidente da Europa, renascida após um passado recente de guerras, é hoje uma capital de vanguarda, aonde circulam novas ideias, fermento e vitalidade nos campos da arte, da economia, da arquitetura. E do esporte. Por ocasião do vigésimo aniversário da sua fundação, o College of Sport and Health, instituto de formação, com 600 alunos, organizou, dias 12 e 13 de maio passado, uma conferência internacional com o título “Esporte, lazer e saúde”. Entre os hóspedes, a convite do prof. Alexander Ivanovski, estava também Sportmeet, expressão no mundo do esporte daquela renovação social e espiritual que teve origem na experiência dos Focolares: uma rede mundial de atletas, amadores e não, professores, instrutores, jornalistas, administradores e operadores do comércio no setor esportivo, que vivem o esporte como realidade positiva de confronto e intercâmbio, como ocasião para mover músculos e tendões, mas também ideias de fraternidade universal e inclusão. “O esporte move pessoas e move ideias”, era o título da palestra de Paolo Cipolli, presidente de Sportmeet, presente na conferência juntamente com uma delegação da Sérvia e da Croácia. O “fenômeno esporte” é uma das realidades mais complexas, interessantes e convincentes do nosso tempo. Oitocentos milhões de praticantes, cinco milhões de sociedades esportivas, 20 federações nacionais associadas ao Comitê Olímpico Internacional, 208 à FIFA. 20170610-01Se se considera que “apenas” 192 nações aderem às Nações Unidas, entende-se a sua dimensão e a sua onipresença, como uma espécie de novo poder planetário ou, segundo alguns, de “nova religião”. Terra de inesgotáveis interesses econômicos, infelizmente inclusive criminosos, o esporte pode se tornar, em direção contrária, uma verdadeira “academia” de fraternidade, unidade e integração. Uma “linguagem de gestos” universal que abate barreiras, obstáculos, diversidades. Em Belgrado foi mostrada esta face limpa do esporte. Das numerosas palestras, sobre os vários aspectos ligados à função e ao potencial do esporte na promoção da saúde, com especialistas e docentes provenientes da Eslovênia, Croácia, Macedônia e Bulgária, emergiu uma consideração comum: a necessidade de definir novas políticas para uma plena valorização do esporte voltado a um correto estilo de vida e de todas as possíveis formas de integração, especialmente entre os jovens. A conferência foi ocasião para estabelecer novas relações e um memorando de acordo em vista de futuras colaborações, valorizando experiências significativas já atuantes, como o uso dos jogos em algumas casas de acolhida para adolescentes. Após Belgrado, Sportmeet mira à próxima etapa. Na Espanha, de 13 a 16 de julho, se falará de inclusão social, educação esportiva, integração de pessoas diversamente hábeis, e sobre o relacionamento entre as gerações. Quatro dias de confronto entre testemunhas e operadores do esporte, a partir do Simpósio internacional de Barcelona (no Palau Robert, dia 13 de julho), promovido em colaboração com outros parceiros locais, entre estes a Universidade Autônoma de Barcelona, para prosseguir, em seguida, com a Escola de Verão de Castel D’Aro, a cerca de 100 km da capital catalã, com uma rica programação de sensibilização ao esporte inclusivo e às boas práticas. Com o sonho de que “esporte” se torne de verdade, em todos os níveis, sinônimo de “encontro”.

Aqui está o dedo de Deus

Aqui está o dedo de Deus

Chiara-Lubich-Carlo-de-Ferrari-02O então arcebispo de Trento, dom Carlo de Ferrari, foi o primeiro a avaliar e aprovar, em nível diocesano, o Movimento dos Focolares. O título do recente livro publicado pela Editora Città Nuova “Qui c’è il dito di Dio”, reporta uma sua expressão em relação à experiência de vida evangélica que se estava gerando ao redor de Chiara Lubich. Estamos no início do ano de 1951 e nem todos, na Igreja, pensavam como o arcebispo de Trento. Aliás, por parte de alguns eclesiásticos havia muita perplexidade: uma mulher jovem, leiga, seguida por religiosos, sacerdotes, homens e mulheres, jovens e adultos, em tempos pré-conciliares, levanta suspeita. A prudência sugere afastá-la e, no seu lugar, encarregar talvez um sacerdote. É neste contexto que se insere o relacionamento decisivo de Chiara com o seu bispo. Chiara-Lubich-Carlo-de-Ferrari-01A carta que Chiara escreve de Roma, onde se encontra, a dom Carlo de Ferrari, é do dia 5 de janeiro de 1951. Nessa carta transparece com força o momento de provação que o nascente movimento, e também Chiara, atravessa. Mas transparece também a atitude filial e obediente de Chiara para com quem lhe representa a Igreja, e o seu pleno abandono aos planos de Deus. A carta introduz o volume publicado recentemente. «Alteza Reverendíssima, É verdade: a cruz foi pesada e continua sendo. E, nestes dias, compreendi Jesus, que “caiu” sob o peso da cruz. Mas, Vossa Alteza, eu estou feliz, feliz. E recebi de Jesus a graça de estar pronta para qualquer decisão a Igreja tomar. Não só: mas também para deixar os “meus” (por algum tempo ainda posso dizer assim) cinquenta Focolarinos e Focolarinas em perfeita unidade, prontos para prosseguirem o próprio caminho, sem que ninguém perceba nenhuma mudança. Estou feliz, Alteza, em poder doar a Deus tudo aquilo que Ele realizou através de mim, no campo sobrenatural. E vos asseguro que, aconteça o que acontecer, serei  sempre fiel ao meu Jesus abandonado e obedientíssima à Igreja. Cheguei a este ponto porque eu nunca quis, de minha parte, romper a unidade com a Igreja, ou melhor, com quem me representava a Igreja. Se eu não tivesse feito assim talvez a Obra não existiria. Mas Deus me deu a força até o inverossímil. Agora a Obra existe e não morrerá. Que seja Obra / de Deus /  talvez possa ser demonstrado pelo fato de que me afastarei dela. Se devo testemunhá-Lo anulando-me, depois de tê-Lo testemunhado com a Unidade, estou feliz. O ponto culminante da vida de amor de Jesus é a morte: e ninguém tem maior caridade do que aquele que dá a vida pelos seus amigos. Vós, Pai, fostes realmente um Pai e me mostrastes (o que eu acreditava somente pela fé) que a Igreja é Mãe. Eu sempre vou considerar-vos como um Pai, seja qual for a Vontade de Deus para mim. Ninguém pode me proibir de obedecer-vos, ou seja, de obedecer à Igreja. E o que é importante para santificar-se é / obedecer /: ser um. Pouco importa que nos comandem a agir ou não agir de uma forma ou de outra. Não é verdade, Pai? Padre Tomasi é um homem santo. Está sofrendo muitíssimo nestes dias e não come. Ele sofre por mim… Eu nunca poderia imaginar que Ele experimentasse tais sentimentos. Mas vós, Alteza, não vos preocupeis, porque nós O sustentaremos. Eu estou sempre sorridente perto dele. Não sei dizer-vos no fim, senão uma coisa: sou muito, muito, imensamente, feliz. E posso garantir-vos que Jesus Abandonado me sustentará sempre. Além disso: “Bem-aventurados quando vos injuriarem e, /mentindo/, disserem todo o mal contra vós por minha causa. /Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus.” Abençoai-me sempre, vossa filha Chiara».   De “Qui c’è il dito di Dio”, Ed. Città Nuova, Roma 2017, pg 97-98.

Uma teologia “intrinsecamente feminina”

Uma teologia “intrinsecamente feminina”

Anne-MariePellettier

Anne-Marie Pelletier

Treze teólogas de nove países (Brasil, Canadá, Filipinas, França, Alemanha, Itália, Quênia, Síria, EUA), deram vida ao segundo Seminário internacional para iniciar a elaborar uma “teologia intrinsecamente feminina”. Foi realizado na Universidade Urbaniana em resposta ao reiterado convite do papa Francisco, que várias vezes ressaltou a necessidade de uma “profunda teologia da mulher”, para não deixar este campo desprovido da perspectiva feminina. Depois do tema “Heart” do ano passado, o da segunda edição foi “Tears”. “Coração” e “Lágrimas”: se trata de realidades puramente femininas? As lágrimas são um dom feito a todos, homens e mulheres; e Jesus pessoalmente chora pela morte de um amigo querido como Lázaro. As palestras colocam em luz o modo feminino «longe do dolorismo estereotipado» de enfrentar «a infelicidade, o desespero, e de introduzir no inferno o bálsamo da compaixão ou, melhor, da consolação», afirmou Anne-Marie Pelletier. Das suas palavras vem em relevo a figura de Zabel Essayan, mulher armênia do fim do século XIX diplomada na Sorbonne, famosa nos ambientes literários da capital turca no início do século XX. Vai à Cilícia como membro de uma comissão da Cruz Vermelha, encarregada pelo patriarca armênio de indagar sobre as atrocidades perpetradas; além de organizar uma forma de assistência aos inúmeros órfãos que vagam, junto com poucas mulheres e idosos, entre as ruínas de Adana. Zabel, embora com os olhos anuviados pelas lágrimas, “vê” lucidamente a infelicidade sem fundo, e através dos olhares dos sobreviventes, enlouquecidos pelo horror, consegue restituir a história dos mortos, que os assassinos torturadores pretendem fazer desaparecer no nada do esquecimento. «O que podíamos doar diante daquela miséria vasta como o oceano?», se pergunta Zabel. Em Adana não há espaço para a consolação, mas só para a compaixão. Na história, na vida do mundo existe também o inconsolável. Mas da palestra da teóloga francesa também vem em relevo uma figura mais próxima a nós no tempo: Etty Hillesum (Holanda, 02/01/1914 – Polônia, 30/11/1943). Ela também quer percorrer até o fim o trágico caminho do seu povo, não por desejo de sacrifício ou por altruísmo, mas pela consciência da história em que se está inseridos e da qual é preciso recolher os desafios. Etty se sente impotente, mas continua a acreditar que a vida, apesar de tudo, é boa, é bela e é preciso se colocar à sua escuta, sem nunca se deixar arrastar pela evidência do mal. Nela, sobressai a preocupação pelo outro, a ser ajudado com gestos de compaixão e solidariedade. Inclusive quando o outro é até mesmo Deus. «Se Deus cessa de me ajudar, caberá a mim ajudar Deus. Ele mesmo pede para ser consolado». São suas expressões de extrema audácia. Maria Clara Lucchetti Bingemer, grande personalidade da cultura brasileira, com força e eficácia nos imerge na extraordinária beleza do deserto de Atacama, no Chile, onde astrônomos e arqueólogos indagam os mistérios da natureza e os traços da história. Mas por onde também circulam as Mujeres de Calama, mulheres que buscam sem tréguas os restos dos corpos dos seus entes queridos torturados e mortos durante a ditatura militar que governou o país a partir de 1973 por bem 16 anos. O deserto, único no mundo pelas suas particulares condições climáticas, os conservou e, graças a estas mulheres incansáveis, os está restituindo aos afetos e à história. Também a Argentina, que conta trinta e seis mil pessoas oficialmente desaparecidas, vê as mulheres protagonistas. São elas a desempenhar um papel fundamental para a desestabilização da desapiedada ditadura militar. “Las locas”, as loucas, as denominavam num primeiro momento, desde quando, a partir de 1977, toda quinta-feira à tarde caminhavam em círculos na frente da Casa Rosada para chorar os próprios filhos mortos. Com o passar dos anos se tornaram as Madres de la Plaza de Mayo. Indomáveis, deram vida a símbolos eficazes, como o lenço branco na cabeça, e a uma luta “pacífica”, mas sem tréguas. A elas, se uniram outras mulheres, mães espirituais, freiras, algumas das quais pagaram com a vida a luta contra a ditadura. Vem ao meu pensamento as mulheres que desceram à praça na Venezuela… «Qual o segredo da extraordinária fecundidade de Chiara Lubich que fez nascer uma Obra tão vasta e universal em poucas décadas? Como pôde conquistar um lugar, com pouco mais que vinte anos de idade, na Igreja pré-conciliar italiana, e resistir com uma proposta de vida evangélica que despertava suspeitas em muitos, pois envolvia pessoas de todos os estados de vida, leigos e religiosos, homens e mulheres? O segredo reside naquele que Chiara Lubich, se referindo ao grito de Jesus, relatado por Mateus e Marcos, chama “Jesus crucificado e abandonado”». Assim Florence Gillet inicia a sua palestra sobre “Jesus Abandonado no pensamento e na experiência de Chiara Lubich”. Ao seu discurso, se segue a tocante experiência no Iraque, nos anos da guerra, de Mirvet Kelli, síria, que, justamente na união com Jesus Abandonado, encontrou a força para permanecer com amor ao lado dos iraquianos. Nos encontros de grupo foram ressaltadas, eu diria com admiração, a novidade, a força, o impacto deste ponto fundamental da espiritualidade da unidade. Maria Rita Cerimele Fonte Città Nuova