Movimento dos Focolares

Projeto Up2Me no Brasil

De 13 a 18 de junho acontece na Mariápolis Santa Maria, em Igarassu (PE, Brasil), um curso para tutores do projeto Up2Me. Trata-se de um itinerário de formação à afetividade e à sexualidade, desenvolvido com um método inovador e interativo, dirigido a adolescentes, para um amadurecimento harmônico e global da pessoa, à luz da espiritualidade da unidade. O Projeto Up2Me é coordenado pelos Movimentos Famílias Novas e Juvenil pela Unidade, em colaboração com o Instituto Universitário Sophia. Prevê, inicialmente, a formação de tutores, ministrada por especialistas em sociologia, psicologia, pedagogia, medicina, sexologia, bioética e filosofia. Em Recife estão presentes 22 casais de futuros tutores, provenientes de todo o Brasil, e 37 ouvintes. Os próximos encontros marcados serão em Castelgandolfo (Itália), em novembro deste ano, e no México, em dezembro, para toda a América Central.

Uma só palavra: chega de violência em nome de Alá

Uma só palavra: chega de violência em nome de Alá

Dr Mustafa Ceric, Gran Mufti Emerito di Bosnia-Herzegovina«Não existe uma receita para o sucesso, mas existe uma receita para o fracasso. A receita para o fracasso é a violência “em nome de Alá”». Começa assim o forte apelo aos muçulmanos europeus, publicado no dia seguinte aos cruentos ataques de Londres e Manchester, pelo Grão-Mufti emérito de Bósnia e Herzegovina Mustafa Ceric, presidente honorário, como, no passado, Chiara Lubich, e atualmente também Maria Voce, da Conferência das Religiões pela Paz. «Esta não é a minha fé. Este não é o Alá no qual eu creio. A minha fé não é uma faca, não é o terror. O meu Alá é Amoroso e Misericordioso». «Confesso – afirma o Grão-Mufti, que, entre outros, recebeu, em 2003, o Prêmio Unesco pela Paz Felix Houphouet-Boigny; o prêmio Stenberg, do Conselho Internacional dos Cristãos e dos Hebreus “pela sua excepcional contribuição na difusão e no fortalecimento da democracia”; e, em 2008, o prêmio Eugen Biser Foundation, pelo seu esforço em promover a compreensão e a paz entre o pensamento cristão e islâmico – jamais me senti tão confuso e tão inerme em tentar explicar o que está acontecendo dentro e fora da minha comunidade de fé. Consolo-me pensando que se trata de atos de minorias extremas, apenas um jogo político de grandes potências para ganhar a riqueza muçulmana». Mustafa Ceric usa palavras fortes: «A minha comunidade de fé tem muitos problemas. O maior é delegar a outros a resolução dos próprios problemas. Ao contrário, a minha Comunidade de Fé (o meu Ummah) deve resolver o próprio problema, antes de resolver os problemas ao seu redor». Há quem afirma, sustenta Ceric, que os ataques contra inocentes civis em Manchester ou em Londres são mais importantes do que os da Palestina, Cabul, Mosul, As’na e Misurata. «Não são mais importantes, mas, certamente mais perigosos para os muçulmanos na Europa, cuja maioria fugiu dos países muçulmanos para buscar, na Europa, paz e segurança para seus filhos. A paz e a segurança que até agora experimentam, neste momento estão ameaçadas». Depois de Manchester e Londres, mas antes ainda, em Berlim e Zurique «os muçulmanos europeus devem ser fortes e claros não apenas em condenar a violência “em nome de Alá”, mas também em adotar medidas concretas contra o abuso do Islã em qualquer forma. Devem ter uma voz clara, única e inequívoca na luta contra qualquer violência assumida “em nome de Alá”. Não é mais uma questão de boa vontade de indivíduos e grupos que trabalham pelo diálogo inter-religioso. É uma questão existencial do Islã e dos muçulmanos na Europa». O Grão-Mufit lança, enfim, um apelo aos muçulmanos da Europa, a «concentrar-se imediatamente em torno a uma “palavra comum” entre nós e os nossos próximos, independentemente de sua fé, raça ou nacionalidade, para fazer um juramento diante de Deus, de si próprios e dos próprios vizinhos na Europa, o de amar e promover a paz, a segurança e a cooperação à qual estamos obrigados pela nossa cultura e fé islâmica. Devemos jurar que faremos tudo o que for necessário para combater, juntos, a violência contra pessoas inocentes. Nós, atual geração de muçulmanos europeus, devemos isso aos nossos descendentes. Não devemos deixar os nossos débitos aos descendentes que não tem culpa». «Não é tempo de hesitar!» – o Grão-Mufit conclui o seu apelo exprimindo, com veemência, toda a esperança e o desejo de mudança. «Não há espaço para o cálculo! Não existem mais desculpas para adiar, ou justificativas para esperar! Não há salvação no silêncio! Não há futuro para o Islamismo ou para os muçulmanos na Europa se não na coexistência e na tolerância com os nossos vizinhos europeus!».

Eslovenia: a arte de amar na família

Eslovenia: a arte de amar na família

Škofja Loka«Desde o início da nossa caminhada juntos, quisemos pôr Deus no primeiro lugar. Na prática, a cada dia decidimos escolher o perdão, o recomeçar, o ser o primeiro a amar, o amar a todos, inclusive quando custa e talvez estamos cansados. Procuramos não esperar algo do outro, mas antes de tudo, de nós mesmos e, como consequência, podemos sempre contar um com a outra. Para as crianças, procuramos dar valores sólidos para a vida – explica Damijan –. Isto exige paciência e perseverança no amor: não só carícias! De fato, às vezes o amor para com eles também nos impele a expor com muita clareza a nossa linha ou decidir o que é branco e o que é preto, mesmo se às vezes isto os deixa insatisfeitos ou revoltados. Achamos importante que os nossos filhos sejam, o mais possível, autônomos e independentes. Por isso, os incluímos em todos os trabalhos de casa (cozinhar, limpar, passar a roupa, ajeitar a roupa a ser lavada, etc.). No início é tudo sempre muito interessante, mas depois, quando o trabalho deve ser feito regularmente e cuidadosamente, algo se bloqueia. É então que nos encorajamos a viver os pontos da arte de amar, se quisermos que entre nós reine a harmonia. Agora as crianças já sabem que, se nos ajudarmos, terminamos antes e temos mais tempo para brincar e para fazer muitas outras coisas». 03B62561_resized«Mais ou menos um ano atrás – continua Natalija – vivemos uma provação particular. No verão, o menor dos nossos filhos fez um exame com o psicólogo, que se faz quando se chega aos três anos. A sua opinião e o diagnóstico que depois nos escreveu, realmente nos surpreendeu: Síndrome de déficit de atenção. Como pedagoga e ex-professora, passaram diante dos meus olhos todas as crianças com este tipo de problema e as grandes dificuldades que acompanham este diagnóstico. Assustada, voltei ao trabalho, na escola maternal Raggio di Sole, onde naquela época, trabalhávamos junto com Damijan. Conversamos muito e entendemos que, para cuidarmos do nosso filho, um dos dois devia deixar o trabalho». «Para ajudá-lo do modo justo – continua Damijan – era necessário dedicar-lhe tempo e energias. Estávamos conscientes de termos que pagar a previdência, de sermos seis na família e de não ter salários adequados. Exploramos todas as possibilidades financeiras e, apesar da incerteza, deixei o trabalho acreditando que Deus não nos abandonaria. Explicamos aos nossos colegas de trabalho a situação e a nossa consequente decisão. Somos muito agradecidos a cada um por tê-la aceitada e por nos ter apoiado. Já na semana seguinte, a nossa escolha se demonstrou acertada. Minha mãe, de noite, sofreu um AVC, ficando paralizada. Foi um choque para todos. Durante os primeiros dois meses, conseguia comer sozinha. Mas depois teve outro AVC que a levou à cegueira e, em seguida, à demência. Por isso tinha cada vez mais necessidade de atenções. Por quanto fosse trabalhoso, respeitamos o seu desejo de ficar em casa. E assim foi. Neste ínterim, a situação do nosso filho melhorou sensivelmente. Agora, as coisas prosseguem com mais calma porque, quando as crianças voltam da escola, existe alguém que as espera e que preparou o almoço. Assim também Natalija, quando volta do trabalho, pode se dedicar às crianças e a mim. Durante todo este tempo, mesmo se com só um salário, podemos dizer que não nos faltou nada, e se tivemos que renunciar a alguma coisa não vivemos isto como uma privação. Somos agradecidos a Deus por nos ter sustentado e ensinado a saborear os efeitos da arte de amar, que nos conquistaram completamente».

O Papa Francisco agradece

Pelo “compromisso de vocês pela paz, promovendo uma série de iniciativas, voltadas a converter uma fábrica de armas que existe no território de Iglesias” (Sardenha, Itália). A carta, do dia 3 de junho, é dirigida à comunidade local do Movimento dos Focolares (seção Humanidade Nova), pelos esforços levados em frente com Amnesty International, Oxfam, Fundação Banco Ético, Opal Brescia e Rede Italiana pelo Desarmamento, para a “Reconversão RWM” (multinacional de produção de armas). O Santo Padre se declara “contente em saber que vocês estão, concretamente, se interessando em promover um trabalho digno alternativo à construção das armas, num território ainda atravessado pela grave crise ocupacional”. Enfim, exprime a sua “proximidade pelo empenho na difusão da cultura da paz”.

Aquele diálogo desejado por Deus

Aquele diálogo desejado por Deus

SEcum20170513-104205_1O Patriarca Atenágoras e Chiara Lubich, protagonistas da unidade. Recomeçar não é e nunca foi fácil, sobretudo se o tempo escavou valas, se certas diferenças tornaram-se cultura, se, para complicar as coisas, se tem também a certeza de agir corretamente. Não estamos distantes da realidade ao afirmar que era mais ou menos esta a situação em meados do século XX entre a Igreja católica e a Igreja ortodoxa, depois que, durante séculos, por um milênio inteiro havia sido cultivada a separação. Depois, a virada história. Atenágoras, Patriarca Ecumênico e Chiara Lubich, fundadora do Movimento da unidade, de gloriosa memória, são os célebres e inesquecíveis protagonistas do ecumenismo, iniciadores do “Diálogo da Caridade”, bem como os grandes idealizadores do diálogo do povo. Com a própria vida humilde, séria, disponível, com a dedicação, com o amor e a oração, foram os primeiros protagonistas e iniciadores de uma nova era ecumênica; amaestraram os povos, dando-lhes coragem, força, paciência, fidelidade, disponibilidade, amor e unidade. No fundo, a solução era simples e o Patriarca dizia: «Vivemos isolados, sem ter irmãos, sem ter irmãs, como órfãos e por muitos séculos. Por quê? O irmão é a porta. Aqui está o segredo!».        Os inesquecíveis protagonistas doDiálogo da Caridade”, os grandes idealizadores do diálogo do povo se encontraram 27 vezes, de 1967 a 1972 (morte do Patriarca). O primeiro encontro histórico de Chiara Lubich na sede do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla foi em 13 junho de 1967, embora, ainda hoje, aquele momento não tenha sido devidamente valorizado em toda a sua dimensão. O Patriarca aprovou e acolheu, com amor e seriedade, o carisma de Chiara, uma espiritualidade mística que é a espiritualidade da Igreja, a ponto de considerar aquele encontro «como um extâse», e tornou-se sempre mais convicto de que, vivendo as palavras do Testamento de Jesus, seria possível chegar logo ao Único Cálice. Com palavras comoventes dizia: «Seria para mim um dia de Paraíso». 20120704-01Não foi preciso muito tempo para que o Patriarca se declarasse «focolarino» e começasse a chamar Chiara Lubich com o nome de “Tecla”, por que podia ver nela o zelo da antiga apóstola, ele que repetia sempre «temos sede da espiritualidade». Ao mesmo tempo, também Chiara ficou  profundamente tocada. Para ela, o Patriarca «era visto como um Arcanjo que luta e lutará até o fim pelo seu ideal, um homem de Deus, confirmado na caridade e paciência heroicas». Com sua espiritualidade e maravilhosa personalidade, Chiara não só preparou essas duas principais e preciosas Pontes: Paulo VI e Atenágoras, mas também conseguiu unir as duas Pontes. Através dos encontros entre ortodoxos e católicos, o vínculo do amor mútuo mitigava a dor de não poder compartilhar a Eucaristia, aliás, tornava amável esta cruz, vista como contribuição do povo cristão para o Único Cálice. «O Papa é o nosso líder — assim diz o Patriarca a Chiara  —; vejo, às vezes, o Papa “em aflição”, porque ele conhece tudo aquilo que de negativo existe no mundo. Por isso, me coloquei cem por cento a seu serviço. Eu o sigo, o entendo, o amo, o respeito, o admiro». Seguindo este caminho de cinquenta anos, fiz pessoalmente a proposta ao professor e sacerdote Piero Coda, Reitor do Instituto Universitário “Sophia”, da instituição de uma Cátedra Ecumênica como sinal de gratidão aos dois extraordinários protagonistas da fraternidade entre a Igreja ortodoxa e a Igreja católica. Esta proposta recebeu uma grande e cordial aceitação, com a benção do  Patriarca Bartolomeu e a convicta adesão da Presidente dos Focolares, Maria Voce. Apresentamos do íntimo do nosso coração umgrande obrigado”, e oferecemos essas belíssimas flores, a Atenágoras e a Chiara, enviados por Deus, os quais deram a própria vida, sobretudo tudo para a realização da vontade de Deus: “Que todos sejam um” que se realizará como dom do Espírito Santo. Metropolita Gennadios Zervos, Arcebispo ortodoxo da Itália e Malta do Patriarcado ecumênico de Constantinopla