27 Jan 2017 | Sem categoria
A celebração da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em Havana teve como um dos momentos fortes, o “Festival ecumênico dos Jovens”. Evento que este ano chegou à terceira edição. Nascido com o espírito de envolver os jovens mais ativamente no movimento ecumênico, o festival começou a tomar corpo e a se tornar um encontro marcado anual dos jovens cristãos de Havana. A “Semana” foi animada pelos setores juvenis do Movimento dos Focolares, da Comunidade de Santo Egídio e do Conselho das Igrejas de Cuba. Inspirados pelo tema escolhido para este ano “O amor de Cristo nos impele” (cfr. 2Cor 5, 14-20) e tomado como lema do festival, os números de dança, música, dramatização, compuseram esta edição que viu a presença de cerca de 150 jovens. Provenientes de várias comunidades de uma dezena de denominações cristãs, os jovens se encontraram no domingo, 22 de janeiro, na sede da Comunidade de Santo Egídio, no centro histórico da capital cubana. Do evento, entre outros, participaram representantes do Conselho das Igrejas de Cuba e D. Juan García, Arcebispo de Havana, o qual, numa breve saudação, encorajou os jovens a se reconhecerem membros de um mesmo corpo, de uma mesma família.
Uma caraterística deste ano foi a atmosfera de família que se respirava nas várias atividades. Não era só um espetáculo onde cada igreja ou comunidade representava um número, nos moldes de como tinha nascido o festival. Mas um evento realizado por pessoas que se reconhecem cada vez mais irmãos, graças ao relacionamento que foi se construindo a cada ano, entre um festival e outro, através de encontros, jantares, celebrações e ajuda recíproca. O grupo que animava o festival era constituído por católicos, batistas e pentecostais; o coro, formado por jovens de diversas igrejas, acompanhava seja a canção apresentada por um católico seja a dramatização idealizada por uma jovem pentecostal e executada por um grupo de jovens católicas. «O desejo e a certeza de viver a unidade, já são uma realidade», disse um dos participantes. Na conclusão surgiu espontânea a ideia de que “no próximo ano deveríamos fazer o festival num teatro público”. Impressão que exprime o desejo de testemunhar a outros a experiência de unidade vivida. De Havana, 22 de janeiro de 2017
25 Jan 2017 | Sem categoria
«Aos seis anos perdi meu pai, morreu na guerra – conta Ivona, da Croácia –. Este foi o período mais difícil da minha vida, que fez com que eu me fechasse em mim mesma. Em 2003 conheci o Movimento dos Focolares e experimentei a atmosfera de alegria, o amor, e encontrei a força para enfrentar tudo e amar a vida até mesmo quando é difícil. Quando eu tinha 13 anos no dia anterior ao Ano Novo perdi a consciência e fui acabar no hospital. Enquanto esperava os resultados das análises improvisamente encontrei um pequeno rosário na minha mão. Hoje, quando penso nisso creio que tenha sido um sinal de Deus para tudo o que eu deveria viver. Foi-me diagnosticada uma forma emocional de epilepsia por causa do choque que vivi quando morreu o meu pai. Por dois meses as minhas noites se passaram entre lágrimas. Uma noite quando estava rezando o terço, senti que não estava sozinha, que Jesus entendia a minha dor. Naquele momento compreendi o significado das palavras de Chiara Lubich quando se refere a Jesus no momento do seu abandono na cruz: “… O Seu é meu e nada mais. Sua é a Dor universal e, portanto, minha … O que me faz sofrer é meu … Minha a dor de quem está ao meu lado (ela é o meu Jesus)”. Desde aquele momento fui em frente na vida com paz e alegria, mas sobretudo vivi com Jesus. Através da doença, experimentei que Jesus abandonado iluminou toda treva – como diz Chiara – e acompanhou toda minha solidão. Aceitei a minha doença e me sinto amada por Ele».
«Eu me chamo Zin de Myanmar e sono uma Gen budista. Desde setembro me encontro na Escola Gen de Montet, na Suíça. Quando digo que sou budista, as pessoas me perguntam como é viver com as outras Gen que são todas cristãs. Para mim é fácil aceitar que seguimos religiões diferentes. Só quando as outras Gen rezam ou vão à missa, percebo que sou diferente. Para o resto somos iguais: irmãs que moram na mesma casa. Gostamos de viver o amor mútuo conforme cada uma entende o Amor: no budismo é antes compaixão, gentileza e esquecimento de si. Para os cristãos é ‘o amor ao próximo’, ‘ao inimigo’, ‘o amor recíproco’, ‘a Jesus abandonado’. Embora constatando a diversidade no nosso modo de manifestar o amor, “sendo o amor” como meta comum, experimentamos a unidade». «Sou Lilia Mayrleny, da etnia Maya Kaqchikel da Guatemala, originária do povo de Patzun. Sou professora de educação infantil intercultural bilíngue Kaqchikel (a minha língua mãe) e espanhol (a minha segunda língua). O meu país é multicultural e multilíngue. Multicultural porque é constituído por quatro culturas: Maya, Garifuna, Xinca e ladino; e multilíngue porque se falam 22 línguas mayas. Conheci o Movimento dos Focolares quando era pequena, nos encontros Gen 4. Procuro levar o ideal da unidade na vida quotidiana. Estudo na Universidade graças aos meus pais, que vivem comigo a espiritualidade do Focolare, e que me sustentaram para continuar os meus estudos. Esta é uma grande conquista, porque nem todas as mulheres da minha comunidade podem continuar os estudos, pela cultura machista que existe. Para nós da cultura Maya, são importantes a verdade, a lealdade, o respeito e o amor. Em alguns momentos me senti muito sozinha e sem respostas aos meus “por quês?”. Porém, procurando viver o Evangelho descobri que a dor, as tristezas, as desilusões, as dúvidas, as situações imprevistas ou de fraqueza, as provações da vida, até mesmo o engano, são muitos semblantes que Jesus sofreu na cruz abandonado. Quando consigo reconhecê-lo e amá-lo, as situações difíceis se transformam e nasce a paz em mim».
24 Jan 2017 | Sem categoria
Fiorella: Desde cedo descubro que André é ateu e muito popular entre as meninas. Eu me sinto atraída por ele, mas não quero ser uma das muitas. No meu coração decido que alguém desse tipo é melhor deixar de lado, mas depois, na discoteca, me encontro entre os seus braços. André: Fiorella era realmente uma das muitas. Antes de lhe dizer, admirado comigo mesmo, que talvez eu até poderia considerar que estava com ela porque gostava dela, se passaram dois anos. Fiorella: Eu estava consciente de que aquela relação não levava a lugar algum. Não havia diálogo, nem fazíamos projetos. Eu tinha me tornado a sombra de André, sem mais personalidade e sonhos. Desiludida, decido deixá-lo. Para fugir, mudo de trabalho e de cidade, mas logo depois me sinto sozinha e cheia de tristeza. Uma manhã, quase desesperada, me encontro à porta de uma igrejinha ‘gritando’ o meu porquê àquele Deus que eu tinha deixado há tempo. Terminado o contrato de trabalho, volto à casa dos meus pais. Alguns dias depois, uma amiga que não via há tempo, me fala de Deus e me convida para uma convivência de alguns dias com pessoas que se empenham em viver o Evangelho. Entrando na sala, me impressiona um escrito: Deus é amor. Eu me pergunto como Deus pode amar alguém como eu: maquiagem pesada, salto 12, cabelos de um vermelho fogo. Mas desde o primeiro dia percebo a sua presença. Descubro ter encontrado o que desde sempre procurava e corro a esvaziar as minhas misérias no confessionário com o propósito de pôr em prática o Evangelho. Depois daquela minha primeira “Mariápolis”, a Eucaristia se torna a minha força vital. André: Fiorella mudou. Agora fala, mas o que é pior – segundo o meu ponto de vista daquela época – é que fala de Deus. Por querer ser tolerante decido não deixá-la, mas tenho ciúmes deste Deus que a está roubando de mim. Fico impressionado com a sua serenidade, a sua alegria de viver, o seu novo modo de gostar de mim que me preenche o coração. Agora trocamos opiniões entre nós, valorizando as exigências interiores de um e do outro. E se a estivesse amando de verdade? Impressionado comigo mesmo chego a lhe pedir para nos casarmos, aceitando de fazer isso na igreja. Depois do casamento, um acidente no trabalho me obriga à imobilidade. A única distração são as visitas daquelas famílias que Fiorella começou a frequentar. Assim que consigo, decido ir visitar uma delas para entender as razões deste interesse por mim. Falamos de tudo, inclusive da fé, até as três da manhã. Estou fascinado. «Estes aqui levam a coisa a sério! Digo a mim mesmo. Eu também quero viver como eles, eu também quero ser o primeiro a amar». Um sábado vejo a pia da cozinha cheia de pratos. Fiorella está fora, trabalhando. Para não me deixar ver pelos vizinhos, fecho as persianas e começo a reorganizar, para lhe dizer, com fatos, todo o meu amor. Tento também passar roupa, mesmo se levo duas horas só para uma camisa. E enquanto estou fazendo tudo isto, percebo aflorar em mim uma certeza: Deus existe, Deus é Amor. Com a fé, nasce em mim também a necessidade de rezar. Digo isso a Fiorella, lhe propondo fazermos juntos. Com um pouco de vergonha, com as luzes apagadas, cada um de um lado da cama, naquela mesma noite rezamos juntos pela primeira vez.
Fiorella: Depois de doze anos de metas alcançadas, passos para trás, novos inícios e muita alegria pelo amor novo que ia crescendo entre nós, e pelo nascimento dos nossos dois filhos Maria Giovanna e Ivan, recebemos a proposta de nos transferirmos para Honduras para apoiar a comunidade dos Focolares, que estava nascendo. Jesus pedia à nossa família para seguir Ele somente, deixando concretamente casa, trabalho, parentes. Em Tegucigalpa nos espera um mundo desconhecido para nós, com costumes, língua e cultura diferentes, com a difícil realidade do povo hondurenho que bate todos os dias à nossa porta. André: Aprendemos o ‘fazer-se um’ mais profundo, nos imergindo nas suas vidas numa forte experiência de inculturação. Os frutos de evangelização são inúmeros: vocações, matrimônios regularizados, famílias recompostas, retornos a Deus, passos de fraternidade entre pessoas de classe social diferente. Depois de oito anos, deixamos uma comunidade construída pedaço por pedaço sobre o amor concreto que procuramos doar, envolvendo também os nossos filhos que, neste meio tempo, se tornaram três. De fato, enquanto estamos em Honduras nasce Juan Diego, que chamamos com este nome em honra do santo a quem apareceu a Virgem de Guadalupe, à qual continuamos a confiar este povo tão generoso que transformou a nossa vida.
23 Jan 2017 | Focolare Worldwide, Senza categoria
Recentemente eu retomei uma carta do padre Christian de Chergé do qual, no ano passado, completaram-se 20 anos da sua morte. Christian era prior da comunidade dos trapistas do mosteiro Nossa Senhora do Atlas, em Tibhirine, a 90 km de Argel. Em 1996, ele e outros seis monges foram raptados e, depois, assassinados. No dia 1° de agosto, dom Pierre Claverie, bispo de Oran, foi assassinado. Vivíamos no ápice do “decênio negro”, como se usava denominar a guerra civil que explodira na década de 90. Os monges eram de origem francesa e, como todos os “estrangeiros”, eram diretamente presos de mira pelos “Irmãos da montanha”, como eram chamados aqueles que entraram na clandestinidade e empunharam armas depois da anulação das eleições de 1992. A Frente Islâmica de Salvação, partido político que foi dissolvido e declarado ilegal, estava prestes a vencer aquela eleição. Com o pensamento, frequentemente eu vejo os rostos sorridentes daqueles monges, durante os momentos que vivemos juntos. Todos participavam da vocação particular da Igreja daquele país, ao qual nos sentíamos enviados para testemunhar o Evangelho estando a serviço daquele povo. Uma Igreja simples, pobre; mas, o seu testemunho brilha no coração de muitos amigos, na maioria, muçulmanos. Sim, porque na Argélia 99,99% da população segue o Islã. A Igreja é “Igreja para um povo, uma Igreja do encontro”, segundo a expressão do arcebispo de Argel, dom Paul Desfarges. Retornado à carta, parece-me reencontrar Christian, ou um dos outros monges, no nosso focolare em Tlemcen, onde eram habituados a passar a noite, para depois prosseguir a viagem a Fèz, no Marrocos, onde estavam fundando um mosteiro. Momentos de colóquios intensos, de alegria ao reencontrar-nos, de sentirmos irmãos e sentir-nos compreendidos no recíproco empenho pelo povo ao nosso redor. Mesmo tendo vocações diferentes o coração pulsava em uníssono.
Nós nos encorajávamos a seguir adiante, mesmo na atmosfera de perigo na qual se vivia. Naquela época espalhara-se a notícia da eventual partida momentânea dos membros do Focolare de Tlemcen, o que, de fato, não aconteceu. E Christian nos escreveu: “Todos nós pensávamos que vocês permaneceriam o maior tempo possível entre nós, os testemunhas de uma convivência ofertada, de uma partilha de vida sem fronteiras, de uma abertura familiar que permite ao coração vibrar em uníssono, além das barreiras da pertença religiosa. Vocês assumiram como própria a mensagem do Evangelho e esculpiram profundamente esta mensagem entre nós. E nós nos alegramos com vocês deste algo a mais de humanidade que o Carisma de vocês dava à nossa Igreja. Era belo encontrar-nos na ‘lareira’ de vocês. Muitos monges puderam usufruir da acolhida de vocês quando passavam durante a viagem a Fèz. Em todos permaneceu o gosto de… saborear ainda mais (…). Nesse tempo todos nós temos necessidade de poder contar com este ‘fogo’ mantido aceso na sala comum. Fará um pouco mais de frio no Natal, se vocês não estiverem mais aqui (…). As vidas de vocês estão nas mãos de Deus… e as nossas razões para permanecermos identificam-se com aquelas que nos permitiram viver aqui. Para vocês, bem como para nós, a situação não muda nada. Mais uma vez, OBRIGADO a cada um de vocês e à nossa comunhão fraterna de hoje e de sempre. Christian” Falei antes de coragem de permanecer, mas, para quem, como nós, vivia no âmago daquela experiência dura, eu direi coragem de ser fiéis a um chamado e de partilhá-lo com uma porção de humanidade da qual éramos, naquela altura, parte integrante. Uma fidelidade de amor. Os corações daqueles que conheceram os monges, dom Claverie e as outras religiosas e religiosos assassinados naqueles anos na Argélia, continuam a falar-nos de Evangelho e de amizade profunda com um povo que se tornara o povo deles. Giorgio Antoniazzi
22 Jan 2017 | Sem categoria
De 1º de novembro a 13 de dezembro de 1998, Chiara Lubich esteve na Alemanha. Esta viagem teve etapas significativas em Aquisgrana (Aachen), Munique, Augsburgo e Berlim, onde foi convidada a encontrar a comunidade evangélica. Propomos alguns trechos do seu discurso do dia 19 de novembro em Berlim, na Igreja da Memória, no qual indica a lei do amor como via mestra para a unidade dos cristãos e para o diálogo com os que creem.
«(…) O fato é que se nós, cristãos, na aurora do terceiro milênio, observarmos a nossa história de 2 mil anos e principalmente aquela do segundo milênio não podemos deixar de nos entristecer ao constatar como ela muitas vezes foi um alternar-se de incompreensões, de brigas, de lutas, que rasgaram em muitos pontos a túnica sem costuras de Cristo que é a sua Igreja. De quem é a culpa? É claro que das circunstâncias históricas, culturais, políticas, geográficas, sociais, mas também do desaparecimento entre os cristãos de um elemento unificante, típico deles: o amor. É a pura verdade. Então, na tentativa de sanar hoje todo o mal, é necessário lembrar-se do princípio da nossa fé comum: Deus Amor, que também nos convida a amar. Hoje é mesmo Deus Amor que, de certa forma, deve revelar-se novamente, inclusive às Igrejas que formamos. De fato, como podemos pensar em amar os outros se não nos sentimos profundamente amados? Se não está viva em todos nós, cristãos, a certeza de que Deus nos ama? No entanto, Deus não nos ama apenas como cristãos, mas também como Igreja. Deus ama a Igreja por tudo o que ela fez na história segundo o seu desígnio sobre ela, mas também – e este é o lado magnífico da misericórdia de Deus – Ele ama a Igreja quando lhe foi infiel, permitindo a divisão, contanto que hoje cada Igreja busque a plena comunhão com as outras Igrejas. Foi esta consoladora convicção que motivou João Paulo II, confiando naquele que extrai o bem do mal, a responder à pergunta: “Por que o Espírito Santo permitiu todas estas divisões?”, mesmo admitindo que um dos fatores pode ter sido os nossos pecados, acrescentou: “Não poderia ser também (…) que as divisões tenham sido (…) um caminho que levou e leva a Igreja a descobrir as múltiplas riquezas contidas no Evangelho de Cristo? Talvez – continua o Papa – tais riquezas não pudessem vir à luz de maneira diferente…” . Acreditar que Deus é Amor também para a Igreja. Mas, se Deus nos ama, nós não podemos ficar inertes diante de tamanha bondade divina. Como verdadeiros filhos devemos retribuir o seu amor e também como Igreja. Cada Igreja com o passar dos séculos de certo modo petrificou-se em si mesma pela onda de indiferença, de incompreensão, para não falar de ódio recíproco. Por isso mesmo cada uma deve ter um suplemento de amor, aliás, o povo cristão deve ser invadido por uma torrente de amor. Amor pelas outras Igrejas e amor recíproco entre as Igrejas, que leva cada uma a tornar-se uma dádiva para as outras. Assim podemos prever, na Igreja do futuro, que uma e somente uma será a verdade, mas expressa de várias maneiras, observada de vários ângulos, embelezada por muitas interpretações. Não é verdade que uma Igreja ou outra deverá “morrer” (como se pode temer). Cada uma deverá renascer nova na unidade. E viver nessa Igreja em plena comunhão será algo maravilhoso, fascinante como um milagre, que despertará a atenção e o interesse do mundo inteiro.» Ler tudo Centro Chiara Lubich