Movimento dos Focolares

EMERGÊNCIA SÍRIA

A guerra civil e as contínuas tensões fizeram da Síria um país martirizado. Quem perdeu o trabalho foi obrigado a gastar todas as economias para sobreviver e se tratar. Médicos, professores e muitos profissionais emigraram para o exterior. Quem ficou, com muita frequência, perdeu a casa e contribuiu para superlotar bairros já no extremo da capacidade. Os setores pelos quais é necessário agir com maior urgência para a reconstrução futura são os do apoio à renda, instrução e assistência sanitária. Atividades do programa:

  1. Apoio ao estudo e formação escolar – Homs e Damasco – reforço escolar, assistência ao estudo, merenda e fornecimento de material didático para 220 adolescentes;
  2. Escola EHIS para surdos-mudos – Aleppo – Cursos escolares e atividades extras para 75 crianças;
  3. Curso profissional – Aleppo – Curso de artesanato tradicional sírio;
  4. Assistência sócio-sanitária – Homs e Kafarbo – Acesso aos tratamentos médicos para os doentes de câncer (quimioterapia e medicamentos complementares), apoio à execução de intervenções cirúrgicas, apoio aos doentes que sofrem dia insuficiência renal, apoio econômico a outros serviços médicos (radiografias, análises…), apoio psicológico;
  5. Apoio à renda familiar – Kafarbo, Homs, Aleppo e Damasco –. Distribuição mensal de subsídios econômicos para alimentação, despesas de aluguel/reestruturação, suporte a tratamentos médicos.

A realização das atividades garante emprego a cerca de 70 pessoas entre professores, operadores sociais, formadores e assistentes e envolve cerca de 50 voluntários. Locais Kafarbo – Homs – Aleppo – Damasco Beneficiários 200 famílias pelo apoio à renda – 114 doentes pela assistência sanitária – 295 adolescentes pela assistência ao estudo e à formação Custos do programa Custo total € 293.138,33 – Contribuições solicitadas a AMU: € 241.586,20 Para apoiar o programa:  Azione per un Mondo Unito ONLUS (AMU) – Banca Popolare Etica IBAN: IT58 S050 1803 2000 0001 1204 344 Codice SWIFT/BIC: CCRTIT2184D Azione per Famiglie Nuove ONLUS (AFN) – Banca Prossima IBAN: IT55 K033 5901 6001 0000 0001 060 Codice SWIFT/BIC: BCITITMX Causale: Programma Emergenza Siria As contribuições depositadas nas duas contas correntes para a emergência Síria serão administradas conjuntamente por AMU e AFN.

A força de reerguer-se

A força de reerguer-se

«Há cerca de três anos nós, Jovens por um Mundo Unido de Roma, colaboramos com as educadoras, a administração penitenciária e o “Comitê G9”, um grupo de oito detentos da ala também denominada G9 do cárcere de Rebibbia que, mesmo não tendo filhos, empenham-se para favorecer ocasiões de encontro entre os outros detentos e as respectivas famílias». A aventura é contada por Raffaele Natalucci, um jovem de Roma. «Três vezes por ano preparamos um espaço onde pais e filhos podem estar juntos, para brincar e desenhar com as crianças. Durante as atividades organizadas ao ar livre, no pátio interno do cárcere, participam cerca de trezentas pessoas, entre detentos e familiares, além de muitos voluntários vindos de fora. Durante um destes eventos pude ouvir o testemunho de um detento: “A privação da liberdade distancia-nos da realidade. Estando sempre na cela, entre quatro paredes, até mesmo a visão diminui. Algumas pessoas que receberam autorização para sair contaram que tinham que fazer um esforço para olhar para longe, para o horizonte. A possibilidade de trabalhar dentro do cárcere para mim tem um grande significado. Antes eu dedicava-me a atividades ilegais, mas aquilo que eu fazia era como gelo ao sol, que se derrete num instante. Ao contrário, trabalhar, organizar manifestações desportivas ou iniciativas em favor dos detentos vale cem vezes mais do que um salário”». Continua o Raffaele: «Como Jovens por um Mundo Unido estamos vivendo uma experiência humana muito forte: a determinação da polícia penitenciária de entregar todos os objetos pessoais antes de entrar no cárcere ressoa, cada vez, como um convite a abandonar também os preconceitos, superando as barreiras entre o mundo externo e o cárcere, para construir um relacionamento autêntico com as pessoas detentas, a tal ponto que nos chamam de “Comitê externo”. Começamos também um “Projeto sobre a legalidade” com uma série de encontros temáticos dentro do cárcere. Em plena sintonia com as educadoras, os detentos e com a ajuda de especialistas, escolhemos alguns temas para serem apresentados, como as relações interpessoais, a integração entre culturas, a “legalidade do nós”, a redescoberta das próprias habilidades e a reinserção profissional». «Por ocasião da festa dos pais, no dia 19 de março, convidamos o psicólogo Ezio Aceti para falar sobre a “genitorialidade” para cerca de setenta detentos no teatro do instituto penitenciário, focalizando as espectativas e as necessidades da criança. “Ter consciência dos pensamentos e das preocupações do outro, dizer a verdade, mostrar uma imagem positiva – explicou Aceti – são os pressuppostos necessários para que o encontro entre os detentos e os filhos possa ter resultados positivos”. Durante o debate um dos detentos perguntou: “O que é que pode dizer para a sua filha um pai condenado à prisão perpétua?”.“Pode dizer que seu pai errou, mas está fazendo de tudo para melhorar” foi a resposta. “Se sua filha vê no pai a coerência e a coragem de reerguer-se, terá esta imagem do seu pai”. E ainda: “Genitorialidade é manter viva uma ligação. È preciso transmitir aos filhos um sentimento de pertença. Deste modo irão viver uma experiência positiva e irão recordar-se do pai que está no cárcere”. O psicólogo chamou a atenção dos detentos: “Educar um filho não quer dizer não errar, mas dar o máximo de si apesar dos erros. Isto ensinará aos filhos a tolerância. Vocês podem ser bons pais mesmo se erraram. No fundo todos nós sentimo-nos muitas vezes sem coragem, mas dentro do nosso coração uma outra voz diz: reergue-te, recomeça. Não importa quantas vezes vocês erraram, mas quantas vezes recomeçaram. O milagre acontecerá de tanto recomeçar, de tanto reerguer-se: acontecerá uma mudança”».

Gen Rosso “Music and Arts Village”

Gen Rosso “Music and Arts Village”

Foi concluída, em Loppiano (Itália), a primeira edição do Gen Rosso Music and Arts Village”(25 de março a 1º  de abril), experiência de aprofundamento artístico à luz do carisma da unidade, dirigida a jovens de 18 a 30 anos, com profissionais e estudiosos de música, dança, canto e teatro. Com uma metodologia didática projetada pelos tutores do Gen Rosso, o programa constou de laboratórios práticos alternados com troca de experiências com especialistas de fama nacional e internacional. Entre estes, Gabriel Ledda, bailarino, um dos oito campeões mundiais de hip hop; Pierluigi Grison, bailarino e coreógrafo de fama internacional, especialista em teatro-físico e teatro-dança; Antonella Lombardo, bailarina e professora, promotora do Festival da Harmonia entre os Povos e de um projeto da Terra Santa, com jovens muçulmanos, cristãos e judeus. Comentaram: Jorge Santana, professor de arte teatral na Universidade da Madri: «Criou-se entre nós um relacionamento verdadeiro, desembocado em arte e beleza». Emanuele Chirco, poli-instrumentista e tutor: «O encontro de jovens que provêm de contextos diferentes e diversas etnias cria atitudes novas, dinâmicas, que até um instante antes são uma incógnita. É o milagre da música, mas também da unidade!». Alguns participantes: «A semana mais linda da minha vida». «Cheguei pensando que entrava num “show de talentos” para entender o valor que tenho, e me encontrei com uma nova e inesperada experiência do valor de mim mesma e dos meus talentos». «Redescobri a arte como dádiva».

Empresários contracorrente

Empresários contracorrente

A Letizia Mombelli e o seu marido são proprietários de uma empresa da região de Brescia (Itália). Nos últimos anos, passaram por momentos de crise enfrentando tudo com confiança em Deus e na sua providência, entregando a Ele as preocupações e as decisões. Começaram a atividade com uma pequena empresa mecânica com poucos dependentes, mas a falta de trabalho, a burocracia e a decisão de recusar todas as tentativas de corrupção provocaram uma grande perda de capital. A escolha dolorosa de licenciar boa parte dos dependentes foi inevitável, bem como aquela de vender os maquinários para garantir aos trabalhadores tudo o que a lei prevê. Antes do desligamento completo esperaram que cada um tivesse encontrado um outro emprego. “Vivemos tudo isso como um fracasso – lembra Letizia – mas não desistimos. Ao nosso redor a família do Movimento dos Focolares sustentou-nos com a oração e confiamos tudo a Deus para que nos guiasse em todas as escolhas, procurando ter relacionamentos corretos com os clientes, os fornecedores, os representantes ou qualquer pessoa que entrasse na nossa empresa. A providência de Deus não demorou para chegar”. Depois daquele momento de dificuldades, enfrentado com escolhas corajosas, chega a oportunidade de mudar de setor. Familiares, outros empresários e fornecedores oferecem a ajuda concreta que permite à empresa de reenguer-se. “O fruto mais bonito daquele período – continua – é que os nossos filhos maiores demonstram valorizar as coisas importantes como a escolha de uma vida sóbria e de poter experimentar o amor de Deus através de tantos pequenos e importantes sinais. Tudo isso reforçou o elo de união da nossa família”. Porém, em 2009 a crise econômica mundial não poupa a empresa de Letizia, que não recebe mais pedidos. Também desta vez a família confia em Deus na oração e, em pouco tempo, chegam dezenas de encomendas. Em 2016 chega um pedido com promessa de continuidade, de modo a garantir à empresa a tranquilidade econômica por longo tempo. Todavia, apenas depois da primeira entrega Letizia descobre que aqueles produtos seriam destinados à indústria de armas. Diante das imagens de desespero de tantos refugiados em fuga das guerras, a Letizia e a sua família decidem renunciar àquele trabalho. “A escolha foi tomada com uma certa apreensão, mas eu e o meu marido não tivemos dúvidas e o nosso filho, que tinha começado a trabalhar conosco, foi totalmente de acordo”, afirma. A seguir veio uma outra crise que levou outra vez a empresa quase ao fechamento. A Letizia e a sua família confiam também desta vez à providência e chega um pedido de trabalho como não acontecia há muitos anos. “Verdadeiramente sinto que Deus caminha ao nosso lado”, confessa a Letizia, dirigindo o seu pensamento também à fundadora dos Focolares. “Agradeço a Chiara Lubich que, como luz no meu caminho, ajudou-nos sempre a fazer escolhas coerentes, baseadas nos valores da pessoa humana, pondo em segundo plano o lucro e a segurança econômica”, conclui. Chiara Favotti