Movimento dos Focolares
Chiara Lubich: «Deus precisa de nós»

Chiara Lubich: «Deus precisa de nós»

“Eis que eu faço novas todas as coisas.”

(…) Não é um sonho, uma utopia, um desejo patético, mas uma certeza repetidamente atestada por Deus na Bíblia. Será a resposta de Deus às fadigas enfrentadas pelos seus filhos no trabalho pelo seu Reino. Será a recompensa pela fidelidade de seus discípulos à vivência de sua Palavra. Será a plena revelação da potência do Espírito Santo que Jesus introduziu na história com sua morte e ressurreição.

Porém, esta renovação – embora em mio a muitas dificuldades – já começou, já está se atuando desde que Jesus veio à terra. Desde agora, todos aqueles que O deixam viver em si mesmos – e Jesus vive em nós se colocarmos em prática a sua Palavra – experimentam este milagre de sua graça, que faz novas todas as coisas: transforma os sofrimentos em paz e serenidade interior; vence a fraqueza, o ódio, o egoísmo, a soberba, a avareza e todo mal; faz passar da escravidão das paixões e do medo à alegre liberdade dos filhos de Deus. E não se limita a transformar o indivíduo, mas através dele transforma toda a sociedade.

(…)

Deus quer, de fato, renovar todas as coisas: a nossa vida pessoal, a amizade, o amor conjugal, a família; quer renovar a vida social, o mundo do trabalho, da escola, da cultura, do lazer, da saúde, da economia, da política…, em síntese, todos os setores da atividade humana.

Mas para realizar isto Ele precisa de nós. Precisa de pessoas que deixem viver em si mesmas a sua Palavra, que sejam a sua Palavra viva, outros Jesus em seus ambientes. E já que a palavra síntese, a plenitude da lei, é a caridade, procuremos colocá-la em prática, amando realmente o próximo como a nós mesmos, sem atenuar, sem reduzir a Palavra de Deus.

Notaremos assim uma contínua renovação antes de tudo no nosso coração, e em breve ela será evidente também ao nosso redor.

Chiara Lubich
Foto: © Kaike Rocha by Pexels

Relatório 2025: da norma à cultura

Relatório 2025: da norma à cultura

Em 2025, o Movimento dos Focolares deu novos passos para tornar estrutural e verificável o compromisso com a proteção da pessoa, com especial atenção aos menores e aos adultos em situação de vulnerabilidade. Três foram as linhas de ação trabalhadas:

  • consolidação das normas;
  • fortalecimento organizacional;
  • crescimento formativo e cultural.

No aspecto normativo, o Movimento redigiu e aprovou a Política de Proteção da Pessoa no Movimento dos Focolares, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026. A Política reúne valores, responsabilidades e práticas, conecta protocolos e diretrizes, define normas de conduta, critérios para ambientes seguros e uma atenção clara às pessoas que sofreram abuso, prevendo escuta, acompanhamento e – nos casos estabelecidos – medidas de apoio e reparação.

No plano organizacional, em 2 de setembro de 2025 foi criado o Departamento para a Proteção da Pessoa, com a função de coordenar as atividades de proteção, monitorar compromissos e prazos, supervisionar as comunicações oficiais e oferecer suporte aos responsáveis territoriais. Para apoiar esse trabalho, funciona a Mesa de consultoria e ação, um organismo composto por especialistas nos campos da formação, da comunicação, do direito, do acompanhamento e pessoas vítimas de abusos. A sua tarefa é avaliar a coerência das ações empreendidas com os valores fundamentais do Movimento dos Focolares, propor orientações e planos estratégicos e favorecer a colaboração com especialistas e redes externas, garantindo uma atualização constante sobre as normas vigentes e as melhores práticas em matéria de proteção.

Vea y descargue el Informe 2025 haciendo clic en la imagen

Em diálogo com a Igreja Católica, no biênio 2024-2025, desenvolveu-se uma colaboração com a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores (PCTM). A Comissão examinou o nosso Protocolo para a gestão de casos de abuso, formulando várias observações; além disso, solicitou informações para incluir em seu Relatório Anual 2024 sobre uma análise das políticas do Movimento. As recomendações da PCTM deram início a um processo de implementação já parcialmente concluído (incluindo a publicação do Regulamento Interno da Comissão Central Independente e a prestação de contas dos recursos dedicados) e, para a parte restante, em fase de definição ou desenvolvimento (integrações a serem feitas nos Estatutos Gerais do Movimento dos Focolares, ferramentas informáticas e canais institucionais para a confidencialidade dos dados).

O compromisso com uma formação dedicada à proteção integral da pessoa foi ilustrado em um primeiro documento que oferece uma síntese dos cursos e intervenções no biênio 2024-2025. Os dados mostram o trabalho para uma difusão cada vez mais capilar da formação, o fortalecimento das comissões e dos referentes locais e, ao mesmo tempo, evidenciam algumas criticidades sobre as quais é necessário intervir: continuidade da formação, adaptação intercultural dos materiais e melhoria dos fluxos comunicativos.

O conjunto dessas medidas – Política, Departamento de Proteção, colaboração com a PCTM, formação e transparência na prestação de contas – expressa a vontade de prosseguir com determinação no caminho da prevenção, da responsabilidade compartilhada e da escuta das pessoas que sofreram um abuso, na convicção de que a proteção é parte integrante da missão do Movimento e um serviço ao bem comum.

Nessa perspectiva, as palavras que o Santo Padre dirigiu aos participantes do

encontro “Construir comunidades que protejam a dignidade” ressoam também para o

Movimento dos Focolares como uma indicação a ser seguida:

“Portanto, aprecio e encorajo o vosso propósito de compartilhar experiências e percursos de aprendizagem sobre o modo como prevenir todas as formas de abuso e prestar contas, com verdade e humildade, dos caminhos de tutela empreendidos. Exorto-vos a levar em frente este compromisso a fim de que as comunidades se tornem cada vez mais exemplo de confiança e diálogo, onde cada pessoa seja respeitada, ouvida e valorizada.

Onde se vive a justiça com misericórdia, a ferida transforma-se em fenda de graça”. [1]

Stefania Tanesini

Entrevista a S. Ex.ª Dom Alí Herrera, Secretário da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores da Igreja Católica

Descargar el Informe 2025


[1] Mensagem do Santo Padre Leão XIV aos participantes do encontro “Construindo Comunidades que Protegem a Dignidade”, promovido pela Pontifícia Comissão para a Proteção de Menores. Roma, 15 de novembro de 2025.

Tráfico de pessoas: agir em prol da justiça

Tráfico de pessoas: agir em prol da justiça

Prezados amigos,

saudações a todos em nome do Movimento dos Focolares presente no mundo, que se une à oração desta Peregrinação Digital. Junto com todos vocês, queremos elevar a nossa voz a Deus para pedir o fim do tráfico de pessoas e afirmar a dignidade de cada ser humano:

Unidos, continuemos a rezar e a agir pela justiça.
Obrigada a cada um e a cada uma por fazer parte desta cadeia de esperança e amor que atravessa o mundo.

Margaret Karram

Vídeo em italiano: ative as legendas e escolha o idioma desejado.

Para rever a Peregrinação Digital: https://www.youtube.com/live/tY-8zUHMrlg
Site: https://preghieracontrotratta.org/?lang=pt

Soluções globais para além da crise

Soluções globais para além da crise

De 26 de janeiro a 01 de fevereiro de 2026, Roma hospedou 100 jovens líderes políticos de 36 países para a conclusão do 1º ano do programa bienal de formação para a política “Uma Humanidade, Um Planeta: Liderança Sinodal”, o desafio de um estilo de governança diferente a partir do paradigma da fraternidade.

© CSC Audiovisivi

Depois desse percurso de trabalho online em 16 comunidades de aprendizagem, se reencontraram para um hackathon político – literalmente uma maratona criativa e colaborativa – dedicado ao que hoje fere mais o tecido social global: corrupção, desigualdade, violência, transição digital sem ética, emergência ecológica, participação civil em declínio. O programa, promovido pelo Movimento Político pela Unidade e pela ONG New Humanity com a Pontifícia Comissão pela América Latina, tem como objetivo restituir aos jovens um papel ativo nos processos de decisão, do local ao global.

Veja o vídeo com entrevistas a jovens de diferentes países. Ative as legendas e escolha o idioma desejado.

Foto da capa: ©Agência WARFREESERVICE

Por uma política de fraternidade

Por uma política de fraternidade

“Eu os exorto a cooperar cada vez mais, no estudo de formas participativas, que envolvam todos os cidadãos… sobre estas bases será possível construir aquela fraternidade universal que, entre vocês, jovens, já se mostra como sinal de um tempo novo”.

© Vatican Media

Com estas palavras, o Papa Leão não apenas encorajou os cem jovens líderes políticos, reunidos em Roma: ele “reconheceu” a missão deles. Viu neles aquilo que com frequência, infelizmente, a política tradicional custa a ver: que o futuro nascerá de processos inclusivos, não de contraposições; de comunidades vivas, não de estruturas rígidas; de uma fraternidade que não é sentimento ingênuo, mas categoria política concreta.

Na audiência do dia 31 de janeiro eles eram 100, de 36 países. Estavam em Roma para a semana conclusiva do primeiro ano do curso político “One Humanity, One Planet”. Em sete dias tiveram a confirmação de que a fraternidade não é um ideal, já é um método, um estilo e prática cotidiana. Eles chegaram após um percurso de trabalho online, divididos em 16 comunidades de aprendizado; reuniram-se para um hackathon político – literalmente, uma maratona criativa e colaborativa – dedicado a tudo o que mais fere o tecido social global, atualmente: corrupção, desigualdades, violência generalizada, transição digital sem ética, emergência ecológica, declínio da participação cívica. O programa, promovido pelo Movimento Político pela Unidade e pela ong New Humanity, com a Comissão Pontifícia para a América Latina, mira restituir aos jovens um papel ativo nos processos decisórios, em nível local e global.

O Santo Padre indicou-lhes uma visão exigente e ao mesmo tempo libertadora. Pediu aos jovens que olhem para o mundo através da lente da escuta e da colaboração entre culturas e crenças diferentes; que busquem a paz não como conceito abstrato, mas como escolha cotidiana nos locais aonde vivem, estudam e trabalham; que construam políticas capazes de envolver todos os cidadãos, homens e mulheres, nas instituições. Recordou que a paz é dom, aliança e promessa ao mesmo tempo, e que nenhuma sociedade poderá dizer-se justa se continua a excluir os fracos, ignorar os pobres, permanecer indiferente aos refugiados e às vítimas da violência.

Algumas das intervenções durante o Hackathon – © Agenzia WARFREESERVICE (3)

A presidente do Movimento dos Focolares, Margaret Karram, durante seu encontro com eles, falou de uma cultura política nova, fundada sobre a fraternidade, no rastro do que Chiara Lubich, fundadora do Movimento, havia dito. Ela os encorajou a “viver” uma liderança que coloca no centro o “nós”, que gera confiança, que busca convergência na diversidade. Não é um método para poucos, mas uma abordagem que pode chegar a toda parte: às instituições, aos partidos, aos movimentos sociais, à sociedade civil.

Le testimonianze dei partecipanti lo confermano con forza. Cristian, dall’Argentina, racconta: “E’ la esperienza di fraternità universale più importante della mia vita… ognuno, con la sua lingua, le sue danze e il suo carisma ha creato la sinfonia di una armonia globale”. Per Joanna, polacca residente in Italia, l’esperienza è stata “uno stimolo all’impegno concreto”, alimentato da laboratori, buone pratiche e incontri con parlamentari italiani e coreani. Zé Gustavo, dal Brasile, parla di una “esperienza intensa e provocatoria”, capace di riaccendere una speranza adulta, lucida, nata non dall’ingenuità ma dalle cicatrici della politica vissuta. E Uziel, dal Messico, riassume tutto in una frase semplice e vera: “Questa è la vera globalità”.

Os jovens participantes em diferentes momentos – © Agenzia WARFREESERVICE (3)

Agora o curso entra na sua segunda fase, envolvendo 600 jovens dos cinco continentes, para continuar a compartilhar modos de ver, instrumentos e ações de impacto real.

Por uma semana, Roma foi um laboratório vivo daquilo que a política poderia voltar a ser: um espaço generativo. Uma academia de fraternidade. Um espaço onde as diferenças deixam de ser muros e tornam-se matéria prima do futuro. Um testemunho concreto e crível de que uma outra política não só é possível, mas já começou.

Stefania Tanesini

Foto da capa: © Joaquín Masera – CSC Audiovisivi