11 Set 2019 | Sem categoria
Com essas três palavras, a presidente do Movimento dos Focolares abriu os trabalhos da Assembleia dos jovens, que se concluirá no domingo, 15 de setembro.
Enquanto Maria Voce e Jesus Moran, respectivamente presidente e copresidente do Movimento dos Focolares, se apresentavam, os jovens lhe assistiam, mas sobretudo os escutavam, dando a impressão de ser um parlamento sub-30, que, em vez de ocupar um só país, tem o mundo inteiro como raio de ação. São 190 os representantes dos jovens do Movimento que chegaram a Castelgandolfo (Roma), vindos de 67 países, para a primeira Assembleia dos jovens que reúne gen, jovens religiosos e seminaristas, meninos e meninas empenhados nos Movimentos Paroquial e Diocesano. “Não estamos aqui só para fazer e organizar coisas, mas, sobretudo, para nos conhecer e compartilhar nossas motivações mais profundas, aquelas que estão na base da nossa escolha de trabalhar por um mundo mais unido”, explica um dos organizadores.
Chegam de mundos diversos considerando a proveniência, cultura, religião; atuam em variados campos que vão desde a justiça até a paz e o desarmamento; até uma economia na medida do homem, até lutas ambientais, diálogo entre religiões e povos. Vêm de um verão que poderíamos definir pelo menos “empenhador”, se considerarmos o congresso gen em Amã, na Jordânia, para os gen do Oriente Médio com representantes de outros países, dizendo que cada pedaço do mundo é deles; um na Oceania; diversos campus em que aprofundaram os temas da legalidade e da ajuda aos pobres, além das escolas e férias organizadas pelo Movimento Paroquial e Diocesano. Nesta assembleia, os jovens aprendem, compartilham e projetam-se, apoiados por especialistas e muitos momentos de laboratório. Fala-se de identidade e escolha de vida com dom Vincenzo Di Pilato, de liderança e protagonismo com Jonathan Michelon, de testemunho e envolvimento com Alessandra Smerilli. Com Francisco Canzani, será aprofundado o documento Chritus Vivit, fruto dos trabalhos do recente sínodo que a Igreja Católica dedicou aos jovens.
Como bússola para esses dias, a presidente do Movimento dos Focolares indicou três palavras: unidade, coragem e transmissão. Unidade – Maria Voce os encorajou a “esquecer os diversos ‘campos’ de onde vêm, a ter um ‘amor recíproco total’ para fazer a experiência de unidade”. Coragem – “Espero de vocês essa coragem. Espero que sua coragem nos desafie, que nos prove.” Convidou-os a falar e a compartilhar, a não esconder as críticas, mas a indica-las, sempre com um espírito construtivo. Por fim, os encorajou a transmitir o carisma da unidade: “Devem se preparar a dar às novas gerações aquilo que receberam. A transmissão só acontecerá se as pessoas que vivem o carisma, que querem o carisma e que o transmitem agirem”. O percurso desses dias de assembleia resultará em um documento final que recolherá contribuições e pedidos das jovens gerações do Movimento dos Focolares comprometidas a trabalhar cada vez mais juntas.
Stefania Tanesini
1 Set 2019 | Sem categoria
Começou como uma escola para surdos-mudos, mas o IRAP é muito mais: entre as suas paredes, todos encontram um lar e, ao longo dos anos, surgiram oficinas de doces e de artesanato que geraram emprego e espaços de convivência. Uma história que diz que a integração não é uma exceção, mas a vida diária e o destino do povo libanês. https://vimeo.com/343607566
16 Ago 2019 | Sem categoria
#intimeforpeace – em tempo para a paz: é o hashtag que exprime o empenho dos jovens dos Focolares para o próximo ano e o foco de laboratórios, workshop e cursos em diversas partes do mundo, começando por Loppiano (Itália). Até maio de 2019 concentraram-se em ações e campanhas por uma Economia mais humana, de comunhão, atenta a quem vive em necessidade. Há alguns meses, os jovens dos Focolares começaram a trabalhar também nos vários âmbitos da Justiça. Sim, porque Economia e Justiça são os dois primeiros steps de Pathways for a United World: seis percursos com a duração de um ano cada um, sobre os quais se concentra o empenho e a ação dos Jovens por um Mundo Unido (JPMU) em todas as latitudes. “Cada ano enfrentamos um desafio diferente sem esquecer o compromisso assumido no ano precedente” – explica um dos organizadores – “o nosso empenho vai desde a economia até a política, a justiça, a arte, o diálogo entre as culturas e o desporto. Estamos realizando ações, colaborações e projetos baseados na fraternidade, com um impacto local que visa ao global”. “In time for peace” é o slogam que resume o empenho para o próximo ano. Enquanto isso realizam-se muitas atividades de formação e troca “mundial” de experiências dos Gen e dos JPMU sobre os temas da justiça, da paz, da legalidade e dos direitos humanos. De 7 a 22 de julho, em Loppiano (Itália), realizou-se uma Summer School com 40 jovens de muitos países, entre os quais Coreia, Hong Kong, Malta, Escócia, Itália, Brasil, Cuba, Myanmar, Polônia, Colômbia. Maria Giovanna Rigatelli, advogada, da rede de Comunhão e Direito, uma das especialistas presentes, evidenciou a importância de experiências deste tipo que permitem aos jovens de mergulharem tanto no patrimônio cultural como nas feridas dos diversos países com os quais entram em contato. «A situação mundial tem carência de conhecimento dos valores dos direitos dos homens. Durante a escola emergiu a importância do compromisso pessoal para contribuir, por exemplo, em relação ao drama das duas Coreias, ou em relação àquele de Hong Kong. Em muitos pontos do mundo pode-se acender uma luz com o nosso empenho». «A nossa nação é dividida em duas – comentou Y., coreana – e temos muitas feridas que porém não justificam essa divisão. Para ter a paz devemos aprender a dialogar. Durante a escola pensei: se continuamos a amar, amar, amar, talvez, no fim conseguiremos a reunir as duas Coreias!». Em relaçao à crise que está vivendo o seu país, D. explicou: «Antes da minha viagem para cá, aconteceram muitas coisas em Hong Kong que me fizeram pensar que a paz poderia não ser o único modo para resolver os problemas e que, talvez, às vezes, precisamos usar a violência. Sentia-me frustrado. Mas fiquei feliz com o que vivi aqui e pelas diversas pessoas que me falaram de paz. Este ano, vamos aprofundar e viver o “pathway” (caminho) dedicado aos direitos humanos, à justiça e à paz. Portanto, pergunto-me: é certo usar a violência, que as pessoas sejam feridas ou morram? Aqui, aprendi como amar os outros e como realizar o amor verdadeiro entre nós. Sei que percorrer o caminho da paz é dificil, mas penso que devemos procurar realizá-la sem usar a violência. Quando voltar para casa, quero viver aquilo que aprendi e experimentei em Loppiano para amar as pessoas em Hong Kong, também aquelas que odeio».
Stefania Tanesini
14 Ago 2019 | Sem categoria
A riqueza material às vezes pode ocupar o nosso coração e gerar uma crescente ansiedade por possuir mais ainda, uma verdadeira dependência. A partilha dos bens materiais e espirituais com quem necessita, ao invés, permite experimentar uma liberdade verdadeira: é este o estilo de vida cristão que testemunha confiança em Deus Pai e edifica sólidos alicerces para a civilização do amor. Um presente de Deus David, o nosso quarto filho, parecia ter nascido normal. Pouco depois os médicos nos revelaram que ele era Down. Naquele instante duríssimo, meu marido e eu nos recordamos que havíamos aceitado David, desde o momento da sua concepção, como um presente de Deus. A irmã maior, ao saber da notícia, escreveu em seu diário: “Quero ser, para o David, não somente a irmã mais velha, mas também sua mãe”. Cercado por um grande amor, David continua a fazer muitos progressos. Vai regularmente à escola e é muito afetuoso, sempre entusiasmado pela vida. A sua felicidade é contagiosa. Enfim, revelou-se um verdadeiro presente de Deus. (Jaqueline – Escócia) Na prisão Na minha cela havia um rapaz que não tinha dinheiro e, para comer, tinha se apropriado da vasilha de um outro detento que o ameaçou e o obrigou a pagar três Naira. Ele começou a pedir esse valor aos outros companheiros. Eu só tinha cinco Naira que me serviam para comprar comida. Mas lembrei-me do Evangelho e entendi que para amar a Deus devia amar aquele companheiro. E então dei a ele o meu dinheiro. Mais tarde alguém levou comida para mim, na cela (Sylvester – Nigéria) O jantar Esta noite, logo que voltei da universidade, como sempre me sentei na frente da televisão esperando que minha mãe, que assistia o seu programa preferido, se levantasse para preparar o meu jantar. Depois pensei: dias atrás eu ouvi três estudantes de medicina falarem do Evangelho, eles salientavam a importância de fazer a vontade de Deus durante o nosso dia. Então me levantei e fui para a cozinha preparar o jantar. Foi o meu primeiro ato de amor consciente. (T. C. – Itália) Os alicerces do nosso matrimônio Depois de casados, apesar de nos querermos bem cada um de nós continuou “o mesmo de antes”, cada um com os seus hábitos. Um dia apareceram as divergências sobre a maneira de preparar um típico prato Tcheco. Naquela ocasião a distância que se criou foi tão grande que tomamos uma decisão: devíamos nos acolher assim como somos, sem querer mudar um ao outro. Talvez aquela tenha sido a oportunidade de colocar os alicerces do nosso matrimônio. Agora que somos avós procuramos transmitir aos nossos netos a mesma experiência, reconhecidos a Deus que nos abriu os olhos. (J. e T. – Boemia)
Aos cuidados de Chiara Favotti
13 Ago 2019 | Sem categoria
Na Mariápolis Europeia, a história de uma amizade possível que lança sementes de paz Abrir-se e “escolher um estilo de vida inclusivo”. Abrir-se para reconciliar-se com o outro e descobrir a pérola que está dentro de cada homem. Abrir-se como Jesus, que foi ao encontro de todos, e deixar agir o Espírito Santo “que se alegra na diversidade, mas persegue a unidade”. É essa a estrada que o Rev. Ken Newell, ministro presbiteriano em Belfast, capital da Irlanda do Norte, percorre há muitos anos. Uma terra que ainda hoje sofre com as feridas deixadas pelo conflito que, desde o fim dos anos 60, durante 30 anos, viu se contraporem unionistas e separatistas: os primeiros, protestantes, defensores da permanência no Reino Unido; os segundos, católicos, defensores da reunificação entre Irlanda do Norte e do Sul. Um conflito de origem política que envenenou o tecido social, transformando as cidades em terreno de batalha e levando à “segregação religiosa”: protestantes e católicos vivem em bairros diferentes, as comunidades não se encontram, há desconfiança e preconceito. Não foi fácil para o reverendo Ken tentar construir pontes. Teve de fazer o primeiro trabalho ele mesmo: “Cresci em Belfast, em uma comunidade protestante e unionista”, contou na Mariápolis Europeia, “nos meus primeiros anos de vida, fui moldado pela cultura da minha comunidade (…); muitas coisas eram saudáveis, boas e serenas; outros aspectos, no entanto, me influenciaram a ter atitudes negativas com relação à comunidade católica, irlandesa e nacionalista; para superar isso, foram necessários alguns anos”. Um percurso que viu abrir-se lentamente e descobrindo a beleza da diversidade. Como quando na Holanda o encontro com um sacerdote o convenceu a participar de uma missa. Ou na Indonésia, onde, sendo professor de um seminário do Timor, pôde imergir em um país diferente, com língua, comida e cultura próprias. “Comecei a perceber que, justamente como há cores diferentes em um arco-íris, assim também Deus criou a raça humana com uma diversidade incrível; valorizar a cultura de Timor me ensinou a valorizar o bem dentro da minha cultura”. No vínculo com o sacerdote Noel Carrel, houve a descoberta de uma amizade possível: “percebemos que estávamos no Timor para servir o único Cristo, que tínhamos o mesmo pai celeste e éramos irmãos. Eu me perguntava se teria sido possível ter um amigo assim na Irlanda no Norte”. E disso saiu uma consciência clara: “O Espírito Santo fez com que eu me abrisse à ‘diversidade’ do outro lado do mundo e me impulsionou a procurar o melhor da cultura e da espiritualidade católica irlandesa”. Ao voltar a Belfast, em 76, foi chamado a comandar a Igreja presbiteriana de Fitzroy: seu estilo de vida inclusivo era contracorrente. Em um dos momentos mais difíceis do conflito, seu convite a construir novas relações foi acolhido pelos membros de um mosteiro redentorista em Clonard: assim nasceu a Clonard-Fitzroy Fellowship. A amizade humana e espiritual com o Padre Gerry Reynolds, que dirigia a Comunidade de Clonard, “companheiro na construção da paz”, dá vida a muitas experiências de partilha: “Começamos a ir juntos aos funerais de policiais assassinados por terroristas e de civis inocentes assassinados por grupos paramilitares legalistas; é raro ver ministros protestantes e sacerdotes católicos juntos em funerais para confortar os familiares dos falecidos”. E depois de participar das celebrações um do outro, P. Gerry e Rev. Ken começam a participar juntos de matrimônios entre pessoas de Igrejas diferentes. E tornou-se possível outro passo impensado: o sacerdote e o ministro foram convidados a encontros com os líderes políticos dos lados que lutavam, para chegar a um cessar fogo e adotar políticas de paz. Pouco a pouco, políticos dos principais partidos da Irlanda do Norte, o Partido Democrático Unionista (DUP), que defende permanecer no Reino Unido, e o Sinn Fein, que defende a união das Irlandas, reconhecem na Clonard – Fitzroy Fellowship um “espaço seguro” para confrontar-se. Cresce o desejo de reconciliação que levará, em 2007, ao “milagre de Belfast”: “em Stormont, o palácio do governo da Irlanda do Norte”, conta o Rev. Newell, “o Rev. Ian Paisley, primeiro ministro do poder executivo dividido, e o vice primeiro ministro, Martin McGuinness, ex-comandante do IRA, desceram a escada de mármore, sentaram-se lado a lado diante da imprensa mundial e dirigiram-se ao povo da Irlanda do Norte; falaram de sua determinação em conduzir o país para um futuro melhor e mais reconciliado”. Era a aurora de um novo dia. A Clonard-Fitzroy Fellowship, que já opera há 38 anos e inspirou milhares de iniciativas similares, recebeu em 1999 o prêmio internacional de paz Pax Christi.