A fraternidade na política
Bratislava, 19 maio 2001. Chiara a un grupo de parlamentarios eslovacos: “La fraternidad en política”.
Julho 2012
“A quem tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a quem não tem será tirado até o que tem”.
Qual é, então, o significado dessas palavras? Jesus nos convida a abrirmos nosso coração à Palavra que Ele veio anunciar e da qual nos pedirá contas no final da vida.
Os textos evangélicos mostram que o anúncio dessa Palavra é o centro dos anseios e de toda a atividade de Jesus. Vemos como Ele vai de cidade em cidade, pelas ruas e praças, pelos campos, às casas e sinagogas, anunciando a mensagem da salvação, dirigindo-se a todos, mas especialmente aos pobres, aos humildes, àqueles que tinham sido marginalizados. Ele compara a sua Palavra à luz, ao sal, ao fermento, a uma rede lançada ao mar, à semente jogada na terra. E haverá de dar a sua vida para que o fogo contido na Palavra se alastre.
“A quem tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a quem não tem será tirado até o que tem”.
Jesus espera a transformação do mundo pela Palavra que Ele anunciou. Consequentemente, Ele não aceita que, diante desse anúncio, alguém fique numa posição de neutralidade ou morno ou indiferente. Não admite que um dom tão grande, uma vez recebido, possa permanecer improdutivo.
Para deixar bem clara sua exigência, Jesus reafirma uma de suas leis, que é o fundamento de toda a vida espiritual: se alguém coloca em prática a sua Palavra, Ele o introduzirá cada vez mais nas riquezas e alegrias incomparáveis do seu Reino; por outro lado, se alguém não der importância a essa Palavra, Jesus a tirará dele e a entregará a outros para que ela frutifique.
“A quem tem será dado ainda mais, e terá em abundância; mas a quem não tem será tirado até o que tem”.
Essa Palavra de Vida nos alerta, portanto, contra um grave erro em que poderíamos cair: acolher o Evangelho, considerando-o talvez apenas como objeto de estudo, de admiração, de debates, mas sem colocá-lo em prática.
Jesus, pelo contrário, espera que nós acolhamos a Palavra e a transformemos em vida dentro de nós, deixando que se torne a força que permeia todas as nossas atividades; e que, desse modo, através do testemunho de nossa vida, ela seja aquela luz, aquele sal, aquele fermento que, aos poucos, transforma a sociedade.
Então, durante este mês, vamos evidenciar uma das muitas Palavras de Vida do Evangelho e colocá-la em prática. Assim a nossa alegria será acrescida de mais alegria ainda.
Chiara Lubich
Esta Palavra de Vida foi publicada originalmente em julho de 1996.
Irlanda: Reunião com a comunidade
Encontro aberto de Maria Voce e Giancarlo Faletti com o Movimento dos Focolares.
Uma mensagem de Belfast: confiança!
Belfast é um lugar de fronteira, onde é viva a recordação de uma separação vivida por anos: as grades, os muros, nas ruas principais as marcas do “The troubles” (“os problemas”), as desordens dos anos 1970/1990. No cenário dessa história, onde a luta política misturou-se à luta de religião, teve um grande impacto o que aconteceu neste dia 14 de junho.
Na Catedral de Santa Ana, coração da Igreja da Irlanda (denominação oficial da Igreja Anglicana local), cerca de 300 pessoas responderam ao convite do reverendo John Mann, Decano da Catedral. Foi ele que pediu a vinda de Maria Voce a Belfast, estendendo assim as fronteiras do Congresso Eucarístico. Estavam presentes os líderes das quatro denominações cristãs mais representativas da Irlanda do Norte: o presidente Metodista, Rev. Lindsay; o bispo anglicano de Connor (diocese onde está Belfast), Rev. Abernethy; o ex-moderador presbiteriano, Rev. Dr. Dunlop – que trabalhou muito pela paz na Irlanda do Norte -; o bispo católico de Down & Connor, D. Treanor.
Vê-los juntos falava por si só. Importante o pacto solene que assinaram, com o compromisso de amar-se reciprocamente como Jesus mesmo nos amou. Pediram a graça da unidade, para serem capazes de considerar os sofrimentos dos outros como próprios e de partilhar as alegrias.
Este “pacto do amor recíproco” foi repetido por todos os presentes. Ruth Patterson, ministro da Igreja Presbiteriana, falou de “sacramento do encontro”, para descrever esse momento: “Pareceu-me que o que dizíamos estava já acontecendo. É um passo adiante rumo à reconciliação”.
No seu discurso, Maria Voce propôs que fosse vivida uma cultura da confiança, como base para construir relacionamentos de fraternidade: “Nestes dias escutei muitas histórias, conheci muitas pessoas. Muitas, com lágrimas nos olhos, vieram me falar do próprio desejo de recomeçar a partir da confiança no outro”. Para explicar como promover essa cultura, Maria Voce deteve-se em três elementos próprios da espiritualidade da unidade – a arte de amar, que pode-se descobrir no Evangelho; o amor recíproco que desabrocha num pacto; e Jesus crucificado e abandonado, modelo e chave do amor – demonstrando-os com testemunhos, seja da Irlanda seja de várias partes do mundo.
E como ressoou entre os presentes a “provocação” a converter-se para uma cultura da confiança? “É o modo de progredir para além das barreiras que impusemos a nós mesmos e que nos prendem demais” – declarou o rev. Mann.
Conleth, 14 anos, disse: “Nós jovens não estamos tão condicionados pelo passado, por isso somos os primeiros que podem viver a cultura da confiança com todos, e assim construir uma sociedade melhor. Como uma fênix que renasce das suas cinzas, vejo nisso uma esperança para Belfast e para a Irlanda do Norte”.
“Saio daqui com uma enorme gratidão para com aqueles que por anos viveram essa esperança, por quem construiu pontes de caridade, de relacionamento – declarou o copresidente dos Focolares, Giancarlo Faletti -. Certamente essa é uma obra ainda não terminada, mas é uma obra profética; este é um lugar simbólico para a Europa, para a humanidade”.
Uma dessas pessoas, que já viveu a cultura da confiança, é Gerry Burns. Com sua esposa, Mary, numa pequena cidade no norte da Irlanda, Armoy, ele constituiu, ainda na década de 1990, uma associação para unir as pessoas, além da religião e da política. E nunca pararam diante das dificuldades, nem quando a sede deles foi queimada, em 2000, e nem quando eram vistos como traidores pela sua própria comunidade. Agora o centro da associação é ainda maior e as pessoas convivem pacificamente. Há muitos projetos em curso. “Aprendemos da espiritualidade da unidade – conta Gerry – não apenas a superar as diferenças, mas que podemos tirar bom proveito das diversidades”.
Da enviada Maria Chiara De Lorenzo
