Movimento dos Focolares

Evangelho vivido: “Vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco” (2 Cor 13,11) 

Deixar que Deus habite em nós: este é o ponto de partida para proteger e testemunhar com alegria o valor inestimável da unidade e da paz, na caridade e na verdade, para enriquecer-nos e ser sementes de bem e de fraternidade para o mundo. Sem medir o ódio Moro em uma pequena cidade da Ucrânia, na fronteira com a Eslováquia. Aqui não chegam bombas, mas as suas terríveis consequências: desabrigados com as suas necessidades, é preciso encontrar tochas e velas, remédios, cobertores… uma grande escuridão desceu sobre a nossa terra. As notícias de quem trai, de quem se enriquece nestas situações trágicas, de quem desfruta os outros, dos chacais… são coisas de todo dia. Quando o mal triunfa ele não tem regras, não tem limites. Mas, apesar de tudo, acontece algo diferente: as pessoas daqui sentem-se parte do sofrimento dos outros e buscam soluções. Nas famílias, retornou a necessidade do calor, da proteção e da solidariedade. Assisto ao paradoxo de uma guerra do mal e do triunfo do bem. Contamos, entre nós, a história de Chiara Lubich e das suas primeiras seguidoras: elas também começaram durante uma guerra e não mediram o ódio, mas acenderam o bem que depois de espalhou por toda parte. Verdadeiramente, as forças do mal não irão prevalecer. A nossa gratidão é uma verdadeira oração que se levanta até o céu, como um canto de louvor a Deus que é Amor. (S. P. – Ucrânia) Uma corrente de amor Na sala de espera do meu salão é costume que as clientes troquem notícias entre si, e como há algum tempo eu não via uma senhora idosa, Adele, que periodicamente vinha até nós, pedi suas notícias a uma das clientes. Assim vim a saber que Adele estava gravemente enferma e, levada pelo desejo de revê-la, um dia decidi fazer-lhe uma visita. Encontrei dona Adele, sozinha e sem parentes, em um estado de completo abandono, e logo comecei a circular um pedido de ajuda.  Procurando alguém que pudesse lhe fazer companhia, logo três clientes responderam positivamente. Começou uma verdadeira competição de cuidados, até que o filho de uma delas conseguiu a internação em uma casa que lhe garantia assistência e tratamentos. Eu também me ofereci para prestar o meu serviço como cabelereira, não só para Adele, mas para todas as senhoras que desejassem. A história de Adele me demonstrou que basta começar, com atos concretos de caridade, depois a corrente de amor se desenrola veloz e eficazmente. (F.d.R. – Itália) Uma escola de solidariedade No deserto, fora da cidade do Egito onde me encontro, vivem 1000 pessoas doentes de lepra. Até poucos anos atrás ninguém sabia desta colônia. Fomos verificar a situação e descobrimos que para eles faltava tudo. Nem os médicos iam visitá-los. Entramos de acordo com a Cáritas, abrimos o nosso grupo a outros jovens, cristãos e muçulmanos, e com eles vamos para lá, nos dias livres do trabalho. Dois de nós, estudantes de medicina, ocupam-se da assistência médica, e para isso procuraram se interessar pelos métodos de cura da lepra. Outros colocaram à disposição o próprio tempo para pintar as casas e torná-las mais habitáveis. Um jovem jornalista publicou alguns artigos em vários jornais e revistas, para informar e sensibilizar o máximo de pessoas possível sobre o problema. Mais do que tudo, percebemos que os doentes daquela colônia precisam de alguém que os escute, e isso, para eles, é quase mais importante do que os remédios. Esta experiência se tornou uma verdadeira escola para nós, ela nos faz entender que cada um pode dar sua própria contribuição para os outros. (H.F.S.- Egito)

Aos cuidados de Maria Grazia Berretta

(retirado de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, anno IX – n.1° maio-junho 2023)

World Meeting on Human Fraternity: a fraternidade como ação compartilhada

World Meeting on Human Fraternity: a fraternidade como ação compartilhada

No dia 10 de junho de 2023 aconteceu, no Vaticano, o World Meeting on Human Fraternity, encontro internacional sobre a fraternidade humana, do qual o Movimento dos Focolares participou juntamente com outros movimentos eclesiais, organizações internacionais e associações. A presidente do Movimento, Margaret Karram, foi representada por alguns focolarinos, entre os quais Christian Abrahao da Silva, que nos fala das suas impressões. Promover um processo participativo para ajudar a redescobrir o significado da fraternidade e construí-la por meio do diálogo, do conhecimento, momentos de encontro, palavras e gestos compartilhados. Foi com este objetivo que se realizou, dia 10 de junho passado, o World Meeting on Human Fraternity, encontro internacional sobre a fraternidade humana, promovido pela Fundação Fratelli Tutti e pela Basílica Papal de São Pedro, sob o patrocínio do cardeal Mauro Gambetti, Arcipreste da Basílica Papal de São Pedro, no Vaticano, Vigário Geral do Santo Padre para a Cidade do Vaticano. O evento teve a sua inspiração na Encíclica Fratelli Tutti e contou com a presença de vários Prêmios Nobel da Paz, personalidades da ciência, da cultura, do direito, associações e organizações internacionais, que tiveram o papel de elaborar um “Chamado ao compromisso pela Fraternidade Humana”. O documento, lido por dois Prêmios Nobel, Nadia Murad e Muhammad Yunus, durante o festival realizado na Praça de São Pedro, foi assinado pelo Secretário de Estado, cardeal Parolin, em nome do Papa Francisco, e pelo grupo que o elaborou. Christian Abrahao da Silva, focolarino que participou do encontro, conta-nos como foi aquele momento. Christian, o que significou para você participar deste momento mundial dedicado à fraternidade? Antes de tudo foi uma grande honra. Corres Kwak, focolarina, e eu, fomos chamados a representar a presidente do Movimento dos Focolares, Margaret Karram, e todo o Movimento, durante este evento que tinha um objetivo nobre, o de promover a fraternidade e a amizade social entre as pessoas e entre os povos, como antídoto às muitas formas de violência e de guerras que existem no mundo. O encontro se desenrolou em dois momentos: na parte da manhã, na antiga sala do sínodo, com a presença de representantes de vários movimentos eclesiais e associações. À tarde aconteceu um grande festival, na Praça de São Pedro, ao qual se conectaram várias outras praças, pelo mundo. Como foram abertos os trabalhos? Durante a manhã participamos de duas mesas de trabalho, quando, essencialmente, nos foi pedido para responder a duas perguntas: “o que fazemos concretamente para alcançar a fraternidade social e a fraternidade ambiental?” e “existe um nós?”. Foram momentos muito bonitos e participados. Falou-se muito sobre o conceito do jardim, referindo-se ao Jardim do Éden, citado pelo Papa Francisco na Fratelli tutti. As palavras mais pronunciadas foram: compaixão, responsabilidade (política e econômica), partilha, promoção integral, reconhecimento de cada pessoa humana, cuidado, acolhida. Uma verdadeira experiência eclesial, com a esperança que possa ser capilarmente testemunhada a necessidade de redescobrir e fortalecer a fraternidade humana. O que tocou vocês, de modo especial? Além do grupo dos Prêmios Nobel da Paz, e o dos movimentos eclesiais e associações, havia um grupo de 30 jovens estudantes, provenientes de várias escolas italianas, acompanhados por seus professores de religião, que tinham participado de um concurso com várias expressões artísticas, que exprimiam com criatividade a temática deste Encontro. A presença deles deu um toque importante, mostrou o compromisso das novas gerações na educação à fraternidade. Além disso, as experiências narradas no palco do festival, durante a tarde, e alguns artistas que, gratuitamente e com alegria, mostraram os seus talentos, foram uma grande contribuição. O que o Movimento dos Focolares leva consigo, depois deste evento? O Papa Francisco volta a lançar a fraternidade como um novo paradigma antropológico sobre o qual reconstruir ações e leis, porque “a fraternidade tem algo positivo para oferecer à liberdade e à igualdade” (Fratelli tutti, n. 103). Esta ideia nos fez relembrar um discurso de Chiara Lubich intitulado “Liberdade, igualdade… o que foi feito da fraternidade?”. Sim, este foi um daqueles eventos que nos chamam a lançar-nos, cada vez mais, no ponto central do nosso carisma da unidade. Além disso, explicando a ideia do evento, o cardeal Gambetti realmente tocou a essência, definindo-o como “processo e experiência, como primeira etapa para ajudar a redescobrir o significado da fraternidade e construí-la culturalmente, porque ela não acontece biologicamente, a fraternidade necessita de encontro e de diálogo, de conhecimento, de palavras e gestos compartilhados, de linguagens comuns e de experiência de beleza”.

Maria Grazia Berretta

Benedetti dubbi: um podcast para explorar as nossas perguntas

Benedetti dubbi: um podcast para explorar as nossas perguntas

No dia 23 de maio de 2023 será lançado o primeiro episódio de “Benedetti dubbi” (“Benditas dúvidas”, em tradução livre), o novo podcast dos jovens do Movimento dos Focolares. Descobrimos com os idealizadores do projeto, Tommaso Bertolasi e Laura Salerno, como as dúvidas podem ser uma “bênção” para conhecer melhor a nós mesmos e aos outros. A que somos chamados? Qual é o melhor caminho a seguir diante de uma das tantas bifurcações que a vida nos coloca? Conhecemos a nós mesmos e, sobretudo, onde esconderam o antídoto contra os nossos medos? Essas perguntas que surgem no nosso cotidiano são as protagonistas de “Benedetti dubbi”, o novo podcast pensado para os jovens e pelos jovens, que será lançado no dia 23 de maio em italiano. Para saber mais, pensamos em entrevistar os idealizadores desse projeto e amigos de longa data Tommaso Bertolasi, pesquisador de filosofia no Instituto Universitário Sophia (Loppiano, Florença), e Laura Salerno, jovem do Movimento dos Focolares, estudante de letras e escritora. Laura, como se iniciou este percurso? Tudo começou em 2018. Tanto eu como Tommaso estávamos na Argentina e nos encontramos em um congresso para jovens do Movimento dos Focolares. Ele, como filósofo, havia sido chamado para falar sobre liberdade. Eu o escutei e gostei muito. No decorrer dos anos, Tommaso continuou a dialogar com e para os jovens, tanto que decidiu reunir alguns conteúdos em um livro intitulado “L’ultima ora della notte” (“A última hora da noite”, em tradução livre), que será lançado pela editora Città Nuova em agosto de 2023. E dali surgiu a ideia: “Mas se vai sair um livro, por que não fazer também um podcast que trate dos mesmos assuntos?”. E assim, há alguns meses, ele me telefonou e veio com a proposta de ajudá-lo a dar vida a este projeto. Tommaso, por que um podcast? Às vezes, as ideias são como um coquetel: surgem da mistura de várias coisas. E foi assim com “Benedetti dubbi”. A um certo ponto, me vi com um material variado nas mãos, a maior parte preparado com os jovens, para encontros, laboratórios e diálogos. Então, surgiu a ideia de não limitar a um espaço temas tão importantes como liberdade, escolhas, fragilidade, vocação, mas poder oferecê-los a todos. E me parecia que poderíamos explorar também outras linguagens e outros meios e assim surgiu o podcast. Eu tinha o desejo de criar um formato mais adaptado aos jovens que têm mais dificuldade em ler hoje em dia; ou leem depois que são convencidos de que vale a pena. Um elemento a mais neste trabalho foi dado pela JMJ, que ditou um pouco o prazo desta operação. Achei que seria legal que pudesse surgir uma proposta do Movimento dos Focolares para quem está se preparando para ir a Lisboa. Será lançado um episódio por semana, por seis semanas, nas principais plataformas de podcast (Spotify, Apple Podcast, Google Podcast). Laura, o posdcast é voltado para qual faixa etária? Pensamos em um público-alvo de 18 a 30 anos e, por isso, os temas principais são as perguntas, fragilidades, liberdade, relacionamentos, a busca pelo próprio lugar no mundo. Tudo isso buscando ver a dúvida como uma coisa positiva, como um trampolim para viver mais profundamente e com mais consciência o que acontece na nossa vida. Tommaso, como vocês estabeleceram os temas a serem abordados em cada episódio? A minha ideia inicial era replicar o conteúdo do livro, fazendo uma paráfrase. Porém, trabalhando com a Laura, percebi que as perguntas dela levavam a uma conversa sobre outros territórios, que os jovens em quem ela pensava eram seus colegas universitários que não necessariamente têm uma determinada crença religiosa. Entendi que a Laura tinha perguntas profundas que, em parte, eram suas, em parte, espelhavam seu círculo: era dessas perguntas que precisávamos partir para construir um discurso a ser feito a jovens adultos. Para você, Laura, qual foi o episódio mais complicado? Acho que o episódio mais complicado foi o primeiro. Nós dois estávamos um pouco emocionados, e tínhamos que introduzir o podcast, fazer as pessoas entenderem por que achamos que é tão importante se questionar, porém sem viver na ansiedade e na paranoia. Uma curiosidade é que, quando gravamos os primeiros episódios, eu estava muito resfriada e tinha tido febre poucos dias antes. Tudo sempre acontece justamente nesses momentos! Mas conseguimos, também graças ao supertime que nos apoiou durante as gravações. Tommaso, qual foi a sua experiência pessoal ao realizar esse percurso? Aprendi muito com todas as pessoas de competências diversas que trabalharam neste projeto. Realmente fazer o “Benedetti dubbi” foi uma operação coletiva. Para ficar por dentro também de outros projetos que já programamos, fiquem de olhos nos canais do Movimento dos Focolares. E esperamos o feedback de vocês depois de escutar o podcast no box do Spotify, nas nossas redes sociais (@Y4UW e Movimento_dei_focolari) ou por email (ufficio.comunicazione@focolare.org).

Maria Grazia Berretta

Evangelho vivido: “Que o amor fraterno vos una uns aos outros com terna afeição, estimando-vos reciprocamente” (Rm 12,10)

Nestas palavras de São Paulo, a fraternidade é um chamado ao bem, à vida que vem do batismo, e esta consanguinidade no amor nos permite olhar para a existência do outro como um precioso dom para nós. A nota Eu estava no terceiro ano do ensino médio e tinha uma prova oral de física, bem importante. Comecei a estudar com empenho, certa de que no dia seguinte iria ser interrogada (eu era a única da turma que ainda não tinha a nota do fim do semestre). Pouco depois, a minha irmãzinha veio me pedir ajuda para o seu estudo. Eu logo quis recusar, mas depois lembrei o que São Paulo recomenda: alegrar-se com quem se alegra, chorar com quem chora. Então comecei a estudar com a minha irmã. Precisou a tarde inteira para que ela se sentisse preparada e assim eu tive tempo só de abrir o meu livro de física. No dia seguinte fui para a escola tremendo um pouco, mas convicta de que Deus iria intervir de alguma maneira. O professor entrou e começou a fazer as perguntas a outros meus colegas. No final da aula perguntei porque ele não tinha me chamado. Ele olhou o registro e me disse: “Mas você já tem a nota, e é uma boa nota”. Eu sabia que não tinha feito a prova oral, mas ele tinha dado a nota por algo que eu havia dito anteriormente, durante as aulas. (S. T. – Itália) Como enfrentar o dia Um homem, cadeirante, estava pedindo esmola perto dos carrinhos do supermercado. Na saída eu me aproximei dele e, depois de ter conversado um pouco, disse que ele poderia escolher, das minhas compras, aquilo que precisava. Ficou feliz, pegou alguma coisa e logo começou a comer. Quando me despedi dele senti uma alegria que depois me ajudou a enfrentar os desafios do dia, que tinha começado já bem pesado. Por aquele simples fato eu percebi que fazer um ato de amor concreto é um bom início de dia. Comecei a fazer assim, vencendo muitos hábitos e surpreendendo não apenas o meu marido, mas principalmente os filhos que não se dão conta das coisas que recebem porque pensam ter esse direito. Uma noite, a notícia de um tio que estava gravemente doente criou um grande silêncio na família. O nosso filho mais velho, que está na universidade, perguntou o que poderíamos fazer por ele. Quem respondeu foi a filha menor: “Devemos fazer como a mamãe, que coloca amor em tudo o que faz. Só assim vamos descobrir o que nosso tio precisa”. (L. D. F. – Hungria) Adele “Bipolaridade”. Não podia imaginar que Adele, minha querida colega de colégio, tivesse uma doença tão séria. Foi a mãe dela que me explicou. Depois de um período no hospital, nos dias em que estava instável, ela mesma não entendia o que lhe estava acontecendo. Os remédios deviam ter um efeito equilibrado e isso exigia tempo. Mas o meu afeto e estima por ela não mudaram. Fiquei surpresa no dia em que me pediu para rezarmos o terço. Parecia que na oração a sua concentração fosse perfeita. Desde aquele dia começamos a ler livros de espiritualidade, ou histórias que tivessem um conteúdo positivo. Eu tinha a impressão que minha amiga entendesse tudo mais profundamente do que eu. Quando falávamos de certos assuntos, eu via nela um altruísmo sem limites. Entramos juntas em um grupo de voluntariado para ajudar pessoas pobres. Adele readquiriu vida, equilíbrio, coragem. Sabia estar próxima de quem precisava, mais do que ninguém. A experiência com ela me fez ver, com mais evidência, que a verdadeira realização da pessoa está na caridade. (P. A. M. – Itália)

Aos cuidados de Maria Grazia Berretta

(retirado de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, ano IX – n.1° maio-junho 2023)

Tramas do amor: um projeto para cultivar os sentimentos bons

Tramas do amor: um projeto para cultivar os sentimentos bons

Ocorreu no último dia 12 de maio, no teatro Cuminetti di Trento (Itália), a premiação da terceira edição do concurso para escolas “Uma cidade não basta. Chiara Lubich, cidadã do mundo”, do qual participaram 136 trabalhos. Compartilhamos com vocês a entrevista com Cinzia Malizia, professora do 1º A do I.C. Camerano – Giovanni Paolo II – Sirolo (Ancona-Itália), que ficou em primeiro lugar na categoria de escolas primárias. “Trama de amor”: esse é o título do gráfico-multimídia vencedor da categoria primária da terceira edição do concurso nacional para escolas 2022-2023 “Uma cidade não basta. Chiara Lubich, cidadã do mundo”, promovido pelo Centro Chiara Lubich em colaboração com o Ministério da Educação e Mérito, a Fundação Museu Histórico do Trentino e New Humanity, do Movimento dos Focolares. Quem fez esse vídeo foram as crianças do 1º A do I.C. Camerano – Giovanni Paolo II – Sirolo de Camerano (Ancona-Itália), orientados pela professora Cinzia Malizia. Professora Cinzia, como vocês ficaram sabendo desse concurso? Como fica evidenciado no vídeo que produzimos, minha classe é muito animada, às vezes até complexa e difícil de gerir. Apesar de serem crianças de 7 anos, me davam muito trabalho e, sendo também um pouco filhos da Covid, eu notava uma certa dificuldade de entrar nos sentimentos deles, em tirar deles coisas “boas”, gestos bondosos e palavras gentis. Então me perguntei: “como posso chegar ao coração dessas crianças?”. Comecei a procurar algum projeto, algum concurso entre aqueles do Miur (Ministério da educação, universidade e pesquisa) que pudesse ser útil, principalmente com alguma figura que pudesse servir de exemplo. E foi assim que cheguei a Chiara Lubich, uma figura sobre a qual ouvia falar, mas conhecia pouco. Comecei a ler a sua história e, pouco a pouco, juntamente com as crianças, construímos um percurso com o objetivo de fazê-los descobrir, principalmente guiados pela curiosidade, aquela surpresa, aquela maravilha que, infelizmente, na sociedade de hoje parece estar perdida. Com o que trabalharam em particular? Eu quis trabalhar com eles muito sobre as emoções, para entender bem o que tinham por dentro. Enfrentamos o medo, trabalhamos com a raiva, a alegria e vieram à tona muitas experiências. Começaram a falar, a se expressar do jeito deles, e aquele que era o ponto fraco da minha turma se transformou em um verdadeiro ponto forte. “No medo, encontramos a coragem”, diz o nosso vídeo e eles, por primeiro, entenderam o quanto faz bem ao coração pedir “desculpas”, dizer “obrigado” ou “bom dia”. Portanto, sinto que aquela distância inicial está começando a diminuir. Não é que agora as crianças mudaram radicalmente, são sempre aquelas que não param quietas, que gritam, que não respeitam as regras, mas começaram a fazer gestos que são pequenos, mas ao mesmo tempo, grandes, porque são parte de um percurso feito juntos. Chiara Lubich foi uma guia nesse ponto, uma figura encorajadora, quase uma “avó”, que, com sua mensagem de amor, esperança e com seu exemplo realmente trabalhou para criar um mundo melhor. Mesmo simplesmente olhar o outro com amor, sempre, independentemente da posição social, religião, cor da pele ou cultura os tocou muito. Fizeram experiências na classe, com seu colega muçulmano, e isso significa cultivar sentimentos bons, esperar uma sociedade diferente. Nós, professores, não podemos nos render. Essas crianças têm muito para dar. Como as crianças reagiram quando souberam que ganharam o prêmio? Ficaram eufóricos, realmente felizes. Trabalhamos meses e meses e acredito que eles realmente merecem. Infelizmente, não conseguimos recursos para irmos todos a Trento para a premiação. Alguns de nós conseguiram se conectar, enquanto 6 crianças foram presencialmente, acompanhadas pelas suas famílias que, com grande alegria, se colocaram à disposição para bancar a viagem. Eles também ficaram felizes com o projeto, trabalhamos tão juntos que no fim do ano vamos fazer uma apresentação sobre as emoções. Os pais mesmo colaboraram fazendo uma boa parte de todas as máscaras que as crianças usarão e levamos algumas para a premiação. Portanto nossa viagem não termina aqui. A diretora, doutora Flavia Maria Teresa Valentina Cannizzaro, me dizia no começo: “professora, são tão pequenos… eles entendem o que você diz?”, e eu espero que sim, senão, ao menos escutaram e escutar coisas boas nunca faz mal. Acredito que seja importante que as crianças entendam que antes mesmo de terem a capacidade, o que conta é ser bons, ter uma bondade de ânimo que nos permite mudar as coisas para melhor. Acredito que a experiência de Chiara Lubich realmente os ajudou.

Maria Grazia Berretta