LIVING PEACE – O dado, o Time-Out e um Professor
Anna Moznich da AMU – Ação por um Mundo Unido – explica o projeto educativo para a paz Living Peace International. https://vimeo.com/415880496
Anna Moznich da AMU – Ação por um Mundo Unido – explica o projeto educativo para a paz Living Peace International. https://vimeo.com/415880496
Jully e Ricardo, cônjuges peruanos, e a colaboradora doméstica deles: uma história de sacrifícios e dificuldades que bem cedo se transformou em puro amor através da mão de Deus
Após ter vivido uma experiência familiar na Itália, na “Escola Loreto”, a escola internacional para famílias situada em Loppiano, a cidadezinha dos Focolares na Itália, voltamos ao Peru com o desejo de viver o ideal evangélico que conhecemos lá. Nós nos estabelecemos em Lambayeque, uma pequena e tranquila cidade no noroeste do país. Assumimos uma colaboradora doméstica, Sara, que logo depois nos informou que estava grávida. Ela explicou que tinha escondido a notícia porque tinha sido despedida de empregos anteriores justamente por este motivo. Ouvindo-a nos veio em mente algo que aprendemos na escola de família: que cada situação dolorosa, Jesus assumiu e resgatou no seu Abandono na Cruz, transformando a dor em amor. Pudemos ver na situação que nos apresentou um semblante daquele abandono e a nossa resposta foi a consolar e lhe dar a certeza de que a ajudaríamos com o nascimento do seu filho. Além da gravidez, teve outras dificuldades pois o pai do filho era um soldado do exército que a tinha abandonado e, também, ela tinha fugido da casa dos seus pais por medo. Descobrimos no quartel o soldado mencionado e declararam que o tinham transferido para um quartel distante, na floresta amazônica. Não havia modo de contactá-lo. Para lhe consentir que desse à luz no hospital, pedimos ajuda ao serviço social e de modo que pudesse seguir os exames pré-natais e o respectivo parto obtido. Mas estava desesperada e pensava em dar o bebê dado que se sentia sozinha e incapaz de criá-lo. Nós a ajudamos a entender que o seu filho era um dom de Deus e que a Sua providência sempre a ajudaria. Com os nossos filhos, a ajudamos também a se reconciliar com o seu pai e a se reunir de novo com a sua família, esperando a chegada do seu filho com esperança e preparando o parto após exames médicos. Sara ficou conosco até o nascimento do seu filho e depois esteve em condições de voltar para casa. Nesta experiência vimos a mão de Deus que nos guiou para ajudar a mãe a não se separar do seu filho e a se reconciliar e receber o apoio da sua família. Enquanto morávamos em Lambayeque, sempre nos visitou com o menino e pudemos ver como cresceu. Continuamos a ajudá-lo com roupas e suprimentos. Ela e o seu pai sempre nos expressaram a gratidão deles e, a cosa mais bonita, a vimos feliz com a sua maternidade. Fica em nós uma imensa alegria na alma por termos amado esta jovem mulher como Jesus nos pede e vendo como uma situação de dor se transformou em puro amor.
Ricardo e July Rodríguez (Trujillo, Peru)
O seguinte escrito de Chiara Lubich nos ajuda a ver a nossa realidade como ela é, aos olhos de Deus, independentemente das circunstâncias externas em que podemos nos encontrar e que também podem ser muito dolorosas. Também Jesus, na hora da sua paixão, continuou a estar voltado para o Pai e a se conformar à sua vontade. E com essa atitude Ele se tornou o Ressuscitado, o Salvador. (…) Compreendemos que cada um de nós é uma Palavra de Deus que existe desde a eternidade. De fato, São Paulo diz: «Em Cristo, o Pai nos escolheu antes da fundação do mundo…»[1]. E num outro trecho, ainda falando de nós, acrescenta: «Aqueles que Ele, Deus, conhece desde sempre…». Entendemos que nós, sendo uma Palavra de Deus, devemos ter um único comportamento, o mais inteligente: estar sempre «voltados» para o Pai, como a Palavra por excelência – o Verbo –, o que significa para a sua vontade. É dessa forma que podemos realizar a nossa personalidade; é assim que alcançamos a nossa verdadeira liberdade. De fato, agindo assim permitimos que o nosso verdadeiro “eu” viva em nós. Querendo atuar perfeitamente tudo isso, podemos nos perguntar: quando é necessário assumir esse comportamento? Vocês já sabem a resposta: agora, no momento presente. É no presente que deve ser vivida a vontade de Deus. É no presente que devemos viver voltados para o Pai. Sim, no presente, que é um aspecto essencial da nossa espiritualidade, da nossa «ascese». Não podemos prescindir dele. Esse modo de viver é genuinamente evangélico. O evangelista Mateus nos apresenta estas palavras de Jesus: «Não vos preocupeis, portanto, com o dia de amanhã; pois o dia de amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu afã»[2]. (…). Recoloquemo-nos, então, no empenho de viver o presente, de viver a vontade de Deus em cada momento. (…) Lembremo-nos ainda que a vontade de Deus, que deve ser atuada em primeiro lugar e em cada momento do dia, é o amor recíproco, assim como Jesus nos amou. É através desse amor que garantimos a nossa renovação constante.
Chiara Lubich
(em uma conexão telefônica, Rocca di Papa, 21 de dezembro de 1996) Tirado de: “Quando essere rivolti al Padre?”, in: Chiara Lubich, Conversazioni in collegamento telefonico, pag. 529. Città Nuova Ed., 2019. [1] Cf. Ef 1,4-5. [2] Mt 6,34.
“Jesus foi a manifestação do amor plenamente acolhedor do Pai Celeste para com cada um de nós – escreveu Chiara Lubich – e do amor que, de consequência, devemos ter uns para com os outros. (…) A acolhida do outro, de quem é diferente de nós, alicerça o amor cristão. É o ponto de partida, o primeiro degrau para a construção daquela civilização do amor, daquela cultura de comunhão, à qual Jesus nos chama, principalmente hoje”[1]. Trabalho de pesquisa Eu estava trabalhando numa pesquisa, com um prazo determinado, quando minha vizinha bateu à porta: pedia que eu fizesse companhia ao seu marido, muito doente, enquanto ela ia fazer as compras. Eu conhecia a situação e não pude me negar. Ele começou a falar do seu passado, dos anos que lecionava… Enquanto escutava, de vez em quando me distraía pensando no trabalho que tinha interrompido. Até quando lembrei do conselho de um amigo: conseguir escutar um próximo por amor é uma arte que exige o vazio de si. Procurei fazer este exercício, estando inteiramente presente para o outro. Num certo momento, o doente passou a se interessar por mim, perguntando sobre o meu trabalho. Quando soube o que eu estava fazendo sugeriu que procurasse na biblioteca um caderno seu, com anotações feitas numa conferência justamente sobre o tema que eu estava tratando. Eu o encontrei e começamos a conversar sobre o assunto. Em pouco tempo adquiri novos elementos para visualizar com mais clareza como concluir a minha pesquisa. E pensar que tinha medo de perder tempo! (Z. I. – França) Preparar-se para… viver Quando o médico me anunciou que não havia mais nada a fazer foi como se todas as fontes de luz se fechassem e sobrasse a escuridão. Voltando para casa tomei o caminho da igreja. Fiquei lá, em silêncio, enquanto os pensamentos turbinavam a minha cabeça. Depois, como uma voz, um pensamento tomou forma na mente: “Você não deve preparar-se para a morte, mas para a vida!”. Desde aquele momento tentei fazer tudo bem feito, ser gentil com todos, sem deixar-me distrair pelo meu sofrimento, mas disposto a acolher os outros. Tiveram início dias plenos. Não sei quanto tempo me resta, mas o anúncio da morte foi como me despertar de um sono. E estou vivendo com uma serenidade que não esperava. (J. P. – Eslováquia) Transfusão direta Sou enfermeira. Por acaso vim a saber de uma pessoa internada em condições desesperadoras. Para tentar salvá-la era preciso sangue de um tipo que há vários dias não se encontrava. Comecei a agir, com os vários amigos e conhecidos, para depois continuar a busca no ambiente de trabalho. Nada adiantava. Eu estava para depor as armas. Foi então que dirigi o pedido a Jesus. “Tu sabes que procurei fazer a minha parte, mas, se queres, tu podes tudo”. Terminado o turno de trabalho no meu departamento, o médico que eu assisto tinha acabado de sair quando chegou uma jovem senhora buscando uma consulta. Não poderia mandá-la embora, quem sabe de onde vinha. Corri para chamar o médico que, ao contrário de outras vezes, se dispôs a voltar ao ambulatório. Comecei a preparar a receita e quando pedi um documento de identidade a senhora me entregou a carteirinha da Associação de voluntários doadores de sangue. Quase sem fôlego me assaltou uma pergunta: e se ela fosse daquele grupo sanguíneo? Se estivesse disponível? Foi exatamente assim e, poucas horas depois, a senhora estava na cabeceira da doente para fazer a transfusão direta. (A. – Itália)
Aos cuidados de Stefania Tanesini
(retirado de “Il Vangelo del Giorno”, Città Nuova, anno VI, n.3, maio-junho 2020) [1] Cf. C. Lubich, Palavra de Vida, dezembro de 1992, in eadem, Palavras de Vida, de Fabio Ciardi (Opere di Chiara Lubich 5; Città Nuova, Roma 2017) pp. 513-514.
Continuamos a compartilhar as histórias de solidariedade de muitos de nós, das comunidades dos Focolares nos países que ainda estão enfrentando a batalha contra a Covid-19. Se em alguns países se voltou “quase” à normalidade, em outros ao invés é ainda alto o nível de pandemia. Apesar disto, continuam a chegar histórias de fraternidade das comunidades dos Focolares ao redor do mundo. O Brasil é atualmente o país mais atingido pela Covid. Também a comunidade dos Focolares nunca deixou de pensar em quem está mais em dificuldade e nasceram ações e colaborações, inclusive em rede com outras organizações, para dar apoio a quem é mais atingido. As diversas comunidades de Focolares espalhadas em todo o país antes de tudo voltaram o olhar para dentro delas, para quem dentre eles estava sofrendo. Foi feito um rápido levantamento dos mais necessitados e, através da comunhão e do apoio econômico ou material, se prevê conseguir sustentar quem está ainda mais em necessidade por pelo menos dois ou três meses. Além disso, os empresários por uma Economia de Comunhão deram início a uma coleta de fundos para as comunidades mais carentes. Dos Estados Unidos, Matteo conta: “Quando a Covid-19 começou aqui a sua terrível e rápida difusão, como funcionários da revista Living City e New City Press nos perguntamos: o que podemos fazer, além de seguir todas as diretrizes das autoridades civis? Como podemos ajudar as pessoas a superar a crise? Imediatamente ficou claro que o ‘distanciamento social’ não deveria impedir, nós e os outros, de amar. Assim, criamos uma série de vídeos, webinars e entrevistas com a hashtag #DareToCare, para inspirar e encorajar todos a se colocarem em contato durante estas semanas árduas. Pedimos às pessoas que compartilhassem em um vídeo de 1-2 minutos como ‘ousam se preocupar’. Assim, uma mulher contou que, enquanto fazia compras, viu as pessoas tomadas pelo pânico. Todavia, ao invés de comprar duas grandes embalagens de frango que tinham acabado de chegar ao supermercado, pegou só uma para deixar a outros a possibilidade de comprar o frango.”
Já um farmacêutico decidiu ficar aberto para servir os seus clientes, mas não tinha dispositivos de proteção: “Quando começou a crise, quase não tínhamos máscaras e luvas”, disse. Então compartilhou as suas preocupações com os seus clientes, que levaram para ele máscaras que podiam poupar. E ainda, uma família de cinco pessoas gravou a sua nova rotina quotidiana: trabalhando e tendo aulas online em casa, a filha treina para se manter em forma para o atletismo do próximo ano, enquanto todos experimentam novas receitas para amar os vizinhos mais vizinhos de casa. E os vídeos continuam a chegar!” Ulrike, médica psiquiatra conta: “Sou funcionária do departamento de saúde de Augsburg na Alemanha. Atualmente a minha ocupação é ao telefone com os cidadãos. Uma vez me interessei de modo particular por uma senhora que telefonou. Insisti para vir ao encontro da solicitação da senhora, até que finalmente consegui lhe obter uma informação importante. À tarde chega um e-mail: “Prezada doutora, eu e meu marido desejamos lhe agradecer mais uma vez de todo coração pelo seu extraordinário empenho. Se todos se comportassem bem e se tornassem disponíveis como a senhora neste período tão difícil, haveria menos problemas”. De Buenos Aires, Argentina, Carlos conta que “A partir de julho de 2019, a comunidade judaica Bet El, após a morte pelo frio de um sem-teto, iniciou uma campanha em auxílio aos pobres, com o nome ‘não ter frio diante do frio’. Os nossos amigos cristãos, em particular os nossos irmãos focolares vieram nos ajudar para compartilhar o alimento para os sem-teto. O nosso, não é diálogo, é vida compartilhada”. Com o coronavírus não podiam mais sair pelas ruas. O que fazer? “Assim nasceu o projeto ‘Um prato a mais para as quarentenas famintas’. Mais uma vez juntos, judeus e cristãos, a Bet El Community e os Focolares embarcaram na sagrada tarefa de amar o nosso próximo e de não deixá-lo de lado” conclui Carlos. Em Montevidéu no Uruguai, uma diretora de escola fundamental conta: “Através de uma parceria com o Estado, ajudamos as crianças de 48 famílias para lhes dar o almoço. Com a suspensão das aulas por causa da Covid, surgiu o problema da alimentação para estas crianças. Comecei a rezar e a ter mais confiança em Deus. E assim, graças a uma fundação e a alguns amigos do Inda (Instituto Nacional para a alimentação) chegaram recursos para distribuir cestas de alimentos por pelo menos um mês”.
Lorenzo Russo
Se quiser dar a sua contribuição para ajudar aqueles que sofrem os efeitos da crise global da Covid, vá a este link
Um novo vídeo do Gen Verde dedicado à Chiara Lubich
Não é óbvio, nem superficial. Dizer obrigada a alguém é simples e profundo ao mesmo tempo. É essa a intenção com a qual o Gen Verde publicou no YouTube o novo vídeo da música “Che siano uno”. Uma música dedicada à Chiara Lubich e ao seu ideal, a fraternidade universal. Um vídeo que quer recordá-la precisamente no ano em que celebra o seu centenário de nascimento. “Com este vídeo – afirma Adriana do México – não queremos celebrar ou recordar Chiara Lubich como se faz talvez em família folheando os álbuns que contam eventos e histórias importantes; hoje está mais do que nunca no coração que tantas pessoas possam encontrá-la no hoje da sociedade, no seu-nosso ideal que se encarnou nas várias esferas da vida civil, religiosa e política. Lembramos dela porque foi ela quem deu vida ao Gen Verde, foi ela quem nos guiou nos primeiros passos, foi ela quem nos deu os primeiros instrumentos a partir do qual tudo começou! Assim como tantas de nós ficamos fascinadas por seus gestos, por suas palavras e pela sua vida, agora advertimos que devemos ser testemunhas autênticas e credíveis de sua mensagem “. Um ideal forte que nasceu sob as bombas da segunda guerra mundial, mas atualíssimo ainda mais hoje, quando a TV e as redes sociais nos falam sobre ondas de racismo e discriminação. Se a emergência covid-19 consegue discretamente ser tratada em alguns continentes, também é verdade que em outros cresceu a diferença entre ricos e pobres, negros e brancos, entre aqueles que podem pagar os cuidados médicos necessários para sobreviver e aqueles que não tem. “Estamos plenamente convencidas que a fraternidade universal – explica Beatriz da Coréia – é possível e não é utopia; é isto que experimentamos quotidianamente e tentamos transformar as nossas experiências em música. Muitas vezes, é uma questão de fazer gestos simples, mas não óbvios, que derrubam preconceitos ou barreiras culturais”. É isto que fez Chiara Lubich desde 1943, ano da fundação do Movimento dos Focolares. Passo após passo, com constância e tenacidade, juntamente com suas amigas, construiu relacionamentos novos, profundos e também revolucionários primeiro dentro da sua cidade de origem (Trento, Italia) e depois em todo o mundo. O mesmo vídeo do Gen Verde capturou importantes fotografias: Chiara junto com judeus, sikhs, hindus, muçulmanos e também entre os maiores expoentes de duas tribos dos Camarões. Imagens que contam momentos históricos e que permanecerão para sempre na história da humanidade. “Certamente o maior agradecimento que podemos dizer à Chiara – explica Nancy dos Estados Unidos – é viver pelo seu ideal; mas com este vídeo queremos de verdade dizer-lhe um obrigada imenso; é ela quem nos gerou, sem ela o Gen Verde não existiria ”. Para ver o vídeo clica aqui! https://youtu.be/A3xuaqtkOj8
Tiziana Nicastro