30 Mar 2020 | Sem categoria
Fraternidade, ternura e criatividade: os ingredientes certos para enfrentar a emergência do Coronavírus com milhares de experiências de amor ao próximo. Atingida de modo muito forte pela pandemia do Coronavírus, a Itália está vivendo uma das maiores provas depois da Segunda Guerra Mundial. Mas os italianos a enfrentam com contínuos gestos de solidariedade, fraternidade e ternura. Da província de Nápoles, escreveu-nos I.V., enfermeira no setor dos pacientes positivos ao Covid-19: “No início eu tinha medo do contágio e por isso fazia as práticas de enfermagem muito rápido. Um paciente pediu-me para ir buscar um café da máquina. Como primeira resposta, disse-lhe que não podia ir buscar. Mas depois, junto com uma colega, encontramos duas máquinas de café para todos os pacientes”. Ter de ficar em casa mudou a vida da família de Salvo e Enza com os filhos Emanuele e Marco da cidade de Viareggio. Enza conta: “Até poucos dias atrás, nossos filhos, com tantos compromissos, raramente conseguiam estar com a avó que está doente e é obrigada a ficar sempre na cama. Agora, eles ficam mais tempo com ela e procuram ajudar-me não apenas dando-lhe um copo de água. Na hora do almoço e do jantar temos mais tempo para conversar e até rir juntos”.
Na cidade de Lucca, Paolo e Daniela ofereceram-se para fazer as compras para todos os vizinhos, dando aos outros também algumas máscaras que tinham a mais. Também de Lucca, Rosa e Luigi, um casal jovem de professores com dois filhos, todos em casa neste momento, emprestaram o carro para uma família que passa por uma grave situação econômica. Em Siena, Giada e Francesca puseram-se à disposição como babysitter dos filhos de enfermieros que moram perto da casa delas, para ajudá-los. Em Pisa, Carla e Giacomo preparam o almoço para algumas famílias que moram perto da casa deles, enquanto em Arezzo há uma verdadeira disputa de solidariedade entre Rosanna, Rita e Mario para ajudar duas pessoas que não conseguem sair de casa, fazendo para elas as compras e preperando as refeições. Para ajudar os seus colegas que são de outras cidades e estão obrigados ao isolamento, Barbara, de Latina, começou a gravar vídeos nos quais ensina as suas receitas. Eles agradeceram muitos porque deste modo sentem-se mais em casa, como se estivessem em família. Emanuele e Simonetta, da Sardenha, com seus três filhos estão em quarentena há duas semanas. Escreveram: “Imediatamente percebemos que é uma oportunidade para construir relações mais profundas como família. Desde que entramos em contato com o vírus começamos a partilhar as nossas experiências na chat de um grupo com outras pessoas que vivem o mesmo sofrimento. Um dia alguns deles precisavam de alimentos. Como não podíamos fazer nada, encontramos um outro casal que imediatamente providenciou. Entendemos que não podemos parar diante das necessidades de um irmão”.
Da Sicilia, Orsolina, enfermeira, contou: “no meu trabalho na terapia intensiva cardiológica, havia uma paciente jovem com um infarto complicado. No seu olhar via o medo e o sofrimento também porque não podia ter o conforto dos familiares e dos filhos pequenos. Senti que eu poderia ser a sua família. Assim, ajudei-a na higiene pessoal, imaginando o que eu gostaria que me fizessem se estivesse no seu lugar, arrumando com muita atenção a sua cama, ajeitando os seus cabelos. O seu olhar mudou completamente, juntas experimentamos uma grande alegria, pois naquele momento éramos uma família”. Em Roma, Mascia e Mario com o filho Samuel estão descobrindo que “este vírus, para além de lembra-nos que somos todos interligados, está-nos dando a oportunidade de apreciar as pequenas coisas, de recolocar no centro a vida familiar e os afetos, de sermos criativos contra os programas pre-estabelecidos e o ritmo frenético com o qual estamos habituados”. Como representante de classe Masha procura o melhor modo para amar as famílias e as professoras, mantendo sempre viva a relação através de mensagens e telefonemas. Como disse Jesús Morán, co-presidente dos Focolares, alguns dias atrás: “Este é realmente o momento da sabedoria (…) que leva a uma inteligência da realidade iluminada pelo amor e que (…) desencadeia um formidável movimento de fraternidade. Verdadeiramente Deus pode fazer coisas grandiosas, também no meio do mal. Ele pode vencer com o seu desígnio de amor.”
Lorenzo Russo
Se quiser dar a sua contribuição para ajudar aqueles que sofrem os efeitos da crise global da Covid, vá a este link
27 Mar 2020 | Sem categoria
Nestes dias de pandemia que afligem a humanidade, muitos se perguntam onde está Deus. O seguinte escrito de Chiara Lubich nos convida a acreditar que nada do que vivemos, embora muito doloroso, escapa ao seu amor e que por detrás de cada situação existe um objetivo positivo, mesmo que no momento não o vejamos. Falamos em Santa Viagem, encorajamo-nos reciprocamente a percorrer a vida como uma Santa Viagem. (…) E muitas vezes a imaginamos como uma série de dias que nos propomos viver com perfeição cada vez maior; com o nosso trabalho bem feito, com o estudo, o repouso, as horas que passamos em família, o esporte e os momentos de lazer vividos em ordem e em paz. Nós pensamos deste modo. Somos levados humana e instintivamente a esperar que seja assim, pois a vida é um contínuo tender à ordem, à harmonia, à saúde, à paz. (…) E agimos assim porque todo o resto é, sem dúvida, imprevisível, mas também porque, no coração humano, há sempre uma esperança de que tudo corra dessa forma, somente dessa forma. Na realidade, a nossa Santa Viagem se mostra diferente porque Deus a quer diferente. Ele mesmo pensa em introduzir, no nosso programa, outros elementos desejados ou permitidos por Ele, a fim de que nossa existência possa adquirir seu verdadeiro sentido e alcance o objetivo para o qual foi criada. São os sofrimentos físicos e espirituais, as doenças, as mil e uma dificuldades que falam mais de morte do que de vida. Por quê? Será que Deus quer a morte? Não! Porque Deus ama a vida, mas uma vida tão plena, tão fecunda, que nunca seríamos capazes de imaginar, apesar de toda a nossa tendência ao bem, ao positivo, à paz. A Palavra de Vida (…) nos esclarece a este respeito: “[…] Se o grão de trigo que cai na terra não morrer permanecerá só; mas se morrer produzirá muito fruto” (Jo 12, 24). Se não morre, o grão permanece bonito, sadio, mas fica só. Porém, se morre, multiplica-se. Deus quer que durante a vida experimentemos algum tipo de morte ou, às vezes, vários tipos de morte. Para Ele é este o sentido da Santa Viagem: produzir frutos. Fazer obras dignas d’Ele, é este o sentido da nossa vida. Uma vida rica, plena, superabundante, reflexo da sua vida. É preciso, assim, prever estas mortes, e nos dispormos a aceitá-las da melhor maneira. É um gesto inteligente, indispensável, genuinamente cristão escolhermos Jesus abandonado e renovarmos essa escolha cada dia; renovar aquele amor por ele, que desejamos seja preferencial. Isto nos dispõe […] a aceitar as grandes e pequenas mortes e também a ver aquilo que tínhamos programado ser enormemente superado, potencializado e fecundado. (…) São purificações passivas(…): doenças, morte de entes queridos, perda dos bens, da fama, dificuldades de todo tipo. São noites dos sentidos e do espírito, onde o corpo e a alma se purificam de mil maneiras, com tentações, aridez espiritual, dúvidas, sensação de abandono por parte de Deus, com as virtudes da fé, esperança e caridade que vacilam. São verdadeiros purgatórios antecipados, quando não chegam quase a ser infernos. O que fazer? Abandonar a Santa Viagem, pensando que muitas, ou ao menos algumas, destas provações possam ser evitadas com a vida mais “normal”, seguindo a correnteza do mundo? Não! Não podemos voltar atrás! Além disso, eu falei apenas das purificações, mas existem também as consolações, as “bem-aventuranças” (cf. Mt 5,3-11) que uma vida, vivida como uma Santa Viagem, traz já aqui na terra. A morte de Jesus evoca a ressurreição; a morte do grão de trigo evoca “muito fruto”. E “ressurreição” e “muito fruto” significam, de certo modo, paraíso antecipado, plenitude de alegria, da alegria que o mundo não conhece. Então, prossigamos! Olhemos para além da dor. Não vamos nos deter diante da suspensão, não vejamos somente a angústia, a doença, a provação. Vejamos os frutos que delas sobrevirão, (…) prevendo e já saboreando antecipadamente o fruto abundante que está às portas!
Chiara Lubich
(em uma conferência telefônica, Rocca di Papa, 25 de fevereiro de 1988) Extraído de: “Olha as frutas: Chiara Lubich, Conversas ao telefone, p. 318. Città Nuova Ed., 2019.
23 Mar 2020 | Sem categoria
A história de dois cônjuges da Croácia e a experiência deles no âmbito do projeto “Percursos de luz” promovido pelo Movimento dos Focolares “Como as crianças pequenas que aprendem do nada, também nós aprendemos a entender, em primeiro lugar, a nós mesmos, reconhecendo os nossos sentimentos, e a entender o outro, aprendendo que os pensamentos diferentes não devem terminar sempre e por força em conflitos. Entendemos que os casais que nos rodeiam enriquecem os nossos relacionamentos e que é preciso evitar o isolamento”. Melita e Slavko são casados há cerca de vinte anos, são pais e vivem na Croácia. Contam a própria experiência como casal com toda a clareza, sem tentar mascarar nada, sem omitir aqueles momentos de provação que desenham o caminho que eles percorreram como um desafio, uma “casa” a ser construída cada dia, muitas vezes sem saber com que instrumentos. Não uma rodovia reta para atravessar com um automóvel potente, mas uma estrada desterrada a ser percorrida em bicicleta apenas com o motor das próprias pernas, pulmões e coração, com subidas muito cansativas e descidas regenerantes. Talvez a história deles seja como a de muitos casais, mas oferece uma chave de leitura sobre a família que não é obvia. A ocasião deste relato foi a participação deles em um encontro, na Itália, no âmbito do projeto Percursos de luz, que o Movimento dos Focolares dedica aos casais, com uma atenção particular aos que vivem momentos de separação. Num dos momentos mais escuros no seu relacionamento – explicam – foi graças a encontros como este que encontraram os instrumentos para “usar cada dia, para que a nossa família seja feliz e o nosso relacionamento cresça”. Intrumentos “que facilitam a escalada que nos espera na vida de casal para realizar os planos de Deus sobre a nossa família”. Nas palavras deles emerge claramente que a imagem do casal “perfeito” é uma dolorosa ilusão. A espectativa de um percurso linear e ensolarado, alimentado pelo entusiasmo que segue o encontro com a pessoa “certa”, choca-se com a realidade de uma “partida” inteira para jogar e da qual não se conhece o resultado, onde o companheiro de equipe transforma-se às vezes em adversário e onde a vitória existe apenas quando os dois são vencedores. Um jogo que não tem regras escritas, mas que deve ser jogado com um objetivo muito claro, ou reencontrando-o quando desaparece. Um jogo onde cada um é chamado a dar a própria contribuição e a enfrentar as variáveis contrárias, sem procurar atalhos: “Da perspectiva de hoje – dizem – podemos testemunhar que o casamento não é algo fixo e estático, e que um curso como este não é uma varinha mágica que resolve todos os nossos problemas para sempre”. Aqui “aprendemos que o nosso primeiro filho – o casamento – precisa do máximo cuidado e importância, porque somente quando estamos em paz e em sintonia podemos ser capazes de dar amor aos filhos e às pessoas que nos circundam. Só assim nos realizamos como pessoas”. Em efeito, tudo parte do sentir-nos já realizados “da linha de partida”. Melita conta do início: “Era um período muito bonito. Finalmente eu tinha realizado o sonho de ter um companheiro que sabia ouvir-me, consolar-me, entender-me. A pessoa com a qual partilhar o modo de ver a vida, a fé, o amor. Imediatamente, entendemos que nos queríamos casar coroando o nosso amor com o matrimônio”. Mas, muito cedo, apresentou-se a primeira provação: a perda de um filho que estava para chegar constrangiu Melita e Slavko a rever os planos, a concentrarem-se na organização prática da vida, no trabalho e na casa. Foi um momento vantajoso nos resultados, no qual experimentaram uma unidade crescente entre eles e com as respectivas famílias, partilhando tudo – diz Slavko – encontrando “a força, a vontade e o desejo das coisas mais simples”. “Idealizamos a nossa vida – acrescenta ela – completando as pedrinhas do nosso mosaico e esperando que a família se alargasse”. Depois de três anos, chegou a alegria do primeiro filho, mas ao mesmo tempo a necessidade de encontrar um trabalho menos empenhativo e mais remunerativo. O emprego para Slavko chegou, mas o novo contexto produziu no casal conflitos, incompreensões e feridas profundas. “A segurança que tínhamos construído e a confiança recíproca desapareceram – conta Melita – começou um período de insatisfação nos nossos relacionamentos, de queixas pelos erros cometidos. Slavko não percebia a minha insatisfação e eu não sabia como mostrar-lhe as coisas que me incomodavam”. E ele: “Acontentava-me com aquela vida, pensando: o que posso querer ainda? Queremo-nos bem, estamos casados, a vida vai num trilho certo, porque tenho ainda que demonstrar a minha fidelidade e o meu afeto? É ela que não entende que a amo e que estou aqui. Ao invés, eu estava como surdo aos seus gritos de ajuda e achava que era ela que deveria mudar e aceitar as novas circunstâncias. Em nós crescia a sensação de incapacidade e de desespero: caíamos num abismo do qual não víamos uma estrada de saída”. Começaram, então, a pensar em separar-se. Tinham chegado ao fundo do poço. Mas naquele deserto, pouco a pouco, a vida começou a reflorescer. “Naquele momento o Senhor colocou no nosso caminho os nossos padrinhos e alguns amigos, que assim como tantos outros tínhamos cancelado da nossa vida, e mandou-nos indicações através deles”, continua Slavko. Foi no relacionamento com outros casais que participavam dos Percursos de luz que, finalmente, conseguiram entrever uma saída. “Sozinhos, um diante do outro, e sozinhos diante de Deus começamos a entender e conhecer o outro novamente, aprendendo que ter opiniões diferentes não significa que não existe amor, pelo contrário, aprendemos de novo que a diversidade enriquece e completa-nos como casal”. Aprender, descobrir, crescer e consolidar-se como pessoas e como casal. Certamente, esta é uma conquista inesperada de um caminho autêntico e corajoso, imprevisível e cheio de provações, mas também de conquistas e satisfações. Melita e Slavko descobriram que os planos de Deus para eles como casal e como família não são obvios, mas requerem a própria determinação na vivência do amor recíproco. E aprenderam que é por meio deste esforço que o homem e a mulher realizam-se como pessoas.
Claudia Di Lorenzi
19 Mar 2020 | Sem categoria
Ele faleceu há poucos meses, aos 53 anos; suas paixões eram construir pontes entre povos e culturas e formar as novas gerações. Os jovens eram a “ideia fixa” do padre Silio Naduva, sacerdote das Ilhas Fiji, no Pacífico Meridional, falecido há poucos meses, aos 53 anos. Assegurar-lhes uma formação e educação humana e espiritual era sua paixão mais profunda, em uma das ilhas mais isolada do arquipélago, onde a globalização que leva o mundo às casas não basta para dar aos jovens o conhecimento e os instrumentos para enfrentar a própria vida de modo consciente, livre e frutuoso. O que o havia fascinado do carisma da unidade de Chiara Lubich, que havia conhecido no fim dos anos 90, era “esta capacidade do ideal de tornar-se família, de cimentar a união entre as pessoas e em particular com o rebanho que o Senhor havia lhe confiado”, conta Roberto Paoloni, voluntário do Movimento dos Focolares, que juntamente com o padre Silio trabalhou durante algumas semanas de formação justamente na sua paróquia de St. Anne, em Napuka, no verão passado. “Na espiritualidade da unidade”, explica Paoloni, “havia descoberto uma força propulsiva incrível” que o havia ajudado a enfrentar também momentos de grande dor e sofrimento. Nascido no dia 28 de fevereiro de 1867 em Namuamua, na província de Serua, uma pequena vila na ilha principal de Fiji, Silio era o sétimo de nove irmãos e desde muito jovem mostrava grande generosidade, perseverança, iniciativa e capacidade de cuidar tanto de seus familiares como de todos. Frequentou a escola marista e depois, aos 17 anos, se alistou nas forças militares de Fiji. Silio participou de duas missões, vivendo experiências traumáticas, porém, nunca perdeu sua profunda humanidade. Somente depois da morte de seu pai, em 1996, Silio entrou no seminário regional do Pacífico para começar sua formação e, no ano seguinte, conheceu o Movimento dos Focolares. Foi ordenado sacerdote no dia 01 de janeiro de 2005, aos 37 anos, e começou seu ministério na paróquia de Vudibasoga, em Nabala. Em 2013, foi diagnosticado com uma doença grave, o que não lhe impediu de servir e trabalhar pela paróquia com todas as suas energias. Em 2018, padre Silio acompanhou alguns jovens ao Genfest de Manila, nas Filipinas, e voltou para a casa com o desejo ardente de encorajar seus jovens a seguir por aquele caminho. Ele os guiava e educava. Com eles, se dedicava a construir pontes com os jovens das outras comunidades, com diferentes culturas e línguas, mas como irmãos. Entre seus últimos esforços, está a promoção de um encontro para os jovens da sua e das paróquias vizinhas, organizado em agosto passado em colaboração com o Movimento dos Focolares e a Caritas local. Em uma comunidade fragmentada e uma composição social dilacerada por pobreza e violência, Padre Silio trabalhou para oferecer aos jovens um horizonte mais amplo, onde a convivência se nutre de solidariedade recíproca e onde povos separados por grandes distâncias e com tradições, culturas e línguas diversas se encontram em respeito recíproco e com o desejo de construir relacionamentos de fraternidade.
Claudia Di Lorenzi
16 Mar 2020 | Sem categoria
Para compreender melhor o que fazer ao próximo, Jesus nos convida e colocar-nos em seu lugar; justamente como Ele fez: para nos amar, fez-se humano, de carne e osso. Faz isso por você ou pelos outros? Eu estava em uma situação estranha: rezava todos os dias, ia frequentemente à missa, estava envolvido em obras de caridade… mesmo assim, não tinha uma fé viva. Era como se um véu me impedisse de enxergar claramente. Um dia, acompanhando minha avó ao médico, entramos em discussões profundas; sabendo que a fé dela era grande, contei-lhe sobre o meu estado de ânimo. E ela, olhando-me nos olhos, disse: “Meu filho, você está fazendo isso tudo por você ou pelos outros?”. Aquela simples pergunta me abalou. Precisava mudar completamente o caminho! Comecei a refletir, constatando que também os atos de caridade estavam cheios de uma sensação de dever. Periodicamente, eu visitava um idoso. Indo até ele, depois daquele episódio, mais do que falar para que se apressasse nos exercícios ou sobre remédios, perguntei-lhe o que tinha em seu coração. Ele me falou da guerra, dos companheiros mortos, da doença da esposa… No fim, me agradeceu pelo grande dom que dizia ter recebido naquele dia. (U.R. – Argentina) Fidelidade Apaixonada por um colega, minha esposa me deixou com nossos quatro filhos. Eu não podia expor meu desespero para não aumentar a dor deles, mas não conseguia evitar de me perguntar no que tinha errado com ela. E minha fé era colocada em prova. Agora, o desafio era fazer o drama pesar o menos possível para os filhos e fazer com que ela não fosse julgada por eles. Às vezes, eu levava a mais nova, de quatro anos, para vê-la; outras vezes, fazia com que ela participasse das reuniões de pais e professores dos nossos outros filhos. Lentamente, criou-se uma situação em que parecia que a mãe, mesmo estando fora de casa, de algum modo continuava a estar presente na vida da nossa família. Porém, quando ela pediu o divórcio, me pareceu que voltamos ao ponto zero. Um novo passo para enfrentar com os filhos. O mais velho, vendo-me um dia triste e pensativo, me encorajou dizendo: “Pai, fique tranquilo. Estamos aprendendo a tomar as rédeas da vida”. (B.d.O. – Croácia) O enxoval Desde jovem, estou habituada a ter dinheiro, roupas, luxo. Depois do casamento, aos poucos tive de reduzir drasticamente todas as despesas. Há alguns dias, recebi um dinheiro extra do trabalho: imediatamente pensei no nosso bebê que estava para nascer, no enxoval que poderia comprar. Mas depois, lembrando-me de quantos pobres há na minha cidade, disse a mim mesma que aquele dinheiro poderia servir para ajudar algum deles. No nascimento do nosso bebê, recebi de presente muitas roupas usadas. É claro que eu gostaria de ter um enxoval todo novo, mas aquelas coisas que ganhamos por amor me pareciam ter um valor e uma beleza ainda maior. (Anita – Venezuela)
por Stefania Tanesini (extraído do Evangelho do dia, Città Nuova, ano VI, n.2, março-abril 2020)
14 Mar 2020 | Sem categoria
Homelia do p. Jesús Morán, Co-presidente do Movimento dos Focolares, na missa celebrada de portas fechadas e transmitida em streaming no dia 14 de março de 2020, em que se celebra 12° ano do falecimento de Chiara Lubich (…) Nestas últimas semanas – entre outras coisas, já em meio à Quaresma – predominou em minha alma um pensamento: a vaidade de todas as coisas, a precariedade da nossa inteligência para entender profundamente a realidade, a vida e o curso da história. De fato, foi suficiente um vírus, um micro-organismo acelular para pôr em risco todos os nossos grandes raciocínios, as nossas seguranças, nossos planos econômicos, nossas estratégias políticas; para desencadear o pânico em nível mundial e evidenciar as misérias da assim chamada globalização. Como evidenciou a manchete de um jornal há alguns dias, usando a linguagem futebolística: Coronavírus 1 – Globalização 0. Enquanto pensava nas coisas que foram escritas nos últimos anos sobre o fenômeno da cultura na nossa época, as inúmeras análises e contra-análises sobre o futuro da história etc. etc., fui tomado por um sentimento de consternação e tristeza quase paralisante. Mas foi então que cheguei a uma redescoberta formidável: a Revelação, a Palavra de Deus dirigida ao homem com as palavras e a inteligência do homem; o pensamento de Deus em palavras humanas nas profundezas da vida e da história; um lampejo de significado. De fato, creio que somente a Palavra de Deus nos dá respostas para este momento que estamos vivendo, porque somente ela contém uma sabedoria eterna que vai além dos tempos sem perder o significado. À luz da Revelação, percebemos um fato que é tanto mais perturbador quanto paradoxal: que estamos vivendo um tempo de graça. Sabedoria! Aqui está a chave correta. Este é realmente o momento da sabedoria, um tempo para a sabedoria; uma visão da realidade que passa por novos caminhos, e que hoje é extremamente inevitável e indispensável. (…) Sabedoria que leva a uma inteligência da realidade iluminada pelo amor e que, justamente por isso, desencadeia um formidável movimento de fraternidade. Verdadeiramente, Deus pode fazer coisas prodigiosas, mesmo em meio ao mal. Ele derrota-o com seu desígnio de amor. Chiara viveu quase um século e a sua vida foi como um rio de sabedoria que irrigou a terra. Atenta aos acontecimentos da história, ela não parou na superfície das coisas, mas com profundidade e altura buscou o pensamento e a visão de Deus e a partir de Deus. Consequentemente, não deu importância a mais nada além da Palavra de Deus. A unidade, com efeito, é o desígnio de Deus para a humanidade, o testamento de Jesus, o Verbo encarnado. Agora podemos constatar o quanto essa palavra, unidade, na medida em que estiver ancorada na Revelação, ultrapassa circunstâncias passageiras, o tempo e as épocas. Representa uma perspectiva de significado que compreende passado, presente e futuro. Uma perspectiva profética capaz de liberar as melhores energias de homens e mulheres de todas as latitudes, cultura, raça e condição social. Fortes na unidade, podemos transformar a “globalização da indiferença” em “globalização da fraternidade”. O jogo ainda não acabou. Temos certeza de uma coisa: triunfará a misericórdia de Deus.