12 Mai 2019 | Sem categoria
A presidente e o copresidente do Movimento dos Focolares voltaram ao Líbano onde celebraram o 50° aniversário do Movimento com a comunidade e diversas personalidades civis e religiosas. Às vezes, acontece que os grandes percursos históricos se concentram em um pequeno episódio da história de uma pessoa. Foi o que ocorreu no sábado, 11 de maio, durante o encontro dos membros do Movimento dos Focolares no Líbano que celebrava 50 anos da chegada do Movimento no país dos cedros. Os 450 presentes haviam acabado de percorrer algumas das etapas principais desses 50 anos quando um dos apresentadores confessou: “Na guerra de 75 a 90, meu irmão morreu e eu era um dos que tinham uma arma nas mãos. Em 93, conheci o Movimento dos Focolares e a espiritualidade da unidade mudou a minha vida”. Essas poucas palavras são um concentrado de realidades na verdade: há a riqueza e a beleza do Líbano como porta para o Oriente Médio, onde três continentes se encontram e três grandes religiões se cruzam; dizem que é um país privilegiado pela história, que vive o desafio contínuo de uma convivência fraterna entre povos, religiões, crenças e ritos cristãos; enfim é uma nação que não se entrega nunca e que encontra sempre novos recursos para recomeçar. Essa confissão também exprime o drama e os traumas de uma guerra que durou 16 anos, cujas origens e raízes nunca foram realmente enfrentadas. E no pequeno episódio da história desse homem se esconde a semente jogada pelos primeiros focolarinos que chegaram em 1969 em Beirute cujo testemunho de uma vida baseada no amor sobreviveu à guerra e que hoje se exprime nas diversas expressões do Movimento e em tantas atividades eclesiais e sociais que se apresentam neste dia de festa.
Maria Voce e Jesús Morán, presidente e copresidente do Movimento dos Focolares, que vieram para festejar com os libaneses, não se contentaram com uma alegria que parte do passado para chegar ao presente. Em suas respostas a algumas perguntas, desafiavam o Movimento no Líbano a olhar o futuro: a não parar de anunciar o Evangelho segundo o estilo típico do carisma da unidade que, imitando Cristo, se faz um com todos. Eles os encorajaram a não evitar contrastes e conflitos que possam colocar em discussão inclusive as próprias categorias culturais para alcançar uma nova mentalidade evangélica e os incentivaram a não viver um ecumenismo superficial para testemunhar, mesmo diante das autoridades eclesiais, uma unidade verdadeira na diversidade dos ritos e das crenças. Enfim, pediram que não deixem escapar a profecia inserida no diálogo inter-religioso, sobretudo com os muçulmanos, assim como Chiara Lubich o fez.
Maria Voce resumiu todos esses desafios em sua saudação depois da missa de domingo, 12 de maio, na catedral da ressureição de Antelias, próximo a Beirute, que foi o ato oficial com o qual se celebrou o 50° aniversário. A presidente fez votos de que “o Líbano possa ser para o mundo todo aquela ‘mensagem’ viva de coexistência e fraternidade para além de cada fragmento que o papa João Paulo II já nos anos 80 havia visto como característica particular do povo libanês, em que a diversidade cultural e espiritual se torna a riqueza exemplar no caminho do indivíduo e dos povos. Vamos também nós repetir com o papa, hoje santo: ‘O Líbano é mais que um país, é uma mensagem de liberdade e um exemplo de pluralismo para o Oriente e o Ocidente’.”. Os 50 anos do Movimento dos Focolares nesse país demonstram que a espiritualidade da unidade tem a capacidade de manter essa mensagem viva e atual.
Joachim Schwind
11 Mai 2019 | Sem categoria
A comunidade do movimento presente no país desde os anos 1970, colaborou ativamente para esta visita papal em vários âmbitos: no coro, fazendo voluntariado durante os eventos, na liturgia, concedendo entrevistas. Passaram como um relâmpago os 2 dias da visita do Papa Francisco à Bulgária, que suscitou um grandíssimo interesse não só entre os católicos, que representam apenas 0,6% da população búlgara, mas em todos os componentes da sociedade. Os meios de comunicação deram grande relevo ao evento, criando na opinião pública, já durante a preparação, uma grande expectativa. As principais televisões do país nestes dias seguiram a visita momento por momento.
Muito cordial o encontro com Sua Santidade o patriarca da Igreja Ortodoxa Búlgara, Neofit, que acolheu o Papa calorosamente. Impressionante foi a participação das pessoas. Na liturgia, na praça onde, uma época, se realizavam as manifestações de um regime que perseguiu duramente a Igreja – a sacristia era na ex Casa do Partido –, estavam presentes mais de 15 mil pessoas, enquanto que, em outras partes da cidade, as pessoas acompanhavam através de telões, fato insólito para a Bulgária, país de maioria ortodoxa. O Papa conseguiu falar ao coração dos búlgaros, apesar da dificuldade da língua, com os gestos, com o seu ser, com a sua extraordinária capacidade de se comunicar com quem quer que seja. Como quando, no dia seguinte, em Rakovski, cidadezinha de maioria católica, durante a Missa o Papa, com uma surpreendente mudança de programa, deu a Primeira Comunhão a todas as 245 crianças que deviam recebê-la, e não só a 10, e entreteve com elas um diálogo espontâneo, salientando os principais pontos da fé e a sacralidade daquilo que estava acontecendo. Depois, à tarde, encontro com a comunidade católica, constelado de gestos espontâneos e saudações que fizeram se alegrar os 700 presentes (o encontro se realizou numa igreja e era para um número fechado). Após os testemunhos de uma freira, de um sacerdote e de uma família, todos jovens, o Papa fez o seu discurso, o interrompendo várias vezes para falar de improviso, suscitando imediatamente a viva reação dos presentes.
O Focolare deu a sua contribuição em vários âmbitos, onde era requisitado: no coro, na difusão dos convites em diversos ambientes, no voluntariado durante os eventos, na liturgia, concedendo entrevistas, etc. Para sustentar o Papa nas fadigas destes dias também lhe demos de presente um pacote de erva-mate. O Movimento chegou à Bulgária nos anos 1970, única realidade leiga presente nos anos do comunismo e o mais enraizado na Igreja local. Desde 1991, o focolare feminino está presente em Sófia e as comunidades do Movimento existem em 9 cidades do país, compostas por católicos, ortodoxos e pessoas sem uma precisa referência religiosa. Temos fortes vínculos de amizade com expoentes da Igreja Ortodoxa em vários níveis. Esta visita, entre outras coisas, nos deu a ocasião para aprofundar relacionamentos construídos no decorrer do tempo, estreitar vínculos com pessoas novas, restabelecer vínculos precedentes.
Majda Šušteršič
10 Mai 2019 | Sem categoria
O Papa expõe as novas normas para toda a comunidade eclesial contra quem comete abusos e quem os encobre. As medidas e a orientação dos Focolares no rastro da Igreja. O discurso do Copresidente Jesús Morán e a matéria para o Collegamento CH. Traz a data de 7 de maio e se intitula Vos estis lux mundi. Este documento em forma de motu proprio – isto é, um instrumento que o Pontífice utiliza quando quer pessoalmente introduzir novidades ou dar indicações aos fiéis – é o último ato do Papa Francisco na luta contra os abusos sobre as crianças e adolescentes e as pessoas vulneráveis na Igreja. Uma etapa de primária importância que é parte de um percurso. Ao final do encontro sobre a proteção das crianças e adolescentes no Vaticano no mês de fevereiro passado, foram anunciadas algumas disposições legislativas para a Cúria Romana e o Estado do Vaticano. Este último documento normativo é endereçado à Igreja inteira: estabelece novos procedimentos para denunciar molestações e violências e garantir que bispos e superiores religiosos prestem contas da sua conduta. Introduz a obrigação para clérigos e religiosos de denunciar os abusos; um procedimento que encoraja também os leigos a denunciar abusos e molestações à autoridade eclesiástica competente. Além disso, pede às dioceses que se dotem de um sistema facilmente acessível ao público para receber as denúncias. Um gesto que transpõe os confins da própria Igreja e é incentivo à sociedade civil, porque, nós sabemos, o escândalo dos abusos afunda as próprias raízes – seja historicamente seja em tempos recentes – nos diversos âmbitos da família, da escola, do esporte, etc. Apesar do tema grave e devastador que trata, o papa abre o documento com uma citação evangélica que evoca esperança e luz: “Nosso Senhor Jesus Cristo chama cada fiel a ser exemplo luminoso de virtude, integridade e santidade” . São estas virtudes que comprometem todas as pessoas, com maior razão os consagrados, que – por escolha de vida – nunca deveriam trair a confiança de quem quer que seja, famílias ou crianças e adolescentes in primis. Como comunicamos precedentemente, também o Movimento dos Focolares – dolorosamente – não está imune deste escândalo. No dia 26 de março passado, a Presidente Maria Voce e o Copresidente Jesús Morán enviaram uma carta a todos os membros do Movimento no mundo sobre o compromisso dos Focolares neste campo. Comunicam que é com profunda tristeza que é preciso reconhecer “que, inclusive na nossa grande família dos Focolares, se verificaram alguns casos de abuso contra menores (cerca de vinte), causados por pessoas do Movimento ou por pessoas que participaram de manifestações organizadas por nós. A maioria dos episódios ocorreu em um passado distante (até mesmo há mais de 20 anos), mas infelizmente alguns aconteceram em um passado recente. E também estavam envolvidos membros consagrados”.
Reiteram a “tolerância zero” do Movimento em relação a toda forma de violência ou abuso e o dever de cada membro dos Focolares de estar na linha de frente na defesa das pessoas mais fracas de qualquer forma de maus tratos ou bullyng, atuados diretamente ou através da internet, com atenção especial a crianças, adolescentes e adultos vulneráveis. Exortam abertamente a denunciar à Comissão Central para a Proteção integral e garantia dos direitos fundamentais de crianças e adolescentes, instituída em 2014 no Centro internacional dos Focolares e às comissões locais, toda suspeita de abuso ou violência e consideram “uma verdadeira tentação pensar em não relatar casos para o bem do nosso Movimento, para evitar um escândalo, para proteger a boa reputação de alguém”. Numa recente entrevista concedida durante o Collegamento CH, o Copresidente reiterou com força a plena adesão à linha atual da Igreja. Morán explica que “quisemos reconhecer publicamente que este drama também nos tocou e que isto nos leva a uma ação concreta para fazer justiça às vítimas inclusive iniciando um processo de acompanhamento em nível geral, concreto”. Reconhece que esta é uma grande purificação para o Movimento e, enfim, insiste que o compromisso pela proteção das crianças e adolescentes não pode se reduzir ao âmbito dos Focolares. “Com esta carta quisemos dizer a todos os membros que é importante se comprometer, em todos os níveis, para que este drama, esta dor imensa, que é um drama social e moral, acabe o mais rápido possível e não se verifiquem mais estes casos de abusos”. O compromisso do Movimento agora está centrado na prevenção e na formação de todos os membros, em particular daqueles que desempenham atividades com as crianças e adolescentes; para isto é importante a colaboração com as outras agências do Movimento que trabalham com as crianças e adolescentes: dos centros Gen 3 e Gen 4, ao Movimento Famílias Novas. Assista à matéria do Collegamento CH: Proteção de crianças e adolescentes: transparência, prevenção, formação: https://vimeo.com/333700843
9 Mai 2019 | Sem categoria
O dia 10 de maio de 2018 entrará para a história tanto da primeira das cidadelas dos Focolares como para todo o Movimento. “Quero levantar o olhar para o horizonte e convida-los a levanta-lo comigo para olhar com fidelidade confiante e com criatividade generosa o futuro que já começa hoje. A história de Loppiano não está no início. Vocês estão no início.” Assim o papa Francisco se expressou há um ano no diálogo com os habitantes de Loppiano e com os mais de 6000 presentes durante sua visita, a primeira de um pontífice a uma cidadela do Movimento dos Focolares. Um dia que marcou o presente e o futuro. No seu grande discurso, o papa falou tanto aos pioneiros como aos mais jovens dentre os presentes e encorajou-os a seguir no caminho iniciado continuando a fazer de Loppiano o lugar onde “todos se sentem em casa” e no qual “não há periferias”. E havia individualizado no carisma da unidade “um estímulo providencial” e “uma ajuda potente” a viver “a mística evangélica do nós, ou seja, a caminhar juntos na história dos homens e das mulheres do nosso tempo como ‘um só coração e uma só alma’ (At 4,32), descobrindo-se e amando-se concretamente como ‘membro um do outro’ (Rm 12,5)”. “Não é um fato somente espiritual”, continua explicando o papa Francisco, “mas é uma realidade concreta com consequências formidáveis – se vivemos e declinamos com autenticidade e coragem as diversas dimensões – a nível social, cultural, político, econômico… Jesus redimiu não somente o indivíduo, mas também as relações sociais (Exort. ap. Evangelii gaudium, 178). Levar a sério esse fato significa dar uma nova cara à cidade dos homens segundo o desígnio de amor de Deus”, afirmou o papa, “Loppiano é chamada a ser assim e pode buscar, com confiança e realismo, tornar-se sempre melhor. Isso é o essencial. E é daqui que é preciso partir sempre”. São palavras fortes, profundas, riquíssimas essas do seu discurso que foram aprofundadas nesses meses pelo Movimento dos Focolares em Loppiano e não só, para procurar compreender profundamente e transforma-las em vida. Mas o que mudou em Loppiano nesses 365 dias após a visita? Recentemente, Maria Voce e Jesús Morán, presidente e copresidente do Movimento dos Focolares, que passaram alguns dias na cidadela justamente no período do aniversário responderam essa pergunta: “Eu a encontrei bela”, disse a presidente, “tive a impressão justamente de um ar de ressureição, senti que havia uma vida nova que se manifestava em tudo aquilo que nos apresentaram, com mais unidade, com relacionamentos mais verdadeiros, mais simples, mais diretos entre todos”. Portanto, é uma cidadela renovada pela passagem do papa “que colheu profundamente o ponto em que a cidadela estava e os passos que deveria dar e ajudou a dá-los”, concluiu Maria Voce. “Dá para sentir que o papa passou por aqui, isso é evidente”, observou Jesús Morán, “e foi uma passagem fundamental que já marca a história de Loppiano”. “Sabemos que há uma graça”, concluiu o copresidente, “portanto os inputs que o papa deu serão fundamentais para pensar o hoje e também o amanhã de Loppiano”. O vídeo-síntese da visita do papa Francisco a Loppiano há um ano: https://vimeo.com/275861830
9 Mai 2019 | Sem categoria
Deixou-nos o fundador da comunidade A Arca e apóstolo dos últimos. Ele estava na Praça de São Pedro durante o histórico encontro de Pentecostes 1998, junto com Chiara Lubich e outros fundadores de movimentos e novas comunidades. A lembrança e a gratidão dos Focolares. O dia 30 de maio de 1998 ficará na memória de muitos como “o encontro de Pentecostes”. Foi então que o Papa João Paulo II convocou para a Praça de São Pedro, pela primeira vez na história, todos os movimentos eclesiais e as novas comunidades.
Entre os fundadores que tomaram a palavra diante do Papa, com Chiara Lubich, Kiko Arguello e pe. Luigi Giussani, estava também Jean Vanier, fundador da comunidade A Arca, que nos deixou na noite do dia sete de maio, aos 90 anos. Queremos recordá-lo, além de que pela sua grande obra em favor dos carentes e dos portadores de deficiências – desde 1964 havia fundado mais de 150 centros, em todo o mundo -, pela amizade entre o fundador da comunidade A Arca e os Focolares, e por ter sempre apoiado, com sua presença constante, os encontros de “Juntos pela Europa”. Com as palavras que pronunciou na Praça de São Pedro ficou clara a paixão comum pela palavra evangélica da unidade: “Acolhendo pessoas com deficiências provenientes de diferentes confissões cristãs, acolhendo inclusive muçulmanos, judeus ou hindus, descobrimos o quanto o pobre pode unir-nos. Homens e mulheres pertencentes a diferentes igrejas e a diferentes religiões nos fazem descobrir o mistério da nossa comum humanidade. (…) Descobrimos que, se acolhemos um pobre ele nos conduz para o Deus do amor, nos conduz a Jesus”. Em dezembro de 2013, em Montmartre, na França, Jean Vanier se pronunciou durante um encontro dos amigos de “Juntos pela Europa”, cujo tema era justamente a pobreza e a contribuição que comunidades e movimentos cristãos podiam dar para vencer a indigência e a marginalização na Europa. Iniciou a contar a sua experiência com estas palavras: “Jesus diz: ‘o reino de Deus é como um banquete de matrimônio’ – mas todos estão ocupados demais – o rei que convidou manda seus servos procurarem aleijados e mancos ao longo dos vales e encruzilhadas do caminho – foi isto que procurei viver na minha vida”. Jean Vanier dedicou-se, em especial, aos deficientes mentais, aqueles que ele definiu “o povo mais oprimido”. “Eles me transformaram, vi que o Reino de Deus é deles”. Estamos próximos à sua família espiritual, no mundo inteiro, certos de que Deus e a multidão de oprimidos a quem deu casa e amor, o acolheram no Céu.
Stefania Tanesini
8 Mai 2019 | Sem categoria
Também na pequena república balcânica, visitada pelo Papa Francisco de 5 a 7 de maio, há uma comunidade dos Focolares que trabalhou intensamente para este evento. Disto nos fala Mato Mikulec.
“Desde sempre a característica principal desta terra é o diálogo e também aqui a comunidade dos Focolares é composta por cristãos (católicos e ortodoxos) e muçulmanos”. Mato Mikulec é um pioneiro do movimento em Skopje, é croata de origem e 30 anos atrás se mudou para a Macedônia por causa do trabalho. Vive com trepidação e grande alegria a visita do Papa: “Como Francisco dá muita importância às periferias, o seu primeiro objetivo é apoiar e encorajar a pequena comunidade católica, mas não só. Para ele, cada homem é um valor imenso e, portanto, vem aqui como amigo de todas as pessoas deste país. Naturalmente, é também encorajado pelo espírito de tolerância e convivência que são parte da natureza deste povo”. Mato já considera esta terra como sua: a maior parte da população é macedônia (64%), depois aqui estão os albaneses (25%), os turcos (4%) e uma pequena porcentagem de outros povos. As duas religiões principais são o Cristianismo (99% Igreja Ortodoxa) e o Islã, enquanto que os católicos dos dois ritos ocidental e oriental são apenas 1%. A história conta que na Macedônia a tradição cristã remonta até mesmo aos tempos do apóstolo Paulo, reforçada e difundida, nos séculos sucessivos, por grandes figuras de evangelizadores como os dois irmãos Cirilo e Metódio, no século IX, e por muitos outros que, sucessivamente, dão uma contribuição inestimável ao desenvolvimento da religiosidade e da alfabetização dos povos eslavos. Mas a região balcânica é também testemunha da dolorosa divisão das Igrejas, de conflitos entre potências e interesses políticos, como a ocupação otomana que durou mais de 500 anos. “Apesar de tudo – continua Mato – as pessoas aqui conservaram muitos valores, uma profunda religiosidade, grande abertura à diversidade e uma profunda aspiração à comunhão. Portanto, não tem porque se surpreender se justamente nesta terra tenha germinado uma flor tão bela como Madre Teresa”.
Depois, conta que a visita do Papa Francisco aconteceu por convite do bispo local Kiro Stojanov e das autoridades estatais. “Uma belíssima tradição quer que, todos os anos, uma delegação de Estado vá a Roma, ao túmulo de São Cirilo, na Basílica de São Clemente. Desta fazem parte inclusive representantes das Igrejas Católica e Ortodoxa. Está incluída também a audiência com o Santo Padre e justamente nesta ocasião lhe foi dirigido o convite a nos visitar”. Conta-nos, depois, que os primeiros contatos com os Focolares na Macedônia e Kosovo remontam aos anos 1970 quando um dos primeiros focolarinos, Antônio Petrilli, foi visitar o amigo sacerdote pe. Luka Cirimotić. Em seguida, nos anos 1980, uma família originária de Zagreb se estabelece em Skopje e nasce assim a primeira comunidade composta de jovens e adultos, famílias e consagrados, pessoas de várias Igrejas e Religiões, ou sem uma orientação religiosa. Foi graças ao empenho do bispo Kiro Stojanov que em 2006 se abre em Skopje o focolare feminino, o último que Chiara Lubich aprovou pessoalmente antes de nos deixar. “Vemos que a diversidade não é um obstáculo à sincera comunhão e à fraternidade – continua Mato – que estão se tornando cada vez mais visíveis e apreciadas inclusive pelos chefes das comunidades religiosas. Para nós dos Focolares, este evento é uma alegria especial, acreditamos que o Papa seja atraído também pelo nosso amor e pela comunhão entre nós. Sentimos que o Papa nos traz o novo semblante e o abraço da Igreja onde também a nossa comunidade tem o seu lugar”.
Stefania Tanesini