17 Abr 2019 | Sem categoria
Uma reflexão sobre o dia de hoje, Quinta-feira Santa, tirada de uma homilia de Klaus Hemmerle (1929–1994), filósofo, teólogo e bispo, preparada exatamente para esta solenidade em 1993. Se os discípulos veem em Jesus o grande e poderoso Deus lá do Céu, não o encontram. Devem se inclinar até o fundo, olhar para a poeira; ali está Jesus que lava os pés dos seus. Doação, humilhação, serviço, levar a sério as banalidades das exigências humanas, tornar-se pequenos, renunciar, a dureza da exaustão, ser modestos, estar escondidos: tudo o que não tem nada a ver com o esplendor divino é o esplendor do verdadeiro Deus é o conteúdo mais íntimo da nossa adoração a Deus, é Eucaristia.
Klaus Hemmerle
(Klaus Hemmerle, Gottes Zeit-unsere Zeit, München, 2018, p. 65 – tradução elaborada pela redação)
16 Abr 2019 | Sem categoria
No dia 16 de abril de 2019, uma delegação trentina visitou o Centro Internacional do Movimento dos Focolares tendo em vista as celebrações dos 100 anos do nascimento da fundadora. “Não estamos aqui para celebrar Chiara Lubich, para transforma-la em um monumento ou para colocar seu nome na história; isso não é necessário. Estamos aqui para reviver a mensagem, para acolher a herança e para nos confrontar hoje com o seu carisma.” Alessandro Andreatta, prefeito de Trento, usou essas palavras para explicar a motivação da visita de uma delegação trentina que, no dia 16 de abril, foi a Rocca di Papa (Roma) no Centro Internacional do Movimento dos Focolares, devido às próximas celebrações do centenário do nascimento de Chiara, previstas para 2020. Também estavam presentes o presidente da província autônoma de Trento, Maurizio Fugatti, o presidente da comunidade de Primiero, Roberto Pradel, o diretor da Fundação Museu Histórico de Trento, Giuseppe Ferrandi, e Maurizio Gentilini (arquivista e historiador do Conselho Nacional de Pesquisa), autor de uma biografia de Lubich que deverá ser lançada em 2020. Para recebe-los estavam presentes a presidente, Maria Voce, o copresidente, Jesús Morán, e representantes dos 60 membros do Conselho Geral do Movimento dos Focolares. Também participaram alguns prefeitos das comunas dos Castelos Romanos, onde Chiara viveu e trabalhou por mais de 50 anos. O objetivo da visita era reforçar o vínculo de amizade e colaboração entre Trento e a comunidade trentina e o Movimento dos Focolares, que promoverão juntos numerosas iniciativas no ano do centenário na cidade e no vale de Primiero, além de muitas outras cidades no mundo. As celebrações começarão no dia 07 de dezembro de 2019, com a abertura da exposição multimídia “Chiara Lubich Cidade Mundo” promovida pelo Centro Chiara Lubich com a Fundação Museu Histórico do Trentino. “Gostaríamos que muitas pessoas conhecessem Chiara, seu pensamento”, explicou Alba Sgariglia, corresponsável pelo Centro, “assim como sua espiritualidade, sua obra, sua figura de promotora incansável de uma cultura de unidade e de fraternidade entre os povos”. Giuseppe Ferrandi falou sobre o desafio cultural e a complexidade enfrentada no percurso de realização da mostra: “Trata-se de pegar o extraordinário patrimônio de vida e de pensamento de Chiara Lubich e transforma-lo em um formato comunicativo com o estilo essencial e imersivo que nossos espaços de exposição permitem. Como diz o título da exposição, a categoria ‘cidade’ é central no pensamento de Lubich; para ela, a cidade é um polo dialético que pode se relacionar com o mundo. Portanto, nos oferece a possibilidade de não nos fecharmos no local, mas de abrir-nos”. A exposição terá também um destaque no vale de Primiero que, a partir dos anos 40, hospedou primeiramente Lubich com um pequeno grupo, e depois milhares de pessoas do mundo inteiro que iam fazer a experiência de um estilo de vida centrado na fraternidade. Depois, a exposição será reproduzida em nove capitais fora da Europa e será muito diferente, de acordo com a cultura local, em uma visão que se alarga ao mundo. Durante o ano, além o fluxo de visitantes de todo o mundo em Trento, estão no programa também uma série de encontros nacionais e internacionais que acontecerão tanto em Trento quanto nos vários centros do Movimento dos Focolares espalhados pelos cinco continentes. O presidente da província autônoma de Trento foi porta-voz do orgulho de “estar aqui hoje para representar essa unidade de objetivos. O Trentino é uma terra central, de fronteiras: Chiara Lubich soube assumir as características desse território e exporta-las. Quando, em junho de 2001, Lubich falava em Trento de fraternidade no horizonte da cidade, respeitava todos que compunham a comunidade e sabia escuta-los. Deste modo, é possível interpretar da melhor forma os interesses e as necessidades das pessoas”. Na conclusão da manhã, também Maria Voce destacou o valor da ação de Chiara Lubich pela cidade: “Ela estava no vale de Primiero quando Deus lhe fez entender que deveria voltar a Trento e nas cidades do mundo que encontrou ao longo de sua vida, muitas das quais conferiram-lhe a cidadania honorária, achou em todos os lugares aquele fascínio que vinha da descoberta das dores e dos problemas, assumindo-os e levando germe de vida e de amor”.
Stefania Tanesini
15 Abr 2019 | Sem categoria
Os contínuos e longos blackouts em todo o país paralisam os serviços básicos e as atividades comerciais tornando dificílima a vida da população. Um drama humanitário que cria inclusive profundas fraturas sociais. Rosa e Óscar Contreras, família da comunidade dos Focolares, contam como é possível não se deixar arrastar pelo desespero e continuar, com fé e coragem, a ser tecedores de fraternidade. “A situação continua a piorar – conta Rosa –. Algumas semanas atrás, após 105 horas sem energia elétrica, a nossa cidade estava destruída, sobretudo no âmbito comercial e financeiro. O que torna tudo mais complicado é a ausência ou a presença não constante de serviços públicos como a distribuição de água, a coleta do lixo, a telefonia e internet. E, depois, o fato de que os blackouts nacionais continuem…” “De qualquer forma, sentimos que, também neste momento, a vida deve continuar – explica Óscar –. Conseguimos reabrir a nossa empresa, que produz artigos em madeira e em acrílico, e retomar algumas atividades. É sempre um desafio permanecer de pé e operativos apesar da redução das vendas. Enorme é o esforço para poder respeitar os compromissos em relação aos fornecedores e aos dependentes, sem que isto represente um risco de falência. Com criatividade e disponibilidade a mudar constantemente de estratégia, reagimos à hiperinflação e às complexas políticas fiscais.
Para isto, procedemos com uma mudança total nas estruturas salariais dos dependentes, encontrando novos modos para melhorar a renda deles, encorajar uma maior motivação ao trabalho e obter resultados melhores. E neste meio tempo, também os imprevistos não faltam. Até algum tempo atrás, estávamos em condições de viajar para ir visitar as pessoas e estar perto delas, mas, neste momento, o nosso carro foi danificado e consertá-lo é caro, os tempos longos dependem também da falta de eletricidade. Entretanto as nossas economias estão acabando, mesmo se a Providência de Deus não nos abandona e recentemente conseguimos comprar algumas coisas necessárias para nos mantermos neste período”. “E percebemos uma quantidade inimaginável de oportunidades para viver radicalmente o Evangelho – continua Rosa –. Diariamente nos vizinhos e nos parentes encontramos muito desespero e mil necessidades que obrigam a ficar atentos, cada momento, a compartilhar aquele pouco que temos. Cada vez nos perguntamos o que Maria, José e Jesus fariam no nosso lugar. Vimos com alegria que um bom grupo de vizinhos, ao invés de ficarem fechados na própria casa, começou a fazer amizade, fruto, nos parece, de muitas iniciativas que realizamos em silêncio para ajudar e gerar estas relações”. “A realidade, porém, é que estamos exaustos fisicamente, mentalmente e emocionalmente – confidencia Óscar – mas, embora estando assim, temos a certeza de que o Espírito Santo nos ajude e, através de nós, seja Ele a poder dar aos outros a alegria e a esperança que procuramos transmitir. Uma semana atrás, mesmo se estávamos sem energia elétrica, pensamos em nos encontrar com um grupo de jovens e adolescentes do Movimento para compartilhar experiências, reflexões e assistir a um filme juntos. Todos contaram que estes dias difíceis são, todavia, favoráveis para gerar muita comunhão nas famílias deles: graças à ausência de telefones celulares, tv, escola, trabalho e outros compromissos, nascem diálogos profundos nas famílias e se abordam questões das quais nunca se fala. Muitos puderam rezar juntos e compartilhar com os vizinhos aquilo que tinham. Interessante é constatar que existe em todos uma atenção diferente quando se adquire algo, porque se faz isso não só em função da própria família, mas avaliando quanto possa ser útil também a outros”.
elaborado por Anna Lisa Innocenti
13 Abr 2019 | Sem categoria
Das vozes dos habitantes de Jerusalém, uma perspectiva que descobre sementes de esperança na cidade mais disputada do mundo para além do que as notícias nos mostram diariamente. https://vimeo.com/320465249
11 Abr 2019 | Sem categoria
Roberto Catalano do Centro para o Diálogo Inter-religioso dos Focolares nos oferece uma leitura do contexto, do percurso histórico e geopolítico que acompanhou a redação do histórico documento sobre a Fraternidade humana para a paz e a convivência em comum, co-assinado pelo Papa Francisco e pelo Imã de al-Azhar, Ahamad al-Tayyib em Abu Dhabi, no dia 4 de fevereiro passado. A fraternidade universal ainda é um objetivo primário para a humanidade? Que valor tem nesta época dominada por bolhas digitais, confins pessoais e coletivos cada vez mais delineados, novos protecionismos econômicos e assim por diante? A declaração de Abu Dhabi assinada pelo Papa Francisco e pelo Imã de al-Azhar restitui a fraternidade ao centro do tabuleiro geopolítico e também mediático: o tom claro e concreto do documento-declaração repropõe a fraternidade como objetivo para a família humana inteira e não só para as duas religiões cristã e muçulmana. Roberto Catalano nos explica contexto e percursos desta que é uma etapa de fundação do diálogo para a paz mundial. Qual é o valor da declaração assinada pelo Papa Francisco e pelo Imã al-Tayyib em Abu Dhabi no dia 4 de fevereiro passado? O documento sobre a fraternidade representa um marco e propõe um texto que permanecerá paradigma de referência. Impossível não reconhecer o seu valor profundamente inovador. Mais uma vez nos encontramos diante de uma ‘première absoluta’ do Papa Bergoglio. Nunca antes na história da Igreja acontecera que um papa assinasse um documento em comum com um líder de outra religião. A assinatura aconteceu num contexto preciso, caracterizado por abraços, discursos, caminhadas de mãos dadas dos líderes da Igreja Católica e de al-Azhar. O texto compartilhado interpela não só profissionais da área e líderes religiosos, mas todos os fiéis e os habitantes do mundo.
Os Emirados Árabes são um pouco uma fachada deste mundo globalizado: a península arábica é o coração do Islã, mas conta também com uma crescente presença de trabalhadores provenientes de outros países e culturas… Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos e lugar da assinatura do documento é a última extremidade da península arábica. Todos estes estados têm um significado importante seja no tabuleiro da economia seja no da geopolítica. Em poucas décadas, a posse do petróleo permitiu um progresso vertiginoso inclusive graças a uma mão-de-obra proveniente de países como as Filipinas, a Índia, o Paquistão, o Bangladesh. A península arábica é o coração do Islã, mas apresenta um verdadeiro mosaico muçulmano. Dominante é a presença do Reino Saudita, imagem do Islã sunita que se identifica com o wahabismo, que, também em nível internacional, apoia o salafismo. À frente de tudo isto, está um fenômeno novo de comunidade cristã. De fato, enquanto as Igrejas cristãs tradicionais e apostólicas do Oriente Médio vivem momentos dramáticos que frequentemente obrigam os cristãos a fugir, a região dos Emirados está se povoando de uma nova cristandade, uma verdadeira fachada da cristandade de hoje. A maioria dos católicos são filipinos e indianos, mas também do Oriente Médio. Estamos no período da globalização e a Igreja nos Emirados é uma das suas expressões mais características. Também na recente viagem do Papa Francisco ao Marrocos foram recordados os 800 anos do encontro entre Francisco de Assis e o Sultão Malik al-Kamil. Este papa parece ter empreendido uma espécie de “peregrinação de paz”… É bem assim. Também Abu Dhabi se insere neste aniversário, como sinal do desejo de ser «irmão que busca a paz com os irmãos» para «ser instrumentos de paz». A Declaração Conciliar Nostra Aetate afirma que no «decorrer dos séculos, surgiram não poucas dissenções e inimizades entre cristãos e muçulmanos» e, portanto, o Concílio dispôs exortar «a todos a que, esquecidos os acontecimentos passados, sinceramente ponham em prática a mútua compreensão. Em benefício de todos os homens e em ação conjunta, defendam e promovam a justiça social, os valores morais, bem como a paz e liberdade». Em Ratisbona, em 2006, uma citação de Bento XVI causou um doloroso e complexo litígio com o mundo muçulmano. Muitos consideraram a frase citada por Ratzinger como uma ofensa em relação ao Corão, mesmo se se referia à relação entre fé e razão e entre religião e violência. Abriu-se uma estação um tanto quanto tempestuosa, dentro da qual a universidade de al-Azhar interrompeu os contatos com o Vaticano. Nos anos que se seguiram, com grande paciência diplomática, se reataram as relações, inspirando-se na Evangelii Gaudium, que, após ter definido o diálogo inter-religioso como um «dever para os cristãos, como para as outras comunidades religiosas» (EG 250), afirmara a relevância do relacionamento entre cristãos e muçulmanos. Finalmente, em maio de 2016, o Imã al-Tayiib está no Vaticano. Significativo o seu comentário de improviso: «Retomamos o caminho de diálogo e fazemos votos de que seja melhor de quanto era antes». A resposta ao gesto de acolhida de Francisco não se fez esperar. Em 2017, o imã acolheu o Papa Francisco no Cairo, convidando-o a uma Conferência Internacional para a Paz. Naquela ocasião, o Papa, após ter afirmado com força «só a paz é santa e nenhuma violência pode ser perpetrada em nome de Deus, porque profanaria o seu Nome», sugeriu três orientações que, «podem ajudar o diálogo: o dever da identidade, a coragem da alteridade e a sinceridade das intenções». Progressivamente nasceu um profundo entendimento espiritual entre os dois líderes religiosos.
Elaborado por Stefania Tanesini
9 Abr 2019 | Sem categoria
Na Colômbia uma Fundação para as crianças obrigadas a combater ou trabalhar nas plantações de coca. “Criar um lugar onde as crianças pobres encontram dignidade, possam pensar em realizar os seus sonhos e trilhar uma estrada onde se formem com uma mentalidade de justiça e paz”. Com estes objetivos Padre Rito Julio Alvarez, sacerdote da diocese de Ventimiglia-Sanremo, criou em 2006, no coração da região de Catatumbo, no nordeste da Colômbia, a Fundação Oásis de Amor e de Paz.
Localizada em uma das áreas mais carentes da região, onde Padre Rito nasceu e viveu durante 20 anos, a ONG quer oferecer uma oportunidade de resgate a muitas crianças que são alistadas nas milícias de guerra ou constrangidas a trabalhar nas plantações de coca naquele país. Esse objetivo amadureceu da experiência pessoal de Padre Rito, que – lê-se no site da Fundação http://www.oasisdeamorypaz.org/ – “desde pequeno conheceu a guerrilha, os grupos revolucionários ilegais que muitas vezes passavam pela aldeia e procuravam convencer as crianças menores a alistarem-se. Alguns de seus colegas, com 11 ou 12 anos, cederam aos agrados dos revolucionários e foram mortos nos confrontos com o exército regular. Também o seu melhor amigo de infância foi embora com os grupos armados e foi morto aos 14 anos. Não se teve notícias nem mesmo do seu corpo, que foi abandonado”. “Nos anos 90 – conta – os cidadãos do território iludiram-se pensando que, plantando coca, mudariam de vida, ao invés isso agravou a situação. Em 1999, chegaram os paramilitares e houve grandes massacres”. Tornando-se sacerdote em 2000, da Itália Padre Rito observava o sofrimento da sua gente ferida pela guerra pelo controle das plantações de coca, na qual combatiam paramilitares, grupos armados do governo e guerrilheiros. Num território de 250 mil habitantes cerca de 13 mil foram mortos em poucos anos. Também seus familiares foram constrangidos a deixar aquelas terras e muitos de seus amigos morreram.
Sentia uma grande necessidade de ajudar aquelas pessoas. Juntamente com seus familiares decidiu construir uma casa para as crianças-soldado e para aquelas que trabalhavam nas plantações de coca em Catatumbo. “Começamos em 2007 – recorda – num pequeno barraco onde acolhemos inicialmente 10 meninos. Não tínhamos nada de dinheiro, mas muita boa-vontade. Organizamos as camas, minha irmã fazia o papel de mãe e cozinhava. Minha mãe emprestou-me os talheres, os prato, as panelas e a roupa de cama. Foi assim que se iniciou a nossa aventura”. Hoje, a Fundação tem duas sedes, projetos de criação de peixes e de gado e plantações de bananas e café. Centenas de crianças são acolhidas: alguns tornaram-se formadores e são responsáveis pela ONG. Um deles, que tinha entre os parentes um traficante da região, empenhou-se na política. “Tenho a satisfação de ver na Fundação aquelas crianças que vi recolhendo folhas de coca com as mãos cheias de feridas – é o pensamento emocionado do Padre Rito – aqui elas crescem e vivem num ambiente de paz, sentem-se seguras e podem pensar num futuro diferente. Tudo isso empulsiona-me a ir em frente sem medo. A confiança no Senhor dá-me a certeza de que esta obra poderá continuar”.
Claudia Di Lorenzi