Movimento dos Focolares

Moçambique: preparar-se para a reconstrução

Atingidas também comunidades dos Focolares pela enchente no Sudeste da África Nos últimos dias, uma enchente violenta atingiu o Sudeste da África, em particular a parte central de Moçambique. Estamos em contato com membros do Movimento dos Focolares nas regiões de Beira e de Chimoio. Alguns deles coordenam uma missão de cerca de 500 pessoas que hospeda um centro de recuperação (Fazenda da Esperança), uma escola, dois colégios e um hospital. Neste momento toda a missão está submersa pela água e isolada, sem água potável, luz e alimentos. Felizmente não houve mortos, mas nos arredores houve várias vítimas. A Cáritas e as autoridades estão trabalhando para chegar nas regiões isoladas para levar alimentos e gêneros de primeira necessidade. O maior desafio chegará quando a água descer e quando – como afirma D. Dalla Zuanna, bispo de Beira, “teremos que começar a reconstrução e as luzes da emergência já serão apagadas.” Por isso a Coordenação Emergências do Movimento dos Focolares foi ativada para recolher contribuições e destiná-las para a assistência da população do local. Quem desejar colaborar pode contribuir com as seguintes modalidades: Ação por um Mundo Unido ONLUS (AMU) IBAN: IT58 S050 1803 2000 0001 1204 344 Banca Popolare Etica BIC: CCRTIT2T Emergenza Mozambico Ou: Ação para Famílias Novas ONLUS (AFN) IBAN: IT55 K033 5901 6001 0000 0001 060 Banca Prossima Codice SWIFT/BIC: BCITITMX Emergenza Mozambico

Crescer com os próprios filhos

Crescer com os próprios filhos

Descobrir que o próprio filho possui um distúrbio mental pode ser um choque capaz de paralisar a mente e o agir dos pais. Ou então pode prevalecer o desejo de escutar, acompanhar, perseverar, doar-se. Viver a deficiência crescendo juntos. É o caminho que os eslovenos Natalija e Damijan Obadic escolheram, casados há 14 anos, pais de quatro filhos. O mais novo, Lovro, hoje tem seis anos e, três anos atrás, foi diagnosticado com um déficit de atenção. Parecia que não havia alternativas aos remédios e tratamentos standard. Mas o casal experimentou que a relação é também terapia. E potencializa o tratamento. Às vezes, por si só, descobre soluções originais. Mas nenhum resultado é obtido definitivamente, aliás, o percurso de cada dia é um desafio. A união da família e a união com Deus sustentam o caminho. Natalija, como vocês reagiram com a notícia de que o filho de vocês sofre de um déficit de atenção? Parecia ver diante de mim as crianças que possuem esse transtorno e que encontrei no meu trabalho como educadora, e os seus enormes problemas. Naquele dia, eu e Damijan entendemos que o maior ato de amor que podíamos fazer para Lovro, e para todos nós, era que um de nós dois deixasse o trabalho. Tínhamos um empréstimo e salários modestos, mas sabíamos que para ajudá-lo da forma certa era preciso dar a ele muito amor, tempo e energias. Foi muito doloroso e tínhamos grandes incertezas, mas estávamos seguros de que o amor de Deus por nós teria sido nosso apoio. 738de167 4239 49ae 8658 dc83e81017ecO que a experiência com Lovro lhes ensina? Aprendemos a escutá-lo até o fim. Quando você dá a ele alguma instrução deve controlar se a entendeu, acompanhá-lo em cada atividade e fazer continuamente que retorne àquilo que deve fazer, de outra forma começa a brincar. Para ele, chegar até o fim numa ação é como escalar uma montanha intransponível, e por isso se rebela para não o fazer. Às vezes tem crises com um choro descontrolado, joga longe tudo o que vê, dá chutes e socos. Então, com calma e gentileza, você deve encontrar um modo para direcioná-lo àquilo que deve fazer. Aprendemos que com o nosso amor mútuo é possível ajudá-lo e que o amor por Lovro nos guia em entender o que fazer por ele. Como enfrentar as dificuldades diárias? Todo dia rezamos com ele, para que consiga enfrentar as suas dificuldades. Ele é consciente de possuir um distúrbio e isso o ajuda a encarar. Com o nosso amor recíproco, conseguimos sozinhos seguir as indicações dos especialistas. Entendemos que Lovro deve sentir o nosso amor incondicional sempre. Falando com ele procuramos encontrar o modo para melhorar dia a dia. Os outros filhos também são envolvidos nesse “tratamento especial” para Lovro? Que relacionamento existe entre eles? Conversamos com os outros sobre o que fazer para ele, o que pretender e como perseverar para poder ajudá-lo. Como tudo é muito extenuante decidimos dividir-nos os dias da semana. Explicamos aos filhos que não devem ter pena quando pedem ao Lovro para completar uma tarefa, porque assim o ajudam a aprender que tem deveres e que os deve levar até o fim. Eles nos ajudaram muito e depois de três meses vimos os primeiros resultados. Uma noite dissemos a Lovro para colocar o pijama e sentar-se à mesa. Pela primeira vez ele fez isso sozinho, sem se distrair. E nós festejamos!

Aos cuidados de Claudia Di Lorenzi

Evangelho vivido: “Sede misericordiosos como o vosso Pai”

Somos filhos de Deus e podemos assemelhar-nos a Ele em suas características próprias: o amor, a acolhida, o saber esperar pelo tempo dos outros. No banco Trabalho em um banco e sempre procurei ser um elemento de união entre os colegas, por isso fiquei muito mal quando, um dia, descobri que um deles me usava para falar mal do seu responsável. Naquela noite, na igreja, prometi a mim mesmo afastar todo pensamento negativo sobre aquele colega, e acolhê-lo como sempre. Em seguida, tendo conseguido um outro trabalho ele pediu demissão e, ao se despedir, agradeceu-me por ter sido sempre um amigo para ele. Não esperava por isso, mas fiquei feliz por saber que o meu esforço não tinha sido em vão. (F. S. – Suíça) Uma fé madura Cada dia que passa o meu marido perde mais memória e habilidades, e eu mesma não consigo mais me dobrar para pegar alguma coisa… mas, será essa a vida? Quando escutei o Papa Francisco falar aos jovens sobre os idosos, voltou a esperança e uma força nova para enfrentar as dificuldades da velhice e as doenças. Eu sempre rejeitei a fé como panaceia de todos os males, foi preciso uma vida inteira para chegar a uma fé mais madura. (F. Z. – Polônia) Duas horas preciosas Hoje era o meu dia de voluntariado no hospital, mas chovia e eu estava cansada: no fundo, eu tenho 62 anos e sofro de artrose. Mas, pensando naqueles doentes fui, mesmo assim. Quando cheguei ao hospital encontrei um paciente deprimido, nu, paralisado, sem ninguém que o acudisse. Passei duas horas com ele, procurando dar-lhe tudo aquilo que eu era capaz. E pensar que ontem à noite, fazendo um balanço do dia, eu me sentia inútil! (M. – Itália) Sozinha Quando meu marido morreu, apenas dois anos depois do nosso casamento, eu me perguntei como poderia criar sozinha as minhas filhas. Encontrei a resposta na Palavra de Deus, que é Pai de todos. Bastava que eu conseguisse colocá-la em prática. Eu provei isso muitas vezes, principalmente quando, com o crescimento delas, os problemas ficaram mais complexos: a escolha do tipo de escola, as amizades, os divertimentos… Às vezes sinto a mesma desolação de muitas pessoas, sozinhas como eu, que levam para frente uma família; é então que, continuando a acreditar no amor de Deus, encontro o equilíbrio, a possibilidade de entabular um diálogo com minhas filhas, inclusive sobre as questões mais delicadas. (I. C. – Itália)

O educador: profissão e vocação

A história de Marco Bertolini, educador de saúde comunitária na província de Roma (Itália): “Os educadores também precisam aprender dos educandos. É possível transformar as dificuldades em oportunidades”. O diagnóstico de poliomelite quando tinha ainda poucos anos de idade, não se tornou para Marco uma prisão da qual gritar a sua raiva para o mundo, mas uma ocasião para reconhecer a riqueza da sua vida e o potencial que a sua “condição” escondia, para depois, como adulto, ajudar muitos adolescentes “difíceis” a descobrir a própria beleza e a dignidade de ser pessoa. Para ele foi decisivo o encontro com os jovens do Movimento dos Focolares. Hoje, aos 59 anos, Marco Bertolini – casado e pai de dois filhos – trabalha como educador de saúde comunitária num bairro da periferia de Roma. Conversamos com ele no recente congresso “EduxEdu” sobre a educação de crianças e adolescentes, realizado no Centro Mariápolis de Castelgandolfo (Itália): Marco, a tua história parte de uma dificuldade inicial transformada em oportunidade. O que te levou a esse amadurecimento? Desde criança tive a clara percepção das minhas diferenças físicas. Minhas irmãs e meus irmãos viviam com a família e eu estava num colégio interno. Isso fez crescer em mim uma grande raiva diante de quem eu considerava melhor do que eu. Por isso eu procurava sempre o confronto, desafiava minha família para ver se realmente me amava. Aos 20 anos, as coisas mudaram. Procurava um sentido para a minha vida quando encontrei os jovens dos Focolares que viviam o Evangelho, eram unidos e se respeitavam. No meu bairro, na periferia de Roma, eu fazia muita confusão e não tinha uma boa fama, mas eles me aceitavam. Faziam-me sentir uma pessoa e não olhavam os meus defeitos. Explicavam-me que procuravam querer bem ao próximo, como diz o Evangelho. Eu era incrédulo, pensava que o Evangelho fosse uma coisa linda mas que na vida real temos que lutar. E ao invés pouco a pouco eles mostraram-me que viver o Evangelho é possível e pode transformar a nossa vida. Como foi que te tornaste um educador? No início, estudei teologia. Comecei a descobrir o relacionamento com Deus e me perguntava se a minha vocação fosse o sacerdócio. Assim fui para o seminário dedicando-me a vários serviços. Em Roma colaborava com a Cáritas e no centro de escuta atendia principalmente os sem-teto: entendi que a minha estrada era empenhar-me no social. As pessoas com quem mais me preocupava eram os adolescentes. Queria partilhar com eles a dádiva que eu tinha recebido ao encontrar os jovens do Movimento, para que eles também pudessem descobrir o valor profundo da vida. Por isso, deixei o seminário e comecei a estudar como operador social e educador. Quando nos encontramos com “jovens difíceis” pensa-se principalmente em como “contê-los”. Mas acolher a “ferida” deles é um desafio difícil: como o afrentas? Os jovens não devem ser contidos mas ouvidos e compreendidos. Procuro agir assim como Deus agiu comigo: aceitou-me assim como era. E então, antes de tudo, procuro acolhê-los assim como são, com a liguagem deles, sem querer mudar nada, mas fazendo-lhes entender que existe a oportunidade de que alguém lhes queira bem. Parto da minha experiência com Deus e das emoções deles. Os jovens devem ser ajudados com propostas de vida diferentes. De alguma maneira é como estabelecer com eles um “pacto educativo”. Podes nos contar uma experiência em relação a isso? Há anos faço parte de uma equipe que organiza um campo de trabalho, chamado “stop’n’go”, onde dá-se aos adolescentes uma oportunidade formativa na perspectiva do ideal da unidade. Lembro de uma mãe solteira de 19 anos, com uma história dolorosa, que alternava comportamentos adultos e infantis. Perguntávamo-nos se a sua inserção no grupo seria benéfica para ela e para os outros jovens. Decidimos fazer um acordo com ela: podia sair somente acompanhada por um adulto em troca do respeito às regras do campo e da participação às atividades. Ela aceitou. Da parte dos outros jovens houve um grande esforço para que ela se sentisse acolhida e nunca julgada pelos outros. Experimentei que também os educadores devem aprender com os educandos, e que é possivel transformar uma dificuldade em oportunidade.

Claudia Di Lorenzi

Pathways: caminhos para um mundo unido

Pathways: caminhos para um mundo unido

Seis temáticas para seis anos, um percurso de aprofundamento que parte do âmbito da economia, da comunhão e do trabalho. O mundo unido, uma meta árdua, mas não utópica, possível de ser alcançada se atua-se em diferentes frentes. Estão bem conscientes disso as novas gerações dos Focolares, a quem Chiara Lubich havia sugerido encaminhar-se por muitos “caminhos” que conduzem a um mundo unido, conhecê-los e aprofundá-los para alcançar este objetivo. Por isso, justamente dos jovens partiu a ideia de um percurso mundial, em seis anos, que eles chamaram “Pathways for a united world”, caminhos para um mundo unido. Um caminho com ações e aprofundamentos sobre seis grandes temáticas. Nos próximos meses lhes proporemos testemunhos e experiências de vida sobre a primeira delas: economia, comunhão e trabalho. FOTO pathwaysrossoundercatDoar o que temos a mais – Desde quando nos casamos, todo ano sentimos o dever de compartilhar com outros o que temos a mais. A experiência começou durante os preparativos para o casamento, quando recebemos muito, em afeto e em ajudas financeiras. Decidimos fazer uma doação a uma associação do Timor Leste que ajuda concretamente crianças em dificuldades, dirigida pelo sacerdote que nos casou. Foi incrível receber, pouco depois da doação, exatamente dez vezes mais. Depois, a cada ano, combinamos doar uma parte das nossas entradas para alimentar a comunhão de bens que se vive no Movimento dos Focolares. Justamente hoje de manhã, eu tinha feito um cheque para este fim quando recebi de presente um casaco: bonito, da moda e… exatamente do meu número. (S. e C. – Itália) As economias do cofrinho – Eu tenho cinco anos e moro em Alepo (Síria). Algum tempo atrás eu soube que os jovens do Movimento dos Focolares tinham decidido passar uma tarde num mosteiro de religiosas que trabalham com pessoas idosas, e levar o jantar para elas. Eu também queria participar. Mas, um dia antes, eu não estive bem, e precisei ir à pediatra. Enquanto ela me examinava eu aproveitei para contar sobre aquela iniciativa. “Doutora, amanhã, com a minha família, queremos ir encontrar alguns idosos. Para contribuir eu até esvaziei o meu cofrinho. Mas, amanhã eu vou poder ir?”. E ela: “Sim, você pode ir porque está bem de saúde. Mas eu vou lhe devolver o que pagou pela consulta, porque também quero participar da iniciativa de vocês”. (G. – Síria) Envolver a cidade – Conheço muitas pessoas que não têm nem o indispensável para viver. O que fazer? Conversando sobre isso com os colegas surgiu uma partilha espontânea. Eu ganhava muitas coisas que depois distribuía a famílias necessitadas. A ideia se espalhou e a quantidade das coisas aumentava, eu precisava de mais espaço e de alguma ajuda. Um casal amigo colocou à disposição um depósito; um colega, que tem ideias e cultura muito diferentes das minhas, e dois jovens profissionais deram o seu tempo para esta ação. Depois de um mês inauguramos o nosso “Bazar comunitário”, estavam presentes o secretário da ação social e alguns vereadores. Trabalhando, começamos a nos conectar com as instituições sociais da cidade e elaboramos um grupo de email para colocar em contato quem tem algo a doar com quem está precisando. Recebemos ajudas e objetos de todo tipo, de indivíduos e de empresas. O Bazar tornou-se uma referência inclusive para pessoas sozinhas que precisam sentir-se úteis. Um dia, para ajudar uma lavanderia social a comprar uma máquina adequada, pedi que um colega me acompanhasse: “É a primeira vez que termino o ano fazendo algo pelos outros – ele me disse na volta -. Estou feliz. Obrigado por me ter falado dessa iniciativa”. (M. D. A. R. – Portugal)

A greve do clima

A greve do clima

Os adolescentes do Movimento Juvenil pela Unidade do Movimento dos Focolares e Prophetic Economy aderem a «FridaysForFuture», a iniciativa mundial para a salvaguarda do meio ambiente promovida por Greta Thunberg IMG 0086Hoje de manhã, no jardim da sede internacional do Movimento dos Focolares em Rocca di Papa (Itália), a Presidente dos Focolares Maria Voce e o copresidente Jesús Morán plantaram uma árvore (facebook direto do evento) em apoio à iniciativa internacional #FridaysForFuture promovida por Greta Thunberg, a sueca de dezesseis anos que em pouco tempo se tornou um símbolo do ambientalismo. O mundo começou a se aperceber dela quando, no início do ano letivo, no outono passado, Greta decidiu fazer uma greve de aulas toda sexta-feira de manhã para fazer uma ocupação pacífica diante do Parlamento de Estocolmo. O seu objetivo era o de protestar por uma falta de um posicionamento por parte dos líderes políticos diante de tudo o que está acontecendo ao meio ambiente. Depois, no final de janeiro, em Davos na Suíça, acabou na mira da mídia mundial quando falou diante dos grandes da terra no World Economic Forum: “Vocês estão destruindo o meu futuro, não quero que tenham esperança, quero ver vocês em pânico”. Também os adolescentes do Movimento Juvenil pela Unidade do Movimento dos Focolares, juntamente com Prophetic Economy, decidiram aderir à iniciativa internacional prevista para hoje, sexta-feira, 15 de março, para pedir com força que sejam respeitadas as convenções internacionais para salvaguardar o planeta, que se pare de falar e se aja com decisão. “As tomadas de posição de muitos políticos demonstram que a abordagem top-down não é suficiente – explica Luca Fiorani, coordenador de EcoOne, a rede internacional dos Focolares dos operadores no âmbito da ecologia e da sustentabilidade. As grandes conferências internacionais da ONU sobre o clima demonstram que é difícil tomar decisões compartilhadas para combater o aquecimento global. E assim entram em jogo as abordagens bottom-up, isto é, aquelas em que a população pressiona os poderosos para fazer com que tomem decisões eficazes para evitar a mudança climática. E então a iniciativa destes adolescentes é importantíssima, porque são aqueles que, num amanhã, mais pagarão pelos efeitos da mudança climática. É, portanto, importante que os adolescentes se movam em nível global e que movam as consciências de todos. Se não agirmos agora, no arco de 20 ou 30 anos poderia ser tarde demais. Também o Papa Francisco recorda isto com frequência. Basta ir ler a sua carta sobre a Quaresma, toda centrada na conversão ecológica: rezar, jejuar, dar esmola, mas – como pano de fundo – com o zelo pela criação”. E o empenho dos adolescentes dos Focolares para atingir o objetivo “Fome Zero”, vai precisamente na direção da iniciativa de Greta Thunberg.

Lorenzo Russo